A Jornada do Paciente com Linfoma de Hodgkin no Brasil

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Com origem no sistema linfático, o Linfoma de Hodgkin (LH), também conhecido por Doença de Hodgkin, é um câncer que acomete as nossas células de defesa e pode se desenvolver em qualquer parte do corpo, mais frequentemente nos gânglios linfáticos presentes no tórax, pescoço, axilas ou virilha. Quase a totalidade dos pacientes (98%) relata ter apresentado algum sintoma antes de descobrir a doença, enquanto que apenas 2% foi diagnosticado em exames de rotina (1).

Apesar de há bem pouco tempo não termos muita informação sobre o Linfoma de Hodgkin, atualmente este tipo de câncer linfático está cada vez mais presente em noticiários e na vida das pessoas e uma boa parcela da população já ouviu falar ou conhece alguém que já teve a doença. Por outro lado, quem já foi diagnosticado com essa patologia, em sua maioria (85%), relata nunca ter ouvido falar na doença antes e, 7 em cada 10 pacientes, busca informações principalmente através da internet.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número de casos novos de Linfoma de Hodgkin estimado para o ano de 2016 é de 2.470 casos, onde 59% são homens e 41% mulheres, de qualquer faixa etária, porém, os jovens de 15 a 25 anos são os que mais recebem o diagnóstico. Ainda segundo o Inca, cerca de 39% dos casos são esperados na Região Sudeste e 27% na Região Sul (2).

Diagnóstico X Tratamento

Entre os pacientes que tiveram sintomas, 74% levaram até 3 meses para procurar o médico e a maioria (66,5%) iniciou o tratamento em até 30 dias após o diagnóstico, destacando que a principal dificuldade para iniciar com as terapias é o agendamento de consultas/exames (79%). Embora em 75% dos casos a primeira especialidade médica procurada é o clínico geral, o profissional responsável pelo tratamento de 98% dos pacientes é mesmo o hematologista ou oncologista.
É importante ressaltar que o linfoma de Hodgkin tem altas chances de cura, principalmente quando a doença é diagnosticada logo no início. Os tratamentos são baseados principalmente em ciclos de quimioterapia, sessões de radioterapia e, em alguns casos, é indicado o transplante de medula óssea (TMO) autólogo*.
Como primeira linha de tratamento**, 49% faz quimioterapia com radioterapia e 47% faz apenas quimioterapia. Dos pacientes que partem para uma segunda linha de tratamento, 45% faz quimioterapia seguido de TMO autólogo.
Os efeitos colaterais do tratamento de LH mais reportados pelos pacientes são: queda de cabelo (88%), náuseas e vômitos (87%), fadiga/fraqueza (71%), mudança de apetite (61%), alterações intestinais (45%), reações na pele (42%) e alterações de mucosa oral (40%). Os pacientes também relataram que os efeitos adversos da quimioterapia pesam na hora de dar continuidade ao tratamento, esses efeitos despontam como a principal dificuldade nesta fase em 65% dos casos.

Atualmente, com os avanços da ciência, os tratamentos possibilitam uma remissão completa da doença*** e, consequentemente, uma vida normal aos pacientes diagnosticados com LH.

Notas:
* Transplante de medula óssea que acontece com as próprias células do paciente, mas só é possível nos casos em que a medula não esteja completamente comprometida e que haja um número suficiente de células-tronco saudáveis na medula ou no sangue do paciente.
** Primeiro tratamento prescrito pelo médico quando o paciente é diagnosticado.
*** Quando não há mais sinais da doença no organismo do paciente.

Referências:
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINFOMA E LEUCEMIA – ABRALE. Pesquisa qualitativa de seguimento terapêutico com pacientes de Linfoma de Hodgkin. Revista da ABRALE, 2013.
2. Observatório de Oncologia. 23 Mil Casos Novos de Câncer no Sangue. Disponível online em: http://observatoriodeoncologia.com.br/23-mil-casos-novos-de-cancer-no-sangue-em-2016

Fontes dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/.