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Tratamento quimioterápico da Leucemia Linfoide Aguda em Crianças e Adolescentes no SUS

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou que para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados 5.940 casos novos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 6 casos novos a cada 100 mil homens e 5 casos novos para cada 100 mil mulheres (1). Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o risco de desenvolver leucemia linfoide aguda é maior em crianças de até 5 anos. Após essa idade, o risco declina lentamente até a faixa dos 20 anos, começando a aumentar lentamente após os 50 anos (2).

As neoplasias infantojuvenis mais frequentes são as leucemias (3) e no SUS representaram 52% das quimioterapias para o câncer nessa faixa de idade (4). A principal modalidade terapêutica é a poliquimioterapia, com ou sem radioterapia (5).

Após o surgimento do Grupo Brasileiro para Tratamento da Leucemia Linfoide Aguda (GBTLI) em 1980, foram desenvolvidas pesquisas em diferentes centros de tratamento para analisar a taxa de sucesso do tratamento da LLA. O primeiro estudo brasileiro do grupo (1980-1982) observou uma melhoria na sobrevida que passou de 50% para 58% no segundo estudo (1982-1995) e 70% em um terceiro estudo (1985-1988) (3).

O objetivo deste estudo é identificar quais protocolos estão sendo utilizados no Brasil para o tratamento da LLA e seus desfechos. Foram analisadas as Autorizações de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC) com procedimentos quimioterápicos para o tratamento de tumores de criança e adolescente com o CID-10 de leucemia linfoide aguda – LLA (C91.0) entre os anos de 2012 e 2017.

O que dizem os dados?

Foram identificados três principais protocolos utilizados para o tratamento da LLA nos estabelecimentos de saúde do Brasil: 1. GBTLI – desenvolvido pelo Grupo Brasileiro para o Tratamento da Leucemia Linfoide Aguda na Infância (6); 2. BFM – desenvolvido pelo Grupo Europeu Berlim-Frankfurt-Münster (7) e 3. St. Jude (Total Therapy) – desenvolvido nos EUA no St. Jude Children’s Research Hospital (8).

Foram encontrados os registros de tratamento de 11.036 crianças e adolescentes com LLA: 10.018 pacientes estavam com código de 1ª linha (39% utilizaram o protocolo GBTLI; 29% BFM; 1% St. Jude; 4% outros protocolos e 27% não relataram o protocolo na APAC); 854 trataram em 2ª linha, 134 em 3ª linha e 30 em 4ª linha. Dos 1.018 pacientes em recidiva (9% de 11.036), 87 (9%) estavam em tratamento com protocolo GBTLI; 34% com BFM; 13% St. Jude; 12% outros e 32% não relatado. Há registro de 1.066 óbitos (10% de 11.036): 73% estavam em 1ª linha e 27% nas demais. As taxas de óbito encontradas nos protocolos de 1ª linha foram: 6% para BFM; 9% GBTLI; 9% St. Jude; 11% para outros e 7% para protocolo não relatado. Foram relatadas 2.953 altas e 7.013 pacientes estavam com o status de permanência (com significado impreciso).

Conclusões

Considerando o alto número de casos de LLA alto risco no Brasil, variando entre 55-61%, (55% (9), 61% (10) e 61 % (11)), poderíamos esperar um número de recidivas e óbitos maior. Foram encontradas 5.215 diferentes formas de preencher o campo “protocolo de tratamento” na APAC de quimioterapia e os casos considerados como “protocolo não relatado” traziam abreviaturas de medicamentos, letras aleatórias e descrições não compatíveis com tratamentos para LLA em pediatria. Os registros ainda mostraram pacientes utilizando APAC de recidivas com o protocolo GBTLI. Devido a essas incongruências não foi possível realizar outras análises. Este estudo aprimora o conhecimento das características do paciente com LLA e apoia estratégias de gestão do sistema de saúde. Ressalta-se a importância de melhorar a qualidade do preenchimento da APAC para compreender a terapêutica e o comportamento da LLA no ambulatório quimioterápico nos serviços públicos do Brasil.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS (Quimioterapia)

Referências:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2017.
2. Sociedade Americana de Câncer. Principais estatísticas para leucemia linfocítica aguda. Disponível em: https://bit.ly/2xkovbx. Acesso em: 09 ago. 2018.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer. Câncer da Criança e Adolescente no Brasil: dados dos registros de base populacional e de mortalidade. Rio de Janeiro: INCA, 2008. 220 p.
4. Lobo, T.C. Observatório de Oncologia. A carga do câncer infantojuvenil e o tratamento no SUS. Disponível em: https://bit.ly/2ps1atp. Acesso em: 21 jun. 2018.
5. Busato, M. et al. Protocolo mais utilizado no tratamento da leucemia linfocítica aguda na infância em hospitais de Porto Alegre. Ped Mod. v.39 (2003): 432-45.
6. Ganazza, M. A. Estudo de doença residual mínima em leucemia linfóide aguda da criança e do adolescente. 2014. 116 f. Tese (Doutorado em Ciências Médicas) – Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas. UNICAMP. 2014. Campinas.
7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Condutas do INCA/MS / INCA/MS – Procedures. Leucemias Agudas na Infância e Adolescência. Revista brasileira de cancerologia, Rio de janeiro, v. 47, n. 3, p. 245-257, 2001.
8. St. Jude Children’s Research Hospital. Curing Children with Acute Lymphoblastic Leukemia. Disponível em: https://www.chinesehospital-sf.org/sites/default/files/pdfs/Pui_PPT3.pdf. Acesso em: 17 ago. 2018.
9. Howard SC, Pedrosa M, Lins M, Pedrosa A, Pui CH, Ribeiro RC, Pedrosa F. Establishment of a pediatric oncology program and outcomes of childhood acute lymphoblastic leukemia in a resource-poor area. JAMA. 2004 May 26;291(20):2471-5. PubMed PMID: 15161898.
10. Scrideli CA, de Paula Queiróz R, Bernardes JE, Defavery R, Valera ET, Tone LG. Use of simplified strategies to evaluate early treatment response in childhood acute lymphoblastic leukemia. Leuk Res. 2006 Aug;30(8):1049-52. Epub 2006 Jan 6. PubMed PMID: 16406015.
11. Rech A, de Carvalho GP, Meneses CF, Hankins J, Howard S, Brunetto AL. The influence of traumatic lumbar puncture and timing of intrathecal therapy on outcome of pediatric acute lymphoblastic leukemia. Pediatr Hematol Oncol. 2005 Sep;22(6):483-8. PubMed PMID: 16169814.

A equipe do Observatório de Oncologia manifesta seus mais sinceros agradecimentos para a equipe do CliqueSUS por toda ajuda prestada e apoio na extração dos dados.

Infecções virais (HIV, HBV e HCV) transmitidas por hemocomponentes no Brasil

A obrigatoriedade do teste de ácido nucleico (NAT) no Brasil, que verifica a presença de vírus no sangue a ser transfundido, passou a vigorar em 2013 (1,2). O Teste NAT consegue encurtar o prazo de detecção do vírus – a chamada janela imunológica – nas bolsas de sangue doadas, pois identifica o material genético do vírus e não os anticorpos.

O vírus HIV, que até então era constatado apenas 22 dias após a contaminação, com o NAT é detectado a partir de 7 dias da contaminação do doador do sangue. Já a Hepatite C, antes constatada após 70 dias do contágio, agora é detectada em 11 dias (3).

O objetivo deste estudo é avaliar a incidência de infecção viral (HIV, HBV e HCV) transmitida por hemocomponentes no Brasil. Foram analisados os dados obtidos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN (4,5). Para este estudo foram incluídos os casos notificados para Aids e Hepatites Virais entre 2007 e 2017, tendo como modo de infecção a transfusão sanguínea.

Dados oficias do Ministério da Saúde mostram que em 2015, os serviços públicos foram responsáveis por 35% das transfusões de sangue no Brasil, seguidos dos serviços credenciados ao SUS, que responderam por 47,83%, e dos serviços exclusivamente privados, que atingiram 17% (6). Com base nas publicações técnicas dos anos anteriores, o Observatório de Oncologia estima que neste período (2007-2017) foram realizas de 38 milhões de procedimentos de transfusões de sangue no Brasil.

Hepatites Virais (HBV e HCV)

Do total de notificações para Hepatites Virais (420.280), as infecções adquiridas via sangue transfundido corresponderam a 5% (21.512), com queda de 52% (2.179 para 1.040) nos casos notificados entre os anos de 2007 e 2017, média 1.956 casos/ano. Destes, 59% eram mulheres (razão feminino/masculino 1,4); 50% entre 40-59 anos e 22% entre 60-69; 63% brancos e 28% negros; 51% (13.553) eram da região Sudeste (SE), seguido por 36% do Sul (S), 7% do Nordeste (NE), 3% do Centro-Oeste (CO) e 2% do Norte (N). O agente etiológico foi 84% vírus C, 14% vírus B e 2% vírus B+C; 91% com hepatite crônica e 3% aguda.

Aids (HIV)

No mesmo período, as notificações de Aids via sangue transfundido corresponderam a 0,04% do total de casos de AIDS notificados (155 de 419.982) com queda de 85% (26 para 4) entre os anos de 2007 e 2017, média 7 casos/ano. Destes, 76% eram homens (razão masculino/feminino 3,2); 43% entre 20-39 anos e 46% entre 40-59; 54% brancos e 34% negros; a distribuição geográfica foi semelhante às hepatites: SE 45%, S 25%, NE 12%, CO 10%, N 9%.

Conclusões

Não é possível verificar o impacto do teste NAT pois a data em que o paciente recebeu a transfusão não está disponível para consulta (o paciente pode ter recebido o sangue contaminado antes de 2013, quando da obrigatoriedade do teste NAT), embora a informação esteja registrada na Ficha de Notificação (7,8). No caso das hepatites, a maioria chegou ao serviço de saúde após os primeiros sintomas, sem investigação prévia. Apesar de infecções virais por via transfusional ocorrerem, não há no mercado mundial testes com 100% de sensibilidade para detectarem a presença de vírus no sangue (9). A subnotificação das infecções foi uma limitação do estudo. Embora os dados do SINAN de 2014 – 2017 estejam sujeitos a revisão, ressalta-se que as notificações de casos de infecção viral por sangue transfundido reduziram consideravelmente nos 11 anos estudados.

O estudo aprimora o conhecimento das características de infecções por transfusão de sangue no Brasil, apoiando estratégias de vigilância epidemiológica para garantir a prevenção das infecções via transfusão sanguínea.

Fonte dos Dados:
Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN

Referências:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria N.º 2.712, de 12 de novembro de 2013. Redefine o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos (Revogada). Disponível em: https://bit.ly/2OrCmuK. Acesso em: julho de 2018.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria N.º 158, de 4 de fevereiro de 2016. Redefine o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos. Disponível em:https://bit.ly/2HZPfrr. Acesso em: julho de 2018.
3. ABRASTA – Associação Brasileira de Talassemia. Manual ABRASTA – Talassemia: tudo o que você precisa saber [website]. Disponível em: http://abrasta.org.br/manual-de-talassemia/. Acesso em: julho de 2018.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS. Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN [webiste]. Casos de Aids – Desde 1980. Disponível em: https://bit.ly/2M6ZDQU. Acesso em: julho de 2018.
5. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS. Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN [webiste]. Hepatites Virais. Disponível em: https://bit.ly/2vl72VJ. Acesso em julho de 2018.
6. Brasil. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Secretaria De Atenção à Saúde. Ministério Da Saúde. Caderno de informação – sangue e hemoderivados: Dados de 2015. 1.ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 118 p.
7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ficha de Notificação Compulsória para Hepatites Virais. Disponível em: https://bit.ly/2NW8ky1. Acesso em: julho de 2018.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ficha de Notificação Compulsória para Aids (Adulto). Ficha de Notificação Compulsória para AIDS. Disponível em: https://bit.ly/2v02dBW. Acesso em: julho de 2018.
9. Garcia, Fernanda B. et al . Importância dos testes sorológicos de triagem e confirmatórios na detecção de doadores de sangue infectados pelo vírus da hepatite C. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São José do Rio Preto , v. 30, n. 3, p. 218-222, 2008.

Transfusões ambulatoriais de sangue e hemocomponente no SUS

A transfusão de sangue é um procedimento médico que consiste na transferência do sangue total ou de parte de seus componentes (hemocomponentes) de um doador para um receptor. Pacientes com câncer como Linfoma, Mieloma Múltiplo e Leucemia, por exemplo,  perdem, temporariamente, a capacidade de produzir as células do sangue, devido aos tratamentos, ou, pela própria doença e é muito comum precisarem de uma transfusão por conta disso.

Segundo o Ministério da Saúde, as bolsas de sangue coletadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) correspondem a 75% do sangue colhido no Brasil (1). De acordo com as informações do Sistema de Informação Ambulatorial (SIM) do SUS, em 2017 foram realizadas 4.000.658 de procedimentos para a triagem de doadores, porém, o número de coletas de sangue foi de 3.290.615, equivalente a 82%.

O objetivo deste estudo é dimensionar a prevalência de patologias oncológicas dentro das transfusões ambulatoriais realizados no serviço público de saúde (SUS)

A transfusão de sangue e hemocomponentes é essencial para o tratamento oncológico

O paciente oncológico pode precisar de transfusão por diversas razões, destacam-se (2): I. As cirurgias para tratar o câncer, na maioria das vezes prolongadas. A perda de sangue durante esses procedimentos pode levar à necessidade de reposição; II. O tratamento com radioterapia e/ou quimioterapia, afeta a fabricação de células do sangue na medula óssea. Isso pode resultar, por exemplo, em baixos níveis de glóbulos brancos e plaquetas, aumentando o risco de infecções e sangramentos; III. Determinados tipos de câncer, podem causar hemorragias internas, levando à queda de glóbulos vermelhos no organismo.

Transfusões de sangue realizadas ambulatorialmente no SUS

Em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde, considerando todos os procedimentos ambulatoriais no SUS, foram realizadas 430.705 transfusões, incluindo unidade de sangue total e hemocomponentes. Entre os anos de 2008 e 2017, o número de transfusões apresentou uma queda de 47,6%, caindo de 822.493 procedimentos para 416.477. Para o mesmo período, os principais procedimentos transfusionais incluíram: transfusão de concentrado de hemácias (63,9%); transfusão de concentrado de plaquetas (16,1%);  transfusão de plasma fresco (10,6%); componentes irradiados (3,6%) e crioprecipitado (1,8%).

Até o ano de 2010, não é possível identificar a causa da transfusão, pois o preenchimento do CID não era necessário. No ano de 2017 o câncer foi diretamente responsável por 8,03% dos procedimentos transfusionais no SUS. Para o período de 2008-2017, entre as neoplasias que necessitaram de transfusão (258.860) destacam-se: Leucemia mieloide aguda (10%); Leucemia linfoblástica aguda (7,33%), Síndrome mielodisplásica (5,54%), e Mieloma múltiplo (4,05%).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA/SUS).

Referências:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Editoria de Saúde. Exame avalia qualidade de sangue encaminhado para transfusão. Brasília, 2014. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/editoria/saude/2014/08/exame-avalia-qualidade-de-sangue-encaminhado-para-transfusao. Acesso em: 30 de maio de 2018.
2. MEDQUIMHEO. Transfusão de sangue e sua importância. Espírito Santo, 2013. Disponível em: http://medquimheo.com.br/transfusao-de-sangue-e-sua-importancia/. Acesso em: 30 de maio de 2018.

Câncer como a primeira causa de morte nos municípios brasileiros

Segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), organização que calcula a incidência e mortalidade por câncer no mundo, estima-se que a doença tenha sido a responsável por 8,2 milhões de mortes por câncer em 2012. No Brasil, as neoplasias malignas passaram a ser uma das principais causas de morte na população nos últimos anos (1). Se nada for feito, em 2029 o câncer se tornará a primeira causa de morte no país (2). Em relação aos casos novos no Brasil (5) estima-se +/- 600 mil novos casos de câncer ao ano, para o biênio 2018-2019, 68% estarão nas Regiões Sul e Sudeste. No Sudeste, encontra-se quase a metade dessa incidência (47%). Existe grande variação na magnitude e nos tipos de câncer entre as diferentes Regiões do Brasil (8).

Método
Foi realizado um estudo descritivo analítico baseado em dados secundários. Em resumo, uma análise de microdados do governo. Foram incluídos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, Cadastro Nacional e Estabelecimentos de Saúde e Base Populacional segundo as estimativas realizadas para o TCU.

Resultados
O câncer é principal causa em 516 (10%) municípios brasileiros.

Os dados mostram que a maior parte das cidades onde o câncer já é a principal causa de morte está localizada em regiões mais desenvolvidas do País, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são maiores. Dos 516 municípios onde os tumores matam mais, 80% ficam no Sul (275) e Sudeste (140). No Nordeste, estão 9% dessas localidades (48); no Centro-Oeste, 34 (7%); e no Norte, 19 (4%).

Tabela 1. Quantidade de municípios onde o câncer é a principal causa de morte, segundo região do Brasil e Unidade da Federação – 2015

Ao todo, estes municípios concentram uma população total de 6,6 milhões de habitantes. Onze municípios são considerados de grande porte, sendo Caxias do Sul (RS) o mais populoso deles, com quase meio milhão de habitantes. Outros 27 são de médio porte (com população entre 25 mil e 100 mil) e a grande maioria (478) está situada na faixa de pequenos municípios, com menos de 25mil habitantes.

O Rio Grande do Sul é o Estado com o maior número de municípios: 140 (28%) de 497 já apresentam o câncer como primeira causa de morte – em São Paulo esse número é de 8% (56 de 645). Enquanto em todo o País as mortes por câncer representam 17% do total, no território gaúcho esse índice chega a 34%.

Com relação ao sexo: das 9.865 mortes registradas por câncer nas 516 cidades, a maioria foi entre os homens (57%) – no Brasil, 53% dos os óbitos por câncer são em homens. Com relação à idade: 70% dos óbitos por câncer são em indivíduos acima dos 60 anos – no Brasil, esse valor é de 68%. Crianças e adolescentes somaram 1,3% dos óbitos por câncer naquele ano.

 

 

Possíveis causas desse cenário:
– Aumento da expectativa de vida e consequente mudanças genéticas decorrentes do envelhecimento da população (7);
– Melhor acesso a medicamentos e terapias de controle para doenças infecciosas evitando a morte por essas causas (7);
– Tabagismo: as 3 capitais da região Sul estão entre as 7 com maior prevalência de tabagismo no Brasil (5,8) (o tabagismo pode estar relacionado ao aumento de casos de câncer de pulmão, esôfago, cabeça e pescoço);
– Grande parte dos residentes são de raça/cor branca, população que apresenta maior vulnerabilidade a radiação UV (5,7,9);
– Melhor identificação e registro dos óbitos por câncer, devido ao maior acesso da população a exames de diagnóstico do câncer (3,5).

No país, as doenças do aparelho circulatório, como AVC e enfarte, ainda são responsáveis por grande parte dos óbitos, mas o número de mortes por tumores cresce em maior velocidade:
No ano de 2015, foram registradas 209.780 mortes por câncer e 349.642 por doenças cardiovasculares e esses óbitos, quando comparados aos dados de 1998, evidenciam um aumento de 90% nas mortes por câncer e de 36% por causas cardiovasculares (Causas de óbito em 1998: 110.799 vítimas de câncer e 256.511 vítimas de doenças cardiovasculares) (3).

Infraestrutura
Na tentativa de descobrir as possíveis razões que expliquem essa disparidade, fez-se um levantamento da infraestrutura da assistência oncológica nas macrorregiões do pais. Atualmente, o câncer pode ser tratado nos centros habilitados pelo Ministério da Saúde como unidades de Assistência de Alta Complexidade (UNACON) e Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON). Embora todos os estados brasileiros tenham pelo menos um hospital público habilitado em oncologia, as regiões Sul e Sudeste concentram 69% (205) deles. Além disso, nestas duas regiões estão 66% (1.354) das salas de quimioterapias e 72% (355) dos aparelhos de radioterapia. Referente à saúde suplementar, para as mesmas regiões estão disponíveis 75% (308) dos hospitais que realizam tratamento oncológico (6). Em relação a estrutura implantada, a distribuição geográfica parece estar alinhada com a magnitude da doença, maior concentração de equipamentos de saúde nas regiões de maior incidência/mortalidade. Porém são necessários mais estudos para observar outras especificidades do cuidado oncológico.

Próximos Passos
– Identificar as causas do aumento significativo na mortalidade por câncer nesses municípios;
– Caracterizar os reais fatores da alta mortalidade por câncer nas regiões onde se tem mais estrutura implantada para o tratamento do câncer;
– Mapear o fluxo de migração de pacientes que estão fora da rede, das regiões com dificuldade de acesso ao tratamento para as regiões Sul e Sudeste;
– Verificar o cumprimento da Lei no 12.732/12 (Lei dos 60 dias) nos serviços de saúde;
– Realizar ações para prevenção e controle de doenças crônicas como forma alternativa para a redução da mortalidade por câncer.

Fonte dos dados:
SIM – Sistema de Informação de Mortalidade
CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
TCU – Base Populacional disponível no Website do DATASUS

Referências:
1. Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C, Rebelo M, Parkin DM, Forman D, Bray, F. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11 [Internet]. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013. Disponível em: http://globocan.iarc.fr. [acessado 2018 mar. 01].
2. Matarazzo H, Lobo TC, de Melo NVM, Loggetto S, Fedozzi F, Steagall M. 2029: ano em que o câncer será a primeira causa de morte no Brasil. Braz J. Oncol. 2017; 13(Supl): 1-402, pág. 1.
3. Brasil. Ministério da Saúde [Internet]. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Informações de Saúde. Estatísticas Vitais. Sistema de Informação sobre Mortalidade. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/obt10br.def [acessado 2018 mar. 01].
4. Brasil. Tribunal de Contas da União (TCU) [Internet]. Bases Populacionais. Estimativas TCU 1992 até 2015. Disponível em: goo.gl/VmRahH [acessado 2018 mar. 01].
5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2017
6. Brasil. Ministério da Saúde [Internet]. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Informações de Saúde. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Disponível em: https://goo.gl/wgwsLo [acessado 2018 mar. 01].
7. Jemal A, Vineis P, Bray F, Torre L, Formand D (Eds). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: www.câncer.org/canceratlas
8. Brasil. Ministério da Saúde, SVS. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, VIGITEL 2016. Brasília: DF; 2016.
9. Brasil. Instituto Brasileiro de Estatística de Geografia e Estatística – IBGE. Censo Demográfico, 2010 [Internet]. Indicadores Sociais Municipais, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv54598.pdf

Gastos Federais em Oncologia

Medidas para prevenir e controlar o câncer na população existem em todas as fases da doença, desde a prevenção de fatores de risco até a detecção precoce, o tratamento e os cuidados paliativos. Devido ao custo cada vez maior do tratamento de doenças, juntamente com o difícil ambiente econômico, o interesse na promoção da saúde está aumentando em todo o mundo (1).

Enfrentando essa escassez de recursos, os responsáveis pela tomada de decisões devem determinar a melhor forma de investir no futuro do seu país. O investimento em saúde pode diminuir custos e facilitar o crescimento econômico, aumentando a produtividade. As análises econômicas ajudam os governos nacionais e os doadores internacionais a identificarem práticas de saúde que não são apenas viáveis, mas também apresentam o melhor custo benefício (1).

Segundo o Atlas Mundial do Câncer, parte substancial do custo do câncer pode ser evitada por meio de investimento na prevenção, na detecção precoce e promoção da saúde. Em relação a saúde pública no geral, estratégias econômicas para lidar com fatores de risco de câncer comuns, tais como uso de tabaco, abuso de álcool, dietas pouco saudáveis e inatividade física em países de renda baixa e média custariam apenas US$ 2 bilhões por ano, uma quantia pequena se comparada aos custos incorridos pela carga total da doença. Por exemplo, nos países em desenvolvimento, exames de câncer de colo de útero que exigem pouca infraestrutura de laboratório, tais como inspeção visual simples do colo de útero com ácido acético ou testes de DNA para detectar o HPV em células cervicais custam menos de 500 dólares por ano de vida salvo. Em geral a prevenção do câncer é muito mais custo-efetiva que o tratamento (1).

Em relação aos custos para a prevenção do câncer de colo de útero no Brasil é possível afirmar que uma Biópsia do colo uterino custa R$ 18,33, enquanto o tratamento quimioterápico tem o custo mínimo de R$ 1.300,00 para o sistema de saúde (2).

O que os dados abertos mostram?
Para este estudo foram coletadas as informações dos Valores Apresentados dos Recursos Federais do SUS – oriundos do Fundo Nacional de Saúde para repasse aos municípios. A fonte dos dados foram: Sistemas de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e Ambulatoriais (SIA/SUS). Os valores representam minimamente os gastos federais com ações diretas de saúde para o controle e tratamento do câncer (excluindo salários e outros gastos administrativos).

Medidas para o controle do câncer incluem Ações de promoção e prevenção em saúde e Procedimentos com finalidade diagnóstica, e para o tratamento, Procedimentos clínicos; Procedimentos cirúrgicos; Transplantes de órgãos, tecidos e células; Medicamentos; Órteses, próteses e materiais especiais e Ações complementares da atenção à saúde.

Na comparação com o 2008, o investimento do Ministério da Saúde para o controle e tratamento do câncer dobrou, saltando de R$ 1,9 bilhões para R$ 3,8 bilhões. Em comparação no mesmo período, os gastos com medidas para o controle do câncer aumentaram 317% e com tratamento 50%. Não existe um consenso mundial sobre o percentual financeiro ideal para o investimento em ações para controle e prevenção do câncer, em comparação ao volume destinado à assistência. No Brasil, para cada 1 real gasto em tratamento foram investidos apenas 0,05 centavos em prevenção e controle do câncer. O investimento em ações para o controle foi de 0,87 centavos por habitante e as despesas com tratamento foram 21 vezes maiores do que o investimento em prevenção.

Em conclusão, investir na prevenção do câncer não só salva vidas, mas o dinheiro economizado pode também pagar por serviços e instituições importantes. Conheça alguns exemplos (1):

EUA: Intervenção: Rastreamento Colorretal (Colonoscopia na população de 50 a 64 anos de idade) = Economia líquida de U$ 16.853.000.000 até que esses pacientes atinjam 75 anos, equivalente ao Orçamento anual do Programa Nacional de Merenda Escolar dos EUA, que alimenta 31 milhões de crianças oriundas de famílias de baixa renda a cada dia.

Taipé, China: Intervenção: Programa de serviços de cessação do tabagismo (Terapia de reposição de nicotina e aconselhamento) = Economia líquida de U$ 224.000.000 em mais de 15 anos, equivalente ao Orçamento anual do governo de Taipé para a proteção ambiental.

Austrália: Campanha Nacional Australiana do Tabaco (Uma campanha intensiva antifumo de 6 meses divulgada em massa) = Economia líquida de U$ 912.000.000 durante a vida útil remanescente dos 190.000 desistentes, equivalente ao Investimento governamental da Austrália em educação infantil.

Holanda: Intervenção: Aconselhamento dietético (Nutricionistas oferecem conselhos sobre dieta e comportamento relacionados à saúde e às doenças para os pacientes) = Economia líquida U$ 2.557.000.00 em mais de 5 anos, equivalente a Despesas anuais do governo com assuntos externos e cooperação internacional com na Holanda.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA/SUS) e Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS).

Notas:
* O custo com Ações de promoção e prevenção em saúde não incluem o Código Internacional de Doenças (CID) para oncologia. Entende-se que todas as medidas de promoção e prevenção a saúde evitam contribuem para o não aparecimento do câncer. O gasto pode estar subestimando, uma vez que os municípios não informam o valor (R$) dessas ações no SIA e SIH. O repasse é feito para os municípios mas em nenhuma fonte de dados abertos encontramos o destino final desse investimento.

Referências:
1. JEMAL A. etl al. (Eds). O Atlas do Câncer. 2.ª edição. Atlanta, GA. American Cancer Society; 2014.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS.

O que sabemos sobre câncer de pele?

Há dois principais tipos de câncer de pele, os não-melanoma, geralmente das células basais ou das escamosas, e o melanoma, originário de células produtoras de melanina. Os tipos mais comuns do câncer de pele não melanoma são o basocelular (carcinoma de células basais) e o espinocelular (carcinoma de células escamosas). Já o câncer de pele melanoma têm origem exclusiva nos melanócitos e se descoberto em seus estágios iniciais, é quase sempre curável (1).

Incidência do câncer de pele

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele configura-se como o mais frequente em todas as populações. Ele se apresenta basicamente sob duas formas, o melanoma e o não melanoma. Em relação ao câncer de pele não melanoma esperam-se 80.850 novos casos em homens e 94.910 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 81,66 casos novos a cada 100 mil homens e 91,98 para cada 100 mil mulheres. Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada; porém sua incidência é baixa (3 mil casos novos em homens e 2.670 casos novos em mulheres).

Melanoma
Em relação ao câncer de pele Melanoma, as maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 40% dos casos novos são esperados nas regiões Sudeste, 34% na Região Sul, 17% na Região Nordeste, 6% na Região Centro-Oeste e 3% na Região Norte.
As taxas brutas de incidência por 100.000 habitantes se comportaram da seguinte forma: Em homens: 6,96 na Região Sul, 2,84 na Região Centro-Oeste, 2,83 na Região Sudeste, 2,02 na Região Nordeste e 0,84 na Região Norte. Em mulheres: 6,50 na Região Sul, 2,53 na Região Sudeste, 2,09 na Região Centro-Oeste, 1,36 na Região Sudeste e 0,65 na Região Norte.
O Estado do Rio Grande do Sul tem a maior taxa bruta de incidência, com 8,02 casos esperados para cada 100.000 homens e 7,06 casos para cada 100.000 mulheres e o Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 0,20 casos a cada 100.000 homens e 0,00 casos para cada 100.000 mulheres.

Não Melanoma
O câncer de pele não Melanoma apresenta comportamento similar, as maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 55% dos casos novos são esperados nas regiões Sudeste, 19% na Região Sul, 14% na Região Nordeste, 9% na Região Centro-Oeste e 2% na Região Norte.
O câncer de pele não melanoma é o primeiro mais incidente em homens nas Regiões Sul (138,75/100 mil), Centro-Oeste (114,71/100 mil) e Sudeste (92,86/100 mil). Nas Regiões Nordeste (42,48/100 mil) e Norte (28,89/100 mil), encontram-se na segunda posição. Nas mulheres, é o mais frequente em quatro Regiões, com um risco estimado de 134,19/100 mil na Região Sudeste, 102,71/100 mil na Região Centro-Oeste, 93,58/100 mil na Região Sul e 44,12/100 mil na Região Nordeste. Já na Região Norte (23,12/100 mil), ocupa a segunda posição.
O Estado de Santa Catarina tem a maior taxa bruta de incidência para homens com cerca de 186,49 casos para cada grupo de 100.000 homens e para o Estado do Espírito Santo estima-se 165,56 casos para cada 100.000 mulheres. O Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 11,52 casos a cada 100.000 homens e 0,00 casos para cada 100.000 mulheres.

Mortalidade por câncer de pele
Para câncer de pele Melanoma (C43) no ano de 2015, o Brasil registrou 1.794 óbitos, sendo 1.012 em homens e 782 em mulheres. Foram constatados, aproximadamente, 5 mortes por dia em decorrência de melanoma. Para câncer de pele Não Melanoma (C44) no ano de 2015, o Brasil registrou 1.958 óbitos, sendo 1.137 em homens e 821 em mulheres (2).

Levando em conta ambos os tipos, o câncer de pele foi a causa principal de morte em 3.752 indivíduos. Segundo o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), idosos, homens e moradores da Região Sul do país são as principais vítimas do câncer de pele. Do total de mortes em 2015, 57% eram homens e 75% tinham mais de 60 anos. No Sul, a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes representou quase o dobro da registrada para o Brasil (3,17 e 1,83 respectivamente) (2).

Fatores de Risco
O fator de risco mais importante é a exposição à radiação ultravioleta (UV), presente nos raios solares e usada nas unidades de bronzeamento artificial (câmaras de bronzeamento). O risco de desenvolver câncer de pele é proporcional à exposição acumulada de raio UV; a genética e a cor da pele também influem, sendo mais afetadas as pessoas de pele clara e que não se bronzeiam com facilidade, que têm cabelos loiros ou ruivos e olhos claros (3).

O INCA elaborou 5 principais dicas para se proteger do câncer de pele: 1. Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h; 2. Procurar lugares com sombra; 3. Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas; 4. Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo; 5. Usar filtro solar próprio para os lábios.

Essas e outras informações podem ser encontradas no folder especial do INCA “Câncer: a informação pode salvar vidas – Câncer de pele: vamos falar sobre isso?” http://bit.ly/2BAEHNC

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. A.C. CAMARGO CANCER CENTER. Pacientes e Tudo Sobre o Câncer. Tudo sobre o Câncer. Pele não melanoma [website]. Disponível em: <http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/pele-nao-melanoma/44/>. Acesso em: 01/12/2017.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil ? DataSUS. Sistema de Informação em Mortalidade. TabNet [website]. Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0205&id=6937>. Acesso em: 01/12/2017.
3. INSTITUTO VÊNCER O CÂNCER. Tipos de Câncer. Melanoma e outros câncer de Pele. O que é [website]. Disponível em: <https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/melanoma-e-outros-canceres-de-pele/>. Acesso em: 01/12/2017.

A carga do câncer infantojuvenil e o tratamento no SUS

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. No Brasil, os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático) (1). Neste estudo apresentaremos informações do Atlas do Câncer (2).

A carga do câncer em crianças no mundo

Os cânceres infantis correspondem a 1% do total de casos nos países de alta renda, mas cerca de 4% nos países de baixa renda. Os tipos de cânceres que ocorrem em crianças são diferentes dos de adultos e compreendem principalmente neoplasias do sangue e do sistema linfático (leucemias ou linfomas), tumores embrionários (retinoblastoma, neuroblastoma, nefroblastoma), tumores do cérebro, dos ossos e dos tecidos conjuntivos, com variações internacionais.

As taxas de incidência gerais estimadas por ano variam de 50 a 200 por milhão em crianças com menos de 15 anos de idade, e entre 90 e 300 por milhão em adolescentes entre 15 e 19 anos. Dados confiáveis estão disponíveis para um quinto da população do mundo, a maioria em países de alta renda.

A sobrevida entre as crianças com câncer está melhorando, mas as crianças de países de baixa renda ainda têm resultados piores que as dos países de alta renda. A letalidade do câncer infantil é maior em países com IDH baixo.

A sobrevida no câncer infantil varia entre os países. Enquanto cinquenta anos atrás apenas 30% dos pacientes com câncer infantil sobreviviam cinco anos após o diagnóstico, hoje, a proporção é de 80% nos países de alta renda, mas continua baixa nos países de média e baixa renda (p. ex., 40% na Índia). Os dados de sobrevida em países de baixa renda são escassos, mas o número anual de mortes estimado é superior à metade dos novos casos na África, na Ásia e na América Latina. Investimentos nacionais e a colaboração internacional poderiam melhorar esses resultados.

À medida que a sobrevida melhora, a população de sobreviventes por longo tempo cresce. Em 2012, apenas nos EUA, existiam 80.000 sobreviventes de câncer diagnosticados antes dos 20 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes de câncer padecem de pelo menos uma condição crônica e o risco de efeitos tardios aumenta com o prolongamento do acompanhamento. Novas terapias devem superar a recente desaceleração da melhora na sobrevida e reduzir os efeitos tardios do tratamento.

A carga do câncer em crianças no Brasil

O principal componente na vigilância epidemiológica do câncer é representado pelo acompanhamento contínuo da incidência da doença regionalmente. Estimativa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2016/17 revela que ocorrerão cerca de 12.600 casos por ano em crianças e adolescentes com até 18 anos de idade e o número de mortes em 2015 foi de 2.762. (3) Na faixa etária compreendida entre 0 e 14 anos a leucemia linfática aguda (LLA) foi o tumor mais comum, correspondendo a 23% dos cânceres. A leucemia não-linfoíde ou mielóide aguda foi o segundo tipo mais comum, ocorrendo numa taxa de 1/5 da LLA. Os tumores de Sistema Nervoso Central (SNC) corresponderam a 22,1% e em conjunto com ambas as leucemias corresponderam à metade de todos os cânceres que ocorreram nessa faixa etária. Os outros tipos de tumor sólidos mais comuns foram o neuroblastoma (7,7%), seguido do tumor de Wilms (5,9%) e o hematológico linfoma não-Hodgkin (5,9%). (3)

Tratamento Quimioterápico do câncer de criança e adolescente no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer infantil são diversos e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas. Para esta análise foram considerados 5 procedimentos clínicos para tratamento quimioterápico em oncologia no SUS utilizados na infância e adolescência. Em 2016 foram realizados 68.007 procedimentos de quimioterapia, incluindo primeira, segunda, terceira, quarta linha de tratamento e alta dose para osteossarcoma.

Os cinco tratamentos analisados cresceram de forma acentuada no período entre 2009 e 2016. Em 2016, a distribuição apresentou o seguinte comportamento: 86,6% (58.861) foram para 1.ª linha, 8,5% (5.757) para 2.ª linha, 1,4% (946) para 3.ª linha, 0,3% (235) para 4.ª linha e 3,2% (2.207) para altas doses quimioterápicas para osteossarcoma. No geral, os tratamentos dos tumores hematológicos representaram, em 2016, 64,4% dos tratamentos quimioterápicos do Brasil, destes 54,4% são leucemias.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS (Quimioterapias)

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Tipo de Câncer, Infantil. Website. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil>
2. JEMAL A, VINEIS P, BRAY F, TORRE L, FORMAN D (EDS). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www. cancer.org/câncer atlas>
3. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Coordenação de Prevenção e Vigilância de Câncer. Câncer da criança e adolescente no Brasil: dados dos registros de base populacional e de mortalidade. / Instituto Nacional de Câncer. ? Rio de Janeiro: INCA, 2008. 220 p. il. color. tab.

Infraestrutura para a mamografia no Brasil – Outubro Rosa

O câncer de Mama é tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Para o biênio 2016-2017 foram estimados 57.960 novos casos no Brasil (1). Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o prognóstico para mulheres com câncer de mama varia de acordo com o estágio da doença. Em geral, as taxas de sobrevida são maiores para as mulheres com câncer de estágio inicial (2). Quanto mais precoce o estadiamento, maiores são as chances de cura e, em geral, mais brandos os tratamentos (3). Na população mundial, 61% das pacientes sobrevivem após cinco anos do diagnóstico (2).

Rastreamento e diagnóstico precoce

As estratégias para a detecção precoce do câncer de mama são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí, encaminhar as mulheres com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (4).

A mamografia é uma ferramenta importante para a detecção do câncer de mama enquanto a doença não se manifestou. O aparelho é capaz de rastrear sinais da doença que representam um tumor antes mesmo que ele possa ser identificado pelo exame de palpação ou autoexame (5).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mamografia nessa faixa etária e a periodicidade bienal são rotinas adotadas na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseiam-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios. Em outras faixas etárias e periodicidades, o balanço entre riscos e benefícios do rastreamento com mamografia é desfavorável (4).

Com a disseminação da mamografia a partir dos anos de 1980, o número de mortes decorrentes do câncer de mama diminuiu cerca de 20%.

A infraestrutura

Os mamógrafos no Brasil estão divididos em 3 categorias. I. Aparelhos existentes; II. Aparelhos em uso: equipamentos disponíveis para uso na rede pública e privada e III. Disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS): equipamentos disponíveis para uso na saúde pública.

De acordo com Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), até agosto de 2017 contávamos com: 4.691 mamógrafos em uso no Brasil, mas apenas 2.056 (43,8%) estão disponíveis no SUS. O parâmetro é de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes, portanto a necessidade corresponderia a 865* equipamentos. O número de mamógrafos em uso está de acordo em todos as unidades da federação do Brasil. Com exceção do Amapá, todos os estados possuem mamógrafos disponíveis na saúde pública acima dos parâmetros.

Em relação aos mamógrafos disponíveis no SUS, 19,5% (400 de 2.056) encontram-se em capitais. Para a distribuição regional, O Sudeste, a região mais populosa (86.949.714 hab.*), conta com mais aparelhos (835 = 41%) que o Norte, Nordeste e Centro-Oeste (91.066.267 hab.*) juntos (832 = 40%).

Em relação ao total de mamógrafos em uso, 32,4% (1.521 de 4.691) encontram-se em capitais. Para a esta distribuição regional a diferença é maior, enquanto o Sudeste conta com 732 (48%) aparelhos, o Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntos apresentam 1.685 (36%) mamógrafos. Através de dados abertos, não é possível estimar quantos mamógrafos estão parados, com algum defeito ou guardados na caixa. Segundo o CNES, 205 mamógrafos estão fora de uso no Brasil.

Cobertura

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, estimou que 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, não tinham realizado mamografia de rastreamento nos últimos dois anos. O Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que que pelo menos 70% das mulheres nesta faixa etária sejam avaliadas (6).

Embora o SUS tenha mais que o dobro de mamógrafos necessários para a detecção precoce da doença, apenas São Paulo (1 de 27 UF) atende os parâmetros de cobertura (73,9%) entre as mulheres de 50 a 69 anos. Seis estados (Maranhão, Piauí, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins) não atingiram nem 40% das mulheres na faixa etária recomendada. Isso significa baixa produtividade em boa parte dos aparelhos disponíveis.

Segundo informações do DataSUS, o total de mamografias para rastreamento de câncer de mama entre mulheres de 50 e 69 anos aumentou 76,1% entre 2010 (1.547.411) e 2016 (2.725.729). Em números totais de exames (em todas as faixas etárias), o aumento foi de 36% entre 2010 (3.039.269) e 2016 (4.133.015). Até junho de 2017, foram realizadas 2.160.176 mamografias para rastreamento do câncer.

A PNS mostrou que o maior número de mamografias de rastreamento foi realizado por mulheres brancas (66,2%) e com ensino superior completo (80,9%). O grupo com menor número de exames foram realizados em mulheres negras (54,2%), pardas (52,9%) e com ensino fundamental incompleto (50,9%). A região Sudeste apresentou a melhor cobertura de mamografias em mulheres na faixa etária preconizada (67,9%), seguido do Sul (64,5%), Centro-Oeste (55,6%), Nordeste (47,9%) e Norte (38,7%).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES.
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde. Bloco k. Tabnet.

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mama. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama++>. Acesso em: out. 2017.
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Understanding a breast cancer diagnosis: Breast Cancer Survival Rates. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/understanding-a-breast-cancer-diagnosis/breast-cancer-survival-rates.html>. Acesso em: out. 2017.
3. MALUF, F.C. Capítulo 6 – O estadiamento. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
4. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_deteccao_precoce_final.pdf>. Acesso em: out. 2017.
5. MALUF, F.C; TAJARA, L.M; AGUILAR, V.L.N. Capítulo 4 – O diagnóstico. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
6. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde: 2013: acesso e utilização dos serviços de saúde, acidentes e violências: Brasil, grandes regiões e unidades da federação / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2015. 100 p.
7. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria n.º 2.304, de 4 de outubro de 2012. Institui o Programa de Mamografia Móvel no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) 

Notas:
* Cálculo baseado na projeção populacional do IBGE no ano de 2017.
** Não é possível descrever o motivo pelo qual o mamógrafo está fora de uso.

Linfoma tem cura: informe-se!

O linfoma acontece quando certas células que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e ?contaminando? o sistema linfático.

Divididos entre linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH), ambos apresentam comportamentos, sinais e grau de agressividade diferentes. Mas a principal diferença está nas células doentes: enquanto o LNH apresenta apenas células com câncer, o LH apresenta células doentes, misturadas às células normais (1).

Fatores de risco e onde atuar para melhorar as ações de prevenção?

Para o Linfoma de Hodgkin, a maioria dos fatores de risco conhecidos está associada com a função imunológica alterada. O Vírus Epstein-Barr é a principal infecção associada na maioria dos casos de LH. Em indivíduos infectados pelo vírus HIV, o risco de desenvolver a doença aumenta. Outros aspectos importantes para o aumento da incidência são as infecções virais e a exposição infecciosa durante o período infantil (2).

Para Linfoma não Hodgkin, existem evidências de associação ao desenvolvimento do LNH e a função imune alterada. Pacientes transplantados que se trataram com agentes imunossupressores, pacientes com condições autoimunes severas, e aqueles infectados pelo HIV possuem um maior potencial de desenvolver LNH (2).

Além desses, existem estudos que apontam que a obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do LNH. Apesar de serem em menor escala no desenvolvimento da doença, fatores ocupacionais e ambientais, como a fabricação da borracha, a exposição ao benzeno e solventes como o diclorometano, também apresentam aumento do risco (2).

Linfoma tem grande chance de cura! 

Os linfomas são doenças potencialmente curáveis, mesmo nas fases avançadas. ?O tipo do linfoma determina se tem maior ou menor chance de cura. Os indolentes são pouco agressivos e podem conviver com o paciente por muitos anos, outros requerem tratamento imediato com quimioterapia ou radioterapia. Alguns poucos podem necessitar de transplante de medula óssea?, explica Dr. Nelson Hamerschlak (3).

Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como hematologista, oncologista e radioterapeuta. Mas, muitos outros especialistas estarão envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente. É muito importante que ao escolher um tipo de tratamento, se considere o estado de saúde geral do paciente, o tipo e o estágio do linfoma (4). Quanto antes o Linfoma for descoberto, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento.

O que dizem os dados?

Foram estimados cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo para o ano de 2012. Para o mesmo ano, foram estimados 66 mil casos novos, que representam 0,5% do total dos cânceres estimados.

Estimativas Ministério da Saúde – INCA

Ao contrário do comportamento da distribuição etária nas taxas de incidência do LNH, que aumenta à medida que a idade avança; o risco de desenvolver o LH apresenta dois pontos distintos de aumento na distribuição etária: o primeiro durante a adolescência e, posteriormente, em adultos jovens. Esse perfil não é observado em países em desenvolvimento onde as maiores taxas ocorrem em idades menores.

Além disso, características ambientais, status socioeconômico, diferenças étnicas e questões genéticas ainda são estudados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de LH.

LH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º na Região Norte (0,97/100 mil) e o 13º mais frequente nas Regiões Sul (3,09/100 mil), Centro-Oeste (2,05/100 mil) e Sudeste (1,13/100 mil). Na Região Nordeste (1,11 /100 mil), ocupa a 14ª posição. Para as mulheres, é o 16º mais frequente na Região Sudeste (1,15/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (1,43/100 mil), Centro-Oeste (0,78/100 mil), Nordeste (0,51/100 mil) e Norte (0,47 /100 mil), ocupa a 17ª posição. (2)

LÑH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,47/100 mil) e Norte (2,66/100 mil). Nas Regiões Sudeste (5,74/100 mil) e Nordeste (3,67/100 mil), ocupa a décima posição; na Região Sul (7,71/100 mil) é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (6,42/100 mil) e o nono na Região Sul (6,61/100 mil). O décimo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,44/100 mil). Na Região Norte (1,87 /100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (2,64/100 mil), é o 12º mais frequente. (2)

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia – ABRALE. São Paulo, 2017. Disponível em: <http://www.abrale.org.br/doencas/linfoma>
2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Insituto Nacional do Câncer – INCA. Estimativas 2016-2017. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
3. Albert Einstein ? Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. São Paulo, 2016. Disponível em: <https://www.einstein.br/noticias/noticia/linfoma-tem-cura>
4. Oncoguia. Tratamentos do Linfoma de Hodgkin. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/1105/137/>

 

60 dias para o câncer e o direito do paciente

O tempo é fator determinante para que o tratamento oncológico seja efetivo- ou não. O diagnóstico precoce é a primeira etapa para que os bons resultados sejam alcançados, e com esta resposta em mãos espera-se que o tratamento seja iniciado em 60 dias, evitando que a doença avance. Em vigor desde 2012, a Lei nº 12.732 (1) do Ministério da Saúde estabelece que o primeiro tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do laudo patológico ou em prazo menor, conforme necessidade terapêutica do caso registrada no prontuário do paciente.

Segundo o Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são registrados, em média, 230.000 casos de câncer por ano. No período analisado (Agosto de 2017), das 246 habilitações como UNACON, 91% tinha RHC; Das 44 habilitações como CACON, 100% tem RHC; Dos 8 Hospitais Gerais habilitados com cirurgia oncológica, 50% tem RHC e De hospitais não habilitados 30 tem RHC (2,3). O RHC é um sistema Web desenvolvido pelo INCA para consolidação de dados hospitalares provenientes dos Registros Hospitalares de Câncer de todo o Brasil. Os RHC se caracterizam em centros de coleta, armazenamento, processamento, análise e divulgação de informações de pacientes atendidos em uma unidade hospitalar, com diagnóstico confirmado de câncer. A informação produzida em um RHC reflete o desempenho do corpo clínico na assistência prestada ao paciente, para todos os tipos de câncer (4).

Diagnóstico oportuno

Para estimar o sucesso do tratamento (seja curativo ou paliativo) é essencial avaliar a extensão da doença. Este processo, chamado de estadiamento, é de grande importância pois dele dependerá a estratégia de tratamento. Os métodos usados no estadiamento podem ser clínicos, cirúrgicos e anatomopatológicos. Os índices de cura são superiores nos estadiamentos iniciais, chance que pode cair progressivamente nos estadios seguintes. Os tumores sólidos malignos costumam ser classificados em estádios de I a IV (embora existam outras classificações para certos tumores). Os tumores mais iniciais são classificados como estádio clínico I; os que se encontram em fase intermediária vão para os estádios II e III; e os casos mais avançados, geralmente com disseminação à distância, pertencem ao estádio clínico IV (5).

Método

Realizou-se um estudo descritivo analítico baseado em dados secundários (6). Foram incluídos os registros com data de primeira consulta entre 2009 a 2015, ocorridos no Brasil, registrados no Registro Hospitalar de Câncer, os quais foram extraídos em formato .csv do website do RHC do Instituto Nacional do Câncer do Ministério da Saúde. Optou-se por estudar os últimos 7 anos, por se tratar da mais recente série histórica disponível. Para análise dos dados foi utilizado o Programa Excel 2013 e o programa de Business Intelligence Tableau Public 9.3. Para categorizar os estadiamentos foram utilizados os critérios clínicos (5).

Seguindo as recomendações do INCA (4): Foram incluídos, para o cálculo dos tempos, os registros de casos analíticos, coerentes e validados. Para os intervalos de tempos entre consulta/diagnóstico; diagnóstico/tratamento e consulta/tratamento foram considerados somente os registros sem diagnóstico e sem tratamento anterior. Foram excluídos os registros com datas consideradas inválidas tais como 99/99/9999 e 88/88/8888, as com formatos diferentes de dd/mm/aaaa e ainda as que o diagnóstico tenha sido anterior a 1980. Para o intervalo de tempo entre consulta/diagnóstico foram incluídos somente os registros cujo diagnóstico tenha sido posterior a consulta. Para o intervalo de tempo entre o diagnóstico/tratamento foram incluídos somente os registros cujo tratamento tenha sido posterior ao diagnóstico.

A equipe do Observatório de Oncologia, via Controladoria Geral da União, questionou o INCA sobre o formato de disponibilização dos dados. O próprio Instituto reconhece que disponibiliza relatórios gerenciais somente em formato PDF e não em linguagem compreensível por máquina (CSV, JASON e etc.). A equipe técnica enviou uma resposta oficial, orientando como extrair os dados de seu site. Confira aqui: http://bit.ly/2BgxTr5

Resultados

Foram selecionadas três etapas da jornada do paciente que chega sem diagnóstico e sem tratamento ao serviço especializado: 1. Tempo entre diagnóstico e início do tratamento; 2. Tempo entre primeira consulta e diagnóstico e 3. Tempo entre primeira consulta e início do tratamento. As dimensões analisadas incluem: Região de Residência, Estadiamento e Faixa Etária.

1. Tempo entre diagnóstico e início do tratamento

Segundo a lei (1), o primeiro tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do diagnóstico. No Brasil em geral, 20,4% dos casos demoraram, em média, mais de 60 dias para iniciar o tratamento após o diagnóstico. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu iniciar o tratamento em até 60 dias foi de: 83% (estadio I), 72% (estadio II e III) e 79% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil, em média, o Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Norte e Nordeste apresentaram, respectivamente 15%, 17,5%, 20,5%, 23,57% e 23,46% não conseguiram acesso ao tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. No Brasil, 95% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram iniciar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, enquanto para os adultos esse foi de 79% (4).

2. Tempo entre primeira consulta com especialista do centro de tratamento oncológico e a confirmação do diagnóstico

Embora não exista lei que regulamente o tempo entre consulta e diagnóstico entende-se que a história natural da doença descoberta precocemente costuma ser mais favorável do que na avançada. No Brasil em geral, 20% dos casos demoram, em média, mais de 60 dias para conseguir a assinatura do laudo patológico. Possivelmente a demora em acessar o diagnóstico é decorrente de demora para conseguir agendar e realizar a biópsia do tumor. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu a confirmação do diagnóstico em até 60 dias foi de: 77% (estadio I), 80% (estadio II e III) e 88% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil, em média, o Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, apresentaram os melhores índices, respectivamente 16%, 17%, 20%, 26% e 27% não conseguiram a confirmação patológica em até dois meses após a primeira consulta. Nas regiões No Brasil, 92,3% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram o diagnóstico em até dois meses após a primeira consulta, enquanto para os adultos esse número foi de 80% (4).

3. Tempo entre primeira consulta com médico especialista do centro de tratamento oncológico e início do tratamento

A primeira consulta com o especialista é o primeiro passo para buscar o início do tratamento de câncer. No Brasil em geral, 38% dos casos demoram, em média, mais de 60 dias entre a primeira consulta e o início do tratamento. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu iniciar o tratamento em até 60 dias foi de: 62% (estadio I), 61% (estadio II e III) e 63% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil (2), em média, as regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte apresentaram, respectivamente 31,4%, 33,3%, 37,18%, 42,1% e 44% não conseguiram iniciar o tratamento em até dois meses após a primeira consulta. No Brasil, 86,4% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram acesso ao tratamento em até dois meses após a primeira consulta, enquanto para os adultos esse número foi de 61% (4).

Discussão

I. Aspectos Gerais

Apesar da lei dos 60 dias (1) estar vigorando desde 2014, quando comparados os dados antes e após a implantação da lei, o RHC mostra que não houveram mudanças consideráveis no paradigma do acesso ao tratamento oncológico, ou seja, ainda existem casos onde o tempo entre diagnóstico e tratamento é superior a 60 dias. Diferente do estadiamento, a faixa etária e a região de residência são variáveis consideráveis para o acesso ao tratamento oncológico.

II. Fortalecimento do Registro Hospitalar de Câncer em todos os hospitais

A implantação de uma cultura que favoreça a utilização de informações no cotidiano da gestão reverte dados de melhor qualidade para os próprios Sistemas de Informação em Saúde (7). Fortalecer o Registro Hospitalar de Câncer constitui importante alternativa para aprimorar a coleta de dados com maior qualidade, estimular sua utilização e instrumentalizar o desenvolvimento de sistemas locais adequados às necessidades dos municípios, estados e do sistema nacional.

A produção de dados é de grande importância para os sistemas de saúde. Informações são essenciais para a descentralização e o aprimoramento da gestão, bem como para o fortalecimento do controle social da saúde. A disponibilização de informações fortalece e potencializa esforços para o desenvolvimento de novas tecnologias para coleta, produção e análise de dados e, principalmente, do uso das informações no cotidiano da gestão (7).

III. Por que não utilizar dados do SISCAN (Sistema de Informação do Câncer) para este estudo?

O SISCAN é uma plataforma web que integra apenas os Sistemas de Informação do Câncer do Colo do Útero (SISCOLO) e do Câncer de Mama (SISMAMA). Este sistema é uma ferramenta de gestão para fortalecer as ações de controle e prevenção destes cânceres. Por ser uma organização não governamental, a ABRALE não tem acesso aos dados do SISCAN (8). O RHC está capitalizado em boa parte da rede de tratamento oncológico, abrange todos os tipos de neoplasias e consolida os registros oriundos de hospitais de todo o Brasil. Portanto para este estudo optou-se por utilizar os dados abertos e publicados na web no site do INCA.

Conclusão

Este estudo nos impulsiona a lutar, no sentido de atingir os padrões de diagnóstico e assistência aos portadores de câncer. A mudança do paradigma na oncologia da saúde pública somente se dará quando houver união entre Estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação. Concomitante a tais articulações, são necessários também, programas de educação permanente e capacitação para os atores que participam do cuidado de um paciente desde a atenção primária até os cuidados oncológicos e, posteriormente, o uso adequado dos postos de saúde e demais equipamentos de saúde.

Fonte dos Dados:
Registro Hospitalar de Câncer do INCA

Referências:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Lei n.º 12.732. Dispõe sobre o primeiro tratamento de paciente com neoplasia maligna comprovada e estabelece prazo para seu início.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Listas de endereços de RHC em Centros Oncologia. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=351>. Acesso em: 17/07/2017.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Regulação Avaliação e Controle. Coordenação Geral de Sistemas de Informação. Núcleo de Disseminação de Informações em Saúde. Fonte: CNES. Situação em: 23/06/2015.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Registro Hospitalar de Câncer. Integrador RHC. Disponível em: <https://irhc.inca.gov.br/RHCNet/>. Acesso em: 17/07/2017.
5. Vencer o Câncer. Fernando Cotait Maluf, Antonio Carlos Buzaid e Drauzio Varella, editores. São Paulo: Dendrix, 2014. 512p.
6. Daumas Felix, Janaina, et al. Avaliação da completude das variáveis epidemiológicas do Sistema de Informação sobre Mortalidade em mulheres com óbitos por câncer de mama na Região Sudeste-Brasil (1998 a 2007). Ciência & Saúde Coletiva 17.4 (2012).
7. Brasil. Ministério da Saúde. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde / Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. ? Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Sistema de informação do câncer: manual preliminar para apoio à implantação /Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. ? Rio de Janeiro: INCA, 2013. 143p.: il.

Notas:
Foram incluídos os registros com data de primeira consulta entre 2009 a 2015, ocorridos no Brasil, registrados no Registro Hospitalar de Câncer de todos os hospitais participantes do RHC
*Existem estabelecimentos de saúde que realizam tratamento para enfermidades oncológicas, e não são habilitados para o cuidado oncológico segundo a Portaria n.º 140, de 27 de fevereiro de 2014, que regulamenta sobre os CACON e UNACON. Ou seja, existem hospitais que tratam câncer mas não são CACON ou UNACON.”