O melhor sorriso está guardado entre a cabeça e o pescoço

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Epidemiologia

Câncer de cabeça e pescoço é o nome genérico que se dá aos tumores que ocorrem na boca, na faringe, na laringe e nos seios paranasais. No Brasil não se tem uma incidência bem definida dos cânceres da cabeça e do pescoço. No mundo, os tumores de cabeça e pescoço são a sexta causa de morte por câncer em todo o mundo (1).

Segundo o National Cancer Institute (NCI), os respectivos tumores são classificados conforme a área da cabeça ou do pescoço em que se iniciam (2): Lábio (C00); Língua (C01-C02); Cavidade Oral (C03-C06), Glândulas salivares maiores (C07-C08); Faringe: Orofaringe (C09-C10), Nasofaringe (C11), Hipofaringe (C12-C13); Localizações mal definidas do lábio, cavidade oral e da faringe (C14); Cavidade nasal, ouvido médio e seios da face (C30-C31) e Laringe (C32). As doenças do cérebro e outras áreas do sistema nervoso central e da coluna cervical são excluídas do grupo citado.

O INCA estimou, para o Brasil, no biênio de 2016-2017, 7.350 casos novos de câncer de laringe (C32) e 15.490 casos novos de câncer na cavidade oral (C00-C10) (3). Cerca de 40% dos cânceres de cabeça e pescoço ocorrem na cavidade oral, 15% na faringe, 25% na laringe e o restante nos sítios remanescentes (1). Para câncer de laringe o risco estimado será de 6,43 casos a cada 100 mil homens e de 0,94 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na Região Sudeste (14,58/100 mil). Nas Regiões Nordeste (6,86/100 mil) e Centro-Oeste, ocupa a quinta posição (9,15/100 mil). Na Região Sul (15,91/100 mil), ocupa a sexta posição, e na Região Norte (3,46/100 mil) é o sétimo mais frequente. Para as mulheres, é o nono mais frequente na Região Nordeste (4,11/100 mil). Na Região Sudeste (5,29/100 mil), ocupa a décima posição. Nas Regiões Norte (1,76/100 mil) e Centro-Oeste (2,79/100 mil), é o 12º mais frequente, e, na Região Sul (3,32/100 mil), ocupa a 15ª posição (3).

Fatores Condicionantes Gerais

O etilismo, o tabagismo e as infecções pelo HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, são os principais fatores de risco para esse grupo de tumores. O risco de desenvolver algum câncer de cabeça e pescoço atribuído ao tabagismo e etilismo é de aproximadamente 65% (3). Outros fatores associados são: histórico familiar, alimentação pobre em nutrientes, situação socioeconômica desfavorável e exposição excessiva a produtos químicos.

O National Cancer Institute, aponta uma possível associação entre a exposição ocupacional ao amianto em conjunto com o consumo de bebida alcoólica e de tabaco com o câncer da laringe, principalmente na construção civil, na qual a exposição a produtos que contenham amianto é grande. Estudos afirmam que a infecção com o vírus de Epstein-Barr é um fator de risco para câncer de nasofaringe e câncer de glândulas salivares (2).

Roberto Araújo, chefe da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do INCA, explica que “A associação entre tabaco e álcool aumenta em 19 vezes a chance de ter câncer nessa região”. Outros fatores de risco associados são: má higiene dental e oral, refluxo gastroesofágico e infecções pelo papiloma vírus humano (HPV) e vírus Epstein-Barr (EBV) (4).

Tratamentos

As principais opções de tratamento para este grupo de pacientes podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia alvo. Em muitos casos, mais do que um desses tratamentos ou uma combinação deles podem ser utilizados. Os tumores de cabeça e pescoço, quase sempre, resultam em situações mutiladoras e estéticas envolvidas durante todo o tratamento, causando alterações na qualidade de vida das pessoas.

O que mostram os dados de Mortalidade

Em relação aos óbitos em 2015 por tumores de cabeça e pescoço, segundo as localizações descritas pelo NCI, os cânceres de laringe (35,66%), faringe (22,76%), língua (14,32%) e cavidade oral (14,28%) foram as principais causas de morte encontradas. 7,61% dos óbitos tiveram localização mal definida e os 5,37% restantes, estão distribuídos nas demais localizações.

Em 2015, dos 27 estados brasileiros, 9 (RS, PR, RJ, ES, SP, SC, MG, MS, PB) apresentaram coeficiente de mortalidade (por 100.000 habitantes) superior ao do Brasil (6,01). As regiões Sul (7,57) e Sudeste (7,05) apresentaram as maiores taxas de mortalidade, consequentemente, maior risco de morte. As diversas localizações dos tumores apresentam comportamentos diferentes, como por exemplo: Para câncer de língua, São Paulo, Rio de Janeiros e Espírito Santo apresentaram maiores riscos enquanto para câncer de Cavidade Nasal, os estados do Acre, Piauí e Rio de Janeiro apresentaram maior risco de morte.

O julho verde

No mês de julho, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) realiza a campanha de prevenção do câncer de cabeça e pescoço, com o objetivo de conscientizar e alertar a população sobre os sintomas da doença e a importância da detecção precoce. O mês de atenção à doença surgiu em 2014 no congresso mundial da IFHNOS (sigla em inglês para Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço).

Referências:
1. RUIZ, M.T. et al. Epidemiologia e biomarcadores em câncer de cabeça e pescoço. Arq Ciênc Saúde 2006 jan-mar;13(1):34-8. Disponível em: http://repositorio-racs.famerp.br/racs_ol/vol-13-1/ID%20158.pdf
2. National Cancer Institute. Cancer types. Head and Neck Cancers. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/head-and-neck/head-neck-fact-sheet
3. Brasil. Ministério da Saúde. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer
José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015. Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf
4. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Notícia: Prevenção e detecção precoce do câncer de cabeça e pescoço são tema de encontro no INCA Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/2016/prevencao-deteccao-precoce-cancer-cabeca-pescoco-tema-encontro-inca

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS – Sistema de Informação em Mortalidade.