O que é o “Dezembro Laranja”?

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Certamente você já deve ter ouvido falar em Outubro Rosa ou Novembro Azul (respectivamente ligados ao câncer de mama e da próstata), mas e #DezembroLaranja, você sabe o que significa? Para combater e prevenir o câncer de pele, o de maior incidência no Brasil¹ e no mundo, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) criou a campanha que, em 2016, completa o terceiro ano de realização.

Não à toa o mês escolhido para a realização da campanha é dezembro pelo fato de marcar o início do verão em boa parte do país e período onde a população fica exposta ao sol por mais horas em relação a outras épocas do ano.

Durante todo esse mês, a população brasileira é convidada a se engajar na luta de prevenção ao câncer de pele e para participar é fácil: basta vestir-se de laranja, decorar seu ambiente de trabalho com a cor do mês ou simplesmente passar adiante as informações da campanha para o maior número de pessoas. O Dezembro Laranja reforça a necessidade de atitudes fotoprotetoras de fácil execução no dia a dia do brasileiro com o objetivo de diminuir as altas taxas de incidência da doença. Em 2015, mais de 195 milhões de pessoas foram impactadas com as ações da campanha.

Entendendo o câncer de pele

Existem dois grupos distintos de câncer de pele: o não melanoma, mais frequente e menos agressivo, e os melanomas, mais agressivos, porém raros.

O melanoma da pele é menos frequente do que os outros tumores de pele, porém sua letalidade é mais elevada. Acomete principalmente os caucasianos* que moram em países com alta intensidade de radiação ultravioleta. No entanto, esse tipo de câncer afeta todos os grupos étnicos em alguma proporção. A Austrália, onde a população é predominantemente branca e tem, em média, seis horas de exposição diária ao sol, é o país com a maior ocorrência de melanoma. Contudo, vale ressaltar que, apesar da alta letalidade, se detectados em estádios iniciais, os melanomas são curáveis e seu prognóstico é considerado bom.

 

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014, foram registrados:

Pele melanoma – 5.890 casos e 1.547 mortes = 26% de chance de morrer ao contrair a doença. (Mortalidade: 7,6 mortes por 1.000.000 habitantes) 

Pele não melanoma – 182.130 casos e 1.769 mortes = 1% de chance de morrer ao contrair a doença. (Mortalidade: 8,7 mortes por 1.000.000 habitantes) 

 

A despeito de seu impacto para a saúde pública e das altas taxas de incidência, o câncer de pele não melanoma permanece subnotificado pela maioria dos registros de câncer do mundo. No Brasil, figura como o tumor mais incidente em ambos os sexos e é bastante provável que exista um sub-registro devido ao subdiagnóstico**.

Sempre Alerta

Por ser um tipo de câncer altamente tratável e com boas chances de cura, as pessoas tendem a subestimar a prevenção ou qualquer sinal de mudança na pele. Porém, o cuidado e a atenção são necessários para que o indivíduo perceba que alguma coisa não está indo bem.

O câncer de pele pode se manifestar como uma pinta ou mancha, geralmente acastanhada ou escurecida, como também uma ferida que não cicatriza. Os especialistas costumam divulgar a chamada regra do ABCDE, que ajuda na suspeita de uma lesão maligna e sinaliza que um dermatologista deve ser procurado.

A= assimetria da lesão

B= bordas irregulares

C= coloração alterada

D= diâmetro maior que 6 mm

E= evolução da lesão

Ações de prevenção primária que estimulem a proteção contra a luz solar são efetivas e de baixo custo para evitar o câncer de pele, inclusive os melanomas. A educação em saúde é outra estratégia internacionalmente aceita. O indivíduo deve procurar o dermatologista ao primeiro sinal de surgimento de manchas ou sinais novos na pele, ou a mudança nas características desses, reconhecendo assim possíveis alterações precoces sugestivas de malignidade.

Tenho câncer de pele, e agora?

Em caso de melanoma, a cirurgia é o tratamento mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia também podem ser utilizadas dependendo do estágio do câncer. Quando há metástase, o melanoma é incurável na maioria dos casos. A estratégia de tratamento para a doença avançada deve ter como objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Os tumores classificados como não melanoma podem ser de diferentes linhagens, mas os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide e, nestes casos, a cirurgia de retirada completa da lesão, com uma margem confiável de diâmetro, é o tratamento mais indicado.

Mais de 4 milhões de brasileiros já tiveram câncer de pele, revela pesquisa inédita

Este ano a SBD junto com o Instituto Data Folha, divulgou uma pesquisa inédita com 2.069 pessoas, em 130 municípios, que mostra a radiografia do hábito de exposição solar do brasileiro. A pesquisa traz dados alarmantes:

  • Mais de 100 milhões de brasileiros se expõem ao sol de forma intencional nas atividades de lazer – 70% da população acima de 16 anos;
  • 63% dos brasileiros não usam protetor solar no seu dia a dia = mais de 95 milhões de brasileiros não se protegem de forma regular;
  • 6 milhões de brasileiros adultos (mais de 4% da população) não se protegem de forma alguma quando estão na praia, piscina, cachoeira, banho de rio ou lago;
  • Dos entrevistados que têm filhos até 15 anos, 20% desses jovens não se protegem de forma alguma nas atividades de lazer. Se a análise incluir as classes D/E, esse percentual sobe para 35%.

 

Dados no INCA estimam que, em 2016, serão contabilizados cerca de 176 mil novos casos de câncer de pele não melanoma no Brasil e a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que, no ano de 2030, existirão 27 milhões de casos novos de câncer, 17 milhões de morte pela doença e 75 milhões de pessoas vivendo com ela. O maior efeito desse aumento incidirá em países em desenvolvimento. No Brasil, o câncer já é a segunda causa de morte por doenças, atrás apenas das do aparelho circulatório.

 

Notas:
* Diz-se das pessoas de pele branca que especialmente apresentam descendência europeia. O termo se deu origem porque a maioria dos indivíduos de cor branca surgiram na região do Cáucaso, que fica próximo ao Mar Negro.
** Implica em um não reconhecimento de uma doença, impossibilitando a tomada de medidas terapêuticas.

Referências:
1. OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA. Raio-x do Câncer (Estimativa de Incidência 2016-2017). Disponível online em: http://observatoriodeoncologia.com.br/raio-x-do-cancer-incidencias-2016-2017/

Fonte dos dados:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Campanha – Dezembro Laranja. Disponível online em: http://www.sbd.org.br/dezembro-laranja-movimento-da-sbd-na-prevencao-ao-cancer-da-pele/
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2016 – Incidência de Câncer no Brasil.
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2014 – Incidência de Câncer no Brasil.
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2012 – Incidência de Câncer no Brasil.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Hospitalares (SIH). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php