PTI e Câncer: o que há de comum entre essas duas doenças?

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A primeira coisa que vale ressaltar é que a Púrpura Trombocitopênica Idiopática ou Imune (PTI) não é câncer. Porém, a PTI é uma doença do sangue com sintomas muito parecidos com os de algumas doenças oncológicas como as leucemias, por exemplo. Por ser caracterizada pela baixa contagem de plaquetas (1), os hematomas e/ou os sangramentos espontâneos são sinais bastante comuns aos pacientes com PTI. Os sintomas estão presentes em 76% dos pacientes, principalmente os hematomas pelo corpo, que acometem 79,3% deles (2).

O valor normal de plaquetas no sangue de um adulto é de 150.000 a 350.000 e em um indivíduo que possua contagem inferior a 100.000, pode-se suspeitar que tenha PTI. Embora pareça fácil a detecção, o diagnóstico de PTI é feito por exclusão de outras doenças que também causam a baixa de plaquetas, como o câncer. Além do histórico clínico do paciente e hemograma, outros exames de sangue mais específicos são necessários. Há casos em que o mielograma, exame diagnóstico e de acompanhamento para alguns cânceres do sangue, também pode ser indicado.

A doença tem maior incidência no sexo feminino (70%) e acomete todas as faixas etárias nas formas aguda e crônica, sendo que o diagnóstico é mais frequente até os 9 anos. As crianças apresentam predominantemente, a forma aguda, podendo ter uma remissão completa da doença mesmo sem tratamento. Já os adultos apresentam, principalmente, a forma crônica.

No Brasil, segundo análise dos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, no ano de 2015, foram mais de 5.000 atendimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com diagnóstico primário de PTI. Os estados com o maior número de atendimentos foram São Paulo, com 2.267 APACs, Pará, com 478 APACs, e Paraná, com 407 APACs (3).

Embora o tratamento convencional (primeira linha) seja feito com o uso de corticoides, existem ainda outras drogas que podem ser associadas aos corticoides como os agonistas dos receptores de trombopoetina e a cirurgia de retirada do baço, procedimento ainda bastante realizado e com boa resposta terapêutica. Além disso, outro ponto semelhante com o câncer é que a PTI também pode ter tratamento com terapias mais avançadas e de alto custo, como é o caso das imunoglobulinas.

A PTI, ou apenas Púrpura, é uma doença autoimune, de causa desconhecida e considerada rara. Por isso, não é muito conhecida pela população em geral e a maioria dos pacientes relata nunca ter ouvido falar na doença antes do seu diagnóstico (2).

Embora seja desconhecida, após o diagnóstico, os pacientes conseguem obter muitas informações sobre a doença e o seu tratamento, especialmente por meio do médico, da internet e de jornais e revistas (73,3%, 48,7% e 27%, respectivamente).

No mais, é muito importante saber que a PTI não afeta a rotina do paciente, mas impõe algumas restrições como maior atenção na prática de esportes e atividade física. O paciente com PTI que mantém o seu nível de plaquetas estável, possui uma rotina normal, preservando sua qualidade de vida como qualquer outro indivíduo saudável (2).

Notas:
(1) As plaquetas são os componentes responsáveis pela coagulação sanguínea.
(2) ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINFOMA E LEUCEMIA – ABRALE. Pesquisa qualitativa de seguimento terapêutico com pacientes de PTI. 2014.
(3) Quando o estabelecimento público de saúde entrega os medicamentos aos pacientes, o procedimento fica registrado por meio de uma APAC (Autorização de Procedimento Ambulatorial de Alta Complexidade). O Ministério da Saúde recebe e processa as informações de APAC e, posteriormente, faz o ressarcimento para o estabelecimento de um valor unitário pré-estipulado para cada APAC.

Fontes dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/.