Raio-x do Câncer (Estimativa de Incidência 2016-2017)

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Baseados no artigo (1) do dr. André Médici e Kaizo Beltrão, realizado no ano de 2012, no qual foi feita uma análise dos aspectos sociais, demográficos e econômicos do câncer, fizemos este estudo e adaptamos essa análise à atual incidência de câncer, divulgada no início deste ano pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o biênio 2016-2017. Este é o primeiro estudo de outros dois que publicaremos a seguir e que vamos ter como referência principal o artigo citado. Aqui, falaremos sobre os principais tipos de câncer no Brasil, fatores de risco e acesso aos meios de prevenção.

Em 2012, a análise de Médici afirmava que existiam mais casos de câncer para os homens que para as mulheres. Atualmente, este cenário mudou e, segundo o Inca, as mulheres (300.244 casos) terão mais doenças neoplásicas que os homens (294.795 casos) em 2016-2017. Mas por que isso aconteceu já que as políticas de prevenção para câncer feminino são mais intensas no Brasil? É um dado relevante e devemos refletir sobre ele.

Ainda em 2012, a incidência do câncer de colón e reto, por exemplo, era preponderantemente feminina e hoje temos um cenário em que homens e mulheres estão praticamente empatados neste tipo de câncer.
A seguir, podemos conferir, através dos gráficos, os principais tipos de câncer por sexo, além do número de casos para cada um deles, divididos por União Federativa (UF).

 

Fatores de risco e acesso aos meios de prevenção
Fator de risco para desenvolvermos determinada doença é a associação de fatores ambientais ou hereditários com os hábitos de cada indivíduo. O tabagismo e a obesidade, por exemplo, são fatores de risco para diversos tipos de cânceres, além de doenças cardiovasculares e respiratórias. Além deles, podemos ainda mencionar o alcoolismo, exposição solar, alimentação inadequada, entre outros, como um ambiente propício para o desenvolvimento de tumores malignos. Contudo, os fatores de risco podem ser encontrados no ambiente físico, herdados ou resultado de hábitos ou costumes próprios de um determinado ambiente social e cultural (2).

Agora que já sabemos o que pode ocasionar o câncer temos o dever de preveni-lo através de ações realizadas para reduzir os riscos de ter a doença. Mas será que a população como um todo tem acesso à todas essas ações?

De acordo com dados do Censo (2013) (3), dos mais de 200 milhões de residentes no Brasil, 30,7 milhões de pessoas que procuraram algum atendimento de saúde nas duas semanas anteriores à data da Pesquisa Nacional de Saúde, 97% afirmaram ter conseguido atendimento e 95,3% foram atendidas na primeira vez em que procuraram o serviço. Das pessoas que não conseguiram atendimento de saúde na primeira vez, 38,8% alegaram que não havia médico disponível e 32,7% não conseguiram vaga ou nem sequer uma senha.
Das pessoas que conseguiram atendimento de saúde (exceto o serviço de marcação de consulta), 64,8% tiveram algum medicamento receitado e 82,5% conseguiram obter todos os medicamentos prescritos. Apenas a região Norte apresentou percentual inferior à média nacional na obtenção de todos os medicamentos receitados (75,8%).
Apesar do poder que a informação assume na prevenção do câncer, faz-se necessário observar que nem sempre a informação resulta em prevenção. Uma pesquisa concluiu que 20,7% dos professores-médicos de uma universidade estudada, mesmo tendo acesso fácil à informação e aos serviços de diagnóstico clínico e complementar, nunca realizaram práticas preventivas para câncer de próstata (4). Assim, o acesso à informação pode ser um caminho para a prática preventiva, porém não justifica, por si só, a não realização desta.
É necessária uma atuação diferenciada dos profissionais da saúde com cada paciente, em relação ao exame de prevenção. Uma atuação com envolvimento, com respeito à sua intimidade, à sua privacidade, ao seu direito de conhecer e poder conversar sobre a doença e sobre a sua saúde. O êxito do rastreamento do câncer depende, acima de tudo, da reorganização da assistência à saúde das populações vulneráveis nos serviços de saúde, da capacitação dos profissionais da área, da qualidade e continuidade das ações de prevenção e controle das doenças, do estabelecimento de ações humanizadas e equitativas, do respeito às diferenças culturais, da eliminação das barreiras e das iniquidades no acesso e utilização dos serviços e equipamentos com finalidade preventiva (5).
Referências:
1. MONITOR DE SAÚDE. Demografia e Epidemiologia do Câncer no Brasil. Disponível online em: http://monitordesaude.blogspot.com.br/2015/05/demografia-e-epidemiologia-do-cancer-no.html
2. INSTITUTO NACIONAL DO CANCER. Disponível online em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/prevencao-fatores-de-risco
3. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Disponível online em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/pns/2013/
4. MIRANDA, P.S.C; CÔRTES M.C.J.W; MARTINS M.E; CHAVES P.C; SANTAROSA R.C. Práticas de diagnóstico precoce de câncer de próstata entre professores da Faculdade de Medicina – UFMG. Rev Assoc Med Bras 2004; 50(3): 272-5
5. PINHO, A.A. Cobertura e motivos para a realização ou não do teste de papanicolau no município de São Paulo. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, n. 19, sup. 2, p. 303-313, 2003

Fonte dos dados:
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2016: Incidência de Câncer no Brasil. Disponível online em:           http://www.inca.gov.br/dncc/