Saúde da Mulher: Prevenção do Câncer de Colo do Útero

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Quando falamos em prevenção do Câncer de Colo do Útero, precisamos primeiro entender o que significa o Papiloma Vírus Humano (HPV), que é a nomenclatura para mais de 150 vírus diferentes, sendo 40 que podem infectar o trato ano-genital. Mas, qual é a relação entre um vírus e câncer? A infecção pelo HPV é muito frequente, porém regride espontaneamente na maioria dos casos. Em uma parcela menor, quando a infecção persiste, especialmente é causada por um tipo viral oncogênico responsável pelo desenvolvimento de lesões que se não forem identificadas e tratadas, podem progredir para alguns tipos de câncer, principalmente o de colo de útero.

Tenho HPV, vou desenvolver câncer?
Não. Aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV e comparando esse dado com a incidência anual de aproximadamente 500 mil casos de câncer de colo uterino, conclui-se que o câncer é um desfecho raro, mesmo na presença do vírus. Ou seja, a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.
Além do HPV, há outros fatores que aumentam o risco para desenvolvimento deste tipo de câncer. Fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual, podem determinar a regressão ou a persistência da infecção pelo HPV e também a progressão para lesões precursoras ou câncer. Desta forma, o tabagismo, o início precoce da vida sexual, o número elevado de parceiros sexuais e de gestações e o uso de pílula anticoncepcional são considerados fatores de risco. A idade também interfere nesse processo, sendo que a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regridem espontaneamente, ao passo que acima dessa idade, a persistência é mais frequente.

Como posso me prevenir?
É muito importante ressaltar que o câncer de colo de útero é um câncer altamente preventivo. A prevenção é feita basicamente de duas formas: com a vacinação contra o HPV antes do início da vida sexual e fazendo o exame preventivo de Papanicolau (exame citopatológico do colo do útero), que pode detectar as lesões precursoras. Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, a porcentagem de prevenção da doença é alta.
O exame deve ser feito preferencialmente pelas mulheres entre 24 e 64 anos que têm ou já tiveram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser feitos com o intervalo de um ano e, se os resultados forem normais, o exame passará a ser realizado a cada 3 anos. Com o rastreamento do Papanicolau aliado à pesquisa de HPV de alto risco, a chance de reduzir a mortalidade do câncer de colo do útero é muito grande e com a vacinação contra o HPV, esse número aumenta ainda mais.

60 a 80% das mulheres diagnosticadas com câncer de colo uterino não haviam realizado rastreamento nos últimos 5 anos.

 

Cobertura do Papanicolau e Vacina do HPV no Brasil
A vacina distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) é a quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18. Dois deles (o 6 e o 11), estão relacionados com o aparecimento de 90% dos casos das verrugas genitais e os outros dois (o 16 e o 18) estão relacionados com 70% dos casos de câncer de colo de útero. Ainda no âmbito do SUS, a vacina está disponível para meninas de 9 a 14 anos e, mais recentemente, para meninos de 12 e 13 anos.
Aplicação:
– 2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 14 anos;
– 3 doses com intervalo de 2 e 6 meses para mulheres com HIV entre 9 e 26 anos;
– 2 doses com intervalo de 6 meses para meninos de 12 a 13 anos;
– 3 doses com intervalo de 2 e 6 meses para meninos com HIV entre 9 e 26 anos.

Já sobre o exame do Papanicolau, a cobertura mínima necessária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para causar impacto nos indicadores de morbimortalidade¹, é de 80% nas mulheres com vida sexual ativa e no Brasil, em 2016, esse índice foi de apenas 30%.
Papanicolau:

Antes do início da atividade sexual NÃO
Início da atividade sexual até 65 anos Exame anual; posteriormente, a cada 3 anos
Mais de 65 anos Necessário somente se a mulher tiver vida sexual ativa e a cada 3 anos
Após histerectomia² NÃO
Mulheres vacinadas SIM

1. De acordo com o Ministério da Saúde, refere-se à incidência das doenças e/ou dos óbitos numa população.
2. Remoção de parte ou da totalidade do útero.
Fontes:
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA). Disponível online em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/hpv-cancer-perguntas-mais-frequentes

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação em Mortalidade (SIM). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação Ambulatorial (SIA). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Nacional de Imunização (PNI). Disponível online em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=02

Fonseca, Luiz Augusto Marcondes, Adriana de Souza Ramacciotti, and José Eluf Neto. “Tendência da mortalidade por câncer do útero no Município de São Paulo entre 1980 e 1999.” Cad Saúde Pública (2004): 136-142.

Emmons M., Karen and Colditz A., Graham. “Realizing the Potential of Cancer Prevention – The Role of Implementation Science”. The New England Journal of Medicine (2017).