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A Saúde do Homem muito além da cor azul

A forma como o sistema de saúde no Brasil vem se organizando revela que a maior parte do atendimento de atenção básica privilegia grupos populacionais considerados mais vulneráveis, por meio de ações programáticas voltadas para a saúde da mulher, da criança e do idoso, pouco favorecendo a atenção à saúde do homem. Porém, este cenário vem mudando a partir de 2008, quando foi criado no Brasil o Novembro Azul, uma campanha realizada por diversas entidades no mês de novembro dirigida à sociedade e, em especial aos homens, para conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata, tipo de tumor mais frequente no sexo masculino no Brasil. Porém, a saúde do homem vai muito além do que o câncer de próstata e iremos apresentar aqui outros tipos de câncer muito incidentes nesse gênero.

Desafio histórico

O homem, culturalmente, tem dificuldade de reconhecer as suas próprias necessidades de saúde, cultivando o pensamento que rejeita a possibilidade de adoecer, mantendo, até hoje, a questão da invulnerabilidade masculina, do seu papel social de provedor da família. Deve-se considerar ainda que os homens sentem-se constrangidos em procurar atendimento quando algo vai errado devido à essa cultura aliado à incompatibilidade de horário com a jornada laboral.

O tratamento do câncer de próstata no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer de próstata são definidos com base na idade da paciente e nas características do tumor, como localização e extensão, grau de estadiamento, presença de metástase, entre outros, e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas clínicas, como hormonioterapia, radioterapia, cirúrgicas e quimioterapia resistente a hormonioterapia.

Em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde, considerando todos os tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em homens com diagnóstico de câncer de próstata (C61), foram realizados 550.879 procedimentos de hormonioterapia, incluindo primeira e segunda linha para tumores avançados. Também foram realizados 2.691.916 procedimentos de radioterapia, 15.656 cirurgias e 29.688 quimioterapias resistentes a hormonioterapia.

Todos os quatro tipos de tratamentos analisados cresceram de forma bastante acentuada no período entre 2008 e 2016, sendo que os procedimentos de hormonioterapia aumentaram em 80%, os procedimentos de radioterapias aumentaram em 65%, as cirurgias aumentaram em 50% e as quimioterapias resistentes a hormonioterapia aumentaram 159%.

Se por um lado o aumento dos procedimentos terapêuticos é reflexo do aumento da incidência da doença e do próprio processo de envelhecimento da população brasileira, por outro lado também é resultante do aumento do acesso à prevenção secundária e aos meios diagnósticos. Neste sentido, tiveram grande importância a conscientização e mobilização da sociedade através das campanhas nacionais e dos mutirões de prevenção.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS e Sistema de Informação Hospitalar do SUS – SIH/SUS

Referências:
SILVA, P. A. dos S. et al. A saúde do homem na visão dos enfermeiros de uma unidade básica de saúde. Esc Anna Nery, v. 16, n. 3, p. 561-8, 2012.

Novembro Azul: vamos iluminar a saúde do homem

Nascida no Brasil e realizada por diversas entidades, a campanha do Novembro Azul é um projeto que dedica-se a conscientizar a sociedade e, principalmente homens, a respeito da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata.

A criação do Novembro Azul foi uma iniciativa do Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), que já no ano de sua fundação, em 2008, foi pioneiro na abordagem de questões relacionadas ao câncer de próstata no Brasil, por meio da campanha: Um Toque, Um Drible. Somente quatro anos depois, inspirados pelo Movember (8), movimento internacional dedicado à conscientização e arrecadação de fundos na luta contra a doença, o Instituto inovou e passou a promover um mês inteiro de intensa mobilização focado na saúde do homem.

Por todo o Brasil, iluminações de prédios e monumentos, palestras, ações em locais de grande circulação de pessoas como estradas, estádios e autódromos, e apoios de instituições e personalidades lembram a importância da realização de exames preventivos. Esse ano a campanha ganhou tanta visibilidade que chegou até à Times Square, em Nova Iorque, com a exibição de um banner em um dos seus principais e famosos painéis iluminados.

Foi assim que o Novembro Azul tornou-se referência na missão de orientar a população masculina a cuidar melhor da saúde, entrou para o calendário nacional de prevenção e hoje é a maior campanha de combate ao câncer de próstata no Brasil (1).

A última discussão sobre a Política Nacional da Saúde do Homem

Somente em 2009, sob a direção do ex-ministro José Gomes Temporão, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, desenvolvida em parceria com diversos gestores, organizações e sociedades científicas. Embora grandes esforços fossem empenhados, o escopo desta política ainda se restringia a diminuir a mortalidade por violência, acidentes de transporte terrestre e doenças do aparelho circulatório. O foco da área de atenção à saúde masculina possuía uma faixa etária restrita de 20 a 59 anos, com ênfase para ações de prevenção, promoção e proteção básica à saúde do homem. Destacamos que o documento não versa sobre câncer de próstata, o tumor sólido mais incidente no sexo masculino, mas que foi o primeiro passo para a importância de se discutir a saúde do homem.

Nem tudo é tão azul assim

Apesar do apoio de diversos segmentos da sociedade, o movimento, no que diz respeito a sua relação com o rastreamento do câncer de próstata é repudiado pelo Ministério da Saúde (3) e pelo Instituto Nacional do Câncer (4). Segundo os documentos oficiais de ambas as entidades “No Brasil, assim como em outros países – Austrália, Canadá e Reino Unido -, o MS não recomenda a organização de programas de rastreamento do câncer de próstata. Este posicionamento está respaldado por evidência científicas atuais que apontam mínima redução da mortalidade por câncer de próstata por meio de programas de rastreamento acompanhada de uma série de possíveis danos à saúde do homem”.

O Instituto Lado a Lado e suas pesquisas dizem o contrário. Segundo os dados mais atuais do INCA e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a detecção precoce do câncer de próstata pode aumentar em 90% as chances de cura, porém 50% da população masculina nunca consultou um especialista. Constatou-se que 75% dos pacientes diagnosticados com câncer dependem do SUS (5).

Em nota recente(6), o Hospital Albert Einstein disse: “Apoiamos o Novembro Azul, pois ele serve de abertura para que o paciente procure o seu clínico-geral ou o seu urologista para discutir sobre os exames de detecção precoce. Apoiamos a ideia de algumas sociedades profissionais nacionais e internacionais que recomendam que os exames iniciem aos 50 anos, mas para pessoas com histórico familiar ou afrodescendentes devem iniciar aos 45 ou até mesmo aos 40 anos”.

O Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) e o Instituto Lado a Lado estão na linha de frente para a melhoria da atenção oncológica no Brasil. A mudança do paradigma do cuidado oncológico na saúde pública somente se dará quando houver união entre estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação (7).

Curiosidades

– Outras entidades que se colocam contra esta atividade são a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) (9), o United States Preventive Services Task Force, o Canadian Task Force on Preventive Health Care e o United Kingdom National Screening Comittee;
– Resultados do Novembro Azul: Quase 3 milhões de pessoas alcançadas nas redes sociais. Aumento de 49% comparado ao ano de 2014. 11 ações temáticas. 180 apoios consolidados. 50 celebridades vestiram azul. 37 Iluminações em várias regiões do Brasil. 20 Estados participantes. 463 ações em todo o país. 87 milhões de pessoas impactadas.

 

Nos últimos cinco anos (2009-2013) morreram de câncer de próstata, em média, 42 homens por dia.

 

Seguindo padrões mundiais, de acordo com as estimativas 2016-2017 do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o 2.º tipo de câncer que mais acomete homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O estado do Rio Grande do Sul tem a maior taxa de incidência bruta, com 109 casos a cada 100 mil homens, e o Estado do Amapá tem a menor taxa de incidência bruta, com cerca de 22 casos a cada 100 mil homens. 42% dos casos novos são esperados na Região Sudeste, 22% na Região Sul, 23% na Região Nordeste, 8% na Região Centro-Oeste e 4% na Região Norte.

Entre os homens como um todo, o câncer é a terceira principal causa de morte, perdendo para as doenças do aparelho circulatório e as causas externas, sendo o câncer de próstata a segunda causa de morte por câncer. Entre os anos de 2009 e 2013, o país registrou 77.420 óbitos por câncer de próstata. Destes homens 52% estavam na faixa-etária entre 60 e 79 anos e 43% acima dos 80 anos.

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de próstata são idade, raça e histórico familiar. Saiba mais em: http://observatoriodeoncologia.com.br/o-que-sabemos-sobre-o-cancer-de-prostata/

 

Referências:
1. INSTITUTO LADO A LADO PELA VIDA. Campanha – Novembro Azul. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.ladoaladopelavida.org.br/campanha/novembro-azul>.
2. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem : princípios e diretrizes, 2009. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/21/CNSH-DOC-PNAISH—Principios-e-Diretrizes.pdf>.
3. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Nota Técnica Conjunta n.º 001/2015. Posicionamento do Ministério da Saúde acerca da Integralidade da saúde dos homens no contexto do Novembro Azul. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/9e6e07004a50eca8968bd6504e7bf539/Nota+T%C3%A9cnica+CAP+finalizada.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=9e6e07004a50eca8968bd6504e7bf539>
4. INSTITUTO NACIOAL DO CÂNCER. Rastreamento para câncer de próstata. Diretrizes. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/publicacoes/diretriz_rastreamento_prostata.pdf>
5. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER e SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA in: Anuário Lado a Lado Pela Vida, São Paulo, 2015.
6. ALBERT EINSTEIN. Notícias de Saúde. Prevenção de Saúde, 2016. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.einstein.br/noticias/noticia/prevencao-para-todos?newsletter=onconews&utm_campaign=Oncologia+Einstein+em+Destaque_4%C2%BAedi%C3%A7%C3%A3o&utm_content=%5BNo+title%5D+%281%29&utm_medium=email&utm_source=EmailMarketing&utm_term=Newsletter+-+Oncologia+Einstein+em+Destaque>.
7. LOBO, T. C. Outubro Rosa e luta contra o Câncer de Mama. 2016. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/quanto-custa-tratar-um-paciente-com-cancer-no-sus-em-2016-2/>
8. FOX, Channel. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.fox5dc.com/>.
9. SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DE FAMÍLIA & COMUNIDADE. Comunicado aos apoiadores do Novembro Azul, Rio de Janeiro, 2015. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.sbmfc.org.br/media/Novembro%20Azul.pdf>.

O que Sabemos Sobre o Câncer de Próstata?

Incidência do câncer de próstata

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer que mais acomete homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. São esperados anualmente 68.800 casos novos de câncer de próstata, com um risco estimado médio de 70 novos casos a cada 100 mil homens (1).

As maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 53% dos casos novos são esperados na Região Sudeste, 19% na Região Sul, 19% na Região Nordeste, 7% na Região Centro-Oeste e 2% na Região Norte.

O Estado do Rio de Janeiro tem a maior taxa de incidência, com 108 casos esperados a cada 100 mil homens, e o Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 21 casos a cada 100 mil homens.

Mortalidade por câncer de próstata

No ano de 2013, o Brasil registrou 103.275 óbitos de homens por câncer, portanto, a terceira principal causa de morte entre os homens.

Especificamente em relação aos óbitos por câncer de próstata, o país registrou 13.772 óbitos, o que significa que aproximadamente 38 homens morreram por câncer de próstata por dia em 2013. O câncer de próstata configura-se como a segunda causa de morte por câncer, atrás do câncer de pulmão. Os idosos são as maiores vítimas do câncer de próstata já que 82% dos óbitos por câncer de próstata, ou 13.052 óbitos, ocorreram entre homens na faixa etária de 60 anos ou mais. Veja aqui mais informações.

Apesar do número absoluto de óbitos por câncer de próstata ter crescido entre 2008 e 2013, a taxa de mortalidade padronizada (por 100.000 habitantes) decresceu, acumulando uma redução de 5% no mesmo período.

Fatores de Risco

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de próstata são idade, raça e histórico familiar. Em relação ao histórico familiar, os estudos mostram que o risco de desenvolver câncer de próstata é duas vezes maior em homens com história familiar, sendo que ter um irmão com câncer de próstata aumenta mais o risco do que ter um pai com a doença. O risco de câncer de próstata também aumenta ainda mais se houverem múltiplos casos na família (2).

No Brasil, outros dois fatores de risco têm sido associados à mortalidade por câncer de próstata: estado conjugal e procedência do paciente. Quanto ao estado conjugal, pesquisadores argumentam, por exemplo, que homens não casados tendem a ter menos apoio para se submeterem ao tratamento. Quanto à procedência do paciente, apontam que pacientes provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS) têm maiores chances de chegar ao hospital sem diagnóstico e sem tratamento anterior, consequentemente, com maior probabilidade de estadiamentos mais avançados e de apresentarem metástases (3).

Fonte dos dados:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/>. Acesso em 2014.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2014. Disponível on-line em:  <http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/>.
2. XAVIER JUNIOR CV, HACHUL M. Tumores urológicos no Brasil. Revista Brasileira de Medicina, Rio de Janeiro, v.71, p.410-414, 2014. Disponível on-line em: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=5949&fase=imprime>.
3. ZACCHI SR et al. Associação de variáveis socio-demográficas e clínicas com o estadiamento inicial em homens com câncer de próstata. Cadernos Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.22, n.1, p.93-100, 2014. Disponível on-line em:  <http://www.scielo.br/pdf/cadsc/v22n1/1414-462X-cadsc-22-01-00093.pdf>.