Tag: outubro rosa

15 anos de Outubro Rosa no Brasil – O que mudou?

O já conhecido Outubro Rosa é um movimento internacional que nasceu na década de 1990 com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Porém, no Brasil, a primeira iniciativa em relação ao movimento, aconteceu em 2002. De lá para cá, muita coisa mudou no cenário do câncer de mama no país e este estudo nos mostra, em números, o que aconteceu de mais significativo.

Em um país em que estima-se que 57.960 mulheres sejam acometidas pelo câncer de mama somente em 2017, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), as campanhas referentes ao Outubro Rosa são muito importantes, pois o número de mortes ainda continua em alta, especialmente por causa do grande número de diagnósticos tardios, provavelmente pela falta de acesso à exames e/ou consultas preventivas aliado à falta de informação da população.

Mamografias
Quando falamos de câncer, a detecção precoce é a chave para o tratamento bem-sucedido e com o câncer de mama não é diferente. Neste caso, a mamografia é a melhor forma de descobrir a doença antes mesmo que ele seja detectável pelo exame clínico. O rastreamento do câncer de mama em mulheres com 50 anos ou mais pode reduzir a mortalidade em até 45%.

A partir das mobilizações do Outubro Rosa no Brasil, além do aumento no número de mamógrafos no país, é provável que os serviços de saúde tenham se reorganizado para uma melhora na solicitação e no encaminhamento para a realização da mamografia preventiva. Somente em 2002, foi registrada a primeira mamografia no estado do Acre.

No Brasil, como um todo, o número de mamografias cresceu 265% em 16 anos (2000-2016). Embora o exame de rastreamento tenha aumentado, o número de óbitos saltou de 8.393 para 15.593, representando um aumento de 74, 4%. Mas o aumento na quantidade de mamografias não deveria diminuir o número de mortes? Não necessariamente. Há várias conclusões que podemos tirar desta estatística e uma delas é que, provavelmente, grande parte dessas mamografias foi realizada tardiamente na maioria das mulheres.
Em 2013, cerca de 46% das mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos havia realizado a última mamografia em até 2 anos e, este número aumenta para 54,2% em 2008. É bem provável que a aquisição de mamógrafos, além de aumentar a oferta, facilitou o acesso, contribuindo para aumentar a cobertura.

Mortalidade
As taxas de mortalidade vêm diminuindo lentamente nas regiões Sul e Sudeste, possivelmente pela maior adesão dos programas de rastreamento e maior disponibilidade de recursos para o diagnóstico precoce e tratamento da doença. Em outras regiões, os índices de mortalidade ainda são elevados em consequência dos problemas de acesso. Os dados mostram que a proporção da população feminina de 50 a 69 anos que realizou a última mamografia cresceu 8,1% de 2003 para 2008. A escala de crescimento por região foi de: 10,2% no Sul, 9,8% no Nordeste, 7,8% no Sudeste, 5% no Norte e 4,7% no Centro-Oeste.
No final das contas, embora os gargalos referentes ao câncer de mama sejam um problema recorrente ao longo do ano, o Outubro Rosa é importante porque faz com que as mulheres parem, pelo menos uma vez ao ano, para cuidarem de si mesmas e ficarem mais atentas à sua saúde e alerta a qualquer sinal de que algo não está indo bem e procurar ajuda.

Fonte dos Dados:
1. Brasil. Ministério da Saúde – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS).
Mamografias realizadas entre 2000 e 2007: cód. 1309202 – MAMOGRAFIA BILATERAL e Mamografias realizadas em entre 2008 e 2016: cód. 0204030030 MAMOGRAFIA e cód. 0204030188 MAMOGRAFIA BILATERAL PARA RASTREAMENTO
2. IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD – Suplemento Saúde.
Notas:
* As proporções foram calculadas desconsiderando os casos sem declaração e os não aplicáveis.
** As categorias de tempo da última mamografia são diferentes entre a PNAD 2008 e a PNAD 2003. Por este motivo, para o ano de 2003 é apresentada a proporção da população feminina de 50 a 69 anos que refere ter realizado a última mamografia em até 3 anos.
** Informações da PNAD não disponíveis, até o ano de 2003, para as áreas rurais de RO, AC, AM, RR, PA e AP.

Outubro Rosa e luta contra o Câncer de Mama

A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990, e desde então, promovida anualmente na cidade. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença (1).  A primeira iniciativa vista no Brasil em relação ao Outubro Rosa é datada de 02 de outubro de 2002,  marcada pela iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), situado em São Paulo-SP (2).

No Brasil, no que diz respeito ao câncer de mama, nos últimos anos tem-se observado aumento nas taxas de mortalidade, o que vem sendo atribuído, principalmente, a retardamento no diagnóstico e na instituição de terapêutica adequada (7). A detecção através de programas de rastreamento representa uma alternativa que favorece o diagnóstico em estadios iniciais da doença, o que contribui para o tratamento curativo e/ou maiores taxas de sobrevida (8). Seguindo padrões mundiais, de acordo com as estimativas 2016-2017 do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o 2.º tipo de câncer que mais acomete mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma (3).

O estado do Rio de Janeiro tem a maior taxa de incidência bruta, com 91 casos a cada 100 mil mulheres, e o Estado do Amapá tem a menor taxa de incidência bruta, com cerca de 15 casos a cada 100 mil mulheres (4). 42% dos casos novos são esperados na Região Sudeste, 19% na Região Sul, 19% na Região Nordeste, 16% na Região Centro-Oeste e 3% na Região Norte.

Essa diferença nas incidências está associada tanto a fatores genéticos quanto às diferentes exposições da população aos fatores de risco e de proteção associados à doença. Segundo estudos epidemiológicos, os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama relacionados ao estilo de vida são: o aumento das medidas antropométricas ao longo da vida adulta (circunferência da cintura e peso) e a ingestão de bebida alcoólica. Já os principais fatores protetores são a lactação e a prática de atividade física. Ao contrário de alguns outros cânceres, o câncer de mama está diretamente relacionado ao processo de industrialização, com risco de adoecimento associado ao maior status socioeconômico (5).

De acordo com PNAD 2008, taxas de prevalência de câncer são crescentes na medida em que avança a idade. Entre os 25 e os 60 anos de idade, as taxas femininas de prevalência de câncer são bem superiores as masculinas, provavelmente em função da prevalência de câncer cervico-uterino e posteriormente de câncer de mama, os quais costumam ser mais frequentes entre mulheres, em geral ao final da menopausa mas antes do ingresso na terceira idade (10).

Entre as mulheres como um todo, o câncer é a segunda principal causa de morte, perdendo apenas para as doenças do aparelho circulatório, sendo o câncer de mama é primeira causa de morte por câncer. Entre os anos de 2009 e 2013, o país registrou 66.406 óbitos por câncer de mama. Destas mulheres 63% estavam na faixa-etária entre 40 e 69 anos.

Nestes cinco anos (2009-2013) o câncer de mama matou, em média, 36 mulheres por dia.

De acordo com o banco do SIA-SUS atualizado apenas até junho de 2015, foram registrados 809.733 procedimentos de quimioterapia, 37.565 procedimentos de radioterapia e 19.390 cirurgias em mulheres com câncer de mama. Todos os tipos de tratamentos cresceram no período entre 2008 e 2014: os procedimentos de quimioterapia aumentaram em 48%, os de radioterapias em 42% e as cirurgias em 35% (6).

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica, QT e RT para pacientes com Câncer de Mama HER-2 Negativo com RH+ em mulheres na pré-menopausa no estadiamento I, corresponde a R$ 11.372,80, enquanto no estadiamento III, com Linfonodos Positivos, a cirurgia + QT (AC-T = docetaxel + ciclofosfamida + paclitaxel) + Tamoxifeno por 5 anos corresponde a R$ 55.125,45 (9).

O diagnóstico precoce é importante tanto para salvar vidas quanto por questões financeiras. O outubro rosa nos impulsiona a lutar, no sentido de atingir os padrões de diagnóstico e assistência aos portadores de câncer de mama. A mudança do paradigma do cuidado oncológico na saúde pública somente se dará quando houver união entre estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação. Em conclusão, Iluminar significa jogar luz em um assunto que tanto assusta as mulheresmas o cor-de-rosa sinaliza que este medo pode ser amenizado pela realização dos exames para o diagnóstico precoce: o exame clínico das mamas, por médico ou enfermeira, e a realização da mamografia.

 

 

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Referências:
1. Fundação Susan G. Komen for the Cure. Disponível on-line em: <http://ww5.komen.org/>.
2. AMUCC. Associação Brasileira de Portadores de Câncer. Outubro Rosa. Disponível on-line em: <http://www.amucc.org.br/portal/outubro-rosa/>.
3. MELO, N. Observatório de Oncologia. Raio-x do Câncer (Estimativas 2016-2017). Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/raio-x-do-cancer-incidencias-2016-2017/>.
4. Instituto Nacional do Câncer. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2016. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/mapa.asp?ID=5>.
5. MATARAZZO, H. Dados e Fatos sobre o Câncer de Mama. Observatório de Oncologia, 2015. Disponível em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/dados-e-fatos-sobre-o-cancer-de-mama/>.
6. MATARAZZO, H. Observatório de Oncologia. Tratamento do Câncer de Mama no SUS. Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/tratamento-do-cancer-de-mama-no-sus/>.
7. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Controle do câncer de mama. Documento de consenso. Rev Bras Cancerol. 2004;50(2):77-90.
8. ROSA, LM; RADUNZ, V. Taxa de sobrevida na mulher com câncer de mama: estudo de revisão. Texto contexto – enferm. Florianópolis, v. 21, n. 4, p. 980-989, 2012.
9. LOBO, TC. Quanto Custa Tratar Um Paciente com Câncer no SUS em 2016. Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/quanto-custa-tratar-um-paciente-com-cancer-no-sus-em-2016-2/>.
10. MEDICI, AC. Aspectos Socio-Econômicos do Câncer no Brasil. 2016. Dísponível on-line em: <http://monitordesaude.blogspot.com.br/2016/10/aspectos-socio-economicos-do-cancer-no.html>.