Archive: 15 de dezembro de 2016

Las fronteras entre los países están disminuyendo en beneficio de la salud

Segundo pesquisadores, a América Latina corre o risco de perder o controle da crescente epidemia de câncer  e de quebrar seu sistema de saúde com os custos da doença. Estima-se que a incidência anual de novos casos de câncer na América Latina aumente em 33% (para cerca de 1,68 milhão de novos casos) em 2020 – atualmente, são cerca de 1,3 milhão de casos. Em 2030, os pesquisadores estimam que, além do 1,7 milhão de novos casos que serão diagnosticados na América Latina, o câncer também causará mais de 1 milhão de mortes (1).

Mesmo com uma incidência menor de casos da doença, quando comparada aos países desenvolvidos, na América Latina ainda se morre mais da doença ? são 13 mortes em cada 22 casos diagnosticados; nos Estados Unidos, o número de mortes é de 13 para cada 37 casos, na Europa, são 13 mortes para 30 casos. Essa diferença está na maneira como se olha a doença. Enquanto nos países desenvolvidos há melhores programas de prevenção e diagnóstico precoce da doença, na América Latina os casos são, em sua maioria, ainda diagnosticados nas fases terminais. Nos EUA, quase 60% dos casos têm diagnóstico no início da doença. No Brasil, por exemplo, esse número é de apenas 20% (2).

Entre as principais causas de mortes por câncer em homens estão os tumores de pulmão, próstata, cabeça e pescoço, enquanto em mulheres foram os tumores de mama, pulmão e colorretal.

Em relação aos dados encontrados, é possível afirmar que nos últimos cinco anos (2010-2015): foram registrados 2.352.255 óbitos por câncer na América Latina e Caribe; as maiores taxas de mortalidade encontram-se em no Uruguai (225 mortes por 100.000 habitantes) e em Cuba (211 mortes por 100.000 habitantes); as menores taxas de mortalidade foram registradas na Nicarágua (47,5 mortes por 100.000 habitantes) e Guatemala (48 mortes por 100.000 habitantes).

A letalidade ou chance de morrer de câncer infantil é maior nos países com IDH baixo. Os cânceres infantis são, em sua maioria, neoplasias do sangue e do sistema linfático (leucemias ou linfomas), tumores  embrionários (por exemplo, retinoblastoma, neuroblastoma, nefroblastomas), tumores do cérebro, dos ossos e dos tecidos conjuntivos.

As taxas de mortalidade do câncer de pulmão começam a se estabilizar ou cair entre os homens em países de média renda das Américas como Argentina e Brasil, por causa da diminuição do tabagismo. Entre as mulheres a taxa de mortalidade para câncer de pulmão continuam a aumentar na maioria dos países, refletindo defasagem na redução do tabagismo.

As taxas de câncer de colo de útero estão caindo em muitos países devido ao maior rastreamento, ao passo que as taxas de câncer de mama estão aumentando devido à maior prevalência de fatores hormonais associados, como gravidez tardia e desigualdade de gênero, assim como fatores de risco para estilo de vida.

As taxas de câncer de vesícula biliar são altas em muitos países da América Latina, o Chile possuí umas das mais altas taxas de mortalidade para câncer de vesícula biliar em mulheres do mundo e as causas são desconhecidas.

Geralmente as maiores taxas de mortalidade são encontradas em países de baixa renda. O câncer é causado mais frequentemente pelo ambiente em que uma pessoa vive do que pela biologia inata dela.

Fonta dos Dados:
IRAC – International Agency of Research on Cancer. WHO, Cancer Mortality Database. Last Update: 22-September-2016.

Referências:
1. STRASSER-WEIPPL, K; grupo LACOG et. al. Progress and remaining challenges for cancer control in Latin America and the Caribbean. Lancet Oncol 2015; 16. Disponível em: <http://www.thelancet.com/commissions/latin-america>
2. Planejamento do controle do câncer na América Latina e no Caribe. Lancet Oncol 2013; 14. Disponível em: <http://www.thelancet.com/pb/assets/raw/Lancet/stories/commissions/planning-cancer-control-latin-america-and-caribbean/tlo-commission-series-portuguese.pdf>
3. JEMAL. A, VINEIS. P, et. al. The Cancer Atlas. Second Ed. Altanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www.cancer.org/canceratlas>.

Notas:
Honduras e Bolívia não registraram seus óbitos na Organização Mundial da Saúde.

O que é o “Dezembro Laranja”?

Certamente você já deve ter ouvido falar em Outubro Rosa ou Novembro Azul (respectivamente ligados ao câncer de mama e da próstata), mas e #DezembroLaranja, você sabe o que significa? Para combater e prevenir o câncer de pele, o de maior incidência no Brasil¹ e no mundo, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) criou a campanha que, em 2016, completa o terceiro ano de realização.

Não à toa o mês escolhido para a realização da campanha é dezembro pelo fato de marcar o início do verão em boa parte do país e período onde a população fica exposta ao sol por mais horas em relação a outras épocas do ano.

Durante todo esse mês, a população brasileira é convidada a se engajar na luta de prevenção ao câncer de pele e para participar é fácil: basta vestir-se de laranja, decorar seu ambiente de trabalho com a cor do mês ou simplesmente passar adiante as informações da campanha para o maior número de pessoas. O Dezembro Laranja reforça a necessidade de atitudes fotoprotetoras de fácil execução no dia a dia do brasileiro com o objetivo de diminuir as altas taxas de incidência da doença. Em 2015, mais de 195 milhões de pessoas foram impactadas com as ações da campanha.

Entendendo o câncer de pele

Existem dois grupos distintos de câncer de pele: o não melanoma, mais frequente e menos agressivo, e os melanomas, mais agressivos, porém raros.

O melanoma da pele é menos frequente do que os outros tumores de pele, porém sua letalidade é mais elevada. Acomete principalmente os caucasianos* que moram em países com alta intensidade de radiação ultravioleta. No entanto, esse tipo de câncer afeta todos os grupos étnicos em alguma proporção. A Austrália, onde a população é predominantemente branca e tem, em média, seis horas de exposição diária ao sol, é o país com a maior ocorrência de melanoma. Contudo, vale ressaltar que, apesar da alta letalidade, se detectados em estádios iniciais, os melanomas são curáveis e seu prognóstico é considerado bom.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014, foram registrados:

Pele melanoma ? 5.890 casos e 1.547 mortes = 26% de chance de morrer ao contrair a doença. (Mortalidade: 7,6 mortes por 1.000.000 habitantes) 

Pele não melanoma ? 182.130 casos e 1.769 mortes = 1% de chance de morrer ao contrair a doença. (Mortalidade: 8,7 mortes por 1.000.000 habitantes) 

A despeito de seu impacto para a saúde pública e das altas taxas de incidência, o câncer de pele não melanoma permanece subnotificado pela maioria dos registros de câncer do mundo. No Brasil, figura como o tumor mais incidente em ambos os sexos e é bastante provável que exista um sub-registro devido ao subdiagnóstico**.

Sempre Alerta

Por ser um tipo de câncer altamente tratável e com boas chances de cura, as pessoas tendem a subestimar a prevenção ou qualquer sinal de mudança na pele. Porém, o cuidado e a atenção são necessários para que o indivíduo perceba que alguma coisa não está indo bem.

O câncer de pele pode se manifestar como uma pinta ou mancha, geralmente acastanhada ou escurecida, como também uma ferida que não cicatriza. Os especialistas costumam divulgar a chamada regra do ABCDE, que ajuda na suspeita de uma lesão maligna e sinaliza que um dermatologista deve ser procurado.

A= assimetria da lesão

B= bordas irregulares

C= coloração alterada

D= diâmetro maior que 6 mm

E= evolução da lesão

Ações de prevenção primária que estimulem a proteção contra a luz solar são efetivas e de baixo custo para evitar o câncer de pele, inclusive os melanomas. A educação em saúde é outra estratégia internacionalmente aceita. O indivíduo deve procurar o dermatologista ao primeiro sinal de surgimento de manchas ou sinais novos na pele, ou a mudança nas características desses, reconhecendo assim possíveis alterações precoces sugestivas de malignidade.

Tenho câncer de pele, e agora?

Em caso de melanoma, a cirurgia é o tratamento mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia também podem ser utilizadas dependendo do estágio do câncer. Quando há metástase, o melanoma é incurável na maioria dos casos. A estratégia de tratamento para a doença avançada deve ter como objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Os tumores classificados como não melanoma podem ser de diferentes linhagens, mas os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide e, nestes casos, a cirurgia de retirada completa da lesão, com uma margem confiável de diâmetro, é o tratamento mais indicado.

Mais de 4 milhões de brasileiros já tiveram câncer de pele, revela pesquisa inédita

Este ano a SBD junto com o Instituto Data Folha, divulgou uma pesquisa inédita com 2.069 pessoas, em 130 municípios, que mostra a radiografia do hábito de exposição solar do brasileiro. A pesquisa traz dados alarmantes:

  • Mais de 100 milhões de brasileiros se expõem ao sol de forma intencional nas atividades de lazer ? 70% da população acima de 16 anos;
  • 63% dos brasileiros não usam protetor solar no seu dia a dia = mais de 95 milhões de brasileiros não se protegem de forma regular;
  • 6 milhões de brasileiros adultos (mais de 4% da população) não se protegem de forma alguma quando estão na praia, piscina, cachoeira, banho de rio ou lago;
  • Dos entrevistados que têm filhos até 15 anos, 20% desses jovens não se protegem de forma alguma nas atividades de lazer. Se a análise incluir as classes D/E, esse percentual sobe para 35%.

Dados no INCA estimam que, em 2016, serão contabilizados cerca de 176 mil novos casos de câncer de pele não melanoma no Brasil e a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que, no ano de 2030, existirão 27 milhões de casos novos de câncer, 17 milhões de morte pela doença e 75 milhões de pessoas vivendo com ela. O maior efeito desse aumento incidirá em países em desenvolvimento. No Brasil, o câncer já é a segunda causa de morte por doenças, atrás apenas das do aparelho circulatório.

Fonte dos dados:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Campanha – Dezembro Laranja. Disponível online em: http://www.sbd.org.br/dezembro-laranja-movimento-da-sbd-na-prevencao-ao-cancer-da-pele/
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2016 – Incidência de Câncer no Brasil.
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2014 – Incidência de Câncer no Brasil.
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2012 – Incidência de Câncer no Brasil.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA). Disponível online em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php>
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Hospitalares (SIH). Disponível online em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php>

Referências:
1. OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA. Raio-x do Câncer (Estimativa de Incidência 2016-2017). Disponível online em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/raio-x-do-cancer-incidencias-2016-2017/>

Notas:
* Diz-se das pessoas de pele branca que especialmente apresentam descendência europeia. O termo se deu origem porque a maioria dos indivíduos de cor branca surgiram na região do Cáucaso, que fica próximo ao Mar Negro.
** Implica em um não reconhecimento de uma doença, impossibilitando a tomada de medidas terapêuticas.