Archive: 15 de setembro de 2017

Linfoma tem cura: informe-se!

O linfoma acontece quando certas células que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e ?contaminando? o sistema linfático.

Divididos entre linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH), ambos apresentam comportamentos, sinais e grau de agressividade diferentes. Mas a principal diferença está nas células doentes: enquanto o LNH apresenta apenas células com câncer, o LH apresenta células doentes, misturadas às células normais (1).

Fatores de risco e onde atuar para melhorar as ações de prevenção?

Para o Linfoma de Hodgkin, a maioria dos fatores de risco conhecidos está associada com a função imunológica alterada. O Vírus Epstein-Barr é a principal infecção associada na maioria dos casos de LH. Em indivíduos infectados pelo vírus HIV, o risco de desenvolver a doença aumenta. Outros aspectos importantes para o aumento da incidência são as infecções virais e a exposição infecciosa durante o período infantil (2).

Para Linfoma não Hodgkin, existem evidências de associação ao desenvolvimento do LNH e a função imune alterada. Pacientes transplantados que se trataram com agentes imunossupressores, pacientes com condições autoimunes severas, e aqueles infectados pelo HIV possuem um maior potencial de desenvolver LNH (2).

Além desses, existem estudos que apontam que a obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do LNH. Apesar de serem em menor escala no desenvolvimento da doença, fatores ocupacionais e ambientais, como a fabricação da borracha, a exposição ao benzeno e solventes como o diclorometano, também apresentam aumento do risco (2).

Linfoma tem grande chance de cura! 

Os linfomas são doenças potencialmente curáveis, mesmo nas fases avançadas. ?O tipo do linfoma determina se tem maior ou menor chance de cura. Os indolentes são pouco agressivos e podem conviver com o paciente por muitos anos, outros requerem tratamento imediato com quimioterapia ou radioterapia. Alguns poucos podem necessitar de transplante de medula óssea?, explica Dr. Nelson Hamerschlak (3).

Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como hematologista, oncologista e radioterapeuta. Mas, muitos outros especialistas estarão envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente. É muito importante que ao escolher um tipo de tratamento, se considere o estado de saúde geral do paciente, o tipo e o estágio do linfoma (4). Quanto antes o Linfoma for descoberto, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento.

O que dizem os dados?

Foram estimados cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo para o ano de 2012. Para o mesmo ano, foram estimados 66 mil casos novos, que representam 0,5% do total dos cânceres estimados.

Estimativas Ministério da Saúde – INCA

Ao contrário do comportamento da distribuição etária nas taxas de incidência do LNH, que aumenta à medida que a idade avança; o risco de desenvolver o LH apresenta dois pontos distintos de aumento na distribuição etária: o primeiro durante a adolescência e, posteriormente, em adultos jovens. Esse perfil não é observado em países em desenvolvimento onde as maiores taxas ocorrem em idades menores.

Além disso, características ambientais, status socioeconômico, diferenças étnicas e questões genéticas ainda são estudados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de LH.

LH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º na Região Norte (0,97/100 mil) e o 13º mais frequente nas Regiões Sul (3,09/100 mil), Centro-Oeste (2,05/100 mil) e Sudeste (1,13/100 mil). Na Região Nordeste (1,11 /100 mil), ocupa a 14ª posição. Para as mulheres, é o 16º mais frequente na Região Sudeste (1,15/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (1,43/100 mil), Centro-Oeste (0,78/100 mil), Nordeste (0,51/100 mil) e Norte (0,47 /100 mil), ocupa a 17ª posição. (2)

LÑH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,47/100 mil) e Norte (2,66/100 mil). Nas Regiões Sudeste (5,74/100 mil) e Nordeste (3,67/100 mil), ocupa a décima posição; na Região Sul (7,71/100 mil) é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (6,42/100 mil) e o nono na Região Sul (6,61/100 mil). O décimo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,44/100 mil). Na Região Norte (1,87 /100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (2,64/100 mil), é o 12º mais frequente. (2)

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia – ABRALE. São Paulo, 2017. Disponível em: <http://www.abrale.org.br/doencas/linfoma>
2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Insituto Nacional do Câncer – INCA. Estimativas 2016-2017. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
3. Albert Einstein ? Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. São Paulo, 2016. Disponível em: <https://www.einstein.br/noticias/noticia/linfoma-tem-cura>
4. Oncoguia. Tratamentos do Linfoma de Hodgkin. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/1105/137/>

 

A Assistência em Oncologia no SUS: onde tratar?

“Este estudo tem por objetivo fazer uma atualização das habilitações em oncologia, tendo como referência um levantamento anterior sobre este tema, publicado nesta plataforma (disponível em: http://observatoriodeoncologia.com.br/a-assistencia-onco-hematologica-no-sus-cacon-unacon/). Porém, este atual levantamento não se refere aos procedimentos de quimioterapia e radioterapia e, sim, contempla os leitos existentes para cirurgias e atendimentos ambulatoriais, divididos em oncologia geral, pediatria e onco-hematologia.
Em 2017, embora existam 396 habilitações ativas*, o Brasil conta com apenas 296 serviços de saúde habilitados**  para o tratamento oncológico. Diversos hospitais possuem mais de uma habilitação ativa, como por exemplo o Centro Infantil Boldrini, em Campinas – habilitado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) com serviço de radioterapia e UNACON exclusiva de oncologia pediátrica.

O atual cenário da Alta Complexidade em Oncologia no Brasil
Segundo a Maria Inez Pordeus Gadelha, diretora do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, o planejamento e a regionalização da assistência à saúde exigem parâmetros que dimensionem a necessidade de serviços e de unidades de saúde para a cobertura de uma dada população e permitam a regulação da oferta e do atendimento dos doentes dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), que é, por concepção, descentralizado, regionalizado e hierarquizado.
Do ponto de vista da assistência oncológica, o Brasil inaugurou a utilização de parâmetros populacionais em 1998, com a publicação da Portaria GM/MS 3.535, de 02/ 09/98, republicada em 03/09/98, que, em seu Anexo II, passou a orientar o planejamento da necessidade de unidades a partir do número de casos novos anuais estimados regionalmente. Posteriormente, com a disponibilidade de uma base de dados ampliada e mais consistente, as estimativas anuais feitas pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) vêm melhorando. Em 2017:

Região Centros de Tratamento Habilitações Ativas Habitantes Casos Novos de Câncer***
Norte 11 30 17.906.201 17.190
Nordeste 59 72 57.254.159 82.710
Centro-Oeste 21 29 15.875.907 28.080
Sudeste 138 191 86.949.714 194.000
Sul 67 93 29.644.948 98.330

 

As habilitações em alta complexidade garantem tratamento integral a todos os brasileiros. Embora algumas regiões apresentem poucos serviços de saúde, pode não significar, necessariamente, um vazio assistencial. O acesso à lista de estabelecimentos habilitados em alta complexidade foi obtida através da lei de acesso à informação.

 

Fonte dos Dados:
CNES – DataSUS. Informações Obtidas através da Lei de Acesso à Informação, regulamentada pelo Decreto n° 7.724/2012.”

Referências:
1. Gadelha MIP. Planejamento da assistência oncológica: um exercicio de estimativas. Rev Bras Cancerol. 2002;48(4):533-43.

Notas:
* São habilitações que um centro de tratamento recebe para atendimentos de quimioterapia, radioterapia, cirurgias e etc. Cada hospital pode ter mais de uma habilitação em oncologia.
** Centros de tratamento que são habilitados a fazer o tratamento oncológico.
*** Foram excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.