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Dos Dados de Hoje às Mortes por Câncer em 2029

Se a forma como o Brasil conduz a Política Nacional de Atenção Oncológica não for modificada, em 2029 o câncer se tornará a primeira causa de morte no país e, pela primeira vez, ficará à frente das doenças cardiovasculares (1,2). Mas será que as chances de morrer por câncer serão iguais entre homens e mulheres residentes das diferentes regiões brasileiras? Além disso, será que os cânceres que mais matam hoje serão os mesmos que mais matarão em 2029? As respostas, que podem até parecer intuitivas, não são tão óbvias e para obtê-las, ainda que com grande margem de incerteza, é necessária uma rigorosa análise dos dados históricos, compreensão das políticas públicas em curso no âmbito da prevenção e do tratamento do câncer e uma visão sistêmica sobre as tendências de longo prazo dos indicadores demográficos e sociais.

Novos conhecimentos a partir dos dados históricos
A partir dos dados de mortalidade por câncer entre os anos de 2000 a 2014, calculados com base nos microdados dos registros de óbito disponibilizados pelo Ministério da Saúde e nos dados demográficos disponibilizados pelo IBGE, projetamos a trajetória da taxa de mortalidade por câncer até o ano de 2029 por tipo de câncer, sexo do paciente e região de ocorrência do óbito (3,4). A boa notícia é que as projeções já apontam algumas tendências positivas, embora ainda não possamos comemorar, já que há também inúmeras descobertas alarmantes.

Taxa de mortalidade por câncer entre mulheres

Entre os cânceres de maior mortalidade entre as mulheres, as boas notícias são que:
–  A mortalidade por câncer de mama permanecerá estável nas Regiões Sul e Sudeste, ou seja, manterá praticamente as mesmas taxas de 2014.
–  A mortalidade por câncer do colo do útero diminuirá no Sul e Sudeste e permanecerá estável no Nordeste e Centro-Oeste.

Quanto às más notícias:
–  A mortalidade por câncer de mama aumentará drasticamente nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, superando as mais altas taxas da atualidade.
–  A mortalidade por câncer de colo do útero aumentará no Norte em cerca de 50%, permanecendo como a primeira causa de morte por câncer na região.
–  A mortalidade por câncer de cólon, reto e ânus terá forte crescimento em todas as regiões brasileiras, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
–  A mortalidade por câncer de traqueia, brônquio e pulmão, com exceção do Norte, terá forte crescimento, passando para a primeira posição entre as causas de morte por câncer no Sul e para a segunda posição no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

Taxa de mortalidade por câncer entre homens

Entre os homens, as boas notícias são:
–  A mortalidade por câncer de próstata permanecerá estável nas Regiões Sul e Sudeste.
–  A mortalidade por câncer de traqueia, brônquio e pulmão continuará em queda no Sul e Sudeste.
–  A mortalidade por câncer de estômago também continuará em queda no Sul e Sudeste.

Quanto as más notícias:
–  A mortalidade por câncer de próstata aumentará ainda mais nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, permanecendo como a primeira causa de morte por câncer nestas três regiões.
–  A mortalidade por câncer de traqueia, brônquio e pulmão crescerá fortemente no Norte e Nordeste.
–  A mortalidade por câncer de estômago também aumentará no Norte.
–  A mortalidade por câncer de cólon, reto e ânus aumentará radicalmente em quase todas as regiões brasileiras (exceto Sul).

Dos dados à tomada de decisão
A taxa de mortalidade por câncer estima o risco de morte pela doença, dimensiona a sua magnitude como problema de saúde pública e expressa também as condições de diagnóstico e da assistência médica dispensada. Não podemos afirmar se as pioras projetadas em algumas dessas taxas são resultado da falta de diagnóstico, do diagnóstico tardio ou mesmo das dificuldades crescentes no acesso ao tratamento enfrentadas pelos pacientes, mas é fato que muitos tipos de câncer são preveníveis e diversos outros têm a mortalidade drasticamente reduzida quando diagnosticados precocemente. Mais uma vez, conscientização para prevenção é a alternativa mais efetiva e duradoura no longo prazo.

 Fonte dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2010. Disponível on-line em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/default.shtm>.

Notas:
(1) Observatório de Oncologia. 2029: Ano em que o Câncer será a Primeira Causa de Morte no Brasil. Disponível online em: http://observatoriodeoncologia.com.br/2029-ano-em-que-o-cancer-sera-a-primeira-causa-de-morte-no-brasil/.
(2) No Brasil, os dados de mortalidade são coletados através do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) desde 1975.
(3) Para os anos de 2000 a 2014, foram calculadas as respectivas taxas de mortalidade padronizada pela população mundial, a partir da divisão do total de óbitos por neoplasias malignas pelo total da população residente na região geográfica, no ano considerado.
(4) Para os anos e 2015 a 2029, foram realizadas projeções calculadas utilizando suavização exponencial.

Luta Contra o Câncer Infanto-Juvenil

Mortalidade

As taxas de mortalidade por câncer são as melhores medidas do progresso da luta contra o câncer, pois permitem estimar o risco de morte por câncer e ainda acompanhar sua trajetória ao longo do tempo em um determinado grupo populacional ou em determinado tipo de câncer.

Quando se trata de crianças e adolescentes, na faixa etária de 1 a 19 anos de idade, o câncer é a segunda principal causa de morte. No entanto, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), nos últimos 40 anos a mortalidade por câncer infanto-juvenil diminuiu no Brasil devido à progressos significativos no tratamento das neoplasias, sendo que, atualmente, cerca de 70% das crianças e adolescentes até 19 anos de idade conseguem ser curados quando diagnosticados precocemente (1).

Analisando apenas o período de 2000 a 2014, fica nítido que houveram grandes variações na mortalidade pelos principais cânceres que acometem crianças e adolescentes, em especial, pelas Leucemias e pelos cânceres no Sistema Nervoso Central. O que torna a questão preocupante, por um lado, é que as taxas de mortalidade por tipo de câncer são bastante heterogêneas nas diferentes Regiões Geográficas e Unidades da Federação do território nacional e, por outro lado, alguns tipos de câncer, ao invés de apresentarem tendências decrescentes, apresentam tendências crescentes.

Mortalidade nas diferentes regiões

Em 2014, por exemplo, a maior taxa de mortalidade por Leucemias ocorreu na Região Norte, com 17 óbitos a cada 1 milhão de crianças e adolescentes, e a menor taxa foi na Região Nordeste, com 11 óbitos a cada 1 milhão de crianças e adolescentes. Além disso, por todo o período analisado, enquanto as Regiões Sudeste e Sul apresentaram uma tendência de queda da mortalidade, as Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, apresentaram forte tendência de aumento da mortalidade.

A mortalidade por Leucemias tem diminuído de forma consistente na Região Sudeste provavelmente como reflexo, entre outros aspectos, do efeito de intervenções públicas na área da oncologia pediátrica ocorridas nas últimas décadas, resultando em melhorias no diagnóstico e no tratamento, como já apontado pelo INCA. Já o forte aumento da mortalidade na Região Norte pode ser reflexo da dificuldade de acesso aos serviços de saúde, do diagnóstico tardio e/ou da infraestrutura de assistência inadequada, repercutindo, consequentemente, em um pior prognóstico para o paciente.

Incidência

Para descrever a epidemiologia do câncer infanto-juvenil é necessário conhecer não apenas a mortalidade específica por tipo de câncer, mas também sua incidência e sobrevida (2). Quanto à incidência, de acordo com o INCA, para 2016 são estimados aproximadamente 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até 19 anos de idade no Brasil (3). Embora este número pareça elevado, o câncer infanto-juvenil é considerado raro e atinge apenas uma a cada 5.571 crianças e adolescentes (INCA), sendo que os cânceres mais frequentes nessa faixa etária são as Leucemias, os cânceres no Sistema Nervoso Central e os Linfomas.

Fatores de risco

Os fatores que desencadeiam o câncer, as origens histológicas, os locais primários e os comportamentos clínicos do câncer em crianças e adolescentes são, em geral, diferentes daqueles nos adultos e, por isso, a necessidade de ser estudado separadamente do câncer do adulto. As neoplasias infanto-juvenis são predominantemente de natureza embrionária, fazendo com que as células cresçam mais depressa que nos adultos e tornem-se bastante invasivas, porém apresentam uma melhor resposta aos tratamentos.

Enquanto que nos adultos os principais fatores de risco de câncer são ambientais e estão relacionados à exposição a agentes carcinogênicos e a hábitos de vida inadequados, nas duas primeiras décadas de vida o desenvolvimento do câncer está intensamente ligado a fatores genéticos. Algumas pesquisas recentes, ainda pouco conclusivas, também têm encontrado associação entre o aumento do risco do desenvolvimento de certos tipos de câncer nos primeiros anos de vida e a exposição dos país a radiação (4), a agrotóxicos, em especial inseticidas (5), e ao parto tipo cesárea (6).

 

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/.>.
2. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativas Populacionais. Disponível on-line em: < http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2013/serie_2001_2013_tcu.shtm. >.
Notas:

1. INCA. Instituto Nacional de Câncer. Câncer infantil. Disponível on-line em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil.
2. INCA. Instituto Nacional de Câncer. Câncer na criança e no adolescente no Brasil: dados dos Registros de Base Populacional e de Mortalidade. Disponível on-line em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cancer_crianca_adolescente_brasil.pdf.
3. INCA. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2016: Incidência de Câncer no Brasil. Disponível on-line em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/.
4. Pineiro RG et al. Estudio caso-control sobre factores de riesgo de la leucemia infantil en Ciudad de La Habana. Rev Cubana Hig Epidemiol, volume 45, número 1, 2007. Disponível on-line em: /http/scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1561-30032007000100006&lng=es&nrm=iso
5. Roberts JR, Karr CJ and Council on Environmental Health. Techinical report: Pesticide Exposure in Children. Pediatrics, volume 130, número 6, November 2012. Disponível on-line em: < http://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/130/6/e1765.full.pdf.>.
6. Sevelsted A, Stokholm J, Bønnelykke K, Bisgaard H. Cesarean Section and Chronic Immune Disorders. Pediactrics, volume 135, número 1, January 2015

2029: Ano em que o Câncer será a Primeira Causa de Morte no Brasil

Desde 1975, quando o Ministério da Saúde desenvolveu e implantou o Sistema de Informações sobre Mortalidade, conhecido como SIM, os estudos epidemiológicos apontam as Doenças do Aparelho Circulatório como a principal causa de morte no Brasil. No entanto, os óbitos por Neoplasias vêm crescendo à uma velocidade maior do que os óbitos por Doenças do Aparelho Circulatório. Na prática, isso significa que, em um determinado momento no médio e longo prazo, o câncer será a primeira causa de morte no país. Assim, a pergunta que desafia a todos os gestores, pacientes e cidadãos brasileiros é: quando isso acontecerá?

Resultados da projeção de mortalidade 2014-2040

De acordo com a projeção de mortalidade realizada utilizando o software Tableau, a taxa de mortalidade por Neoplasias irá superar a taxa de mortalidade por Doenças do Aparelho Circulatório entre os anos de 2028 e 2029. Em 2028, 117 pessoas a cada 100 mil habitantes morrerão por doença cardiovascular e outras 114 pessoas a cada 100 mil habitantes morrerão por câncer. Já em 2029, 113 pessoas a cada 100 mil habitantes morrerão por doença cardiovascular enquanto que 115 pessoas a cada 100 mil habitantes morrerão por câncer.

De acordo com a estimativa, portanto, se não houverem medidas efetivas na prevenção e controle do câncer, a partir do ano de 2029 haverá mais brasileiros, entre homens, mulheres e crianças, que morrerão com algum tipo de câncer do que com algum tipo de doença cardiovascular.

Sobre a projeção de mortalidade

A projeção de mortalidade foi realizada ao longo do tempo entre os anos de 2014 e 2040 utilizando a taxa de mortalidade padronizada pela população mundial, com base na série histórica dos dados de óbitos captados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do período entre 2000 e 2013 e nos dados da projeção da população residente segundo o IBGE. A taxa de mortalidade é calculada pela divisão do número absoluto de óbitos por neoplasias malignas pela população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.

A taxa de mortalidade estima o risco de morte pela doença ou grupo de doenças, dimensiona a sua magnitude como problema de saúde pública, mais especialmente para os casos mais graves, e expressa também as condições de diagnóstico e da assistência médica dispensada.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.
2. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativas Populacionais. Disponível on-line em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2013/serie_2001_2013_tcu.shtm>.

23 mil Casos Novos de Câncer no Sangue

A incidência de casos de câncer é definida como o número de novos casos surgidos em uma determinada população e um determinado intervalo de tempo. No Brasil, este indicador é estimado oficialmente pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), a cada dois anos, e baseia-se nas informações fornecidas pelos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), presentes em 31 municípios do país, segundo o próprio INCA, e nas informações de mortalidade por câncer registradas no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. A estimativa de casos novos de câncer é de suma importância para o planejamento das ações e programas de controle do câncer, para a definição de políticas públicas e para a alocação de recursos.

No Dia Nacional de Combate ao Câncer, o INCA apresentou a estimativa de novos casos para o biênio 2016 e 2017, com uma previsão de que o país deverá registrar no próximo ano cerca de 600 mil novos casos de câncer entre homens e mulheres incluindo câncer de pele não melanoma (CPNM) ou cerca de 420 mil excluindo-se os CPNM.

Entre os cânceres hematológicos, as Leucemias e os Linfomas são os tipos mais incidentes, sendo esperados, segundo a previsão, 22.780 novos casos em 2016, o equivalente a 5,4% do total de casos novos.

Leucemias

São estimados 10.070 casos novos de Leucemias no Brasil no ano de 2016, sendo 55% em homens e 45% em mulheres. Em todas as Regiões Geográficas, sem considerar sexo e idade, as Leucemias ocupam a 12ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, excluindo o CPNM. Vale destacar que, aproximadamente, 44% dos casos novos são esperados somente na Região Sudeste.

Linfoma não Hodgkin

O número de casos novos de Linfoma não Hodgkin esperados para o ano de 2016 é de 10.240 casos, sendo 51% em homens e 49% em mulheres. O Linfoma não Hodgkin ocupa a 11ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, excluindo o CPNM e, aproximadamente, 52% dos casos novos são esperados somente na Região Sudeste.

Linfoma de Hodgkin

O número de casos novos de Linfoma de Hodgkin estimado para o ano de 2016 é de 2.470 casos, 59% em homens e 41% em mulheres. Cerca de 39% dos casos são esperados na Região Sudeste e 27% na Região Sul.


Fonte dos dados:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa 2016: Incidência de Câncer no Brasil. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/dncc/>.

O que Sabemos Sobre o Câncer de Próstata?

Incidência do câncer de próstata

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer que mais acomete homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. São esperados anualmente 68.800 casos novos de câncer de próstata, com um risco estimado médio de 70 novos casos a cada 100 mil homens (1).

As maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 53% dos casos novos são esperados na Região Sudeste, 19% na Região Sul, 19% na Região Nordeste, 7% na Região Centro-Oeste e 2% na Região Norte.

O Estado do Rio de Janeiro tem a maior taxa de incidência, com 108 casos esperados a cada 100 mil homens, e o Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 21 casos a cada 100 mil homens.

Mortalidade por câncer de próstata

No ano de 2013, o Brasil registrou 103.275 óbitos de homens por câncer, portanto, a terceira principal causa de morte entre os homens.

Especificamente em relação aos óbitos por câncer de próstata, o país registrou 13.772 óbitos, o que significa que aproximadamente 38 homens morreram por câncer de próstata por dia em 2013. O câncer de próstata configura-se como a segunda causa de morte por câncer, atrás do câncer de pulmão. Os idosos são as maiores vítimas do câncer de próstata já que 82% dos óbitos por câncer de próstata, ou 13.052 óbitos, ocorreram entre homens na faixa etária de 60 anos ou mais. Veja aqui mais informações.

Apesar do número absoluto de óbitos por câncer de próstata ter crescido entre 2008 e 2013, a taxa de mortalidade padronizada (por 100.000 habitantes) decresceu, acumulando uma redução de 5% no mesmo período.

Fatores de Risco

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de próstata são idade, raça e histórico familiar. Em relação ao histórico familiar, os estudos mostram que o risco de desenvolver câncer de próstata é duas vezes maior em homens com história familiar, sendo que ter um irmão com câncer de próstata aumenta mais o risco do que ter um pai com a doença. O risco de câncer de próstata também aumenta ainda mais se houverem múltiplos casos na família (2).

No Brasil, outros dois fatores de risco têm sido associados à mortalidade por câncer de próstata: estado conjugal e procedência do paciente. Quanto ao estado conjugal, pesquisadores argumentam, por exemplo, que homens não casados tendem a ter menos apoio para se submeterem ao tratamento. Quanto à procedência do paciente, apontam que pacientes provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS) têm maiores chances de chegar ao hospital sem diagnóstico e sem tratamento anterior, consequentemente, com maior probabilidade de estadiamentos mais avançados e de apresentarem metástases (3).

Fonte dos dados:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/>. Acesso em 2014.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2014. Disponível on-line em:  <http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/>.
2. XAVIER JUNIOR CV, HACHUL M. Tumores urológicos no Brasil. Revista Brasileira de Medicina, Rio de Janeiro, v.71, p.410-414, 2014. Disponível on-line em: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=5949&fase=imprime>.
3. ZACCHI SR et al. Associação de variáveis socio-demográficas e clínicas com o estadiamento inicial em homens com câncer de próstata. Cadernos Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.22, n.1, p.93-100, 2014. Disponível on-line em:  <http://www.scielo.br/pdf/cadsc/v22n1/1414-462X-cadsc-22-01-00093.pdf>.

Tratamento do Câncer de Mama no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer de mama são definidos com base na idade da paciente e nas características do tumor, como localização e extensão, grau de estadiamento, presença de metástase, entre outros, e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas clínicas, como quimioterapia e radioterapia, e cirúrgicas.

Em 2014, segundo dados do Ministério da Saúde, considerando todos os tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em mulheres com diagnóstico primário de câncer de mama, foram realizados 1.399.400 procedimentos de quimioterapia, incluindo quimioterapias neoadjuvantes, profiláticas e paliativas. Também foram realizados 64.323 procedimentos de radioterapia e 202.055 cirurgias.

Todos os três tipos de tratamentos analisados cresceram de forma bastante acentuada no período entre 2008 e 2014, sendo que os procedimentos de quimioterapia aumentaram em 48%, os procedimentos de radioterapias aumentaram em 42% e as cirurgias aumentaram em 35%.

Se por um lado o aumento dos procedimentos terapêuticos é reflexo do aumento da incidência da doença e do próprio processo de envelhecimento da população brasileira, por outro lado também é resultante do aumento do acesso à prevenção secundária e aos meios diagnósticos. Neste sentido, tiveram grande importância a conscientização e mobilização da sociedade através das campanhas nacionais e dos mutirões de prevenção.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:

1. Em relação ao ano de 2015, os dados referem-se ao período de janeiro a junho.

 

Dados e Fatos sobre o Câncer de Mama

Incidência do Câncer de Mama

No Brasil, de acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o segundo tipo de câncer que mais acomete mulheres, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. São esperados anualmente 57.120 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado médio de 56 casos a cada 100 mil mulheres (1).

O risco da doença, no entanto, varia imensamente ao longo do território brasileiro. O Estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, tem a maior taxa de incidência, com 87 casos esperados a cada 100 mil mulheres, e o Estado do Acre, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com 10 casos estimados a cada 100 mil mulheres.

Essa diferença nas incidências está associada tanto a fatores genéticos quanto às diferentes exposições da população aos fatores de risco e de proteção associados à doença. Segundo estudos epidemiológicos, os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama relacionados ao estilo de vida são: o aumento das medidas antropométricas ao longo da vida adulta (circunferência da cintura e peso) e a ingestão de bebida alcoólica. Já os principais fatores protetores são a lactação e a prática de atividade física (2). Ao contrário de alguns outros cânceres, o câncer de mama está diretamente relacionado ao processo de industrialização, com risco de adoecimento associado ao maior status socioeconômico (3).

Mortalidade por Câncer de Mama

Em 2013, o país registrou 14.206 óbitos de mulheres por câncer de mama, o que significa que aproximadamente 38 mulheres morreram por câncer de mama por dia no ano em questão. Este número representa aproximadamente 16% dos óbitos por câncer entre mulheres, e o coloca como a principal causa de morte por câncer e a segunda principal causa de morte como um todo entre mulheres, atrás das doenças cardiovasculares (4). Veja este estudo aqui.

Analisando a mortalidade por faixa etária, observa-se que os óbitos por câncer de mama se concentram em mulheres com 20 anos de idade ou mais, sendo que 49% dos óbitos ocorreu entre mulheres na faixa etária de 20 a 59 anos e 51% entre mulheres na faixa etária de 60 anos ou mais.

Por fim, destaca-se que o total de óbitos por câncer de mama cresceu a uma taxa média de 3,75% ao ano entre 2008 e 2013, acumulando um crescimento médio de 20% no período.

Frente ao aumento nas taxas de incidência e mortalidade nos últimos quarenta anos, o câncer de mama vem se transformando paulatinamente em um grave problema de saúde pública tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento (3).

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer que mais acomete mulheres, é a principal causa de morte por câncer e a segunda principal causa de morte como um todo entre mulheres.

Fonte dos dados:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/>.  Acesso em 2014.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/>. Acesso em 2014.
2. Inumaru LE; Silveira EA; Naves MMV. Fatores de risco e de proteção para câncer de mama: uma revisão sistemática. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro; 27(7): 1259-1270, 2011. Disponível on-line em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2011000700002&script=sci_arttext>.
3. A Taxa de Incidência é medida pelo número de casos novos por 100.000 habitantes.
4. Guerra MR; Gallo CVM; Mendonça GAS. Risco de câncer no Brasil: tendências e estudos epidemiológicos mais recentes. Rev Bras Cancerol; 51(3): 227-34, 2005. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/Rbc/n_51/v03/pdf/revisao1.pdf>.
5. Para o cálculo, considera-se apenas a categoria – C50 Neoplasia Maligna de Mama – do Capítulo II da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10).

Diferenças por Sexo nos Números Absolutos de Mortalidade por Câncer, 2008-2013

Analisando a mortalidade por tipo de câncer sem considerar a idade do paciente, em 2013, a grande maioria dos óbitos de mulheres foi devida ao câncer de mama, com 14.206 óbitos. Isto demonstra que apesar de todos os avanços ao longo dos últimos anos no diagnóstico precoce e no tratamento, além das várias campanhas de incentivo ao autoexame e dos mutirões para realização de exames de mamografia, ainda existem lacunas a serem resolvidas.

Por outro lado, entre os homens, as duas causas mais importantes de óbito por câncer foram câncer de pulmão, com 14.811 óbitos, e câncer de próstata, com 13.772 óbitos, responsáveis por mais de um quarto dos óbitos masculinos. Para combater o primeiro, promoção da saúde e exposição a fatores de risco devem ser o foco, enquanto que para o segundo, atenção à saúde e diagnóstico precoce devem ser prioridade.

O câncer, no entanto, se manifesta de maneiras distintas também nas diferentes fases da vida, e ainda apresenta variações por estado e região geográfica, por isso a necessidade de analisar os dados separadamente por faixa etária, estado, região, entre outros.

Por exemplo, ainda considerando o ano de 2013, nas faixas etárias de 0 a 9 anos e de 10 a 19 anos, tanto entre as meninas quanto entre os meninos, as principais causas de óbitos por câncer foram as leucemias, câncer no cérebro e sistema nervoso central.

Enquanto que na faixa etária de 20 a 59 anos, entre as mulheres, a principal causa de óbitos por câncer foi câncer de mama, com 6.954 óbitos, e, entre os homens, foi câncer de pulmão, com 3.443 óbitos.

Já a faixa etária acima de 60 anos, entre as mulheres, a principal causa continuou sendo câncer de mama, com 7.245 óbitos, enquanto que, entre os homens, foi câncer de próstata, com 13.052 óbitos.

Fonte dos dados:
1.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Números Absolutos de Mortalidade por Câncer, 2008-2013

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, câncer é o crescimento e a disseminação descontrolados de células. É um termo genérico para se referir a um grande grupo de doenças que podem afetar qualquer parte do corpo e que se manifestam de maneiras distintas nos diferentes sexos e nas diferentes fases da vida. Outros termos utilizados para se referir ao câncer são tumores malignos ou neoplasias malignas (1).

O câncer está entre as principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, com aproximadamente 14 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes ao ano. O número de novos casos de câncer ainda deverá aumentar em cerca de 70% nas próximas duas décadas, em especial nos países em desenvolvimento (2).

Em 2013, considerando apenas as neoplasias malignas, o Brasil registrou 193.173 óbitos, isso significa que 529 pacientes morreram por câncer a cada dia do ano, ou seja, 22 pacientes morreram por câncer a cada hora (1 paciente foi a óbito a cada 2 minutos e 44 segundos) (3). Em 2008, foram 164.674 óbitos por câncer.

Além disso, ao longo do período de 2008 a 2013, um maior percentual de óbitos por câncer tem sido registrado em pacientes do sexo masculino. Em 2013, 53% dos óbitos por câncer ocorreram entre os homens.

Sabendo-se que o câncer tem alta mortalidade, que o número absoluto de óbitos por câncer vem crescendo ao longo dos anos e que a maioria de óbitos ocorre entre homens, há evidências mais do que suficientes da necessidade de se ampliar as ações de promoção à saúde e de incentivo ao diagnóstico precoce, em especial entre homens.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em:  <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. WHO. World Health Organization. Cancer Programme. Disponível on-line em: <http://www.who.int/cancer/en/>
2. IARC. International Agency for Research on Cancer. GLOBOCAN 2012. Disponível on-line em: <http://globocan.iarc.fr/Pages/burden_sel.aspx>.
3. Para o cálculo, consideram-se apenas os capítulos de câncer incluídos no Capítulo II da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), a saber: C00-C97 Neoplasias malignas.

Importância da Letalidade das Neoplasias, 2008-2013

No Brasil, as neoplasias são a segunda principal causa de morte, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2013, o país registrou 1.210.474 óbitos, sendo que as neoplasias (malignas, benignas ou de comportamento incerto) foram responsáveis por 16,3%, totalizando 196.954 óbitos. Em 2008, as neoplasias correspondiam a 15,57% dos óbitos (1).

Para piorar o cenário, o número de óbitos por neoplasias vem crescendo com uma taxa média de crescimento de 3,3% ao ano entre 2008 e 2013. Se por um lado é fato que o total de óbitos de cada uma das três principais causas de morte no Brasil (doenças do aparelho circulatório, neoplasias e causas externas) vem aumentando, por outro, nota-se que este aumento é consideravelmente mais acentuado para as neoplasias, o que amplia a sua importância entre os óbitos ao longo do tempo.

Fonte de Informações

As informações de óbitos são obtidas através do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, sistema que registra informação de todos os óbitos ocorridos no país. Os dados mais recentes disponíveis são do ano de 2013. A grande defasagem de tempo para publicação dos dados oficiais ocorre, provavelmente, devido ao trabalho dos serviços de saúde públicos e privados de melhoria da qualidade da informação, atuando na investigação das causas mal definidas, dos óbitos infantis e fetais e dos óbitos de mulheres em idade fértil, segundo determina a legislação (Portaria GM/MS nº 72/2010) (2).

Vale ressaltar que os óbitos registrados no SIM são baseados no atestado de óbito, que entre outras informações, aponta a causa básica do óbito, ou seja, o evento que desencadeou as consequências que levaram ao óbito. Assim, a contagem do número de óbitos é feita em cima de óbitos por neoplasias, e não de pessoas que morreram com neoplasias. Embora esta diferença pareça sutil, são abordagens completamente distintas do ponto de vista de saúde pública.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. Para o cálculo, consideram-se todos os agrupamentos de neoplasias incluídos no Capítulo II da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), a saber: C00-C97 Neoplasias malignas; D00-D09 Neoplasias in situ; D10-D36 Neoplasias benignas; e, D37-D48 Neoplasias de comportamento incerto ou desconhecido.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM/MS nº 72, de 11 de janeiro de 2010. Disponível on-line em:  <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt0072_11_01_2010.html>.