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A carga do câncer infantojuvenil e o tratamento no SUS

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. No Brasil, os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático) (1). Neste estudo apresentaremos informações do Atlas do Câncer (2).

A carga do câncer em crianças no mundo

Os cânceres infantis correspondem a 1% do total de casos nos países de alta renda, mas cerca de 4% nos países de baixa renda. Os tipos de cânceres que ocorrem em crianças são diferentes dos de adultos e compreendem principalmente neoplasias do sangue e do sistema linfático (leucemias ou linfomas), tumores embrionários (retinoblastoma, neuroblastoma, nefroblastoma), tumores do cérebro, dos ossos e dos tecidos conjuntivos, com variações internacionais.

As taxas de incidência gerais estimadas por ano variam de 50 a 200 por milhão em crianças com menos de 15 anos de idade, e entre 90 e 300 por milhão em adolescentes entre 15 e 19 anos. Dados confiáveis estão disponíveis para um quinto da população do mundo, a maioria em países de alta renda.

A sobrevida entre as crianças com câncer está melhorando, mas as crianças de países de baixa renda ainda têm resultados piores que as dos países de alta renda. A letalidade do câncer infantil é maior em países com IDH baixo.

A sobrevida no câncer infantil varia entre os países. Enquanto cinquenta anos atrás apenas 30% dos pacientes com câncer infantil sobreviviam cinco anos após o diagnóstico, hoje, a proporção é de 80% nos países de alta renda, mas continua baixa nos países de média e baixa renda (p. ex., 40% na Índia). Os dados de sobrevida em países de baixa renda são escassos, mas o número anual de mortes estimado é superior à metade dos novos casos na África, na Ásia e na América Latina. Investimentos nacionais e a colaboração internacional poderiam melhorar esses resultados.

À medida que a sobrevida melhora, a população de sobreviventes por longo tempo cresce. Em 2012, apenas nos EUA, existiam 80.000 sobreviventes de câncer diagnosticados antes dos 20 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes de câncer padecem de pelo menos uma condição crônica e o risco de efeitos tardios aumenta com o prolongamento do acompanhamento. Novas terapias devem superar a recente desaceleração da melhora na sobrevida e reduzir os efeitos tardios do tratamento.

A carga do câncer em crianças no Brasil

O principal componente na vigilância epidemiológica do câncer é representado pelo acompanhamento contínuo da incidência da doença regionalmente. Estimativa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2016/17 revela que ocorrerão cerca de 12.600 casos por ano em crianças e adolescentes com até 18 anos de idade e o número de mortes em 2015 foi de 2.762. (3) Na faixa etária compreendida entre 0 e 14 anos a leucemia linfática aguda (LLA) foi o tumor mais comum, correspondendo a 23% dos cânceres. A leucemia não-linfoíde ou mielóide aguda foi o segundo tipo mais comum, ocorrendo numa taxa de 1/5 da LLA. Os tumores de Sistema Nervoso Central (SNC) corresponderam a 22,1% e em conjunto com ambas as leucemias corresponderam à metade de todos os cânceres que ocorreram nessa faixa etária. Os outros tipos de tumor sólidos mais comuns foram o neuroblastoma (7,7%), seguido do tumor de Wilms (5,9%) e o hematológico linfoma não-Hodgkin (5,9%). (3)

Tratamento Quimioterápico do câncer de criança e adolescente no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer infantil são diversos e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas. Para esta análise foram considerados 5 procedimentos clínicos para tratamento quimioterápico em oncologia no SUS utilizados na infância e adolescência. Em 2016 foram realizados 68.007 procedimentos de quimioterapia, incluindo primeira, segunda, terceira, quarta linha de tratamento e alta dose para osteossarcoma.

Os cinco tratamentos analisados cresceram de forma acentuada no período entre 2009 e 2016. Em 2016, a distribuição apresentou o seguinte comportamento: 86,6% (58.861) foram para 1.ª linha, 8,5% (5.757) para 2.ª linha, 1,4% (946) para 3.ª linha, 0,3% (235) para 4.ª linha e 3,2% (2.207) para altas doses quimioterápicas para osteossarcoma. No geral, os tratamentos dos tumores hematológicos representaram, em 2016, 64,4% dos tratamentos quimioterápicos do Brasil, destes 54,4% são leucemias.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS (Quimioterapias)

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Tipo de Câncer, Infantil. Website. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil>
2. JEMAL A, VINEIS P, BRAY F, TORRE L, FORMAN D (EDS). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www. cancer.org/câncer atlas>
3. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Coordenação de Prevenção e Vigilância de Câncer. Câncer da criança e adolescente no Brasil: dados dos registros de base populacional e de mortalidade. / Instituto Nacional de Câncer. ? Rio de Janeiro: INCA, 2008. 220 p. il. color. tab.

Infraestrutura para a mamografia no Brasil – Outubro Rosa

O câncer de Mama é tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Para o biênio 2016-2017 foram estimados 57.960 novos casos no Brasil (1). Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o prognóstico para mulheres com câncer de mama varia de acordo com o estágio da doença. Em geral, as taxas de sobrevida são maiores para as mulheres com câncer de estágio inicial (2). Quanto mais precoce o estadiamento, maiores são as chances de cura e, em geral, mais brandos os tratamentos (3). Na população mundial, 61% das pacientes sobrevivem após cinco anos do diagnóstico (2).

Rastreamento e diagnóstico precoce

As estratégias para a detecção precoce do câncer de mama são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí, encaminhar as mulheres com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (4).

A mamografia é uma ferramenta importante para a detecção do câncer de mama enquanto a doença não se manifestou. O aparelho é capaz de rastrear sinais da doença que representam um tumor antes mesmo que ele possa ser identificado pelo exame de palpação ou autoexame (5).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mamografia nessa faixa etária e a periodicidade bienal são rotinas adotadas na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseiam-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios. Em outras faixas etárias e periodicidades, o balanço entre riscos e benefícios do rastreamento com mamografia é desfavorável (4).

Com a disseminação da mamografia a partir dos anos de 1980, o número de mortes decorrentes do câncer de mama diminuiu cerca de 20%.

A infraestrutura

Os mamógrafos no Brasil estão divididos em 3 categorias. I. Aparelhos existentes; II. Aparelhos em uso: equipamentos disponíveis para uso na rede pública e privada e III. Disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS): equipamentos disponíveis para uso na saúde pública.

De acordo com Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), até agosto de 2017 contávamos com: 4.691 mamógrafos em uso no Brasil, mas apenas 2.056 (43,8%) estão disponíveis no SUS. O parâmetro é de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes, portanto a necessidade corresponderia a 865* equipamentos. O número de mamógrafos em uso está de acordo em todos as unidades da federação do Brasil. Com exceção do Amapá, todos os estados possuem mamógrafos disponíveis na saúde pública acima dos parâmetros.

Em relação aos mamógrafos disponíveis no SUS, 19,5% (400 de 2.056) encontram-se em capitais. Para a distribuição regional, O Sudeste, a região mais populosa (86.949.714 hab.*), conta com mais aparelhos (835 = 41%) que o Norte, Nordeste e Centro-Oeste (91.066.267 hab.*) juntos (832 = 40%).

Em relação ao total de mamógrafos em uso, 32,4% (1.521 de 4.691) encontram-se em capitais. Para a esta distribuição regional a diferença é maior, enquanto o Sudeste conta com 732 (48%) aparelhos, o Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntos apresentam 1.685 (36%) mamógrafos. Através de dados abertos, não é possível estimar quantos mamógrafos estão parados, com algum defeito ou guardados na caixa. Segundo o CNES, 205 mamógrafos estão fora de uso no Brasil.

Cobertura

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, estimou que 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, não tinham realizado mamografia de rastreamento nos últimos dois anos. O Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que que pelo menos 70% das mulheres nesta faixa etária sejam avaliadas (6).

Embora o SUS tenha mais que o dobro de mamógrafos necessários para a detecção precoce da doença, apenas São Paulo (1 de 27 UF) atende os parâmetros de cobertura (73,9%) entre as mulheres de 50 a 69 anos. Seis estados (Maranhão, Piauí, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins) não atingiram nem 40% das mulheres na faixa etária recomendada. Isso significa baixa produtividade em boa parte dos aparelhos disponíveis.

Segundo informações do DataSUS, o total de mamografias para rastreamento de câncer de mama entre mulheres de 50 e 69 anos aumentou 76,1% entre 2010 (1.547.411) e 2016 (2.725.729). Em números totais de exames (em todas as faixas etárias), o aumento foi de 36% entre 2010 (3.039.269) e 2016 (4.133.015). Até junho de 2017, foram realizadas 2.160.176 mamografias para rastreamento do câncer.

A PNS mostrou que o maior número de mamografias de rastreamento foi realizado por mulheres brancas (66,2%) e com ensino superior completo (80,9%). O grupo com menor número de exames foram realizados em mulheres negras (54,2%), pardas (52,9%) e com ensino fundamental incompleto (50,9%). A região Sudeste apresentou a melhor cobertura de mamografias em mulheres na faixa etária preconizada (67,9%), seguido do Sul (64,5%), Centro-Oeste (55,6%), Nordeste (47,9%) e Norte (38,7%).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES.
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde. Bloco k. Tabnet.

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mama. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama++>. Acesso em: out. 2017.
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Understanding a breast cancer diagnosis: Breast Cancer Survival Rates. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/understanding-a-breast-cancer-diagnosis/breast-cancer-survival-rates.html>. Acesso em: out. 2017.
3. MALUF, F.C. Capítulo 6 – O estadiamento. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
4. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_deteccao_precoce_final.pdf>. Acesso em: out. 2017.
5. MALUF, F.C; TAJARA, L.M; AGUILAR, V.L.N. Capítulo 4 – O diagnóstico. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
6. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde: 2013: acesso e utilização dos serviços de saúde, acidentes e violências: Brasil, grandes regiões e unidades da federação / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2015. 100 p.
7. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria n.º 2.304, de 4 de outubro de 2012. Institui o Programa de Mamografia Móvel no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) 

Notas:
* Cálculo baseado na projeção populacional do IBGE no ano de 2017.
** Não é possível descrever o motivo pelo qual o mamógrafo está fora de uso.

Linfoma tem cura: informe-se!

O linfoma acontece quando certas células que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e ?contaminando? o sistema linfático.

Divididos entre linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH), ambos apresentam comportamentos, sinais e grau de agressividade diferentes. Mas a principal diferença está nas células doentes: enquanto o LNH apresenta apenas células com câncer, o LH apresenta células doentes, misturadas às células normais (1).

Fatores de risco e onde atuar para melhorar as ações de prevenção?

Para o Linfoma de Hodgkin, a maioria dos fatores de risco conhecidos está associada com a função imunológica alterada. O Vírus Epstein-Barr é a principal infecção associada na maioria dos casos de LH. Em indivíduos infectados pelo vírus HIV, o risco de desenvolver a doença aumenta. Outros aspectos importantes para o aumento da incidência são as infecções virais e a exposição infecciosa durante o período infantil (2).

Para Linfoma não Hodgkin, existem evidências de associação ao desenvolvimento do LNH e a função imune alterada. Pacientes transplantados que se trataram com agentes imunossupressores, pacientes com condições autoimunes severas, e aqueles infectados pelo HIV possuem um maior potencial de desenvolver LNH (2).

Além desses, existem estudos que apontam que a obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do LNH. Apesar de serem em menor escala no desenvolvimento da doença, fatores ocupacionais e ambientais, como a fabricação da borracha, a exposição ao benzeno e solventes como o diclorometano, também apresentam aumento do risco (2).

Linfoma tem grande chance de cura! 

Os linfomas são doenças potencialmente curáveis, mesmo nas fases avançadas. ?O tipo do linfoma determina se tem maior ou menor chance de cura. Os indolentes são pouco agressivos e podem conviver com o paciente por muitos anos, outros requerem tratamento imediato com quimioterapia ou radioterapia. Alguns poucos podem necessitar de transplante de medula óssea?, explica Dr. Nelson Hamerschlak (3).

Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como hematologista, oncologista e radioterapeuta. Mas, muitos outros especialistas estarão envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente. É muito importante que ao escolher um tipo de tratamento, se considere o estado de saúde geral do paciente, o tipo e o estágio do linfoma (4). Quanto antes o Linfoma for descoberto, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento.

O que dizem os dados?

Foram estimados cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo para o ano de 2012. Para o mesmo ano, foram estimados 66 mil casos novos, que representam 0,5% do total dos cânceres estimados.

Estimativas Ministério da Saúde – INCA

Ao contrário do comportamento da distribuição etária nas taxas de incidência do LNH, que aumenta à medida que a idade avança; o risco de desenvolver o LH apresenta dois pontos distintos de aumento na distribuição etária: o primeiro durante a adolescência e, posteriormente, em adultos jovens. Esse perfil não é observado em países em desenvolvimento onde as maiores taxas ocorrem em idades menores.

Além disso, características ambientais, status socioeconômico, diferenças étnicas e questões genéticas ainda são estudados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de LH.

LH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º na Região Norte (0,97/100 mil) e o 13º mais frequente nas Regiões Sul (3,09/100 mil), Centro-Oeste (2,05/100 mil) e Sudeste (1,13/100 mil). Na Região Nordeste (1,11 /100 mil), ocupa a 14ª posição. Para as mulheres, é o 16º mais frequente na Região Sudeste (1,15/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (1,43/100 mil), Centro-Oeste (0,78/100 mil), Nordeste (0,51/100 mil) e Norte (0,47 /100 mil), ocupa a 17ª posição. (2)

LÑH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,47/100 mil) e Norte (2,66/100 mil). Nas Regiões Sudeste (5,74/100 mil) e Nordeste (3,67/100 mil), ocupa a décima posição; na Região Sul (7,71/100 mil) é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (6,42/100 mil) e o nono na Região Sul (6,61/100 mil). O décimo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,44/100 mil). Na Região Norte (1,87 /100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (2,64/100 mil), é o 12º mais frequente. (2)

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia – ABRALE. São Paulo, 2017. Disponível em: <http://www.abrale.org.br/doencas/linfoma>
2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Insituto Nacional do Câncer – INCA. Estimativas 2016-2017. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
3. Albert Einstein ? Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. São Paulo, 2016. Disponível em: <https://www.einstein.br/noticias/noticia/linfoma-tem-cura>
4. Oncoguia. Tratamentos do Linfoma de Hodgkin. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/1105/137/>

 

60 dias para o câncer e o direito do paciente

O tempo é fator determinante para que o tratamento oncológico seja efetivo- ou não. O diagnóstico precoce é a primeira etapa para que os bons resultados sejam alcançados, e com esta resposta em mãos espera-se que o tratamento seja iniciado em 60 dias, evitando que a doença avance. Em vigor desde 2012, a Lei nº 12.732 (1) do Ministério da Saúde estabelece que o primeiro tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do laudo patológico ou em prazo menor, conforme necessidade terapêutica do caso registrada no prontuário do paciente.

Segundo o Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são registrados, em média, 230.000 casos de câncer por ano. No período analisado (Agosto de 2017), das 246 habilitações como UNACON, 91% tinha RHC; Das 44 habilitações como CACON, 100% tem RHC; Dos 8 Hospitais Gerais habilitados com cirurgia oncológica, 50% tem RHC e De hospitais não habilitados 30 tem RHC (2,3). O RHC é um sistema Web desenvolvido pelo INCA para consolidação de dados hospitalares provenientes dos Registros Hospitalares de Câncer de todo o Brasil. Os RHC se caracterizam em centros de coleta, armazenamento, processamento, análise e divulgação de informações de pacientes atendidos em uma unidade hospitalar, com diagnóstico confirmado de câncer. A informação produzida em um RHC reflete o desempenho do corpo clínico na assistência prestada ao paciente, para todos os tipos de câncer (4).

Diagnóstico oportuno

Para estimar o sucesso do tratamento (seja curativo ou paliativo) é essencial avaliar a extensão da doença. Este processo, chamado de estadiamento, é de grande importância pois dele dependerá a estratégia de tratamento. Os métodos usados no estadiamento podem ser clínicos, cirúrgicos e anatomopatológicos. Os índices de cura são superiores nos estadiamentos iniciais, chance que pode cair progressivamente nos estadios seguintes. Os tumores sólidos malignos costumam ser classificados em estádios de I a IV (embora existam outras classificações para certos tumores). Os tumores mais iniciais são classificados como estádio clínico I; os que se encontram em fase intermediária vão para os estádios II e III; e os casos mais avançados, geralmente com disseminação à distância, pertencem ao estádio clínico IV (5).

Método

Realizou-se um estudo descritivo analítico baseado em dados secundários (6). Foram incluídos os registros com data de primeira consulta entre 2009 a 2015, ocorridos no Brasil, registrados no Registro Hospitalar de Câncer, os quais foram extraídos em formato .csv do website do RHC do Instituto Nacional do Câncer do Ministério da Saúde. Optou-se por estudar os últimos 7 anos, por se tratar da mais recente série histórica disponível. Para análise dos dados foi utilizado o Programa Excel 2013 e o programa de Business Intelligence Tableau Public 9.3. Para categorizar os estadiamentos foram utilizados os critérios clínicos (5).

Seguindo as recomendações do INCA (4): Foram incluídos, para o cálculo dos tempos, os registros de casos analíticos, coerentes e validados. Para os intervalos de tempos entre consulta/diagnóstico; diagnóstico/tratamento e consulta/tratamento foram considerados somente os registros sem diagnóstico e sem tratamento anterior. Foram excluídos os registros com datas consideradas inválidas tais como 99/99/9999 e 88/88/8888, as com formatos diferentes de dd/mm/aaaa e ainda as que o diagnóstico tenha sido anterior a 1980. Para o intervalo de tempo entre consulta/diagnóstico foram incluídos somente os registros cujo diagnóstico tenha sido posterior a consulta. Para o intervalo de tempo entre o diagnóstico/tratamento foram incluídos somente os registros cujo tratamento tenha sido posterior ao diagnóstico.

A equipe do Observatório de Oncologia, via Controladoria Geral da União, questionou o INCA sobre o formato de disponibilização dos dados. O próprio Instituto reconhece que disponibiliza relatórios gerenciais somente em formato PDF e não em linguagem compreensível por máquina (CSV, JASON e etc.). A equipe técnica enviou uma resposta oficial, orientando como extrair os dados de seu site. Confira aqui: http://bit.ly/2BgxTr5

Resultados

Foram selecionadas três etapas da jornada do paciente que chega sem diagnóstico e sem tratamento ao serviço especializado: 1. Tempo entre diagnóstico e início do tratamento; 2. Tempo entre primeira consulta e diagnóstico e 3. Tempo entre primeira consulta e início do tratamento. As dimensões analisadas incluem: Região de Residência, Estadiamento e Faixa Etária.

1. Tempo entre diagnóstico e início do tratamento

Segundo a lei (1), o primeiro tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do diagnóstico. No Brasil em geral, 20,4% dos casos demoraram, em média, mais de 60 dias para iniciar o tratamento após o diagnóstico. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu iniciar o tratamento em até 60 dias foi de: 83% (estadio I), 72% (estadio II e III) e 79% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil, em média, o Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Norte e Nordeste apresentaram, respectivamente 15%, 17,5%, 20,5%, 23,57% e 23,46% não conseguiram acesso ao tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. No Brasil, 95% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram iniciar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, enquanto para os adultos esse foi de 79% (4).

2. Tempo entre primeira consulta com especialista do centro de tratamento oncológico e a confirmação do diagnóstico

Embora não exista lei que regulamente o tempo entre consulta e diagnóstico entende-se que a história natural da doença descoberta precocemente costuma ser mais favorável do que na avançada. No Brasil em geral, 20% dos casos demoram, em média, mais de 60 dias para conseguir a assinatura do laudo patológico. Possivelmente a demora em acessar o diagnóstico é decorrente de demora para conseguir agendar e realizar a biópsia do tumor. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu a confirmação do diagnóstico em até 60 dias foi de: 77% (estadio I), 80% (estadio II e III) e 88% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil, em média, o Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, apresentaram os melhores índices, respectivamente 16%, 17%, 20%, 26% e 27% não conseguiram a confirmação patológica em até dois meses após a primeira consulta. Nas regiões No Brasil, 92,3% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram o diagnóstico em até dois meses após a primeira consulta, enquanto para os adultos esse número foi de 80% (4).

3. Tempo entre primeira consulta com médico especialista do centro de tratamento oncológico e início do tratamento

A primeira consulta com o especialista é o primeiro passo para buscar o início do tratamento de câncer. No Brasil em geral, 38% dos casos demoram, em média, mais de 60 dias entre a primeira consulta e o início do tratamento. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu iniciar o tratamento em até 60 dias foi de: 62% (estadio I), 61% (estadio II e III) e 63% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil (2), em média, as regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte apresentaram, respectivamente 31,4%, 33,3%, 37,18%, 42,1% e 44% não conseguiram iniciar o tratamento em até dois meses após a primeira consulta. No Brasil, 86,4% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram acesso ao tratamento em até dois meses após a primeira consulta, enquanto para os adultos esse número foi de 61% (4).

Discussão

I. Aspectos Gerais

Apesar da lei dos 60 dias (1) estar vigorando desde 2014, quando comparados os dados antes e após a implantação da lei, o RHC mostra que não houveram mudanças consideráveis no paradigma do acesso ao tratamento oncológico, ou seja, ainda existem casos onde o tempo entre diagnóstico e tratamento é superior a 60 dias. Diferente do estadiamento, a faixa etária e a região de residência são variáveis consideráveis para o acesso ao tratamento oncológico.

II. Fortalecimento do Registro Hospitalar de Câncer em todos os hospitais

A implantação de uma cultura que favoreça a utilização de informações no cotidiano da gestão reverte dados de melhor qualidade para os próprios Sistemas de Informação em Saúde (7). Fortalecer o Registro Hospitalar de Câncer constitui importante alternativa para aprimorar a coleta de dados com maior qualidade, estimular sua utilização e instrumentalizar o desenvolvimento de sistemas locais adequados às necessidades dos municípios, estados e do sistema nacional.

A produção de dados é de grande importância para os sistemas de saúde. Informações são essenciais para a descentralização e o aprimoramento da gestão, bem como para o fortalecimento do controle social da saúde. A disponibilização de informações fortalece e potencializa esforços para o desenvolvimento de novas tecnologias para coleta, produção e análise de dados e, principalmente, do uso das informações no cotidiano da gestão (7).

III. Por que não utilizar dados do SISCAN (Sistema de Informação do Câncer) para este estudo?

O SISCAN é uma plataforma web que integra apenas os Sistemas de Informação do Câncer do Colo do Útero (SISCOLO) e do Câncer de Mama (SISMAMA). Este sistema é uma ferramenta de gestão para fortalecer as ações de controle e prevenção destes cânceres. Por ser uma organização não governamental, a ABRALE não tem acesso aos dados do SISCAN (8). O RHC está capitalizado em boa parte da rede de tratamento oncológico, abrange todos os tipos de neoplasias e consolida os registros oriundos de hospitais de todo o Brasil. Portanto para este estudo optou-se por utilizar os dados abertos e publicados na web no site do INCA.

Conclusão

Este estudo nos impulsiona a lutar, no sentido de atingir os padrões de diagnóstico e assistência aos portadores de câncer. A mudança do paradigma na oncologia da saúde pública somente se dará quando houver união entre Estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação. Concomitante a tais articulações, são necessários também, programas de educação permanente e capacitação para os atores que participam do cuidado de um paciente desde a atenção primária até os cuidados oncológicos e, posteriormente, o uso adequado dos postos de saúde e demais equipamentos de saúde.

Fonte dos Dados:
Registro Hospitalar de Câncer do INCA

Referências:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Lei n.º 12.732. Dispõe sobre o primeiro tratamento de paciente com neoplasia maligna comprovada e estabelece prazo para seu início.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Listas de endereços de RHC em Centros Oncologia. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=351>. Acesso em: 17/07/2017.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Regulação Avaliação e Controle. Coordenação Geral de Sistemas de Informação. Núcleo de Disseminação de Informações em Saúde. Fonte: CNES. Situação em: 23/06/2015.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Registro Hospitalar de Câncer. Integrador RHC. Disponível em: <https://irhc.inca.gov.br/RHCNet/>. Acesso em: 17/07/2017.
5. Vencer o Câncer. Fernando Cotait Maluf, Antonio Carlos Buzaid e Drauzio Varella, editores. São Paulo: Dendrix, 2014. 512p.
6. Daumas Felix, Janaina, et al. Avaliação da completude das variáveis epidemiológicas do Sistema de Informação sobre Mortalidade em mulheres com óbitos por câncer de mama na Região Sudeste-Brasil (1998 a 2007). Ciência & Saúde Coletiva 17.4 (2012).
7. Brasil. Ministério da Saúde. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde / Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. ? Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Sistema de informação do câncer: manual preliminar para apoio à implantação /Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. ? Rio de Janeiro: INCA, 2013. 143p.: il.

Notas:
Foram incluídos os registros com data de primeira consulta entre 2009 a 2015, ocorridos no Brasil, registrados no Registro Hospitalar de Câncer de todos os hospitais participantes do RHC
*Existem estabelecimentos de saúde que realizam tratamento para enfermidades oncológicas, e não são habilitados para o cuidado oncológico segundo a Portaria n.º 140, de 27 de fevereiro de 2014, que regulamenta sobre os CACON e UNACON. Ou seja, existem hospitais que tratam câncer mas não são CACON ou UNACON.”

O melhor sorriso está guardado entre a cabeça e o pescoço

Epidemiologia

Câncer de cabeça e pescoço é o nome genérico que se dá aos tumores que ocorrem na boca, na faringe, na laringe e nos seios paranasais. No Brasil não se tem uma incidência bem definida dos cânceres da cabeça e do pescoço. No mundo, os tumores de cabeça e pescoço são a sexta causa de morte por câncer em todo o mundo (1).

Segundo o National Cancer Institute (NCI), os respectivos tumores são classificados conforme a área da cabeça ou do pescoço em que se iniciam (2): Lábio (C00); Língua (C01-C02); Cavidade Oral (C03-C06), Glândulas salivares maiores (C07-C08); Faringe: Orofaringe (C09-C10), Nasofaringe (C11), Hipofaringe (C12-C13); Localizações mal definidas do lábio, cavidade oral e da faringe (C14); Cavidade nasal, ouvido médio e seios da face (C30-C31) e Laringe (C32). As doenças do cérebro e outras áreas do sistema nervoso central e da coluna cervical são excluídas do grupo citado.

O INCA estimou, para o Brasil, no biênio de 2016-2017, 7.350 casos novos de câncer de laringe (C32) e 15.490 casos novos de câncer na cavidade oral (C00-C10) (3). Cerca de 40% dos cânceres de cabeça e pescoço ocorrem na cavidade oral, 15% na faringe, 25% na laringe e o restante nos sítios remanescentes (1). Para câncer de laringe o risco estimado será de 6,43 casos a cada 100 mil homens e de 0,94 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na Região Sudeste (14,58/100 mil). Nas Regiões Nordeste (6,86/100 mil) e Centro-Oeste, ocupa a quinta posição (9,15/100 mil). Na Região Sul (15,91/100 mil), ocupa a sexta posição, e na Região Norte (3,46/100 mil) é o sétimo mais frequente. Para as mulheres, é o nono mais frequente na Região Nordeste (4,11/100 mil). Na Região Sudeste (5,29/100 mil), ocupa a décima posição. Nas Regiões Norte (1,76/100 mil) e Centro-Oeste (2,79/100 mil), é o 12º mais frequente, e, na Região Sul (3,32/100 mil), ocupa a 15ª posição (3).

Fatores Condicionantes Gerais

O etilismo, o tabagismo e as infecções pelo HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, são os principais fatores de risco para esse grupo de tumores. O risco de desenvolver algum câncer de cabeça e pescoço atribuído ao tabagismo e etilismo é de aproximadamente 65% (3). Outros fatores associados são: histórico familiar, alimentação pobre em nutrientes, situação socioeconômica desfavorável e exposição excessiva a produtos químicos.

O National Cancer Institute, aponta uma possível associação entre a exposição ocupacional ao amianto em conjunto com o consumo de bebida alcoólica e de tabaco com o câncer da laringe, principalmente na construção civil, na qual a exposição a produtos que contenham amianto é grande. Estudos afirmam que a infecção com o vírus de Epstein-Barr é um fator de risco para câncer de nasofaringe e câncer de glândulas salivares (2).

Roberto Araújo, chefe da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do INCA, explica que “A associação entre tabaco e álcool aumenta em 19 vezes a chance de ter câncer nessa região”. Outros fatores de risco associados são: má higiene dental e oral, refluxo gastroesofágico e infecções pelo papiloma vírus humano (HPV) e vírus Epstein-Barr (EBV) (4).

Tratamentos

As principais opções de tratamento para este grupo de pacientes podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia alvo. Em muitos casos, mais do que um desses tratamentos ou uma combinação deles podem ser utilizados. Os tumores de cabeça e pescoço, quase sempre, resultam em situações mutiladoras e estéticas envolvidas durante todo o tratamento, causando alterações na qualidade de vida das pessoas.

O que mostram os dados de Mortalidade

Em relação aos óbitos em 2015 por tumores de cabeça e pescoço, segundo as localizações descritas pelo NCI, os cânceres de laringe (35,66%), faringe (22,76%), língua (14,32%) e cavidade oral (14,28%) foram as principais causas de morte encontradas. 7,61% dos óbitos tiveram localização mal definida e os 5,37% restantes, estão distribuídos nas demais localizações.

Em 2015, dos 27 estados brasileiros, 9 (RS, PR, RJ, ES, SP, SC, MG, MS, PB) apresentaram coeficiente de mortalidade (por 100.000 habitantes) superior ao do Brasil (6,01). As regiões Sul (7,57) e Sudeste (7,05) apresentaram as maiores taxas de mortalidade, consequentemente, maior risco de morte. As diversas localizações dos tumores apresentam comportamentos diferentes, como por exemplo: Para câncer de língua, São Paulo, Rio de Janeiros e Espírito Santo apresentaram maiores riscos enquanto para câncer de Cavidade Nasal, os estados do Acre, Piauí e Rio de Janeiro apresentaram maior risco de morte.

O julho verde

No mês de julho, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) realiza a campanha de prevenção do câncer de cabeça e pescoço, com o objetivo de conscientizar e alertar a população sobre os sintomas da doença e a importância da detecção precoce. O mês de atenção à doença surgiu em 2014 no congresso mundial da IFHNOS (sigla em inglês para Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS – Sistema de Informação em Mortalidade.

Referências:
1. RUIZ, M.T. et al. Epidemiologia e biomarcadores em câncer de cabeça e pescoço. Arq Ciênc Saúde 2006 jan-mar;13(1):34-8. Disponível em: <http://repositorio-racs.famerp.br/racs_ol/vol-13-1/ID%20158.pdf>
2. National Cancer Institute. Cancer types. Head and Neck Cancers. Disponível em: <https://www.cancer.gov/types/head-and-neck/head-neck-fact-sheet>
3. Brasil. Ministério da Saúde. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer
José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
4. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Notícia: Prevenção e detecção precoce do câncer de cabeça e pescoço são tema de encontro no INCA Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/2016/prevencao-deteccao-precoce-cancer-cabeca-pescoco-tema-encontro-inca>

2017 – 2047: em 30 anos venceremos a guerra contra o câncer?

Desde 1975, quando o Ministério da Saúde desenvolveu e implantou o Sistema de Informações sobre Mortalidade – conhecido como SIM – os estudos epidemiológicos apontam as Doenças do Aparelho Circulatório como a principal causa de morte no Brasil. No país como um todo, a partir do ano de 2029 haverá mais brasileiros, entre homens, mulheres e crianças, que morrerão com algum tipo de câncer do que com algum tipo de doença cardiovascular.

A taxa de mortalidade estima o risco de morte pela doença ou grupo de doenças, dimensiona a sua magnitude como problema de saúde pública mais especificamente para os casos mais graves, e expressa também as condições de diagnóstico e da assistência médica.

A mudança no processo saúde-doença propicia ao Brasil um período de transição epidemiológica com predomínio das doenças crônicas não transmissíveis, dentre elas o câncer. A melhor forma para mensurar o peso de uma causa de morte não é conferida pelo estudo de suas características nos indivíduos, mas sim quanto ao processo que ocorre na coletividade humana.

Este estudo comprova que a história, a cultura e os hábitos de vida explicam como um povo adoece e morre. Todos os dias estamos expostos a fatores de risco como alimentação inadequada, inatividade física, sobrepeso, tabagismo, uso excessivo de drogas e fatores externos ao nosso corpo como violência, acidentes, problemas ambientais e desigualdades sociais.

Sobre a projeção de mortalidade

Para esta Projeção de mortalidade foi utilizado um Modelo de Suavização Exponencial, levando em conta que os dados podem apresentar uma tendência e/ou um padrão sazonal. Os números utilizados incluem a taxa de mortalidade padronizada pela população mundial, com base na série histórica de óbitos captados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do período entre 2000 e 2014 e na projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação segundo o IBGE. A taxa de mortalidade é calculada por uma divisão do número absoluto de óbitos pela população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.

Neste estudo a projeção de mortalidade foi realizada ao longo do tempo entre os anos de 2000 e 2047. Assim, a pergunta que desafia a todos os cidadãos brasileiros é: daqui a 30 anos teremos vencido a guerra contra o câncer?

As estimativas alertam que em 2047, nos estados do Amapá, Ceará, Maranhão, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins as principais causas de morte serão oriundas das causas externas (acidentes, suicídios, agressões, complicações médicas e sequelas de outras causas externas de morbidade). Nos estados de Goiás, Roraima e Tocantins, o câncer será a segunda maior causa de morte.

Nos estados de Alagoas e Mato Grosso do Sul, as doenças do aparelho circulatório seguem como principal causa de morte em 2047, entretanto no segundo estado, respectivamente, as neoplasias seguem como a segunda maior causa de morte.

No Paraná, o câncer será a principal causa de morte em 2030, porém as doenças do sistema nervoso ultrapassarão esse índice para se tornar a primeira causa de morte em 2044. Em 2031 o câncer se tornará a maior causa de morte em Minas Gerais, todavia em 2044 as doenças do aparelho geniturinário se tornarão a primeira causa de morte neste estado.

De acordo com as estimativas, se não houverem medidas efetivas na prevenção e controle do câncer os seguintes estados enfrentarão as neoplasias como principal causa de morte: Acre (2028), Amazonas (2047), Espírito Santo (2042), Mato Grosso (2044), Rio Grande do Sul (2029), Rondônia (2046), Santa Catarina (2025) e São Paulo (2041).

Fonte dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação. Disponível on-line em: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html>

Notas:
* Neste estado as Doenças do aparelho circulatório se tornarão a principal causa de morte em 2047
** Neste estado as Causas externas de morbidade e mortalidade se tornarão a principal causa de morte em 2047

A prevalência de tabagismo no Brasil e o risco de desenvolver câncer

Boa parte dos casos de câncer de pulmão podem ser prevenidos por meio do controle do tabagismo, incluindo aumento dos impostos sobre o tabaco e a implementação de leis antifumo que são essenciais para a prevenção do câncer de pulmão. Quando produtos como cigarro e o outros a base de nicotina são acesos, substâncias nocivas são inaladas pelo fumante e algumas lançadas no meio ambiente, ambas prejudiciais à saúde. Segundos estudos realizados, observa-se que o impacto do uso do cigarro ocorre não somente no fumante, mas também nos não-fumantes, que são expostos a elementos tóxicos causados pelo cigarro, conhecidos como fumantes passivos.

O tabaco e a prevalência de fatores de risco para o câncer

As boas notícias nos dizem que entre os anos de 2006 e 2015, houve uma queda 33,8% no número de fumantes. Apesar da queda de quase 35% para o sexo masculino, as mulheres apresentam desempenho inferior de 33%, refletindo a vulnerabilidade do sexo feminino frente aos malefícios do tabaco. Em todas as regiões do Brasil houve redução significativa. A Região Norte apresentou a maior redução, cerca de 0,9% por ano, enquanto a Região Sudeste obteve a menor redução média 0,5% por ano.
Segundo o VIGITEL-2015, no ano 2015, a proporção de pessoas não fumantes expostos ao tabagismo apresentou uma média de 9,1%, em casa, sendo maior entre mulheres (9,7%) do que entre homens (8,4%). A frequência de fumantes passivos no local de trabalho foi de 8,0%, sendo cerca de quase três vezes maior entre homens (12,0%) quando o percentual é comparado com o das mulheres (4,6%).

Entre 2009 e 2015, tanto em domicílio quanto em ambiente de trabalho, os percentuais totais, em homens e mulheres vêm reduzindo. Passou de 11,9% para 8,4% entre homens e de 13,4% para 9,7%entre mulheres, considerada a exposição em domicílio. No ambiente de trabalho, o percentual variou de 17% a 12% para os homens e 7,9% para 4,6% para as mulheres.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, em relação a distribuição nas regiões do Brasil, a exposição de não fumantes à fumaça em casa apresentou valores maiores no Sudeste (9,7%) e no Nordeste (12,4%), e para trabalho em ambiente fechado a situação se repetiu, sendo 12,3% no Sudeste e 16,6% no Nordeste. Cerca de 4,2% dos fumantes do Sul fumam 20 ou mais cigarros por dia, atribuindo grande vulnerabilidade a população desta região.

Entre 2006 a 2015, o número de pessoas que deixaram de fumar, lamentavelmente, diminuiu em 6,8%. Em relação ao sexo feminino, o número de ex-fumantes não apresentou variação significativa (de 18,4% em 2006 para 18,2% em 2015). Essa variação poderia melhorar com o aumento de campanhas específicas para o público feminino, prevenindo e conscientizando a população acerca dos efeitos do tabagismo no câncer de pulmão.

Onde estamos e onde queremos chegar?

No Brasil, como em todo o mundo, o papel da mulher tem mudado nas últimas décadas aumentando sua inserção no processo produtivo. Associado a uma falsa imagem de independência, o tabagismo incorporou-se ao dia a dia feminino, trazendo consigo um agressor velado ao quadro já complexo da saúde da mulher.

Atualmente, quatro vezes mais homens fumam do que mulheres no mundo, mas, enquanto o índice de homens fumantes estabiliza-se, o número de mulheres tabagistas segue aumentando, principalmente em países em desenvolvimento. O marketing do tabaco direcionado às mulheres busca criar uma ligação entre o tabagismo e essa nova realidade socioeconômica.

Linha do tempo para o Controle do Tabagismo no Brasil: 1990 – Primeiro imposto específico de cigarro; 1996 – Imagens de advertências, restrição de publicidade, leis sobre ambiente livre e aumento de preço; 1998 – Lei sobre acesso de jovens; 2000/2001 – Imagens de advertências mais contundentes, restrição de publicidade, tratamento para deixar de fumar; 2003 – Aumento de impostos de cigarros; 2006 – Aumento de impostos de cigarros; 2007/2009 – Leis municipais sobre ambiente livre.

Em relação ao câncer de pulmão, os maiores riscos de morte estão nas regiões Sul e Sudeste. Em relação ao país como um todo, os dados indicam que o nível de mortalidade por câncer de pulmão entre os homens cresceu 8,7% entre 2008 e 2015 e entre as mulheres, entretanto, houve um grande aumento de mortalidade, crescendo 37% entre 2008 e 2015.
De acordo com o sistema de informação em mortalidade e as estimativas populacionais do IBGE, observa-se que a taxa de mortalidade por câncer de pulmão entre homens era de 13,8 mortes/100 mil em 2008 alcançando em 2014 a taxa de 15 mortes/100 mil, mantendo-se estável.

Entre mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão apresenta uma grande e significativa elevação com a taxa de 7,3 mortes/100 mil em 2008 e de 10,0 mortes/100 mil em 2014. Entre 1995 e 2014 o câncer de pulmão mantem-se como o segundo tipo de câncer que mais matou as mulheres, depois do câncer de mama.

 

Fonte dos dados:
INCA, VIGITEL BRASIL 2015 – Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/9da1e5004da664cba63ceecc35e661a7/Anexo+III+-+Apresenta%C3%A7%C3%A3o+Vigitel+2015.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=9da1e5004da664cba63ceecc35e661a7>.

Referências:
1. INCA, Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/observatorio_controle_tabaco/site/home/dados_numeros/prevalencia-de-tabagismo>. Atualizado em Out/2016.
2. Aliança de Controle do Tabagismo. Tabagismo e Saúde feminina. Disponível em: <http://actbr.org.br/uploads/conteudo/213_TABAGISMO_E-SAUDE_FEMININA_FINAL.pdf>.
3. IGBE, Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv91110.pdf>.
4. Universidade Federal de São Paulo, Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Disponível em: <http://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/tabaco.htm#13>.
5. Observatório de Oncologia, Câncer de pulmão e a diferenças entre gêneros. Disponível em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/cancer-de-pulmao-e-a-diferencas-entre-generos/>

Agradecimentos especiais para Julia Molina, voluntária da ABRALE, por toda ajuda e empenho dedicado a esse estudo.

Órteses, próteses e materiais especiais no tratamento de câncer ósseo no SUS

O câncer ósseo é relativamente raro. Quando o câncer começa no tecido ósseo, ele é chamado de câncer primário do osso; e quando ele se inicia em outro órgão e atinge posteriormente os ossos, pela corrente sanguínea, é conhecido como câncer metastático para o osso. Os tumores ósseos malignos também podem se desenvolver em lesões benignas prévias e, neste caso, são chamados de cânceres secundários (1).

Incidência: os tumores ósseos representam menos do que 0,2% de todos os cânceres.

Em adultos, mais de 40% dos tumores ósseos são condrossarcomas, seguido por osteossarcoma (28%), cordomas (10%), tumores de Ewing (8%) histiocitoma fibroso maligno e fibrossarcoma (4%). O restante dos casos são tipos raros de tumores ósseos. Em crianças e adolescentes (até 20 anos), o osteossarcoma (56%) e o tumor de Ewing (34%) são muito mais comuns do que o condrossarcoma (6%) (2).

As opções de tratamento para o tumor ósseo vão depender do tipo, do estádio em que ele se encontra, das condições gerais de saúde do paciente e da preferência dele. Os tratamentos dos tumores ósseos podem envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação delas.

O objetivo da cirurgia é a remoção de todo o tumor, com uma margem de segurança que permita assegurar que não sobrem células cancerígenas. Quando o tumor atinge os braços e pernas as cirurgia pode ser de amputação, de salvamento de membros ou reconstrutora. Quando o tumor atinge outras áreas o tratamento pode envolver curetagem, criocirurgia* e radioterapia (3).

Se um membro é amputado, o paciente deve aprender a viver com uma prótese. Isto pode ser particularmente difícil para crianças em fase de crescimento, quando a prótese precisa ser trocada periodicamente, de modo a acompanhar seu crescimento.

O termo ?OPM? refere-se a Órteses, Próteses e Materiais especiais:

Próteses têm a função de substituir a função de partes do corpo, como, por exemplo, a prótese de quadril (substitui uma articulação), a prótese auditiva (substitui a função auditiva); Órteses, por sua vez, têm a função de auxiliar a função de partes do corpo, como, por exemplo, o aparelho de marca-passo, que auxilia e complementa a função cardíaca através de impulsos elétricos; e Materiais de síntese podem ser definidos, a grosso modo, como materiais especiais que são usados para aproximar estruturas orgânicas (tecidos e ossos), dentre os quais podemos destacar placas, pinos, parafusos, hastes, entre outros.

Em relação as OPM para câncer ósseo, entre 2008 e 2016 é possível verificar uma queda de 54,6% na quantidade apresentada. A mudança no paradigma do uso de OPM no SUS fica nítido quando em 2008, 54,1% das OPM eram para gastrenterologia (bolsas e placas para ostomias) e em 2016 verificamos que 93,3% das OPM foram ortopédicas e auxiliares de locomoção.

Em maiores detalhes, no ano de 2016, 57,6% das OPM foram ortopédicas (ex: cintas, coletes e órteses imoblizadoras) e 35,7% foram auxiliares de locomoção (ex: cadeiras de rodas, andadores e bengalas). Os jovens de 0 a 18 anos apresentaram um maior consumo de OPM auxiliares de locomoção, enquanto os adultos 30 a 59 anos consomem maiores quantidades de OPM ortopédicas. Em relação a faixa etária, os jovens de 0 a 18 anos foram responsáveis pelo consumo de 23,42% de OPM, enquanto os adultos de 30 a 59 anos representaram quase 50% do total. Embora a distribuição de OPM ainda se concentre nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, entre 2008 e 2016 é possível verificar um discreto aumento em sua dispersão.

Fonte dos dados:
SIA – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS | Atualizado em Abril de 2017

Referências:
1. GOMES, Andreia Macedo et al. Osteossarcoma de fêmur distal com fratura de endoprótese não convencional: revisão de literatura e relato de caso. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online. dec. 2010.
2. American Cancer Society. About Bone Cancer. Disponível: <https://www.cancer.org/cancer/bone-cancer/about/key-statistics.html>
3. American Cancer Society. Treating Bone Cancer. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/bone-cancer/treating/surgery.html>

Nota:
Procedimentos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS). *Método cirúrgico que utiliza gases em baixas temperaturas, ex: nitrogênio, para destruir lesões.

Câncer de pulmão e a diferenças entre gêneros

Por várias décadas, o câncer de pulmão é o câncer diagnosticado com mais frequência e principal causa de morte em decorrência de câncer no mundo. A neoplasia de pulmão é responsável por praticamente uma em cada cinco mortes no mundo (1,6 milhões de mortes, correspondendo a 19,4% de todas as mortes por câncer). É a principal causa de morte por câncer em homens em 87 países e em mulheres em 26 países. As tendências do câncer de pulmão refletem os padrões históricos do tabagismo (1).

Os maiores riscos de morte por câncer de pulmão estão nas regiões Sul e Sudeste. Em relação ao país como um todo, os dados indicam que o nível de mortalidade por câncer de pulmão entre os homens cresceu 8,7% entre 2008 e 2014. Entre as mulheres, entretanto, houve um grande aumento de mortalidade, crescendo 37% entre 2008 e 2014 (2).

De acordo com o SIM-Datasus e as estimativas populacionais do IBGE, observa-se que a taxa de mortalidade para câncer de pulmão entre homens era de 13,8 mortes/100 mil em 2008 alcançando em 2014 a taxa de 15 mortes/100 mil. Entre mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão apresenta uma grande elevação com a taxa de 7,3 mortes/100 mil em 2008 e de 10,0 mortes/100 mil em 2014. Entre 1995 e 2014 o câncer de pulmão mantem-se como o segundo tipo de câncer que mais matou as mulheres, depois do câncer de mama.

Boa parte dos casos de câncer de pulmão podem ser prevenidos por meio do controle do tabagismo, incluindo aumento dos impostos sobre o tabaco e a implementação de leis antifumo que são essenciais para a prevenção deste tipo de câncer (1). No Brasil, como em todo o mundo, o papel da mulher tem mudado nas últimas décadas aumentando sua inserção no processo produtivo. Associado a uma falsa imagem de independência, o tabagismo incorporou-se ao dia a dia feminino, trazendo consigo um agressor velado ao quadro já complexo da saúde da mulher.

A mulher e o tabaco

No Brasil, a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) lançou uma publicação (2) debatendo o impacto do tabagismo na saúde feminina.
Produtos desenhados especificamente para as mulheres, como cigarros com sabores e embalagens diferenciadas associam o tabagismo ao desejo universal das mulheres em serem atraentes e sedutoras. Tais produtos estão sendo hoje direcionados às mulheres dos países em desenvolvimento.

Atualmente, quatro vezes mais homens fumam do que mulheres no mundo, entretanto enquanto o índice de homens fumantes estabiliza-se, o número de mulheres tabagistas segue aumentando, principalmente em países em desenvolvimento (3). O marketing do tabaco direcionado às mulheres busca criar uma ligação entre o tabagismo e essa nova realidade socioeconômica.

A tendência de aumento do tabagismo nas mulheres é reflexo de um histórico de campanhas antitabagismo direcionadas ao público masculino, deixando de lado o público feminino. Evidências do Brasil, Tailândia e África do Sul sugerem que aumentos em impostos e preços foram os fatores que mais contribuíram para o declínio no uso do tabaco (1).

 

Fonte dos dados:
Estimativa populacional IBGE: Disponível: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html>
Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação em Mortalidade (SIM).

Referências:
1. Jemal A, Vineis P, Bray F, Torre L, Forman D (Eds). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www.cancer.org/canceratlas>.
2. Lion, E. Tabagismo e Saúde feminina. Aliança de Controle do Tabagismo; 2009. Disponível também no endereço: http://actbr.org.br/tabagismo/genero.asp

Mortalidade do câncer cólon, reto e ânus em mulheres no Brasil

O intestino grosso é formado pelo cólon e pelo reto. O câncer colorretal é um dos mais frequentes na população brasileira. Nas mulheres, é o 2º mais comum, com 17.620 casos estimados para 2017 e, nos homens, ocupa a 3ª posição, com 16.660 novos casos. Um em cada 10 tumores diagnosticados é de origem colorretal (1). Para a coleta foi utilizada a categoria “Causa – CID-BR-10” 035 Neoplasia maligna do cólon, reto e ânus, disponível no próprio tabulador do Ministério da Saúde.

O risco de uma pessoa desenvolver esse tipo de câncer durante a vida é de aproximadamente 5%. Cerca de dois terços dos tumores de intestino grosso se instalam no cólon, enquanto um terço tem origem no reto. Ele acomete de modo relativamente semelhante homens e mulheres, geralmente depois dos 65 anos de idade. Mais de 90% dos casos ocorrem em indivíduos com mais de 50 anos. (1)

Quando o tumor está confinado à mucosa ou à camada muscular do cólon ou do reto alto, as chances de cura são altas e o tratamento indicado é a cirurgia colonoscópica, cirurgia aberta ou colectomia laparoscópica. No estádio I, a probabilidade de cura é alta. Em tumores mais avançados, a cirurgia isolada não tem os mesmos índices de cura.

Rastreamento

Segundo a American Cancer Society, o rastreamento do câncer colorretal é extremamente importante na prevenção da doença. A partir do momento que as primeiras células anormais começam a formar pólipos, até se tornar um câncer colorretal propriamente dito, normalmente leva cerca de 10 a 15 anos. O rastreamento regular pode, em muitos casos, prevenir completamente o câncer colorretal, porque a maioria dos pólipos encontrados é removida antes que tenham a chance de se transformar em câncer. O rastreamento também pode diagnosticar o câncer colorretal em estágio inicial, quando é altamente curável (2).

As pessoas que não tem fatores de risco identificados devem começar a fazer exames regulares aos 50 anos. Aqueles com histórico familiar ou outros fatores de risco para pólipos ou câncer, como doença inflamatória do intestino, devem conversar com seus médicos para estabelecer o início dos exames de rastreamento mais precocemente ou realizá-los com mais frequência (2).

Mortalidade em mulheres no Brasil

Os dados revelam que o risco de morte por câncer colorretal é cerca de duas vezes mais alta no Sul e Sudeste em relação às outras regiões. As taxas mantiveram-se estáveis durante toda a década de 80, com aumento na década de 90 e no período mais recente, entre 2010 e 2015, notou-se um aumento porcentual de 24,4% nas mulheres. Para 2015, a taxa de mortalidade para câncer de colorretal no Brasil foi de 0,8 para cada 100.000 mulheres. Com taxa semelhante ou acima da nacional estão 8 unidades da federação, respectivamente, Rio Grande do Sul (1,5); Rio de Janeiro (1,4); São Paulo (1,1); Paraná (1,0); Santa Catarina (0,8); Minas Gerais (0,8); Espírito Santo (0,8); Distrito Federal (0,8). As taxas de mortalidade aumentam consideravelmente a partir dos 70 anos de idade.

Fonte dos Dados:
Sistema de Informação em Mortalidade – SIM

Referências:
1. MALUF, F. et. al. Vencer o Câncer. São Paulo: Dendrix, 2014 512p. Disponível em: <https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-colon-e-de-reto/cancer-colorretal-o-que-e/>
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Can Colorectal Cancer Be Prevented?. Disponível em: <http://www.cancer.org/cancer/colon-rectal-cancer/causes-risks-prevention/prevention.html>