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PET-CT em oncologia no SUS

A sigla PET vem do inglês e traduzida significa “Tomografia por Emissão de Pósitrons“. Em Oncologia, o PET-CT é indicado para: casos suspeitos de câncer, análise de estágio de um tumor, avaliação de eficácia de tratamento e planejamento de radioterapia. Para realizar o exame, o paciente recebe, por via venosa, uma substância que emite baixas doses de radiação à base de glicose. Com isso, o médico consegue observar possíveis problemas em cada parte do corpo

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBBMN) e a Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) reuniram-se com o intuito de elaborar uma Lista de Recomendações do Exame PET/CT, disponível aqui: http://ref.scielo.org/g9pprc

O exame PET-CT detecta precocemente o câncer. Essas informações obtidas podem mudar a conduta médica baseada no monitoramento da eficácia terapêutica, diminuindo procedimentos invasivos e colaborando na identificação de metástases à distância. A imagem, simultaneamente adquirida em um único exame, possibilita o mapeamento de áreas de maior atividade dentro do tumor, verificando recidivas ou metástases, e possibilitando aumentar as opções quanto ao planejamento radioterápico e cirúrgico.

Judicialização x Incorporação no SUS

Em dezembro de 2014 o Ministério da Saúde publicou a Portaria Nº 1.340, incorporação do PET-CT no SUS para os seguintes tumores: pulmão de células não pequenas potencialmente ressecável; metástase exclusivamente de câncer colorretal; e para o estadiamento e avaliação da resposta ao tratamento de linfomas de Hodgkin e não Hodgkin. Antes da publicação de dezembro de 2014, o PET-CT era realizado por meio de judicializações..

Em relação aos exames PET-CT realizados no SUS: a maior parte deles (35,5%) é realizado para Linfoma não Hodgkin, seguido de (25,8%) para Linfoma de Hodgkin, correspondendo a 61,3%. A distribuição etária se concentra entre 50-69 anos, correspondendo a 43% dos procedimentos realizados. Ressalta-se que para Linfoma de Hodgkin, 27% dos exames foram realizados em jovens entre 20-30 anos. A distribuição entre homens e mulheres mantém comportamento similar. De 2008 a 2014, o exame era realizado por vias judiciais e os dados sobre o tipo de câncer, idade e sexo não eram informadas. Devido a incorporação deste exame no SUS, o número judicializações apresenta uma queda de 63% em 2015 para 44% em 2016.

Fonte dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação Ambulatorial – SIA/SUS

Las fronteras entre los países están disminuyendo en beneficio de la salud

Segundo pesquisadores, a América Latina corre o risco de perder o controle da crescente epidemia de câncer  e de quebrar seu sistema de saúde com os custos da doença. Estima-se que a incidência anual de novos casos de câncer na América Latina aumente em 33% (para cerca de 1,68 milhão de novos casos) em 2020 – atualmente, são cerca de 1,3 milhão de casos. Em 2030, os pesquisadores estimam que, além do 1,7 milhão de novos casos que serão diagnosticados na América Latina, o câncer também causará mais de 1 milhão de mortes (1).

Mesmo com uma incidência menor de casos da doença, quando comparada aos países desenvolvidos, na América Latina ainda se morre mais da doença ? são 13 mortes em cada 22 casos diagnosticados; nos Estados Unidos, o número de mortes é de 13 para cada 37 casos, na Europa, são 13 mortes para 30 casos. Essa diferença está na maneira como se olha a doença. Enquanto nos países desenvolvidos há melhores programas de prevenção e diagnóstico precoce da doença, na América Latina os casos são, em sua maioria, ainda diagnosticados nas fases terminais. Nos EUA, quase 60% dos casos têm diagnóstico no início da doença. No Brasil, por exemplo, esse número é de apenas 20% (2).

Entre as principais causas de mortes por câncer em homens estão os tumores de pulmão, próstata, cabeça e pescoço, enquanto em mulheres foram os tumores de mama, pulmão e colorretal.

Em relação aos dados encontrados, é possível afirmar que nos últimos cinco anos (2010-2015): foram registrados 2.352.255 óbitos por câncer na América Latina e Caribe; as maiores taxas de mortalidade encontram-se em no Uruguai (225 mortes por 100.000 habitantes) e em Cuba (211 mortes por 100.000 habitantes); as menores taxas de mortalidade foram registradas na Nicarágua (47,5 mortes por 100.000 habitantes) e Guatemala (48 mortes por 100.000 habitantes).

A letalidade ou chance de morrer de câncer infantil é maior nos países com IDH baixo. Os cânceres infantis são, em sua maioria, neoplasias do sangue e do sistema linfático (leucemias ou linfomas), tumores  embrionários (por exemplo, retinoblastoma, neuroblastoma, nefroblastomas), tumores do cérebro, dos ossos e dos tecidos conjuntivos.

As taxas de mortalidade do câncer de pulmão começam a se estabilizar ou cair entre os homens em países de média renda das Américas como Argentina e Brasil, por causa da diminuição do tabagismo. Entre as mulheres a taxa de mortalidade para câncer de pulmão continuam a aumentar na maioria dos países, refletindo defasagem na redução do tabagismo.

As taxas de câncer de colo de útero estão caindo em muitos países devido ao maior rastreamento, ao passo que as taxas de câncer de mama estão aumentando devido à maior prevalência de fatores hormonais associados, como gravidez tardia e desigualdade de gênero, assim como fatores de risco para estilo de vida.

As taxas de câncer de vesícula biliar são altas em muitos países da América Latina, o Chile possuí umas das mais altas taxas de mortalidade para câncer de vesícula biliar em mulheres do mundo e as causas são desconhecidas.

Geralmente as maiores taxas de mortalidade são encontradas em países de baixa renda. O câncer é causado mais frequentemente pelo ambiente em que uma pessoa vive do que pela biologia inata dela.

Fonta dos Dados:
IRAC – International Agency of Research on Cancer. WHO, Cancer Mortality Database. Last Update: 22-September-2016.

Referências:
1. STRASSER-WEIPPL, K; grupo LACOG et. al. Progress and remaining challenges for cancer control in Latin America and the Caribbean. Lancet Oncol 2015; 16. Disponível em: <http://www.thelancet.com/commissions/latin-america>
2. Planejamento do controle do câncer na América Latina e no Caribe. Lancet Oncol 2013; 14. Disponível em: <http://www.thelancet.com/pb/assets/raw/Lancet/stories/commissions/planning-cancer-control-latin-america-and-caribbean/tlo-commission-series-portuguese.pdf>
3. JEMAL. A, VINEIS. P, et. al. The Cancer Atlas. Second Ed. Altanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www.cancer.org/canceratlas>.

Notas:
Honduras e Bolívia não registraram seus óbitos na Organização Mundial da Saúde.

Novembro Azul: vamos iluminar a saúde do homem

Nascida no Brasil e realizada por diversas entidades, a campanha do Novembro Azul é um projeto que dedica-se a conscientizar a sociedade e, principalmente homens, a respeito da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata.

A criação do Novembro Azul foi uma iniciativa do Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), que já no ano de sua fundação, em 2008, foi pioneiro na abordagem de questões relacionadas ao câncer de próstata no Brasil, por meio da campanha: Um Toque, Um Drible. Somente quatro anos depois, inspirados pelo Movember (8), movimento internacional dedicado à conscientização e arrecadação de fundos na luta contra a doença, o Instituto inovou e passou a promover um mês inteiro de intensa mobilização focado na saúde do homem.

Por todo o Brasil, iluminações de prédios e monumentos, palestras, ações em locais de grande circulação de pessoas como estradas, estádios e autódromos, e apoios de instituições e personalidades lembram a importância da realização de exames preventivos. Esse ano a campanha ganhou tanta visibilidade que chegou até à Times Square, em Nova Iorque, com a exibição de um banner em um dos seus principais e famosos painéis iluminados.

Foi assim que o Novembro Azul tornou-se referência na missão de orientar a população masculina a cuidar melhor da saúde, entrou para o calendário nacional de prevenção e hoje é a maior campanha de combate ao câncer de próstata no Brasil (1).

A última discussão sobre a Política Nacional da Saúde do Homem

Somente em 2009, sob a direção do ex-ministro José Gomes Temporão, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, desenvolvida em parceria com diversos gestores, organizações e sociedades científicas. Embora grandes esforços fossem empenhados, o escopo desta política ainda se restringia a diminuir a mortalidade por violência, acidentes de transporte terrestre e doenças do aparelho circulatório. O foco da área de atenção à saúde masculina possuía uma faixa etária restrita de 20 a 59 anos, com ênfase para ações de prevenção, promoção e proteção básica à saúde do homem. Destacamos que o documento não versa sobre câncer de próstata, o tumor sólido mais incidente no sexo masculino, mas que foi o primeiro passo para a importância de se discutir a saúde do homem.

Nem tudo é tão azul assim

Apesar do apoio de diversos segmentos da sociedade, o movimento, no que diz respeito a sua relação com o rastreamento do câncer de próstata é repudiado pelo Ministério da Saúde (3) e pelo Instituto Nacional do Câncer (4). Segundo os documentos oficiais de ambas as entidades “No Brasil, assim como em outros países – Austrália, Canadá e Reino Unido -, o MS não recomenda a organização de programas de rastreamento do câncer de próstata. Este posicionamento está respaldado por evidência científicas atuais que apontam mínima redução da mortalidade por câncer de próstata por meio de programas de rastreamento acompanhada de uma série de possíveis danos à saúde do homem”.

O Instituto Lado a Lado e suas pesquisas dizem o contrário. Segundo os dados mais atuais do INCA e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a detecção precoce do câncer de próstata pode aumentar em 90% as chances de cura, porém 50% da população masculina nunca consultou um especialista. Constatou-se que 75% dos pacientes diagnosticados com câncer dependem do SUS (5).

Em nota recente(6), o Hospital Albert Einstein disse: “Apoiamos o Novembro Azul, pois ele serve de abertura para que o paciente procure o seu clínico-geral ou o seu urologista para discutir sobre os exames de detecção precoce. Apoiamos a ideia de algumas sociedades profissionais nacionais e internacionais que recomendam que os exames iniciem aos 50 anos, mas para pessoas com histórico familiar ou afrodescendentes devem iniciar aos 45 ou até mesmo aos 40 anos”.

O Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) e o Instituto Lado a Lado estão na linha de frente para a melhoria da atenção oncológica no Brasil. A mudança do paradigma do cuidado oncológico na saúde pública somente se dará quando houver união entre estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação (7).

Curiosidades

– Outras entidades que se colocam contra esta atividade são a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) (9), o United States Preventive Services Task Force, o Canadian Task Force on Preventive Health Care e o United Kingdom National Screening Comittee;
– Resultados do Novembro Azul: Quase 3 milhões de pessoas alcançadas nas redes sociais. Aumento de 49% comparado ao ano de 2014. 11 ações temáticas. 180 apoios consolidados. 50 celebridades vestiram azul. 37 Iluminações em várias regiões do Brasil. 20 Estados participantes. 463 ações em todo o país. 87 milhões de pessoas impactadas.

 

Nos últimos cinco anos (2009-2013) morreram de câncer de próstata, em média, 42 homens por dia.

 

Seguindo padrões mundiais, de acordo com as estimativas 2016-2017 do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o 2.º tipo de câncer que mais acomete homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O estado do Rio Grande do Sul tem a maior taxa de incidência bruta, com 109 casos a cada 100 mil homens, e o Estado do Amapá tem a menor taxa de incidência bruta, com cerca de 22 casos a cada 100 mil homens. 42% dos casos novos são esperados na Região Sudeste, 22% na Região Sul, 23% na Região Nordeste, 8% na Região Centro-Oeste e 4% na Região Norte.

Entre os homens como um todo, o câncer é a terceira principal causa de morte, perdendo para as doenças do aparelho circulatório e as causas externas, sendo o câncer de próstata a segunda causa de morte por câncer. Entre os anos de 2009 e 2013, o país registrou 77.420 óbitos por câncer de próstata. Destes homens 52% estavam na faixa-etária entre 60 e 79 anos e 43% acima dos 80 anos.

Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de próstata são idade, raça e histórico familiar. Saiba mais em: http://observatoriodeoncologia.com.br/o-que-sabemos-sobre-o-cancer-de-prostata/

 

Referências:
1. INSTITUTO LADO A LADO PELA VIDA. Campanha – Novembro Azul. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.ladoaladopelavida.org.br/campanha/novembro-azul>.
2. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem : princípios e diretrizes, 2009. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/21/CNSH-DOC-PNAISH—Principios-e-Diretrizes.pdf>.
3. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Nota Técnica Conjunta n.º 001/2015. Posicionamento do Ministério da Saúde acerca da Integralidade da saúde dos homens no contexto do Novembro Azul. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/9e6e07004a50eca8968bd6504e7bf539/Nota+T%C3%A9cnica+CAP+finalizada.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=9e6e07004a50eca8968bd6504e7bf539>
4. INSTITUTO NACIOAL DO CÂNCER. Rastreamento para câncer de próstata. Diretrizes. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/publicacoes/diretriz_rastreamento_prostata.pdf>
5. INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER e SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA in: Anuário Lado a Lado Pela Vida, São Paulo, 2015.
6. ALBERT EINSTEIN. Notícias de Saúde. Prevenção de Saúde, 2016. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.einstein.br/noticias/noticia/prevencao-para-todos?newsletter=onconews&utm_campaign=Oncologia+Einstein+em+Destaque_4%C2%BAedi%C3%A7%C3%A3o&utm_content=%5BNo+title%5D+%281%29&utm_medium=email&utm_source=EmailMarketing&utm_term=Newsletter+-+Oncologia+Einstein+em+Destaque>.
7. LOBO, T. C. Outubro Rosa e luta contra o Câncer de Mama. 2016. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/quanto-custa-tratar-um-paciente-com-cancer-no-sus-em-2016-2/>
8. FOX, Channel. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.fox5dc.com/>.
9. SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DE FAMÍLIA & COMUNIDADE. Comunicado aos apoiadores do Novembro Azul, Rio de Janeiro, 2015. Acessado em novembro de 2016. Disponível em: <http://www.sbmfc.org.br/media/Novembro%20Azul.pdf>.

Outubro Rosa e luta contra o Câncer de Mama

A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990, e desde então, promovida anualmente na cidade. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença (1).  A primeira iniciativa vista no Brasil em relação ao Outubro Rosa é datada de 02 de outubro de 2002,  marcada pela iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), situado em São Paulo-SP (2).

No Brasil, no que diz respeito ao câncer de mama, nos últimos anos tem-se observado aumento nas taxas de mortalidade, o que vem sendo atribuído, principalmente, a retardamento no diagnóstico e na instituição de terapêutica adequada (7). A detecção através de programas de rastreamento representa uma alternativa que favorece o diagnóstico em estadios iniciais da doença, o que contribui para o tratamento curativo e/ou maiores taxas de sobrevida (8). Seguindo padrões mundiais, de acordo com as estimativas 2016-2017 do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o 2.º tipo de câncer que mais acomete mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma (3).

O estado do Rio de Janeiro tem a maior taxa de incidência bruta, com 91 casos a cada 100 mil mulheres, e o Estado do Amapá tem a menor taxa de incidência bruta, com cerca de 15 casos a cada 100 mil mulheres (4). 42% dos casos novos são esperados na Região Sudeste, 19% na Região Sul, 19% na Região Nordeste, 16% na Região Centro-Oeste e 3% na Região Norte.

Essa diferença nas incidências está associada tanto a fatores genéticos quanto às diferentes exposições da população aos fatores de risco e de proteção associados à doença. Segundo estudos epidemiológicos, os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama relacionados ao estilo de vida são: o aumento das medidas antropométricas ao longo da vida adulta (circunferência da cintura e peso) e a ingestão de bebida alcoólica. Já os principais fatores protetores são a lactação e a prática de atividade física. Ao contrário de alguns outros cânceres, o câncer de mama está diretamente relacionado ao processo de industrialização, com risco de adoecimento associado ao maior status socioeconômico (5).

De acordo com PNAD 2008, taxas de prevalência de câncer são crescentes na medida em que avança a idade. Entre os 25 e os 60 anos de idade, as taxas femininas de prevalência de câncer são bem superiores as masculinas, provavelmente em função da prevalência de câncer cervico-uterino e posteriormente de câncer de mama, os quais costumam ser mais frequentes entre mulheres, em geral ao final da menopausa mas antes do ingresso na terceira idade (10).

Entre as mulheres como um todo, o câncer é a segunda principal causa de morte, perdendo apenas para as doenças do aparelho circulatório, sendo o câncer de mama é primeira causa de morte por câncer. Entre os anos de 2009 e 2013, o país registrou 66.406 óbitos por câncer de mama. Destas mulheres 63% estavam na faixa-etária entre 40 e 69 anos.

Nestes cinco anos (2009-2013) o câncer de mama matou, em média, 36 mulheres por dia.

De acordo com o banco do SIA-SUS atualizado apenas até junho de 2015, foram registrados 809.733 procedimentos de quimioterapia, 37.565 procedimentos de radioterapia e 19.390 cirurgias em mulheres com câncer de mama. Todos os tipos de tratamentos cresceram no período entre 2008 e 2014: os procedimentos de quimioterapia aumentaram em 48%, os de radioterapias em 42% e as cirurgias em 35% (6).

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica, QT e RT para pacientes com Câncer de Mama HER-2 Negativo com RH+ em mulheres na pré-menopausa no estadiamento I, corresponde a R$ 11.372,80, enquanto no estadiamento III, com Linfonodos Positivos, a cirurgia + QT (AC-T = docetaxel + ciclofosfamida + paclitaxel) + Tamoxifeno por 5 anos corresponde a R$ 55.125,45 (9).

O diagnóstico precoce é importante tanto para salvar vidas quanto por questões financeiras. O outubro rosa nos impulsiona a lutar, no sentido de atingir os padrões de diagnóstico e assistência aos portadores de câncer de mama. A mudança do paradigma do cuidado oncológico na saúde pública somente se dará quando houver união entre estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação. Em conclusão, Iluminar significa jogar luz em um assunto que tanto assusta as mulheresmas o cor-de-rosa sinaliza que este medo pode ser amenizado pela realização dos exames para o diagnóstico precoce: o exame clínico das mamas, por médico ou enfermeira, e a realização da mamografia.

 

 

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Referências:
1. Fundação Susan G. Komen for the Cure. Disponível on-line em: <http://ww5.komen.org/>.
2. AMUCC. Associação Brasileira de Portadores de Câncer. Outubro Rosa. Disponível on-line em: <http://www.amucc.org.br/portal/outubro-rosa/>.
3. MELO, N. Observatório de Oncologia. Raio-x do Câncer (Estimativas 2016-2017). Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/raio-x-do-cancer-incidencias-2016-2017/>.
4. Instituto Nacional do Câncer. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2016. Disponível on-line em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/mapa.asp?ID=5>.
5. MATARAZZO, H. Dados e Fatos sobre o Câncer de Mama. Observatório de Oncologia, 2015. Disponível em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/dados-e-fatos-sobre-o-cancer-de-mama/>.
6. MATARAZZO, H. Observatório de Oncologia. Tratamento do Câncer de Mama no SUS. Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/tratamento-do-cancer-de-mama-no-sus/>.
7. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Controle do câncer de mama. Documento de consenso. Rev Bras Cancerol. 2004;50(2):77-90.
8. ROSA, LM; RADUNZ, V. Taxa de sobrevida na mulher com câncer de mama: estudo de revisão. Texto contexto – enferm. Florianópolis, v. 21, n. 4, p. 980-989, 2012.
9. LOBO, TC. Quanto Custa Tratar Um Paciente com Câncer no SUS em 2016. Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/quanto-custa-tratar-um-paciente-com-cancer-no-sus-em-2016-2/>.
10. MEDICI, AC. Aspectos Socio-Econômicos do Câncer no Brasil. 2016. Dísponível on-line em: <http://monitordesaude.blogspot.com.br/2016/10/aspectos-socio-economicos-do-cancer-no.html>.

 

Quanto Custa Tratar Um Paciente com Câncer no SUS em 2016

Diariamente estamos expostos a fatores de risco como alimentação inadequada, inatividade física, aumento do sobrepeso, tabagismo, uso excessivo de álcool e outras drogas. Todos esses fatores propiciaram uma transição epidemiológica com predomínio das doenças crônicas não transmissíveis, dentre elas o câncer. Os tratamentos contra o câncer representam alto custo para os sistemas de saúde brasileiros. Gestores reconhecem que as despesas com o tratamento de câncer vêm crescendo de modo preocupante e buscam alternativas para a minimização de seus custos.

A chegada de novas terapias, equipamentos e medicamentos somados ao envelhecimento da população são fatores que terão grande impacto nos custos do tratamento do câncer nos próximos anos. Um estudo baseado em dados de usuários de um plano de saúde privado estimou que, entre 2008 e 2010, o tratamento do câncer em estágios avançados seria quase oito vezes mais caro do que se esses mesmos pacientes tivessem detectado a doença na fase inicial. As projeções indicaram que os custos de tratamento seriam sete vezes maiores do que as despesas com ações de prevenção. Um dos problemas identificados é que se atua em uma fase tardia da doença, onde os sintomas e sinais já estão instalados(1).

Objetivos

Identificar os custos diretos do tratamento ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia, quimioterapia (QT) e radioterapia (RT) para pacientes com Câncer de Mama HER-2 Negativo com Receptor Hormonal Positivo (RH+) (C50); Câncer de Cólon (C18); Câncer de Reto (C20); Câncer de Pulmão não pequenas células (C34) e Linfoma de Hodgkin (C81) sob a perspectiva do pagador público, via Sistema Único de Saúde (SUS). Mostrar que o tratamento com cirurgia, QT e RT tem menor custo nos estadios iniciais.

Material e Métodos

Pesquisa quantitativa considerando os perfis de estadiamentos mais frequentes para o tratamento de câncer de mama HER-2 Negativo com RH+ (C50) em uma mulher adulta com o peso de 61kg, e para as demais patologias (C18; C20; C34; C81), um paciente adulto de 70kg em tratamento no SUS. Foram consideradas as linhas de cuidado e procedimentos indicados pela literatura científica e prática do Colégio Brasileiro de Radiologia(3) e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo(4). As informações financeiras provieram do SIGTAP (Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS) e Tabela CMED de preços máximos de medicamentos por princípio ativo, para compras públicas a preço fábrica (pf) e preço máximo de venda ao governo (pmvg) da ANVISA, utilizada para calcular a média de preço por miligrama (mg) dos fármacos utilizados na quimioterapia. O valor utilizado para cada uma das cirurgias oncológicas foi consolidado através do custo médio dos procedimentos cirúrgicos em oncologia realizados para as determinadas neoplasias. Valores calculados sob a alíquota de ICMS de 18%. Para realização dos cálculos, utilizou-se a moeda brasileira (R$).

Resultados

 

Em 2010, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma análise das APAC (Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade) processadas no mesmo ano e revelou que 60,5% dos pacientes foram diagnosticados em estadiamento avançado, níveis 3 e 4(5). Mesmo tumores pequenos representam manifestações de transformações malignas ocorridas muitos anos antes.

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica, QT e RT para pacientes com Câncer de pulmão não pequenas células no estadiamento I, considerando Tumor < 4cm com Linfonodos Negativos, a cirurgia isolada correspondeu a R$ 3.757,61; o valor para o estadiamento II com Tumor > 4cm e Linfonodos Negativos, em relação a cirurgia + QT (cisplatina + etoposídeo) correspondeu a R$ 5.309,95; enquanto no estadiamento III um tumor irressecável ou com Linfonodos Positivos, a QT (cisplatina + etoposídeo) + RT (60cGy em 30 frações) correspondeu a R$ 2.722,34.

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica, QT e RT para pacientes com Câncer de reto no estadiamento I, considerando T1 com Linfonodos Negativo, a cirurgia isolada correspondeu a R$ 4.033,24; o valor para o estadiamento II com T2 e Linfonodos Negativo, em relação a RT (25 cGy em 5 frações – 1 campo/dia) + QT (capecitabina por 5 semanas) + cirurgia correspondeu a R$ 6.391,96; enquanto no estadiamento III com T3 ou Linfonodos Positivo, a RT (25 cGy em 5 frações – 1 campo/dia) + QT (capecitabina por 5 semanas), seguido de cirurgia + QT (mFOLFOX6 = oxaliplatina + leucovorin + fluoruracila) correspondeu a R$ 78.970,21.

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica e QT para pacientes com Câncer de cólon no estadiamento I, considerando T1/T2 com Linfonodos Negativos, a cirurgia isolada correspondeu a R$ 4.156,29; o valor para o estadiamento II com T3/T4 e Linfonodos Negativos em relação a cirurgia + QT (FULV = leucovorin + fluoruracila) correspondeu a R$ 4.484,98; enquanto no estadiamento III com Linfonodos Positivos, a cirurgia + QT (mFOLFOX6 = oxaliplatina + leucovorin + fluoruracila) correspondeu a R$ 76.734,54.

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica, QT e RT para pacientes com Câncer de Mama HER-2 Negativo com RH+ em mulheres na pré-menopausa no estadiamento I, considerando Linfonodos Negativos/ > 40 anos/T1, a cirurgia + Tamoxifeno por 5 anos correspondeu a R$ 11.372,80; o valor para o estadiamento II, com Linfonodos Negativos/< 40 anos/T2, em relação a cirurgia + QT (TC = docetaxel + ciclofosfamida) + Tamoxifeno por 5 anos correspondeu a R$ 34.305,90; enquanto no estadiamento III, com Linfonodos Positivos, a cirurgia + QT (AC-T = docetaxel + ciclofosfamida + paclitaxel) + Tamoxifeno por 5 anos correspondeu a R$ 55.125,45.

O custo médio para o tratamento cirúrgico e ambulatorial de primeira linha em relação a cirurgia oncológica, QT e RT para pacientes com Câncer de Mama HER-2 Negativo com RH+ em mulheres na pós-menopausa no estadiamento I, considerando Linfonodos Negativos/ > 40 anos/T1, a cirurgia + inibidor de aromatase (anastrazol) por 5 anos, correspondeu a R$ 49.488,35; o valor para o estadiamento II com Linfonodos Negativos/< 40 anos/T2, em relação a cirurgia + QT (TC = docetaxel + ciclofosfamida) + inibidor de aromatase (anastrazol) por 5 anos correspondeu a R$ 72.421,45; enquanto no estadiamento III com Linfonodos Positivos, a cirurgia + QT (AC-T = docetaxel + ciclofosfamida + paclitaxel) + inibidor de aromatase (anastrazol) por 5 anos correspondeu a R$ 93.241,01.

O custo médio para o tratamento ambulatorial de primeira linha em relação a QT e RT para pacientes com Linfoma de Hodgkin no estadiamento Limitado Favorável (I e II), QT 4 ciclos (ABVD = doxorrubicina + bleomicina + vimblastina + dacarbazina) + RT (2000cGy) correspondeu a R$ 8.510,06; o valor para o estadiamento Limitado Desfavorável (III e IV), QT 4 ciclos (ABVD = doxorrubicina + bleomicina + vimblastina + dacarbazina) + RT (3000cGy) correspondeu a R$ 8.860,06, enquanto no estadiamento Avançado (V) QT 6 ciclos (ABVD = doxorrubicina + bleomicina + vimblastina + dacarbazina) o valor é de R$ 11.655,09.

Discussão

O câncer pode ser definido como uma proliferação anormal e descontrolada de células oriundas de uma célula previamente normal, que sofreu uma ou mais mutações e que tem a capacidade de se espalhar pelo organismo. O motivo pelo qual a detecção precoce é tão enfatizada pelos médicos, é porque quando o câncer é removido no início, o risco de que ele possa liberar na circulação sanguínea células com capacidade de se espalhar para outros órgãos é menor. Feito o diagnóstico, é de primordial importância avaliar a extensão da doença (estadiamento), pois dele dependerá a estratégia do tratamento. O estadiamento é importante para estimar o êxito no tratamento, pois a cura dos pacientes com câncer em estadios iniciais é uma realidade.

É importante apontar que a análise completa do custo de tratamento de um paciente com câncer depende de probabilidades definidas pela história natural da doença. Neste estudo, exceto para câncer de pulmão não pequenas células, os custos do tratamento de primeira linha, considerando os procedimentos indicados pela literatura científica escolhida se mostraram maiores para o estadiamento avançado de câncer. Os gastos crescentes relacionados à terapia antineoplásica têm se constituído em foco de atenção dos gestores dos sistemas de saúde público e privado, no sentido de encontrar alternativas a fim de reduzi-los.

Na maioria dos casos, o custo do tratamento de um paciente com neoplasia avançada pode cobrir outros tratamentos de estadiamentos iniciais. Embora o tratamento de câncer de pulmão não pequenas células seja mais barato nos estadios avançados, a alta mortalidade não justifica o diagnóstico tardio.

Por ser uma organização não governamental, a ABRALE não tem acesso a todos os custos envolvidos no tratamento, sendo que o custo pode variar entre as instituições de tratamento. Utilizar dados disponíveis e abertos foi a opção para se estimar quanto um paciente com câncer gastou em função de um diagnóstico precoce ou tardio.

Outra limitação foi utilizarmos para o cálculo apenas um protocolo terapêutico para cada patologia. Sabemos que as formas de cuidar variam entre diferentes serviços de tratamento, porém a proporcionalidade entre o custo de pacientes em estadios iniciais e avançados deve se manter.

A princípio, pacientes em estadios avançados são mais intensamente tratados do que os em estadios iniciais. Os protocolos de tratamento selecionados para este estudo podem não se encaixar nas diferentes dimensões do sistema público de saúde. Mesmo assim, este estudo contribui para a esfera de conhecimento dos custos de um paciente oncológico, permitindo avaliar estratégias para fortalecimento do diagnóstico.

Conclusão

Infelizmente, no Brasil são escassos os estudos que abordam custos na área de onco-hematologia e oncologia, entretanto, observamos que o custo médio dos fármacos é o mais impactante no tratamento de um paciente oncológico. Grande parte dos custos é decorrente de tratamento de estadios mais avançados, que demandam maior quantidade de procedimentos e medicamentos.

É possível concluir que o diagnóstico precoce é importante tanto para salvar vidas quanto por questões financeiras. Este estudo nos impulsiona a lutar, no sentido de atingir os padrões de diagnóstico e assistência aos portadores de câncer. A mudança do paradigma do cuidado oncológico na saúde pública somente se dará quando houver união entre estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação. Concomitante a tais articulações, são necessários também, programas de educação permanente e capacitação para os atores que participam do cuidado de um paciente desde a atenção primária até os cuidados oncológicos e, posteriormente, o uso adequado dos postos de saúde e demais equipamentos de saúde.

Referências:
1.Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Agência Inca de Notícias. Custo de tratamento do câncer aumentará oito vezes nos próximos dois anos e sairá sete vezes mais caro que ações de prevenção.
2.IBGE ? Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 ? POF. Rio de Janeiro, 2009.
3.Critérios de adequação de exames de imagem e radioterapia / coordenação geral: Aldemir Humberto Soares; tradutora: Angela Caracik. São Paulo: Colégio Brasileiro de Radiologia, 2005
4.Manual de condutas em oncologia. Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira. São Paulo, 2010.
5.TCU. Relatório de Auditoria Operacional na Política Nacional de Atenção Oncológica (TC no 031.944/20108) [Internet]. 2010.

Fonte dos Dados:
Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS – SIGTAP. Disponível em: <http://sigtap.datasus.gov.br/tabela-unificada/app/sec/inicio.jsp>. Acesso em agosto de 2016.

ANVISA. Preços máximos de medicamentos por princípio ativo, para compras públicas preço fábrica (pf) e preço máximo de venda ao governo (pmvg). Tabela CMED. Atualizada em: 20 de junho de 2016. Disponível em: <http://s.anvisa.gov.br/wps/s/r/f6>. Acesso em agosto de 2016.

Panorama do Tratamento Fora de Domicílio para Pacientes Oncológicos

O Tratamento Fora de Domicílio (TFD), instituído pela Portaria n° 55/99², da Secretaria de Assistência à Saúde (Ministério da Saúde, é um instrumento legal que visa garantir, através do Sistema Único de Saúde (SUS), tratamento médico a pacientes portadores de doenças não tratáveis no município de origem, quando não houver ou estiverem esgotadas todas as opções de tratamento naquele local. Dessa forma, o TFD consiste em uma ajuda de custo ao paciente e seu acompanhante (quando houver necessidade), encaminhados pelo médico de algum serviço do SUS às unidades de saúde de referência em outro município ou Estado, desde que haja possibilidade de cura total ou parcial, limitado a um período estritamente necessário a esse tratamento e considerando os recursos orçamentários existentes. O benefício inclui: consultas, tratamento ambulatorial, hospitalar e cirúrgico previamente agendados; Passagens de ida e volta aos pacientes e acompanhantes, para que possam deslocar-se até o local onde será realizado o tratamento e retornar à sua cidade de origem; Ajuda de custo para alimentação e hospedagem enquanto durar o tratamento e responsabilização pelas despesas decorrentes de óbito. É importante ressaltar que o benefício só é válido quando o deslocamento de um município para outro for maior que 50km.
Quando o assunto é câncer, é muito comum que os pacientes utilizem o TFD, pois há apenas 315 serviços especializados e aptos a tratar oncologia no país inteiro. Nesse caso, o TFD permite o fluxo dos pacientes que necessitam de assistência médico/hospitalar cujo procedimento seja considerado de alta e média complexidade (como é o caso dos transplantes de medula óssea ou cirurgias específicas). Contudo, cabe às Secretarias Estaduais/Municipais de Saúde o controle e a avaliação do TFD, bem como a organização dos fluxos de encaminhamentos de acordo com a proposta de regionalização de cada Estado.

Fluxo

Para demonstrar em números, a quantidade de pacientes que saem da sua UF (Unidade Federativa) de residência em busca de tratamento oncológico no SUS, analisamos os dados dos anos de 2013, 2014 e 2015. Além de sabermos o número total de APACs (Autorização de Procedimentos Ambulatoriais) – Mapa abaixo – que são aprovadas para tratamento fora do seu Estado de domicílio, conseguimos aprofundar essa análise e descobrimos o fluxo desses pacientes em relação a UF de residência X UF de tratamento.

 

No ano de 2013, dentre os Estados que mais aprovaram APACs para tratamento em outro Estado, estão: Tocantins, com 10% de seus pacientes migrando para o Pará e 16% para o Maranhão; Piauí com 13% migrando para o Maranhão e o Distrito Federal com 15% de seus pacientes tratando em Goiás.

No mais, é importante ter em mente que o TFD é um direito constitucional a qualquer cidadão brasileiro, pois, de acordo com a Regionalização e Hierarquização³ dos serviços de saúde, princípios fundamentais do SUS, é assegurado ao paciente uma rede de serviços regionalizada e hierarquizada que garanta atenção integral à população, bem como o acesso a consultas de exames para o diagnóstico e tratamento do câncer. Na prática, isso quer dizer que o paciente com câncer também tem direito a fazer o tratamento fora do seu local de domicílio se o seu município ou Estado não oferecer o tratamento apropriado à sua patologia.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/.>.

Referências:
1. OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA. Quimioterapia e a Migração de Pacientes com Câncer. Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/quimioterapia-e-a-migracao-de-pacientes-com-cancer/.>.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Portaria/SAS/Nº 055 de 24 de fevereiro de 1999. Disponível on-line em: <http://saude.es.gov.br/Media/sesa/TFD/Portaria%20SAS%20N%C2%BA%2055%20de%2024%2002%201999.pdf.>.
3. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM/MS nº 2.439, de 08 de dezembro de 2005, revogada pela Portaria nº 874, de 16 de maio de 2013. Disponível on-line em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2005/prt2439_08_12_2005.html.>.

A Jornada do Paciente com Linfoma de Hodgkin no Brasil

Com origem no sistema linfático, o Linfoma de Hodgkin (LH), também conhecido por Doença de Hodgkin, é um câncer que acomete as nossas células de defesa e pode se desenvolver em qualquer parte do corpo, mais frequentemente nos gânglios linfáticos presentes no tórax, pescoço, axilas ou virilha. Quase a totalidade dos pacientes (98%) relata ter apresentado algum sintoma antes de descobrir a doença, enquanto que apenas 2% foi diagnosticado em exames de rotina (1).

Apesar de há bem pouco tempo não termos muita informação sobre o Linfoma de Hodgkin, atualmente este tipo de câncer linfático está cada vez mais presente em noticiários e na vida das pessoas e uma boa parcela da população já ouviu falar ou conhece alguém que já teve a doença. Por outro lado, quem já foi diagnosticado com essa patologia, em sua maioria (85%), relata nunca ter ouvido falar na doença antes e, 7 em cada 10 pacientes, busca informações principalmente através da internet.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número de casos novos de Linfoma de Hodgkin estimado para o ano de 2016 é de 2.470 casos, onde 59% são homens e 41% mulheres, de qualquer faixa etária, porém, os jovens de 15 a 25 anos são os que mais recebem o diagnóstico. Ainda segundo o Inca, cerca de 39% dos casos são esperados na Região Sudeste e 27% na Região Sul (2).

Diagnóstico X Tratamento

Entre os pacientes que tiveram sintomas, 74% levaram até 3 meses para procurar o médico e a maioria (66,5%) iniciou o tratamento em até 30 dias após o diagnóstico, destacando que a principal dificuldade para iniciar com as terapias é o agendamento de consultas/exames (79%). Embora em 75% dos casos a primeira especialidade médica procurada é o clínico geral, o profissional responsável pelo tratamento de 98% dos pacientes é mesmo o hematologista ou oncologista.
É importante ressaltar que o linfoma de Hodgkin tem altas chances de cura, principalmente quando a doença é diagnosticada logo no início. Os tratamentos são baseados principalmente em ciclos de quimioterapia, sessões de radioterapia e, em alguns casos, é indicado o transplante de medula óssea (TMO) autólogo*.
Como primeira linha de tratamento**, 49% faz quimioterapia com radioterapia e 47% faz apenas quimioterapia. Dos pacientes que partem para uma segunda linha de tratamento, 45% faz quimioterapia seguido de TMO autólogo.
Os efeitos colaterais do tratamento de LH mais reportados pelos pacientes são: queda de cabelo (88%), náuseas e vômitos (87%), fadiga/fraqueza (71%), mudança de apetite (61%), alterações intestinais (45%), reações na pele (42%) e alterações de mucosa oral (40%). Os pacientes também relataram que os efeitos adversos da quimioterapia pesam na hora de dar continuidade ao tratamento, esses efeitos despontam como a principal dificuldade nesta fase em 65% dos casos.

Atualmente, com os avanços da ciência, os tratamentos possibilitam uma remissão completa da doença*** e, consequentemente, uma vida normal aos pacientes diagnosticados com LH.

Fontes dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/.>.

Referências:
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINFOMA E LEUCEMIA – ABRALE. Pesquisa qualitativa de seguimento terapêutico com pacientes de Linfoma de Hodgkin. Revista da ABRALE, 2013.
2. Observatório de Oncologia. 23 Mil Casos Novos de Câncer no Sangue. Disponível on-line em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/23-mil-casos-novos-de-cancer-no-sangue-em-2016>.

Notas:
* Transplante de medula óssea que acontece com as próprias células do paciente, mas só é possível nos casos em que a medula não esteja completamente comprometida e que haja um número suficiente de células-tronco saudáveis na medula ou no sangue do paciente.
** Primeiro tratamento prescrito pelo médico quando o paciente é diagnosticado.
*** Quando não há mais sinais da doença no organismo do paciente.