Indicadores de Colo do Útero

O câncer do colo do útero é um dos mais frequentes tumores na população feminina e a principal causa da doença é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV). A infecção genital por esse vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Essas alterações são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou) e são curáveis na quase totalidade dos casos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA – INCA, 2019). 

O câncer de colo do útero é o terceiro mais comum entre as mulheres no Brasil (exceto pele não melanoma) com estimativa de 16.590 novos casos para  cada ano do triênio 2020-2022, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres, segundo a mais recente estimativa do INCA. Surpreende no país a desigual distribuição de incidência da doença, o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas Regiões Norte (21,20/100 mil), Nordeste (17,62/100 mil) e Centro-Oeste (15,92/100 mil). Já na Região Sul (17,48/100 mil), ocupa a quarta posição e, na Região Sudeste (12,01/100 mil), a quinta posição (INCA,2020). A estimativa global aponta que o câncer do colo do útero foi o quarto mais frequente em todo o mundo, com uma estimativa de 570 mil casos novos, representando 3,2% de todos os cânceres.  

Apesar da maior incidência nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, elas concentram o menor número de centros especializados para o tratamento. Sabe-se que as taxas de incidência e diagnóstico podem variar conforme a implementação e o acesso a programas de prevenção e controle efetivos do câncer de colo de útero. Além disso, as taxas podem ser impactadas por mudanças no comportamento da população. Conforme o INCA-2019, fatores que aumentam o risco de desenvolver esse tipo de câncer são: início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros; tabagismo (a doença está diretamente relacionada à quantidade de cigarros fumados); e uso prolongado de pílulas anticoncepcionais. 

O controle do câncer de colo de útero compõe o Plano de Ações Estratégicas no Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde. Em 2016, foram lançadas as Diretrizes de Rastreamento do Câncer de Colo de Útero, que incluem a realização de citologia oncótica (Papanicolau) em mulheres assintomáticas na faixa etária de 25 a 64 anos, a cada 3 anos, desde que tenham dois exames realizados anualmente com resultados normais. Em casos de lesão de baixo grau detectada, deve-se realizar um novo exame no intervalo de seis meses. É muito importante ressaltar que o câncer de colo de útero é altamente preventivo e, quando as alterações (lesões) que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, a porcentagem de prevenção da doença é alta. 

Desde 2014, a vacina tetravalente contra o HPV (tipos 6, 11, 16 e 18) faz parte do Calendário Oficial de Vacinação do Ministério da Saúde, para meninas na faixa etária de 9 a 13 anos. A partir de 2017, os meninos de 11 a 13 anos, também passaram a fazer parte. A vacinação das crianças, em idade antes do início da atividade sexual, é uma excelente forma de evitar o contágio pelo HPV (vírus sexualmente transmissível) e com potencial de erradicar o câncer de colo de útero no futuro.  

Para melhoria deste cenário no Brasil, é necessário políticas públicas baseadas em evidências e que incluam no seu desenvolvimento, programa de detecção e rastreamento de Câncer na população.