Panorama do atendimento de pacientes diagnosticados com linfoma do manto no Brasil

Introdução:

Linfomas são transformações neoplásicas de células linfoides normais que residem predominantemente em tecidos linfoides e são morfologicamente divididos em linfomas de Hodgkin (LH) e não-Hodgkin (LNH) (1). Os dois são distintos e se comportam de maneira bastante diferente, inclusive na resposta aos tratamentos (2). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2020-2022, são estimados 2.640 novos casos de LH e 12.030 novos casos de LNH (3).

Os linfomas de células do manto (LCM) são um subtipo raro de linfoma não-Hodgkin de células B que representam, aproximadamente, 6% dos LNHs (4). São incuráveis, de comportamento agressivo, com sobrevida média de três a cinco anos, costumam apresentar-se em estádios avançados (III-IV) e, na maioria das vezes, podem ser do tipo indolente (4,5).

O presente estudo tem como objetivo apresentar o panorama de atendimento de pacientes portadores de linfoma do manto no Brasil entre 2014 e 2018.

 

Metodologia:

Estudo longitudinal, baseado em dados secundários do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de pacientes diagnosticados com linfoma do manto (tipo histológico 9673/3) entre 2014 e 2018.

 

Resultados:

Registro Hospitalar de Câncer (RHC)

No período entre 2014 e 2018, 1.020 pacientes foram diagnosticados com linfoma do manto em estabelecimentos de saúde que compõem o Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Destes, 738 (72%) são do sexo masculino e 324 (32%) tem entre 60 e 69 anos de idade.

Um grande percentual (56%) dos casos confirmados já possuía diagnóstico anterior da doença, mas nem todos têm histórico de tratamento. A maioria dos pacientes foram diagnosticados através de exame de anatomia patológica e a quimioterapia foi o primeiro tratamento oncológico mais realizado (69%) nos pacientes. A maioria (73%) dos casos confirmados não possui informação sobre estadiamento da doença. Entre os pacientes com informação preenchida, 84% foram diagnosticados em estágios avançados (III e IV).

Ao avaliar o tempo, em dias, entre consulta com o especialista e recebimento do diagnóstico, nota-se que a maioria dos pacientes (63%) não têm essa informação preenchida. Segundo os registros preenchidos, o tempo médio entre a primeira consulta com médico especialista e o recebimento de diagnóstico foi de 28 dias. Em contrapartida, ao analisar o tempo entre diagnóstico e início do tratamento oncológico, nota-se uma média de 124 dias e esse tempo é superior para pacientes diagnosticados em estágios III (118 dias) e IV (157 dias).

 

Considerações finais:

O Panorama de atendimento de pacientes diagnosticados com linfoma do manto confirma os achados em outros estudos (6) ao identificar que a maioria dos pacientes são diagnosticados em estadiamentos avançados (III-IV). Para pacientes portadores do linfoma do manto, assim como outros tipos de câncer, o tempo até o recebimento do diagnóstico é fator decisivo no tratamento. Além disso, é necessário que, após o recebimento do diagnóstico, o paciente tenha acesso ao tratamento em tempo oportuno.

Nota-se que há um grande intervalo de tempo entre o recebimento do diagnóstico e início do tratamento, que é mais intensificado para pacientes em estadiamentos III e IV da doença. A falta de acesso à saúde é o principal fator para a demora no diagnóstico e acesso ao tratamento, tendo em vista que há uma dificuldade em acessar a atenção secundária, na qual acontece o atendimento ambulatorial especializado e há uma grande demora para acessar a unidade terciária, onde são feitas as terapias e procedimentos de alta complexidade.

Para melhorar este cenário preocupante, torna-se necessário a implementação de ações de saúde que promovam a detecção precoce do câncer e o rápido início do tratamento, tendo em vista que são as principais estratégias para melhorar a qualidade de vida do paciente.

 

Referências Bibliográficas:

  1. Harris NL,  Jaffe  ES,  Diebold  J,  Flandrin  G,  Muller-Hermelink K, Varkiman J, et al. World Health Organization classification of neoplastic diseases of the hematopoietic and lymphoid tissues: report of the Clinical Advisory Committee Meeting – Airlie House, Virginia, November 1997. J Clin Oncol. 1999;17(12):3835-49.
  2. American Cancer Society. Treating Hodgkin Lymphoma [internet]. Atlanta; 2021 [acesso em 09 ago. 2021]. Disponível em: https://www.cancer.org/content/dam/CRC/PDF/Public/8652.00.pdf
  3. Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional de Câncer (INCA). Linfoma não Hodgkin [internet]. Rio de Janeiro (RJ); 2021 [acesso em 09 ago. 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/linfoma-nao-hodgkin
  4. Campos LC, Andrade DAP. Linfoma não-Hodgkin de células do manto: relato de caso. Rev Med Minas Gerais 2009; 19(2): 177-179
  5. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. Linfoma do manto [internet]. São Paulo; 2021 [acesso em 09 ago. 2021]. Disponível em: https://www.abrale.org.br/doencas/linfomas/lnh/subtipos/linfoma-do-manto/o-que-e/
  6. Buzian SA. Angiogênese e prognóstico em linfoma de células do manto [tese]. São Paulo: Fundação Antônio Prudente; 2020.

 

Idealização e realização:

 

Apoio: