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Os números do câncer de cólon e reto no Brasil

O câncer do intestino grosso (também conhecido como câncer de cólon e reto ou câncer colorretal) é a terceira neoplasia com maior incidência no Brasil. É o segundo câncer mais frequente em mulheres e o terceiro entre os homens. Para cada ano do biênio 2018-19, o Instituto Nacional do Câncer estimou 36.360 novos casos de câncer colorretal, 48% em homens 52% em mulheres (1).

Em relação aos dados de incidência e mortalidade da doença, fica evidenciado que entre os anos de 2008 a 2017, a estimativa de novos casos de câncer colorretal aumentou 27% (26.990 para 34.220) e número de óbitos entre 2008 e 2016 aumentou 45%, saltando de 11.953 para 17.284. Em 2015, a taxa bruta de mortalidade chegou a 8,4 para cada 100 mil brasileiros (1,2,3).

O câncer colorretal se desenvolve gradativamente por alterações celulares que começam a crescer de forma desordenada sem apresentar qualquer sintoma. Quanto mais cedo é diagnosticado, maiores as chances de cura da doença (4).

O prognóstico e o tratamento do câncer colorretal são definidos com base na idade do paciente e nas características do tumor, como localização, extensão, grau de estadiamento, presença de metástase, entre outros. Com o objetivo de curar a doença, prolongar a vida ou aliviar os sintomas, o tratamento apresenta diversas modalidades terapêuticas, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia (4).

Diante do cenário constatado, os objetivos deste estudo são:

I. Quantificar o número de pacientes em tratamento para câncer colorretal nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo eles públicos ou conveniados, que receberam repasse de verba através de Autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC) e Autorização de Internação Hospitalar (AIH) no período de 2008 a 2017.

II. Descrever a distribuição dos procedimentos realizados para o câncer colorretal (CID10: C18-20) no sistema público de saúde, no mesmo período, e discutir a relação entre incidência, mortalidade, número de procedimentos e modalidade de tratamento.

Foram estudados os dados brutos do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) e Sistema de Informação Hospitalar (SIH). Para quantificar o número de pacientes nas diferentes modalidades terapêuticas foram selecionadas 5 variáveis do banco de dados para individualização dos casos. São elas: Cartão Nacional de Saúde (CNS) do Paciente, Sexo, Idade, CEP do Paciente e Data da identificação patológica do caso. Para cada ano analisado foram selecionados os dados com data de atendimento ao paciente mais recente.

O que dizem os dados?

Pacientes

Para a radioterapia realizada entre os anos de 2008 e 2017 foram encontrados 54.115 indivíduos que foram tratados, com média de 5.411 pacientes/ano. Destes, 51% eram mulheres, 55% entre 50 e 69 anos e 28% com mais 70. A região com maior concentração de pacientes foi o Sudeste (SE) com 54%, seguido do Sul (S) 22%, Nordeste (NE) 16%, Centro-Oeste (CO) 5% e Norte (N) 2%. Amapá e Roraima não apresentaram paciente em tratamento para radioterapia. No mesmo período foi possível verificar um aumento de 41% no número de pacientes tratados no SUS, saltando de 4.327 para 6.080.

Para a quimioterapia realizada entre os anos de 2008 e 2017 foram encontrados 249.317 indivíduos que foram tratados, com média de 24.931 pacientes/ano. Destes, 50% eram mulheres, 55% entre 50 e 69 anos e 24% com mais de 70. A concentração de pacientes foi semelhante à observada com a radioterapia: SE 53%, S 24%, NE 14%, CO 6% e N 2%. No mesmo período foi possível verificar um aumento de 90% no número de pacientes tratados, saltando de 16.763 para 31.802.

Foram realizadas cirurgias oncológicas em 75.544 indivíduos, com média de 7.554 pacientes/ano. Destes, 51% eram mulheres, 52% entre 50 e 69 anos e 30% com mais 70. A concentração de pacientes por região foi semelhante à da radioterapia e quimioterapia: SE 54%, S 26%, NE 12%, CO 6% e N 2%. No mesmo período foi possível verificar um aumento de 56% no número de pacientes tratados, saltando de 6.154 para 9.588.

Procedimentos

Segundo dados do Ministério da Saúde para o ano de 2017, considerando todos os tratamentos SUS em pacientes com diagnóstico de câncer colorretal, foram realizados 138.213 procedimentos de quimioterapia, incluindo quimioterapias neoadjuvantes, profiláticas e paliativas; também foram realizados 505.132 procedimentos de radioterapia e 9.582 cirurgias.

Todos os três tipos de tratamentos analisados cresceram de forma acentuada no período entre 2008 e 2017, sendo que os procedimentos de quimioterapia aumentaram em 97%, os procedimentos de radioterapias aumentaram em 44% e as cirurgias aumentaram em 55%.

Magnitude da doença

A distribuição geográfica de novos casos parece alinhada com a distribuição de óbitos para câncer de colorretal no Brasil. Em relação a proporção de novos casos e procedimentos realizados: as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram variação inferior a 2%; para a região Sul são foram estimados 19% dos novos casos, entretanto, a região concentra 24% dos procedimentos; no Sudeste foram estimados 57% dos casos, mas somente 54% dos procedimentos foram realizados na região. A letalidade estimada da doença variou entre 64% na região Norte e 53% na região Sul, ou seja, a chance estimada de um indivíduo morrer por câncer de cólon e reto é 17% maior na região Norte, em comparação com a região Sul  (Tabela 1 e Tabela 2) (3,5,6).


Conclusões

Prevenir o câncer colorretal significa evitar os fatores de risco que aumentam as chances de desenvolver a doença. Para que isso aconteça são necessárias ações para modificar hábitos rotineiros: manter um peso saudável e evitar o aumento de peso; aumentar a intensidade e a quantidade da atividade física; limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas, ingerir maiores quantidades de vegetais e frutas. Segundo a Sociedade Americana de Câncer, tais ações podem ajudar a diminuir o risco da doença (7).

Recentemente, alguns estudos sugeriram que o consumo de fibra na dieta, especialmente de grãos integrais, pode diminuir o risco de câncer colorretal. Entretanto, esses estudos ainda estão em andamento (7).

A disponibilidade de dados relacionados ao tratamento do câncer no DataSUS não apresenta metodologia para análise individualizada, dificultando a tomada de decisão por parte dos gestores públicos de saúde no desenvolvimento de ações efetivas de prevenção e controle da doença. Para diminuir a falta de informação e avaliar a qualidade do tratamento são necessários mais estudos com outras bases de dados governamentais.

Se por um lado o aumento dos procedimentos terapêuticos é reflexo do aumento da incidência da doença e do próprio processo de envelhecimento da população brasileira, por outro, também é resultante do aumento do acesso à prevenção secundária e aos meios de diagnóstico. Neste sentido, ressalta-se a importância da conscientização e mobilização da sociedade através das campanhas nacionais e mutirões de prevenção.

Fonte dos dados:
Brasil. Sistema de Informação Ambulatorial – Banco de Dados de Quimioterapias e Radioterapias, Sistema de Informação Hospitalar – Cirurgias Oncológicas.

Referências:
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro, 2017.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2008: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro, 2007.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM, 2018 [website]. Disponível em: https://bit.ly/2A9R9Hf. Acesso em: julho de 2018.
4. SOCIEDADE AMERICANA DE CÂNCER. O que é câncer colorretal? [website]. Disponível em: https://bit.ly/2lso7ls. Acesso em: julho de 2018.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2014: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro, 2014.
6. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro, 2015.
7. SOCIEDADE AMERICANA DE CÂNCER. Câncer colorretal pode ser prevenido? [website]. Disponível em: https://bit.ly/2kCzUoR. Acesso em: dezembro de 2018.

Mortalidade do câncer cólon, reto e ânus em mulheres no Brasil

O intestino grosso é formado pelo cólon e pelo reto. O câncer colorretal é um dos mais frequentes na população brasileira. Nas mulheres, é o 2º mais comum, com 17.620 casos estimados para 2017 e, nos homens, ocupa a 3ª posição, com 16.660 novos casos. Um em cada 10 tumores diagnosticados é de origem colorretal (1). Para a coleta foi utilizada a categoria “Causa – CID-BR-10” 035 Neoplasia maligna do cólon, reto e ânus, disponível no próprio tabulador do Ministério da Saúde.

O risco de uma pessoa desenvolver esse tipo de câncer durante a vida é de aproximadamente 5%. Cerca de dois terços dos tumores de intestino grosso se instalam no cólon, enquanto um terço tem origem no reto. Ele acomete de modo relativamente semelhante homens e mulheres, geralmente depois dos 65 anos de idade. Mais de 90% dos casos ocorrem em indivíduos com mais de 50 anos. (1)

Quando o tumor está confinado à mucosa ou à camada muscular do cólon ou do reto alto, as chances de cura são altas e o tratamento indicado é a cirurgia colonoscópica, cirurgia aberta ou colectomia laparoscópica. No estádio I, a probabilidade de cura é alta. Em tumores mais avançados, a cirurgia isolada não tem os mesmos índices de cura.

Rastreamento

Segundo a American Cancer Society, o rastreamento do câncer colorretal é extremamente importante na prevenção da doença. A partir do momento que as primeiras células anormais começam a formar pólipos, até se tornar um câncer colorretal propriamente dito, normalmente leva cerca de 10 a 15 anos. O rastreamento regular pode, em muitos casos, prevenir completamente o câncer colorretal, porque a maioria dos pólipos encontrados é removida antes que tenham a chance de se transformar em câncer. O rastreamento também pode diagnosticar o câncer colorretal em estágio inicial, quando é altamente curável (2).

As pessoas que não tem fatores de risco identificados devem começar a fazer exames regulares aos 50 anos. Aqueles com histórico familiar ou outros fatores de risco para pólipos ou câncer, como doença inflamatória do intestino, devem conversar com seus médicos para estabelecer o início dos exames de rastreamento mais precocemente ou realizá-los com mais frequência (2).

Mortalidade em mulheres no Brasil

Os dados revelam que o risco de morte por câncer colorretal é cerca de duas vezes mais alta no Sul e Sudeste em relação às outras regiões. As taxas mantiveram-se estáveis durante toda a década de 80, com aumento na década de 90 e no período mais recente, entre 2010 e 2015, notou-se um aumento porcentual de 24,4% nas mulheres. Para 2015, a taxa de mortalidade para câncer de colorretal no Brasil foi de 0,8 para cada 100.000 mulheres. Com taxa semelhante ou acima da nacional estão 8 unidades da federação, respectivamente, Rio Grande do Sul (1,5); Rio de Janeiro (1,4); São Paulo (1,1); Paraná (1,0); Santa Catarina (0,8); Minas Gerais (0,8); Espírito Santo (0,8); Distrito Federal (0,8). As taxas de mortalidade aumentam consideravelmente a partir dos 70 anos de idade.

Fonte dos Dados:
Sistema de Informação em Mortalidade – SIM

Referências:
1. MALUF, F. et. al. Vencer o Câncer. São Paulo: Dendrix, 2014 512p. Disponível em: <https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-colon-e-de-reto/cancer-colorretal-o-que-e/>
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Can Colorectal Cancer Be Prevented?. Disponível em: <http://www.cancer.org/cancer/colon-rectal-cancer/causes-risks-prevention/prevention.html>