Archive: 15 de Abril de 2017

Órteses, próteses e materiais especiais no tratamento de câncer ósseo no SUS

O câncer ósseo é relativamente raro. Quando o câncer começa no tecido ósseo, ele é chamado de câncer primário do osso; e quando ele se inicia em outro órgão e atinge posteriormente os ossos, pela corrente sanguínea, é conhecido como câncer metastático para o osso. Os tumores ósseos malignos também podem se desenvolver em lesões benignas prévias e, neste caso, são chamados de cânceres secundários (1).

Incidência: os tumores ósseos representam menos do que 0,2% de todos os cânceres.

Em adultos, mais de 40% dos tumores ósseos são condrossarcomas, seguido por osteossarcoma (28%), cordomas (10%), tumores de Ewing (8%) histiocitoma fibroso maligno e fibrossarcoma (4%). O restante dos casos são tipos raros de tumores ósseos. Em crianças e adolescentes (até 20 anos), o osteossarcoma (56%) e o tumor de Ewing (34%) são muito mais comuns do que o condrossarcoma (6%) (2).

As opções de tratamento para o tumor ósseo vão depender do tipo, do estádio em que ele se encontra, das condições gerais de saúde do paciente e da preferência dele. Os tratamentos dos tumores ósseos podem envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação delas.

O objetivo da cirurgia é a remoção de todo o tumor, com uma margem de segurança que permita assegurar que não sobrem células cancerígenas. Quando o tumor atinge os braços e pernas as cirurgia pode ser de amputação, de salvamento de membros ou reconstrutora. Quando o tumor atinge outras áreas o tratamento pode envolver curetagem, criocirurgia* e radioterapia (3).

Se um membro é amputado, o paciente deve aprender a viver com uma prótese. Isto pode ser particularmente difícil para crianças em fase de crescimento, quando a prótese precisa ser trocada periodicamente, de modo a acompanhar seu crescimento.

O termo ?OPM? refere-se a Órteses, Próteses e Materiais especiais:

Próteses têm a função de substituir a função de partes do corpo, como, por exemplo, a prótese de quadril (substitui uma articulação), a prótese auditiva (substitui a função auditiva); Órteses, por sua vez, têm a função de auxiliar a função de partes do corpo, como, por exemplo, o aparelho de marca-passo, que auxilia e complementa a função cardíaca através de impulsos elétricos; e Materiais de síntese podem ser definidos, a grosso modo, como materiais especiais que são usados para aproximar estruturas orgânicas (tecidos e ossos), dentre os quais podemos destacar placas, pinos, parafusos, hastes, entre outros.

Em relação as OPM para câncer ósseo, entre 2008 e 2016 é possível verificar uma queda de 54,6% na quantidade apresentada. A mudança no paradigma do uso de OPM no SUS fica nítido quando em 2008, 54,1% das OPM eram para gastrenterologia (bolsas e placas para ostomias) e em 2016 verificamos que 93,3% das OPM foram ortopédicas e auxiliares de locomoção.

Em maiores detalhes, no ano de 2016, 57,6% das OPM foram ortopédicas (ex: cintas, coletes e órteses imoblizadoras) e 35,7% foram auxiliares de locomoção (ex: cadeiras de rodas, andadores e bengalas). Os jovens de 0 a 18 anos apresentaram um maior consumo de OPM auxiliares de locomoção, enquanto os adultos 30 a 59 anos consomem maiores quantidades de OPM ortopédicas. Em relação a faixa etária, os jovens de 0 a 18 anos foram responsáveis pelo consumo de 23,42% de OPM, enquanto os adultos de 30 a 59 anos representaram quase 50% do total. Embora a distribuição de OPM ainda se concentre nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, entre 2008 e 2016 é possível verificar um discreto aumento em sua dispersão.

Fonte dos dados:
SIA – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS | Atualizado em Abril de 2017

Referências:
1. GOMES, Andreia Macedo et al. Osteossarcoma de fêmur distal com fratura de endoprótese não convencional: revisão de literatura e relato de caso. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online. dec. 2010.
2. American Cancer Society. About Bone Cancer. Disponível: <https://www.cancer.org/cancer/bone-cancer/about/key-statistics.html>
3. American Cancer Society. Treating Bone Cancer. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/bone-cancer/treating/surgery.html>

Nota:
Procedimentos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS). *Método cirúrgico que utiliza gases em baixas temperaturas, ex: nitrogênio, para destruir lesões.

Câncer de pulmão e a diferenças entre gêneros

Por várias décadas, o câncer de pulmão é o câncer diagnosticado com mais frequência e principal causa de morte em decorrência de câncer no mundo. A neoplasia de pulmão é responsável por praticamente uma em cada cinco mortes no mundo (1,6 milhões de mortes, correspondendo a 19,4% de todas as mortes por câncer). É a principal causa de morte por câncer em homens em 87 países e em mulheres em 26 países. As tendências do câncer de pulmão refletem os padrões históricos do tabagismo (1).

Os maiores riscos de morte por câncer de pulmão estão nas regiões Sul e Sudeste. Em relação ao país como um todo, os dados indicam que o nível de mortalidade por câncer de pulmão entre os homens cresceu 8,7% entre 2008 e 2014. Entre as mulheres, entretanto, houve um grande aumento de mortalidade, crescendo 37% entre 2008 e 2014 (2).

De acordo com o SIM-Datasus e as estimativas populacionais do IBGE, observa-se que a taxa de mortalidade para câncer de pulmão entre homens era de 13,8 mortes/100 mil em 2008 alcançando em 2014 a taxa de 15 mortes/100 mil. Entre mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão apresenta uma grande elevação com a taxa de 7,3 mortes/100 mil em 2008 e de 10,0 mortes/100 mil em 2014. Entre 1995 e 2014 o câncer de pulmão mantem-se como o segundo tipo de câncer que mais matou as mulheres, depois do câncer de mama.

Boa parte dos casos de câncer de pulmão podem ser prevenidos por meio do controle do tabagismo, incluindo aumento dos impostos sobre o tabaco e a implementação de leis antifumo que são essenciais para a prevenção deste tipo de câncer (1). No Brasil, como em todo o mundo, o papel da mulher tem mudado nas últimas décadas aumentando sua inserção no processo produtivo. Associado a uma falsa imagem de independência, o tabagismo incorporou-se ao dia a dia feminino, trazendo consigo um agressor velado ao quadro já complexo da saúde da mulher.

A mulher e o tabaco

No Brasil, a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) lançou uma publicação (2) debatendo o impacto do tabagismo na saúde feminina.
Produtos desenhados especificamente para as mulheres, como cigarros com sabores e embalagens diferenciadas associam o tabagismo ao desejo universal das mulheres em serem atraentes e sedutoras. Tais produtos estão sendo hoje direcionados às mulheres dos países em desenvolvimento.

Atualmente, quatro vezes mais homens fumam do que mulheres no mundo, entretanto enquanto o índice de homens fumantes estabiliza-se, o número de mulheres tabagistas segue aumentando, principalmente em países em desenvolvimento (3). O marketing do tabaco direcionado às mulheres busca criar uma ligação entre o tabagismo e essa nova realidade socioeconômica.

A tendência de aumento do tabagismo nas mulheres é reflexo de um histórico de campanhas antitabagismo direcionadas ao público masculino, deixando de lado o público feminino. Evidências do Brasil, Tailândia e África do Sul sugerem que aumentos em impostos e preços foram os fatores que mais contribuíram para o declínio no uso do tabaco (1).

 

Fonte dos dados:
Estimativa populacional IBGE: Disponível: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html>
Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação em Mortalidade (SIM).

Referências:
1. Jemal A, Vineis P, Bray F, Torre L, Forman D (Eds). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www.cancer.org/canceratlas>.
2. Lion, E. Tabagismo e Saúde feminina. Aliança de Controle do Tabagismo; 2009. Disponível também no endereço: http://actbr.org.br/tabagismo/genero.asp