Category: Estudos

Os Desafios do Mieloma Múltiplo no Brasil

“O mieloma múltiplo é uma neoplasia do sangue, originária na medula óssea e que, com o tempo, pode acometer os ossos.  Este tipo de câncer, na maior parte dos casos, surge em pessoas com mais de 70 anos de idade, de ambos os sexos e pode ser tanto assintomático (quando os plasmócitos, responsáveis pela produção dos anticorpos naturais, se infiltram em pouca quantidade na medula óssea) como ter sintomas agressivos e bem característicos da doença, sendo os principais: dor nas costas e pernas, fraturas ósseas e cansaço excessivo.

No geral, o mieloma múltiplo é uma doença bastante conhecida pelos médicos, porém o paciente percorre uma jornada com muitos desafios antes de chegar ao hematologista e, até mesmo, ao longo do tratamento. A ABRALE ? Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia em sua mais recente pesquisa com 200 pacientes de mieloma de todo o Brasil, revela alguns destes desafios (tabela abaixo):

Diagnóstico Acesso ao Tratamento Tratamento Qualidade de Vida
29% levaram mais de 1 ano para receber o diagnóstico 84% estão satisfeitos com o tratamento 71% não fazem acompanhamento com equipe multidisciplinar 98% nunca tinham ouvido falar na doença antes do diagnóstico
37% passaram por vários médicos 45% não têm acesso a tratamentos mais avançados 44% estão na primeira linha e, 31%, na terceira linha 53% relataram mudança na rotina após o tratamento
20% tiveram diagnóstico inconclusivo 60% entraram com ação judicial em algum momento conseguir o medicamento prescrito 66% tiveram recidiva da doença e, 25%, não tiveram resposta com o tratamento realizado 60% deixaram de trabalhar ou têm dificuldade de conseguir emprego
44% tiveram dificuldades para receber o diagnóstico 68% sofreram com indisponibilidade do medicamento no centro de tratamento 44% tiveram feitos colaterais com o tratamento 48% disseram que as mudanças foram geradas em decorrência da doença

 

Mais da metade dos pacientes pesquisados levaram até 3 meses para iniciar o tratamento após o diagnóstico

O Mieloma Múltiplo no Sistema Único de Saúde

Para os últimos 8 anos, os procedimentos para Mieloma Múltiplo (CID-10: C90), se concentram nos estados de São Paulo (25,52%), Minas Gerais (12,75%), Rio Grande do Sul (8,43%) e Rio de Janeiro (8,25%). Não houve diferença significativa entre homens e mulheres e foram realizados, principalmente, em pessoas brancas (47,30%) seguido de negros (28,11%). Em relação à distribuição etária, 33,01% dos procedimentos foram realizados em pacientes na de 60-69 anos, 25,03% entre 70-79 anos e 23,12% em pacientes entre 50-59 anos.

Em relação às linhas de tratamento, os pacientes com Mieloma Múltiplo podem ser divididos, a grosso modo, em três grupos: 1. Pacientes candidatos ao Transplante de Medula Óssea (TMO) autólogo; 2. Pacientes não candidatos ao Transplante de Medula Óssea autólogo; 3. Tratamento adjuvante – Doença óssea.

De acordo com o Manual de Condutas em Oncologia do ICESP (1):

Para o grupo 1: O tratamento de 1.ª linha e primeira opção incluí: Ciclofosfamida, Dexametasona e Talidomida; para 1.ª linha e segunda opção está previsto o uso de: Dexametasona, Bortezomibe e se não obtida resposta após 2 ciclos, é adicionada Ciclofosfamida. Pacientes com recidiva ou doença refratária após TMO autólogo são tratados com Dexametasona, Talidomida, Cisplatina, Doxorrubicina e Etoposide.

Para o grupo 2: O tratamento de 1.ª linha e primeira opção (MDT) inclui: Melfalano, Dexametasona e Talidomida; para 1.ª linha e segunda opção (CTD) está previsto o uso de: Ciclofosfamida, Dexametasona e Talidomida. Para o tratamento pacientes com insuficiência renal e outras condições especiais** está previsto o uso de: Dexametasona e Bortezomibe e se não obtida resposta após 2 ciclos, é adicionada Ciclofosfamida.

Para o grupo 3: Pacientes com lesões líticas, fraturas e/ou fraturas compressivas por osteopenia são tratados com inibidores de reabsorção óssea (hipercalcemia e osteólise), neste caso Pamidronato.

Notas:
*Informações referentes à procedimentos realizados no SUS.
** Insuficiência Renal e/ou FISH apresentando t(4;14), t(14;16) ou citogenética convencional como deleção de cromossomo 13 ou hipodiploidia.

Referências:
1. Manual de condutas em oncologia. Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira. São Paulo, 2010.

Fonte dos dados:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINFOMA E LEUCEMIA – ABRALE. Pesquisa qualitativa de seguimento terapêutico com pacientes de Mieloma Múltiplo. 2017.
Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação Ambulatorial do SUS ? SIA/SUS.

 

 

O melhor sorriso está guardado entre a cabeça e o pescoço

Epidemiologia

Câncer de cabeça e pescoço é o nome genérico que se dá aos tumores que ocorrem na boca, na faringe, na laringe e nos seios paranasais. No Brasil não se tem uma incidência bem definida dos cânceres da cabeça e do pescoço. No mundo, os tumores de cabeça e pescoço são a sexta causa de morte por câncer em todo o mundo (1).

Segundo o National Cancer Institute (NCI), os respectivos tumores são classificados conforme a área da cabeça ou do pescoço em que se iniciam (2): Lábio (C00); Língua (C01-C02); Cavidade Oral (C03-C06), Glândulas salivares maiores (C07-C08); Faringe: Orofaringe (C09-C10), Nasofaringe (C11), Hipofaringe (C12-C13); Localizações mal definidas do lábio, cavidade oral e da faringe (C14); Cavidade nasal, ouvido médio e seios da face (C30-C31) e Laringe (C32). As doenças do cérebro e outras áreas do sistema nervoso central e da coluna cervical são excluídas do grupo citado.

O INCA estimou, para o Brasil, no biênio de 2016-2017, 7.350 casos novos de câncer de laringe (C32) e 15.490 casos novos de câncer na cavidade oral (C00-C10) (3). Cerca de 40% dos cânceres de cabeça e pescoço ocorrem na cavidade oral, 15% na faringe, 25% na laringe e o restante nos sítios remanescentes (1). Para câncer de laringe o risco estimado será de 6,43 casos a cada 100 mil homens e de 0,94 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na Região Sudeste (14,58/100 mil). Nas Regiões Nordeste (6,86/100 mil) e Centro-Oeste, ocupa a quinta posição (9,15/100 mil). Na Região Sul (15,91/100 mil), ocupa a sexta posição, e na Região Norte (3,46/100 mil) é o sétimo mais frequente. Para as mulheres, é o nono mais frequente na Região Nordeste (4,11/100 mil). Na Região Sudeste (5,29/100 mil), ocupa a décima posição. Nas Regiões Norte (1,76/100 mil) e Centro-Oeste (2,79/100 mil), é o 12º mais frequente, e, na Região Sul (3,32/100 mil), ocupa a 15ª posição (3).

Fatores Condicionantes Gerais

O etilismo, o tabagismo e as infecções pelo HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, são os principais fatores de risco para esse grupo de tumores. O risco de desenvolver algum câncer de cabeça e pescoço atribuído ao tabagismo e etilismo é de aproximadamente 65% (3). Outros fatores associados são: histórico familiar, alimentação pobre em nutrientes, situação socioeconômica desfavorável e exposição excessiva a produtos químicos.

O National Cancer Institute, aponta uma possível associação entre a exposição ocupacional ao amianto em conjunto com o consumo de bebida alcoólica e de tabaco com o câncer da laringe, principalmente na construção civil, na qual a exposição a produtos que contenham amianto é grande. Estudos afirmam que a infecção com o vírus de Epstein-Barr é um fator de risco para câncer de nasofaringe e câncer de glândulas salivares (2).

Roberto Araújo, chefe da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do INCA, explica que “A associação entre tabaco e álcool aumenta em 19 vezes a chance de ter câncer nessa região”. Outros fatores de risco associados são: má higiene dental e oral, refluxo gastroesofágico e infecções pelo papiloma vírus humano (HPV) e vírus Epstein-Barr (EBV) (4).

Tratamentos

As principais opções de tratamento para este grupo de pacientes podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia alvo. Em muitos casos, mais do que um desses tratamentos ou uma combinação deles podem ser utilizados. Os tumores de cabeça e pescoço, quase sempre, resultam em situações mutiladoras e estéticas envolvidas durante todo o tratamento, causando alterações na qualidade de vida das pessoas.

O que mostram os dados de Mortalidade

Em relação aos óbitos em 2015 por tumores de cabeça e pescoço, segundo as localizações descritas pelo NCI, os cânceres de laringe (35,66%), faringe (22,76%), língua (14,32%) e cavidade oral (14,28%) foram as principais causas de morte encontradas. 7,61% dos óbitos tiveram localização mal definida e os 5,37% restantes, estão distribuídos nas demais localizações.

Em 2015, dos 27 estados brasileiros, 9 (RS, PR, RJ, ES, SP, SC, MG, MS, PB) apresentaram coeficiente de mortalidade (por 100.000 habitantes) superior ao do Brasil (6,01). As regiões Sul (7,57) e Sudeste (7,05) apresentaram as maiores taxas de mortalidade, consequentemente, maior risco de morte. As diversas localizações dos tumores apresentam comportamentos diferentes, como por exemplo: Para câncer de língua, São Paulo, Rio de Janeiros e Espírito Santo apresentaram maiores riscos enquanto para câncer de Cavidade Nasal, os estados do Acre, Piauí e Rio de Janeiro apresentaram maior risco de morte.

O julho verde

No mês de julho, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) realiza a campanha de prevenção do câncer de cabeça e pescoço, com o objetivo de conscientizar e alertar a população sobre os sintomas da doença e a importância da detecção precoce. O mês de atenção à doença surgiu em 2014 no congresso mundial da IFHNOS (sigla em inglês para Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS – Sistema de Informação em Mortalidade.

Referências:
1. RUIZ, M.T. et al. Epidemiologia e biomarcadores em câncer de cabeça e pescoço. Arq Ciênc Saúde 2006 jan-mar;13(1):34-8. Disponível em: <http://repositorio-racs.famerp.br/racs_ol/vol-13-1/ID%20158.pdf>
2. National Cancer Institute. Cancer types. Head and Neck Cancers. Disponível em: <https://www.cancer.gov/types/head-and-neck/head-neck-fact-sheet>
3. Brasil. Ministério da Saúde. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer
José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
4. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Notícia: Prevenção e detecção precoce do câncer de cabeça e pescoço são tema de encontro no INCA Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/2016/prevencao-deteccao-precoce-cancer-cabeca-pescoco-tema-encontro-inca>

2017 – 2047: em 30 anos venceremos a guerra contra o câncer?

Desde 1975, quando o Ministério da Saúde desenvolveu e implantou o Sistema de Informações sobre Mortalidade – conhecido como SIM – os estudos epidemiológicos apontam as Doenças do Aparelho Circulatório como a principal causa de morte no Brasil. No país como um todo, a partir do ano de 2029 haverá mais brasileiros, entre homens, mulheres e crianças, que morrerão com algum tipo de câncer do que com algum tipo de doença cardiovascular.

A taxa de mortalidade estima o risco de morte pela doença ou grupo de doenças, dimensiona a sua magnitude como problema de saúde pública mais especificamente para os casos mais graves, e expressa também as condições de diagnóstico e da assistência médica.

A mudança no processo saúde-doença propicia ao Brasil um período de transição epidemiológica com predomínio das doenças crônicas não transmissíveis, dentre elas o câncer. A melhor forma para mensurar o peso de uma causa de morte não é conferida pelo estudo de suas características nos indivíduos, mas sim quanto ao processo que ocorre na coletividade humana.

Este estudo comprova que a história, a cultura e os hábitos de vida explicam como um povo adoece e morre. Todos os dias estamos expostos a fatores de risco como alimentação inadequada, inatividade física, sobrepeso, tabagismo, uso excessivo de drogas e fatores externos ao nosso corpo como violência, acidentes, problemas ambientais e desigualdades sociais.

Sobre a projeção de mortalidade

Para esta Projeção de mortalidade foi utilizado um Modelo de Suavização Exponencial, levando em conta que os dados podem apresentar uma tendência e/ou um padrão sazonal. Os números utilizados incluem a taxa de mortalidade padronizada pela população mundial, com base na série histórica de óbitos captados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do período entre 2000 e 2014 e na projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação segundo o IBGE. A taxa de mortalidade é calculada por uma divisão do número absoluto de óbitos pela população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.

Neste estudo a projeção de mortalidade foi realizada ao longo do tempo entre os anos de 2000 e 2047. Assim, a pergunta que desafia a todos os cidadãos brasileiros é: daqui a 30 anos teremos vencido a guerra contra o câncer?

As estimativas alertam que em 2047, nos estados do Amapá, Ceará, Maranhão, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins as principais causas de morte serão oriundas das causas externas (acidentes, suicídios, agressões, complicações médicas e sequelas de outras causas externas de morbidade). Nos estados de Goiás, Roraima e Tocantins, o câncer será a segunda maior causa de morte.

Nos estados de Alagoas e Mato Grosso do Sul, as doenças do aparelho circulatório seguem como principal causa de morte em 2047, entretanto no segundo estado, respectivamente, as neoplasias seguem como a segunda maior causa de morte.

No Paraná, o câncer será a principal causa de morte em 2030, porém as doenças do sistema nervoso ultrapassarão esse índice para se tornar a primeira causa de morte em 2044. Em 2031 o câncer se tornará a maior causa de morte em Minas Gerais, todavia em 2044 as doenças do aparelho geniturinário se tornarão a primeira causa de morte neste estado.

De acordo com as estimativas, se não houverem medidas efetivas na prevenção e controle do câncer os seguintes estados enfrentarão as neoplasias como principal causa de morte: Acre (2028), Amazonas (2047), Espírito Santo (2042), Mato Grosso (2044), Rio Grande do Sul (2029), Rondônia (2046), Santa Catarina (2025) e São Paulo (2041).

Fonte dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação. Disponível on-line em: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html>

Notas:
* Neste estado as Doenças do aparelho circulatório se tornarão a principal causa de morte em 2047
** Neste estado as Causas externas de morbidade e mortalidade se tornarão a principal causa de morte em 2047

A prevalência de tabagismo no Brasil e o risco de desenvolver câncer

Boa parte dos casos de câncer de pulmão podem ser prevenidos por meio do controle do tabagismo, incluindo aumento dos impostos sobre o tabaco e a implementação de leis antifumo que são essenciais para a prevenção do câncer de pulmão. Quando produtos como cigarro e o outros a base de nicotina são acesos, substâncias nocivas são inaladas pelo fumante e algumas lançadas no meio ambiente, ambas prejudiciais à saúde. Segundos estudos realizados, observa-se que o impacto do uso do cigarro ocorre não somente no fumante, mas também nos não-fumantes, que são expostos a elementos tóxicos causados pelo cigarro, conhecidos como fumantes passivos.

O tabaco e a prevalência de fatores de risco para o câncer

As boas notícias nos dizem que entre os anos de 2006 e 2015, houve uma queda 33,8% no número de fumantes. Apesar da queda de quase 35% para o sexo masculino, as mulheres apresentam desempenho inferior de 33%, refletindo a vulnerabilidade do sexo feminino frente aos malefícios do tabaco. Em todas as regiões do Brasil houve redução significativa. A Região Norte apresentou a maior redução, cerca de 0,9% por ano, enquanto a Região Sudeste obteve a menor redução média 0,5% por ano.
Segundo o VIGITEL-2015, no ano 2015, a proporção de pessoas não fumantes expostos ao tabagismo apresentou uma média de 9,1%, em casa, sendo maior entre mulheres (9,7%) do que entre homens (8,4%). A frequência de fumantes passivos no local de trabalho foi de 8,0%, sendo cerca de quase três vezes maior entre homens (12,0%) quando o percentual é comparado com o das mulheres (4,6%).

Entre 2009 e 2015, tanto em domicílio quanto em ambiente de trabalho, os percentuais totais, em homens e mulheres vêm reduzindo. Passou de 11,9% para 8,4% entre homens e de 13,4% para 9,7%entre mulheres, considerada a exposição em domicílio. No ambiente de trabalho, o percentual variou de 17% a 12% para os homens e 7,9% para 4,6% para as mulheres.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, em relação a distribuição nas regiões do Brasil, a exposição de não fumantes à fumaça em casa apresentou valores maiores no Sudeste (9,7%) e no Nordeste (12,4%), e para trabalho em ambiente fechado a situação se repetiu, sendo 12,3% no Sudeste e 16,6% no Nordeste. Cerca de 4,2% dos fumantes do Sul fumam 20 ou mais cigarros por dia, atribuindo grande vulnerabilidade a população desta região.

Entre 2006 a 2015, o número de pessoas que deixaram de fumar, lamentavelmente, diminuiu em 6,8%. Em relação ao sexo feminino, o número de ex-fumantes não apresentou variação significativa (de 18,4% em 2006 para 18,2% em 2015). Essa variação poderia melhorar com o aumento de campanhas específicas para o público feminino, prevenindo e conscientizando a população acerca dos efeitos do tabagismo no câncer de pulmão.

Onde estamos e onde queremos chegar?

No Brasil, como em todo o mundo, o papel da mulher tem mudado nas últimas décadas aumentando sua inserção no processo produtivo. Associado a uma falsa imagem de independência, o tabagismo incorporou-se ao dia a dia feminino, trazendo consigo um agressor velado ao quadro já complexo da saúde da mulher.

Atualmente, quatro vezes mais homens fumam do que mulheres no mundo, mas, enquanto o índice de homens fumantes estabiliza-se, o número de mulheres tabagistas segue aumentando, principalmente em países em desenvolvimento. O marketing do tabaco direcionado às mulheres busca criar uma ligação entre o tabagismo e essa nova realidade socioeconômica.

Linha do tempo para o Controle do Tabagismo no Brasil: 1990 – Primeiro imposto específico de cigarro; 1996 – Imagens de advertências, restrição de publicidade, leis sobre ambiente livre e aumento de preço; 1998 – Lei sobre acesso de jovens; 2000/2001 – Imagens de advertências mais contundentes, restrição de publicidade, tratamento para deixar de fumar; 2003 – Aumento de impostos de cigarros; 2006 – Aumento de impostos de cigarros; 2007/2009 – Leis municipais sobre ambiente livre.

Em relação ao câncer de pulmão, os maiores riscos de morte estão nas regiões Sul e Sudeste. Em relação ao país como um todo, os dados indicam que o nível de mortalidade por câncer de pulmão entre os homens cresceu 8,7% entre 2008 e 2015 e entre as mulheres, entretanto, houve um grande aumento de mortalidade, crescendo 37% entre 2008 e 2015.
De acordo com o sistema de informação em mortalidade e as estimativas populacionais do IBGE, observa-se que a taxa de mortalidade por câncer de pulmão entre homens era de 13,8 mortes/100 mil em 2008 alcançando em 2014 a taxa de 15 mortes/100 mil, mantendo-se estável.

Entre mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão apresenta uma grande e significativa elevação com a taxa de 7,3 mortes/100 mil em 2008 e de 10,0 mortes/100 mil em 2014. Entre 1995 e 2014 o câncer de pulmão mantem-se como o segundo tipo de câncer que mais matou as mulheres, depois do câncer de mama.

 

Fonte dos dados:
INCA, VIGITEL BRASIL 2015 – Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/9da1e5004da664cba63ceecc35e661a7/Anexo+III+-+Apresenta%C3%A7%C3%A3o+Vigitel+2015.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=9da1e5004da664cba63ceecc35e661a7>.

Referências:
1. INCA, Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/observatorio_controle_tabaco/site/home/dados_numeros/prevalencia-de-tabagismo>. Atualizado em Out/2016.
2. Aliança de Controle do Tabagismo. Tabagismo e Saúde feminina. Disponível em: <http://actbr.org.br/uploads/conteudo/213_TABAGISMO_E-SAUDE_FEMININA_FINAL.pdf>.
3. IGBE, Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv91110.pdf>.
4. Universidade Federal de São Paulo, Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Disponível em: <http://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/tabaco.htm#13>.
5. Observatório de Oncologia, Câncer de pulmão e a diferenças entre gêneros. Disponível em: <http://observatoriodeoncologia.com.br/cancer-de-pulmao-e-a-diferencas-entre-generos/>

Agradecimentos especiais para Julia Molina, voluntária da ABRALE, por toda ajuda e empenho dedicado a esse estudo.

Órteses, próteses e materiais especiais no tratamento de câncer ósseo no SUS

O câncer ósseo é relativamente raro. Quando o câncer começa no tecido ósseo, ele é chamado de câncer primário do osso; e quando ele se inicia em outro órgão e atinge posteriormente os ossos, pela corrente sanguínea, é conhecido como câncer metastático para o osso. Os tumores ósseos malignos também podem se desenvolver em lesões benignas prévias e, neste caso, são chamados de cânceres secundários (1).

Incidência: os tumores ósseos representam menos do que 0,2% de todos os cânceres.

Em adultos, mais de 40% dos tumores ósseos são condrossarcomas, seguido por osteossarcoma (28%), cordomas (10%), tumores de Ewing (8%) histiocitoma fibroso maligno e fibrossarcoma (4%). O restante dos casos são tipos raros de tumores ósseos. Em crianças e adolescentes (até 20 anos), o osteossarcoma (56%) e o tumor de Ewing (34%) são muito mais comuns do que o condrossarcoma (6%) (2).

As opções de tratamento para o tumor ósseo vão depender do tipo, do estádio em que ele se encontra, das condições gerais de saúde do paciente e da preferência dele. Os tratamentos dos tumores ósseos podem envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação delas.

O objetivo da cirurgia é a remoção de todo o tumor, com uma margem de segurança que permita assegurar que não sobrem células cancerígenas. Quando o tumor atinge os braços e pernas as cirurgia pode ser de amputação, de salvamento de membros ou reconstrutora. Quando o tumor atinge outras áreas o tratamento pode envolver curetagem, criocirurgia* e radioterapia (3).

Se um membro é amputado, o paciente deve aprender a viver com uma prótese. Isto pode ser particularmente difícil para crianças em fase de crescimento, quando a prótese precisa ser trocada periodicamente, de modo a acompanhar seu crescimento.

O termo ?OPM? refere-se a Órteses, Próteses e Materiais especiais:

Próteses têm a função de substituir a função de partes do corpo, como, por exemplo, a prótese de quadril (substitui uma articulação), a prótese auditiva (substitui a função auditiva); Órteses, por sua vez, têm a função de auxiliar a função de partes do corpo, como, por exemplo, o aparelho de marca-passo, que auxilia e complementa a função cardíaca através de impulsos elétricos; e Materiais de síntese podem ser definidos, a grosso modo, como materiais especiais que são usados para aproximar estruturas orgânicas (tecidos e ossos), dentre os quais podemos destacar placas, pinos, parafusos, hastes, entre outros.

Em relação as OPM para câncer ósseo, entre 2008 e 2016 é possível verificar uma queda de 54,6% na quantidade apresentada. A mudança no paradigma do uso de OPM no SUS fica nítido quando em 2008, 54,1% das OPM eram para gastrenterologia (bolsas e placas para ostomias) e em 2016 verificamos que 93,3% das OPM foram ortopédicas e auxiliares de locomoção.

Em maiores detalhes, no ano de 2016, 57,6% das OPM foram ortopédicas (ex: cintas, coletes e órteses imoblizadoras) e 35,7% foram auxiliares de locomoção (ex: cadeiras de rodas, andadores e bengalas). Os jovens de 0 a 18 anos apresentaram um maior consumo de OPM auxiliares de locomoção, enquanto os adultos 30 a 59 anos consomem maiores quantidades de OPM ortopédicas. Em relação a faixa etária, os jovens de 0 a 18 anos foram responsáveis pelo consumo de 23,42% de OPM, enquanto os adultos de 30 a 59 anos representaram quase 50% do total. Embora a distribuição de OPM ainda se concentre nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, entre 2008 e 2016 é possível verificar um discreto aumento em sua dispersão.

Fonte dos dados:
SIA – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS | Atualizado em Abril de 2017

Referências:
1. GOMES, Andreia Macedo et al. Osteossarcoma de fêmur distal com fratura de endoprótese não convencional: revisão de literatura e relato de caso. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online. dec. 2010.
2. American Cancer Society. About Bone Cancer. Disponível: <https://www.cancer.org/cancer/bone-cancer/about/key-statistics.html>
3. American Cancer Society. Treating Bone Cancer. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/bone-cancer/treating/surgery.html>

Nota:
Procedimentos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS). *Método cirúrgico que utiliza gases em baixas temperaturas, ex: nitrogênio, para destruir lesões.

Câncer de pulmão e a diferenças entre gêneros

Por várias décadas, o câncer de pulmão é o câncer diagnosticado com mais frequência e principal causa de morte em decorrência de câncer no mundo. A neoplasia de pulmão é responsável por praticamente uma em cada cinco mortes no mundo (1,6 milhões de mortes, correspondendo a 19,4% de todas as mortes por câncer). É a principal causa de morte por câncer em homens em 87 países e em mulheres em 26 países. As tendências do câncer de pulmão refletem os padrões históricos do tabagismo (1).

Os maiores riscos de morte por câncer de pulmão estão nas regiões Sul e Sudeste. Em relação ao país como um todo, os dados indicam que o nível de mortalidade por câncer de pulmão entre os homens cresceu 8,7% entre 2008 e 2014. Entre as mulheres, entretanto, houve um grande aumento de mortalidade, crescendo 37% entre 2008 e 2014 (2).

De acordo com o SIM-Datasus e as estimativas populacionais do IBGE, observa-se que a taxa de mortalidade para câncer de pulmão entre homens era de 13,8 mortes/100 mil em 2008 alcançando em 2014 a taxa de 15 mortes/100 mil. Entre mulheres a taxa de mortalidade por câncer de pulmão apresenta uma grande elevação com a taxa de 7,3 mortes/100 mil em 2008 e de 10,0 mortes/100 mil em 2014. Entre 1995 e 2014 o câncer de pulmão mantem-se como o segundo tipo de câncer que mais matou as mulheres, depois do câncer de mama.

Boa parte dos casos de câncer de pulmão podem ser prevenidos por meio do controle do tabagismo, incluindo aumento dos impostos sobre o tabaco e a implementação de leis antifumo que são essenciais para a prevenção deste tipo de câncer (1). No Brasil, como em todo o mundo, o papel da mulher tem mudado nas últimas décadas aumentando sua inserção no processo produtivo. Associado a uma falsa imagem de independência, o tabagismo incorporou-se ao dia a dia feminino, trazendo consigo um agressor velado ao quadro já complexo da saúde da mulher.

A mulher e o tabaco

No Brasil, a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) lançou uma publicação (2) debatendo o impacto do tabagismo na saúde feminina.
Produtos desenhados especificamente para as mulheres, como cigarros com sabores e embalagens diferenciadas associam o tabagismo ao desejo universal das mulheres em serem atraentes e sedutoras. Tais produtos estão sendo hoje direcionados às mulheres dos países em desenvolvimento.

Atualmente, quatro vezes mais homens fumam do que mulheres no mundo, entretanto enquanto o índice de homens fumantes estabiliza-se, o número de mulheres tabagistas segue aumentando, principalmente em países em desenvolvimento (3). O marketing do tabaco direcionado às mulheres busca criar uma ligação entre o tabagismo e essa nova realidade socioeconômica.

A tendência de aumento do tabagismo nas mulheres é reflexo de um histórico de campanhas antitabagismo direcionadas ao público masculino, deixando de lado o público feminino. Evidências do Brasil, Tailândia e África do Sul sugerem que aumentos em impostos e preços foram os fatores que mais contribuíram para o declínio no uso do tabaco (1).

 

Fonte dos dados:
Estimativa populacional IBGE: Disponível: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html>
Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação em Mortalidade (SIM).

Referências:
1. Jemal A, Vineis P, Bray F, Torre L, Forman D (Eds). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www.cancer.org/canceratlas>.
2. Lion, E. Tabagismo e Saúde feminina. Aliança de Controle do Tabagismo; 2009. Disponível também no endereço: http://actbr.org.br/tabagismo/genero.asp

Mortalidade do câncer cólon, reto e ânus em mulheres no Brasil

O intestino grosso é formado pelo cólon e pelo reto. O câncer colorretal é um dos mais frequentes na população brasileira. Nas mulheres, é o 2º mais comum, com 17.620 casos estimados para 2017 e, nos homens, ocupa a 3ª posição, com 16.660 novos casos. Um em cada 10 tumores diagnosticados é de origem colorretal (1). Para a coleta foi utilizada a categoria “Causa – CID-BR-10” 035 Neoplasia maligna do cólon, reto e ânus, disponível no próprio tabulador do Ministério da Saúde.

O risco de uma pessoa desenvolver esse tipo de câncer durante a vida é de aproximadamente 5%. Cerca de dois terços dos tumores de intestino grosso se instalam no cólon, enquanto um terço tem origem no reto. Ele acomete de modo relativamente semelhante homens e mulheres, geralmente depois dos 65 anos de idade. Mais de 90% dos casos ocorrem em indivíduos com mais de 50 anos. (1)

Quando o tumor está confinado à mucosa ou à camada muscular do cólon ou do reto alto, as chances de cura são altas e o tratamento indicado é a cirurgia colonoscópica, cirurgia aberta ou colectomia laparoscópica. No estádio I, a probabilidade de cura é alta. Em tumores mais avançados, a cirurgia isolada não tem os mesmos índices de cura.

Rastreamento

Segundo a American Cancer Society, o rastreamento do câncer colorretal é extremamente importante na prevenção da doença. A partir do momento que as primeiras células anormais começam a formar pólipos, até se tornar um câncer colorretal propriamente dito, normalmente leva cerca de 10 a 15 anos. O rastreamento regular pode, em muitos casos, prevenir completamente o câncer colorretal, porque a maioria dos pólipos encontrados é removida antes que tenham a chance de se transformar em câncer. O rastreamento também pode diagnosticar o câncer colorretal em estágio inicial, quando é altamente curável (2).

As pessoas que não tem fatores de risco identificados devem começar a fazer exames regulares aos 50 anos. Aqueles com histórico familiar ou outros fatores de risco para pólipos ou câncer, como doença inflamatória do intestino, devem conversar com seus médicos para estabelecer o início dos exames de rastreamento mais precocemente ou realizá-los com mais frequência (2).

Mortalidade em mulheres no Brasil

Os dados revelam que o risco de morte por câncer colorretal é cerca de duas vezes mais alta no Sul e Sudeste em relação às outras regiões. As taxas mantiveram-se estáveis durante toda a década de 80, com aumento na década de 90 e no período mais recente, entre 2010 e 2015, notou-se um aumento porcentual de 24,4% nas mulheres. Para 2015, a taxa de mortalidade para câncer de colorretal no Brasil foi de 0,8 para cada 100.000 mulheres. Com taxa semelhante ou acima da nacional estão 8 unidades da federação, respectivamente, Rio Grande do Sul (1,5); Rio de Janeiro (1,4); São Paulo (1,1); Paraná (1,0); Santa Catarina (0,8); Minas Gerais (0,8); Espírito Santo (0,8); Distrito Federal (0,8). As taxas de mortalidade aumentam consideravelmente a partir dos 70 anos de idade.

Fonte dos Dados:
Sistema de Informação em Mortalidade – SIM

Referências:
1. MALUF, F. et. al. Vencer o Câncer. São Paulo: Dendrix, 2014 512p. Disponível em: <https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-colon-e-de-reto/cancer-colorretal-o-que-e/>
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Can Colorectal Cancer Be Prevented?. Disponível em: <http://www.cancer.org/cancer/colon-rectal-cancer/causes-risks-prevention/prevention.html>

Saúde da Mulher: Prevenção do Câncer de Colo do Útero

Quando falamos em prevenção do Câncer de Colo do Útero, precisamos primeiro entender o que significa o Papiloma Vírus Humano (HPV), que é a nomenclatura para mais de 150 sorotipos diferentes, sendo que 40 podem infectar o trato ano-genital. Mas, qual é a relação entre um vírus e câncer? A infecção pelo HPV é muito frequente, porém regride espontaneamente na maioria dos casos. Em uma parcela menor, quando a infecção persiste, especialmente é causada por um tipo viral oncogênico responsável pelo desenvolvimento de lesões que se não forem identificadas e tratadas, podem progredir para alguns tipos de câncer, principalmente o de colo de útero.

Tenho HPV, vou desenvolver câncer?
Não. Aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV e comparando esse dado com a incidência anual de aproximadamente 500 mil casos de câncer de colo uterino, conclui-se que o câncer é um desfecho raro, mesmo na presença do vírus. Ou seja, a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.
Além do HPV, há outros fatores que aumentam o risco para desenvolvimento deste tipo de câncer. Fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual, podem determinar a regressão ou a persistência da infecção pelo HPV e também a progressão para lesões precursoras ou câncer. Desta forma, o tabagismo, o início precoce da vida sexual, o número elevado de parceiros sexuais e de gestações e o uso de pílula anticoncepcional são considerados fatores de risco. A idade também interfere nesse processo, sendo que a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regridem espontaneamente, ao passo que acima dessa idade, a persistência é mais frequente.

Como posso me prevenir?
É muito importante ressaltar que o câncer de colo de útero é um câncer altamente preventivo. A prevenção é feita basicamente de duas formas: com a vacinação contra o HPV antes do início da vida sexual e fazendo o exame preventivo de Papanicolau (exame citopatológico do colo do útero), que pode detectar as lesões precursoras. Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, a porcentagem de prevenção da doença é alta.
O exame deve ser feito preferencialmente pelas mulheres entre 24 e 64 anos que têm ou já tiveram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser feitos com o intervalo de um ano e, se os resultados forem normais, o exame passará a ser realizado a cada 3 anos. Com o rastreamento do Papanicolau aliado à pesquisa de HPV de alto risco, a chance de reduzir a mortalidade do câncer de colo do útero é muito grande e com a vacinação contra o HPV, esse número aumenta ainda mais.

60 a 80% das mulheres diagnosticadas com câncer de colo uterino não haviam realizado rastreamento nos últimos 5 anos.

 

Cobertura do Papanicolau e Vacina do HPV no Brasil
A vacina distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) é a quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18. Dois deles (o 6 e o 11), estão relacionados com o aparecimento de 90% dos casos das verrugas genitais e os outros dois (o 16 e o 18) estão relacionados com 70% dos casos de câncer de colo de útero. Ainda no âmbito do SUS, a vacina está disponível para meninas de 9 a 14 anos e, mais recentemente, para meninos de 12 e 13 anos.
Aplicação:
– 2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 14 anos;
– 3 doses com intervalo de 2 e 6 meses para mulheres com HIV entre 9 e 26 anos;
– 2 doses com intervalo de 6 meses para meninos de 12 a 13 anos;
– 3 doses com intervalo de 2 e 6 meses para meninos com HIV entre 9 e 26 anos.

Papanicolau:

Antes do início da atividade sexual NÃO
Início da atividade sexual até 65 anos Exame anual; posteriormente, a cada 3 anos
Mais de 65 anos Necessário somente se a mulher tiver vida sexual ativa e a cada 3 anos
Após histerectomia² NÃO
Mulheres vacinadas SIM

Em 2014, a maior taxa de mortalidade por câncer de colo de útero foi encontrado no Amazonas (14,97 óbitos / 100.000 mulheres) e a menor taxa em São Paulo (3,48 óbitos / 100.000 mulheres). A menor porção de mulheres que realizaram exame papanicolau se encontra nos estados de Alagoas (somente 53,8% da mulheres havia realizado) e na Paraíba (somente 64,2% das mulheres havia realizado), enquanto Roraima (85,2%) apresentou o melhor índice. Em 2014, o Ministério da Saúde relatou que a cobertura da vacina do HPV protegeu 108,28% das meninas de 9 a 13 anos.

Fonte dos dados:
– INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA). Disponível online em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/hpv-cancer-perguntas-mais-frequentes>
– Óbitos: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação em Mortalidade (SIM). Disponível online em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php>
– Cobertura do Papanicolau: RIPSA. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?idb2012/c10.def>
– Imunização: MINISTÉRIO DA SAÚDE. SI-PNI – Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações. Tabnet. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?pni/cnv/dpniuf.def> |< http://pni.datasus.gov.br/consulta_hpv_14_selecao.php#>
– RIPSA. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?idb2012/c10.def>
– IGBE | Projeção da população. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html.>

Referências:
1. Fonseca, LAM, et al. Tendência da mortalidade por câncer do útero no Município de São Paulo entre 1980 e 1999. Cad Saúde Pública (2004): 136-142.
2. Emmons M, el al. “Realizing the Potential of Cancer Prevention – The Role of Implementation Science”. The New England Journal of Medicine (2017).

Notas:
– Até o ano de 2011, foram utilizados dados populacionais da RIPSA (Rede Interagencial de Informações para a Saúde). A partir de sua suspensão foram adotados os dados do Censo 2010 do IBGE.
– Doses aplicadas por Ano segundo Unidade da Federação, HPV Quadrivalente – Feminino, Faixa Etária de: 9 à 14 anos.
– Em relação ao SI-PNI: Até Junho de 2013: dados do API DOS. A partir de Julho de 2013: APIWEB + SIPNI Web (exceção UFs: AC, CE, DF , GO , MS, MT, PA, PR, RJ, SE, MA e TO por digitação duplicada). Base de dados do ano de 2013 foi encerrada em 23/03/2015.
– De acordo com o Ministério da Saúde, refere-se à incidência das doenças e/ou dos óbitos numa população

PET-CT em oncologia no SUS

A sigla PET vem do inglês e traduzida significa “Tomografia por Emissão de Pósitrons“. Em Oncologia, o PET-CT é indicado para: casos suspeitos de câncer, análise de estágio de um tumor, avaliação de eficácia de tratamento e planejamento de radioterapia. Para realizar o exame, o paciente recebe, por via venosa, uma substância que emite baixas doses de radiação à base de glicose. Com isso, o médico consegue observar possíveis problemas em cada parte do corpo

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBBMN) e a Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) reuniram-se com o intuito de elaborar uma Lista de Recomendações do Exame PET/CT, disponível aqui: http://ref.scielo.org/g9pprc

O exame PET-CT detecta precocemente o câncer. Essas informações obtidas podem mudar a conduta médica baseada no monitoramento da eficácia terapêutica, diminuindo procedimentos invasivos e colaborando na identificação de metástases à distância. A imagem, simultaneamente adquirida em um único exame, possibilita o mapeamento de áreas de maior atividade dentro do tumor, verificando recidivas ou metástases, e possibilitando aumentar as opções quanto ao planejamento radioterápico e cirúrgico.

Judicialização x Incorporação no SUS

Em dezembro de 2014 o Ministério da Saúde publicou a Portaria Nº 1.340, incorporação do PET-CT no SUS para os seguintes tumores: pulmão de células não pequenas potencialmente ressecável; metástase exclusivamente de câncer colorretal; e para o estadiamento e avaliação da resposta ao tratamento de linfomas de Hodgkin e não Hodgkin. Antes da publicação de dezembro de 2014, o PET-CT era realizado por meio de judicializações..

Em relação aos exames PET-CT realizados no SUS: a maior parte deles (35,5%) é realizado para Linfoma não Hodgkin, seguido de (25,8%) para Linfoma de Hodgkin, correspondendo a 61,3%. A distribuição etária se concentra entre 50-69 anos, correspondendo a 43% dos procedimentos realizados. Ressalta-se que para Linfoma de Hodgkin, 27% dos exames foram realizados em jovens entre 20-30 anos. A distribuição entre homens e mulheres mantém comportamento similar. De 2008 a 2014, o exame era realizado por vias judiciais e os dados sobre o tipo de câncer, idade e sexo não eram informadas. Devido a incorporação deste exame no SUS, o número judicializações apresenta uma queda de 63% em 2015 para 44% em 2016.

Fonte dos dados:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação Ambulatorial – SIA/SUS

Câncer e Seus Fatores Genéticos

Há bem pouco tempo, quando se falava em câncer, o discurso da saúde pública classificava os riscos de desenvolver a doença em duas categorias: os fatores ambientais e os resultantes de determinados estilos de vida (tabagismo, sedentarismo, etc.). Atualmente, porém, o avanço das pesquisas genômicas fez emergir uma terceira categoria: o risco genético. Se fatores de risco ambientais estão relacionados às exposições sofridas pelo indivíduo, em geral de maneira involuntária, e os estilos de vida são, aparentemente, escolhas ou opções que a pessoa adota por querer, o risco genético é algo que está no corpo do indivíduo e do qual ele não pode se desassociar.

É importante salientar que a hereditariedade não é, em geral, a causa do câncer, mas sabemos que a chance de um indivíduo desenvolver certos tipos de câncer tem uma forte relação com a carga genética, ou seja, ele decorre de alterações em oncogenes*, em genes pertencentes ao grupo supressor tumoral ou em genes do grupo que repara o DNA. Muitos desses genes já foram descobertos, identificados e relacionados a cânceres específicos e esses achados proporcionaram a utilização de novos métodos de diagnóstico e tratamento para diversos tipos de neoplasias.

Portanto, a hereditariedade, então, exerce um papel fundamental na etiologia do câncer. Uma vez descobertos os genes responsáveis pelas diversas neoplasias hereditárias, pode-se traçar condutas mais apropriadas tanto do ponto de vista diagnóstico, quanto terapêutico para cada paciente, o que pode ser crucial para o seu prognóstico. Para isso, o aconselhamento genético é fundamental nesses casos, proporcionando medidas adequadas a fim de reduzir a mobi-mortalidade** e melhorar a qualidade de vida do paciente em questão.

 

Mas e o que é um Aconselhamento Genético?

As famílias que possuem algum membro acometido por câncer devem ser instruídas quanto à possibilidade deste ser herdado e sobre a realização de um diagnóstico precoce, fazendo com que as chances de cura em um provável desenvolvimento de uma neoplasia sejam elevadas.

Em outras palavras, o aconselhamento genético nada mais é que um método utilizado para detecção pré-sintomática e prevenção de doenças genéticas para que se possa iniciar um tratamento precoce e evitar ou atenuar consequências mais graves das doenças. Alguns centros e hospitais privados que são referência na oncologia já disponibilizam testes com integrantes da família para que seja investigada a existência de alguma dessas mutações genéticas.  Se tais alterações são encontradas, os médicos podem adotar medidas que diminuam o risco de desenvolvimento da doença ou aumentem as chances de sucesso do tratamento.

Infelizmente, atualmente no Brasil, o aconselhamento genético não está disponível para a maioria da população, por conta de uma série de custos envolvidos com esses testes, mas, alguns especialistas afirmam que, do ponto de vista financeiro, trabalhar a prevenção é bem mais barato do que tratar um câncer em estágio avançado, por exemplo, é isso já é um grande argumento para inclusão desse procedimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Presente X Futuro

Quando se fala de incidência, estima-se que 5% a 10% dos tumores malignos sejam de origem hereditária. Contudo, já sabemos que a ocorrência de vários casos de câncer em uma única família pode estar relacionada às alterações (mutações) que aumentam o risco de desenvolvimento da doença e, por conta disso, vamos detalhar, a seguir, os tipos de câncer que mais têm associação com a hereditariedade atualmente.

De 2002 até 2017, houve um aumento de 139% dos casos novos de câncer de próstata. Segundo as projeções estatísticas, em 12 anos o número de casos aumentará em 55%, saltando de 61.200 em 2017 para 94.652 em 2029, ano em que o câncer será a primeira causa de morte no Brasil. A hereditariedade pode explicar a grande proporção dessa doença entre os homens jovens, ocorrendo em 10% a 20% dos casos deste tipo de câncer. Na América Latina, o câncer de próstata é a principal causa de morte entre os homens, com cerca de 51.000 mortes por ano.

No mesmo período, também houve um aumento de 45% de novos casos de câncer de cólon e reto. No ano de 2029, os casos aumentarão 32%, saltando de 34.280 em 2017 para 45.293. O câncer de cólon se desenvolve por conta de diversos fatores em cerca de 80% dos pacientes e, os 20% restantes, possuem componentes genéticos hereditários.

Ainda entre 2002 e 2017, houve um aumento de 61% dos casos novos de câncer de mama feminino. Em 2017 esse número será de 57.960 e, em 2029, de 71.618, tendo um aumento de 24%. Mulheres com determinadas mutações genéticas possuem cerca de 85% de chance de desenvolverem um carcinoma de mama durante sua vida.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) só começou a estimar os novos casos de câncer de ovário em 2012. Estima-se que o número de casos de câncer de ovário diminua 2% até 2029. Porém, mutações genéticas ocorrem em, aproximadamente, 90% dos cânceres em mulheres com histórico familiar de câncer ovariano.

O comportamento do câncer gástrico apresenta o melhor cenário desde 2002 com uma incidência pouco oscilante e conta com uma redução de 9% dos casos para os próximos 12 anos, despencando de 20.520 em 2017 para 18.710 em 2029. Muitos estudos correlacionaram o desenvolvimento do câncer gástrico com os antígenos sanguíneos ABO. Um estudo recente, entretanto, mostrou que o grupo sanguíneo A é mais fortemente associado ao tipo difuso deste tipo de câncer. O mesmo estudo provou significativa relação entre o grupo sanguíneo O e o desenvolvimento de câncer gástrico antes dos 50 anos.

Por fim, o câncer tireoidiano apresenta uma redução de 8% em novos casos, caindo de 6.690 em 2017 para 6.373 em 2029. O câncer de tireóide é o tipo mais raro de neoplasias e a faixa etária de maior risco é de 25 e 65 anos. Os casos de câncer tireoidiano hereditário estão significativamente associados a mutações genéticas.

Fonte dos dados:
Estimativas Instituto Nacional do Câncer (2002-2017)

Referências:
1. Dantas, E. L. R., et al. “Genética do câncer hereditário.” Rev Bras Cancerol 55.3 (2009): 263-9.
2. A.C. Camargo Câncer Center, disponível online em: <http://www.accamargo.org.br/especialidades/oncogenetica/38/?gclid=CIeTrIj97NECFQwHkQodyzMNKg>

Notas:
* Genes relacionados com o surgimento de tumores, sejam malignos ou benignos, bem como genes que quando deixam de funcionar normalmente, transformam uma célula normal em uma célula cancerosa.
**Relação entre o número de casos de enfermidade ou de morte com o número de habitantes em dado lugar e momento.
– Para estimar os casos de Câncer de Ovário e Câncer Tireoidiano anterior a 2012 foi utilizada a função estatística de tendência. Por tendência entende-se o exame de resultados passados e a detecção de um padrão de eventos.
– Para estimar os casos a partir de 2017, foi utilizada a função estatística de projeção. Por projeção entende-se a predição de algo que pode ocorrer no futuro. Trata-se de predizer um comportamento futuro, seja explorando um comportamento passado, seja valendo de algum outro parâmetro de desempenho.