Category: Estudos

Diferenças por Sexo nos Números Absolutos de Mortalidade por Câncer, 2008-2013

Analisando a mortalidade por tipo de câncer sem considerar a idade do paciente, em 2013, a grande maioria dos óbitos de mulheres foi devida ao câncer de mama, com 14.206 óbitos. Isto demonstra que apesar de todos os avanços ao longo dos últimos anos no diagnóstico precoce e no tratamento, além das várias campanhas de incentivo ao autoexame e dos mutirões para realização de exames de mamografia, ainda existem lacunas a serem resolvidas.

Por outro lado, entre os homens, as duas causas mais importantes de óbito por câncer foram câncer de pulmão, com 14.811 óbitos, e câncer de próstata, com 13.772 óbitos, responsáveis por mais de um quarto dos óbitos masculinos. Para combater o primeiro, promoção da saúde e exposição a fatores de risco devem ser o foco, enquanto que para o segundo, atenção à saúde e diagnóstico precoce devem ser prioridade.

O câncer, no entanto, se manifesta de maneiras distintas também nas diferentes fases da vida, e ainda apresenta variações por estado e região geográfica, por isso a necessidade de analisar os dados separadamente por faixa etária, estado, região, entre outros.

Por exemplo, ainda considerando o ano de 2013, nas faixas etárias de 0 a 9 anos e de 10 a 19 anos, tanto entre as meninas quanto entre os meninos, as principais causas de óbitos por câncer foram as leucemias, câncer no cérebro e sistema nervoso central.

Enquanto que na faixa etária de 20 a 59 anos, entre as mulheres, a principal causa de óbitos por câncer foi câncer de mama, com 6.954 óbitos, e, entre os homens, foi câncer de pulmão, com 3.443 óbitos.

Já a faixa etária acima de 60 anos, entre as mulheres, a principal causa continuou sendo câncer de mama, com 7.245 óbitos, enquanto que, entre os homens, foi câncer de próstata, com 13.052 óbitos.

Fonte dos dados:
1.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Números Absolutos de Mortalidade por Câncer, 2008-2013

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, câncer é o crescimento e a disseminação descontrolados de células. É um termo genérico para se referir a um grande grupo de doenças que podem afetar qualquer parte do corpo e que se manifestam de maneiras distintas nos diferentes sexos e nas diferentes fases da vida. Outros termos utilizados para se referir ao câncer são tumores malignos ou neoplasias malignas (1).

O câncer está entre as principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, com aproximadamente 14 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes ao ano. O número de novos casos de câncer ainda deverá aumentar em cerca de 70% nas próximas duas décadas, em especial nos países em desenvolvimento (2).

Em 2013, considerando apenas as neoplasias malignas, o Brasil registrou 193.173 óbitos, isso significa que 529 pacientes morreram por câncer a cada dia do ano, ou seja, 22 pacientes morreram por câncer a cada hora (1 paciente foi a óbito a cada 2 minutos e 44 segundos) (3). Em 2008, foram 164.674 óbitos por câncer.

Além disso, ao longo do período de 2008 a 2013, um maior percentual de óbitos por câncer tem sido registrado em pacientes do sexo masculino. Em 2013, 53% dos óbitos por câncer ocorreram entre os homens.

Sabendo-se que o câncer tem alta mortalidade, que o número absoluto de óbitos por câncer vem crescendo ao longo dos anos e que a maioria de óbitos ocorre entre homens, há evidências mais do que suficientes da necessidade de se ampliar as ações de promoção à saúde e de incentivo ao diagnóstico precoce, em especial entre homens.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em:  <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. WHO. World Health Organization. Cancer Programme. Disponível on-line em: <http://www.who.int/cancer/en/>
2. IARC. International Agency for Research on Cancer. GLOBOCAN 2012. Disponível on-line em: <http://globocan.iarc.fr/Pages/burden_sel.aspx>.
3. Para o cálculo, consideram-se apenas os capítulos de câncer incluídos no Capítulo II da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), a saber: C00-C97 Neoplasias malignas.

Importância da Letalidade das Neoplasias, 2008-2013

No Brasil, as neoplasias são a segunda principal causa de morte, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2013, o país registrou 1.210.474 óbitos, sendo que as neoplasias (malignas, benignas ou de comportamento incerto) foram responsáveis por 16,3%, totalizando 196.954 óbitos. Em 2008, as neoplasias correspondiam a 15,57% dos óbitos (1).

Para piorar o cenário, o número de óbitos por neoplasias vem crescendo com uma taxa média de crescimento de 3,3% ao ano entre 2008 e 2013. Se por um lado é fato que o total de óbitos de cada uma das três principais causas de morte no Brasil (doenças do aparelho circulatório, neoplasias e causas externas) vem aumentando, por outro, nota-se que este aumento é consideravelmente mais acentuado para as neoplasias, o que amplia a sua importância entre os óbitos ao longo do tempo.

Fonte de Informações

As informações de óbitos são obtidas através do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, sistema que registra informação de todos os óbitos ocorridos no país. Os dados mais recentes disponíveis são do ano de 2013. A grande defasagem de tempo para publicação dos dados oficiais ocorre, provavelmente, devido ao trabalho dos serviços de saúde públicos e privados de melhoria da qualidade da informação, atuando na investigação das causas mal definidas, dos óbitos infantis e fetais e dos óbitos de mulheres em idade fértil, segundo determina a legislação (Portaria GM/MS nº 72/2010) (2).

Vale ressaltar que os óbitos registrados no SIM são baseados no atestado de óbito, que entre outras informações, aponta a causa básica do óbito, ou seja, o evento que desencadeou as consequências que levaram ao óbito. Assim, a contagem do número de óbitos é feita em cima de óbitos por neoplasias, e não de pessoas que morreram com neoplasias. Embora esta diferença pareça sutil, são abordagens completamente distintas do ponto de vista de saúde pública.

Fonte dos dados:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Disponível on-line em: <http://www2.datasus.gov.br/>.

Notas:
1. Para o cálculo, consideram-se todos os agrupamentos de neoplasias incluídos no Capítulo II da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), a saber: C00-C97 Neoplasias malignas; D00-D09 Neoplasias in situ; D10-D36 Neoplasias benignas; e, D37-D48 Neoplasias de comportamento incerto ou desconhecido.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM/MS nº 72, de 11 de janeiro de 2010. Disponível on-line em:  <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt0072_11_01_2010.html>.