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Câncer como a primeira causa de morte nos municípios brasileiros

Segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), organização que calcula a incidência e mortalidade por câncer no mundo, estima-se que a doença tenha sido a responsável por 8,2 milhões de mortes por câncer em 2012. No Brasil, as neoplasias malignas passaram a ser uma das principais causas de morte na população nos últimos anos (1). Se nada for feito, em 2029 o câncer se tornará a primeira causa de morte no país (2). Em relação aos casos novos no Brasil (5) estima-se +/- 600 mil novos casos de câncer ao ano, para o biênio 2018-2019, 68% estarão nas Regiões Sul e Sudeste. No Sudeste, encontra-se quase a metade dessa incidência (47%). Existe grande variação na magnitude e nos tipos de câncer entre as diferentes Regiões do Brasil (8).

Método
Foi realizado um estudo descritivo analítico baseado em dados secundários. Em resumo, uma análise de microdados do governo. Foram incluídos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, Cadastro Nacional e Estabelecimentos de Saúde e Base Populacional segundo as estimativas realizadas para o TCU.

Resultados
O câncer é principal causa em 516 (10%) municípios brasileiros.

Os dados mostram que a maior parte das cidades onde o câncer já é a principal causa de morte está localizada em regiões mais desenvolvidas do País, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são maiores. Dos 516 municípios onde os tumores matam mais, 80% ficam no Sul (275) e Sudeste (140). No Nordeste, estão 9% dessas localidades (48); no Centro-Oeste, 34 (7%); e no Norte, 19 (4%).

Tabela 1. Quantidade de municípios onde o câncer é a principal causa de morte, segundo região do Brasil e Unidade da Federação – 2015

Ao todo, estes municípios concentram uma população total de 6,6 milhões de habitantes. Onze municípios são considerados de grande porte, sendo Caxias do Sul (RS) o mais populoso deles, com quase meio milhão de habitantes. Outros 27 são de médio porte (com população entre 25 mil e 100 mil) e a grande maioria (478) está situada na faixa de pequenos municípios, com menos de 25 mil habitantes.

O Rio Grande do Sul é o Estado com o maior número de municípios: 140 (28%) de 497 já apresentam o câncer como primeira causa de morte – em São Paulo esse número é de 8% (56 de 645). Enquanto em todo o País as mortes por câncer representam 17% do total, no território gaúcho esse índice chega a 34%.

Com relação ao sexo: das 9.865 mortes registradas por câncer nas 516 cidades, a maioria foi entre os homens (57%) – no Brasil, 53% dos os óbitos por câncer são em homens. Com relação à idade: 70% dos óbitos por câncer são em indivíduos acima dos 60 anos – no Brasil, esse valor é de 68%. Crianças e adolescentes somaram 1,3% dos óbitos por câncer naquele ano.

Possíveis causas desse cenário:
– Aumento da expectativa de vida e consequente mudanças genéticas decorrentes do envelhecimento da população (7);
– Melhor acesso a medicamentos e terapias de controle para doenças infecciosas evitando a morte por essas causas (7);
– Tabagismo: as 3 capitais da região Sul estão entre as 7 com maior prevalência de tabagismo no Brasil (5,8) (o tabagismo pode estar relacionado ao aumento de casos de câncer de pulmão, esôfago, cabeça e pescoço);
– Grande parte dos residentes são de raça/cor branca, população que apresenta maior vulnerabilidade a radiação UV (5,7,9);
– Melhor identificação e registro dos óbitos por câncer, devido ao maior acesso da população a exames de diagnóstico do câncer (3,5).

No país, as doenças do aparelho circulatório, como AVC e enfarte, ainda são responsáveis por grande parte dos óbitos, mas o número de mortes por tumores cresce em maior velocidade:
No ano de 2015, foram registradas 209.780 mortes por câncer e 349.642 por doenças cardiovasculares e esses óbitos, quando comparados aos dados de 1998, evidenciam um aumento de 90% nas mortes por câncer e de 36% por causas cardiovasculares (Causas de óbito em 1998: 110.799 vítimas de câncer e 256.511 vítimas de doenças cardiovasculares) (3).

Infraestrutura
Na tentativa de descobrir as possíveis razões que expliquem essa disparidade, fez-se um levantamento da infraestrutura da assistência oncológica nas macrorregiões do pais. Atualmente, o câncer pode ser tratado nos centros habilitados pelo Ministério da Saúde como unidades de Assistência de Alta Complexidade (UNACON) e Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON). Embora todos os estados brasileiros tenham pelo menos um hospital público habilitado em oncologia, as regiões Sul e Sudeste concentram 69% (205) deles. Além disso, nestas duas regiões estão 66% (1.354) das salas de quimioterapias e 72% (355) dos aparelhos de radioterapia. Referente à saúde suplementar, para as mesmas regiões estão disponíveis 75% (308) dos hospitais que realizam tratamento oncológico (6). Em relação a estrutura implantada, a distribuição geográfica parece estar alinhada com a magnitude da doença, maior concentração de equipamentos de saúde nas regiões de maior incidência/mortalidade. Porém são necessários mais estudos para observar outras especificidades do cuidado oncológico.

Próximos Passos
– Identificar as causas do aumento significativo na mortalidade por câncer nesses municípios;
– Caracterizar os reais fatores da alta mortalidade por câncer nas regiões onde se tem mais estrutura implantada para o tratamento do câncer;
– Mapear o fluxo de migração de pacientes que estão fora da rede, das regiões com dificuldade de acesso ao tratamento para as regiões Sul e Sudeste;
– Verificar o cumprimento da Lei no 12.732/12 (Lei dos 60 dias) nos serviços de saúde;
– Realizar ações para prevenção e controle de doenças crônicas como forma alternativa para a redução da mortalidade por câncer.

Fonte dos dados:
SIM – Sistema de Informação de Mortalidade
CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
TCU – Base Populacional disponível no Website do DATASUS

Referências:
1. Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C, Rebelo M, Parkin DM, Forman D, Bray, F. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11 [Internet]. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013. Disponível em: http://globocan.iarc.fr. [acessado 2018 mar. 01].
2. Matarazzo H, Lobo TC, de Melo NVM, Loggetto S, Fedozzi F, Steagall M. 2029: ano em que o câncer será a primeira causa de morte no Brasil. Braz J. Oncol. 2017; 13(Supl): 1-402, pág. 1.
3. Brasil. Ministério da Saúde [Internet]. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Informações de Saúde. Estatísticas Vitais. Sistema de Informação sobre Mortalidade. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/obt10br.def [acessado 2018 mar. 01].
4. Brasil. Tribunal de Contas da União (TCU) [Internet]. Bases Populacionais. Estimativas TCU 1992 até 2015. Disponível em: goo.gl/VmRahH [acessado 2018 mar. 01].
5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2017
6. Brasil. Ministério da Saúde [Internet]. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Informações de Saúde. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Disponível em: https://goo.gl/wgwsLo [acessado 2018 mar. 01].
7. Jemal A, Vineis P, Bray F, Torre L, Formand D (Eds). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: www.câncer.org/canceratlas
8. Brasil. Ministério da Saúde, SVS. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, VIGITEL 2016. Brasília: DF; 2016.
9. Brasil. Instituto Brasileiro de Estatística de Geografia e Estatística – IBGE. Censo Demográfico, 2010 [Internet]. Indicadores Sociais Municipais, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv54598.pdf

O Atual Cenário da Mortalidade do Mieloma Múltiplo no Brasil

Entende-se por mortalidade a relação entre o número de óbitos de uma população em um determinado espaço de tempo. Neste estudo, analisamos os números da mortalidade do Mieloma Múltiplo, tipo de câncer do sangue e que acomete, principalmente, pessoas a partir dos 70 anos de idade, porém, é cada vez mais comum vermos pacientes diagnosticados abaixo dessa faixa etária. (Saiba mais em: https://observatoriodeoncologia.com.br/os-desafios-do-mieloma-multiplo-no-brasil/)
A taxa de sobrevida dos pacientes diagnosticados com Mieloma Múltiplo pode variar de alguns meses a vários anos e depende da precocidade do diagnóstico e do tratamento adequado. O tratamento prescrito muitas vezes depende da idade biológica do paciente, sendo indicada a pacientes com idade inferior a 65 e sem comorbidades, importantes terapias de indução com muitas drogas, transplante autólogo de medula óssea e manutenção com talidomida e lenalidomida.

Somente no ano de 2015, 2.889 pessoas morreram no Brasil por conta do Mieloma Múltiplo, 29% no estado de São Paulo.

Acesso
A falta de acesso a tratamentos eficazes no Brasil está relacionada diretamente ao sucesso do tratamento do câncer e, consequentemente, impacta na taxa de mortalidade pela doença. A busca pelo acesso a medicamentos em nosso país é uma missão desgastante e, se o paciente não conseguir pagar do próprio bolso, resta recorrer à justiça para dispor da droga e, assim, ter mais chances de lutar pela vida. No caso do Mieloma Múltiplo, essa luta para receber os mais modernos tratamentos é árdua e antiga.
Um bom exemplo desta dura realidade é a Lenalidomida, uma droga importante para o tratamento do Mieloma Múltiplo, já presente em 70 países e que no Brasil só foi aprovada pela Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) recentemente, em dezembro de 2017.

Diagnóstico tardio
De acordo com levantamento feito em 2017 pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) com 200 pacientes de todo o Brasil, 29% deles levaram mais de 1 ano para receber o diagnóstico de Mieloma Múltiplo, 44% tiveram dificuldades para receber esse diagnóstico, 20% tiveram o diagnóstico inconclusivo e 37% passaram por vários médicos para enfim serem diagnosticados.
Se por um lado, ter acesso ao tratamento é importante, de nada adianta se o diagnóstico é feito tardiamente e em um estágio muito avançado da doença. Apesar de ser uma neoplasia ainda sem cura, muitos pacientes, se diagnosticados precocemente, têm grandes chances de entrar em remissão da doença e conviver com ela, tendo qualidade de vida, durante muitos anos.

 

Fonte dos dados:
Ministério da Saúde – Sistema de Informação da Mortalidade (SIM/SUS)

Referências:
1. Observatório de Oncologia. Os Desafios do Mieloma Múltiplo no Brasil. Disponível em: <https://observatoriodeoncologia.com.br/os-desafios-do-mieloma-multiplo-no-brasil/>
2. Sandy Jr, Paulo Afonso, et al. “Mieloma múltiplo aos 30 anos: o avesso da epidemiologia.” Rev Soc Bras Clin Med 13.3 (2015): 210-2.

Gastos Federais em Oncologia

Medidas para prevenir e controlar o câncer na população existem em todas as fases da doença, desde a prevenção de fatores de risco até a detecção precoce, o tratamento e os cuidados paliativos. Devido ao custo cada vez maior do tratamento de doenças, juntamente com o difícil ambiente econômico, o interesse na promoção da saúde está aumentando em todo o mundo (1).

Enfrentando essa escassez de recursos, os responsáveis pela tomada de decisões devem determinar a melhor forma de investir no futuro do seu país. O investimento em saúde pode diminuir custos e facilitar o crescimento econômico, aumentando a produtividade. As análises econômicas ajudam os governos nacionais e os doadores internacionais a identificarem práticas de saúde que não são apenas viáveis, mas também apresentam o melhor custo benefício (1).

Segundo o Atlas Mundial do Câncer, parte substancial do custo do câncer pode ser evitada por meio de investimento na prevenção, na detecção precoce e promoção da saúde. Em relação a saúde pública no geral, estratégias econômicas para lidar com fatores de risco de câncer comuns, tais como uso de tabaco, abuso de álcool, dietas pouco saudáveis e inatividade física em países de renda baixa e média custariam apenas US$ 2 bilhões por ano, uma quantia pequena se comparada aos custos incorridos pela carga total da doença. Por exemplo, nos países em desenvolvimento, exames de câncer de colo de útero que exigem pouca infraestrutura de laboratório, tais como inspeção visual simples do colo de útero com ácido acético ou testes de DNA para detectar o HPV em células cervicais custam menos de 500 dólares por ano de vida salvo. Em geral a prevenção do câncer é muito mais custo-efetiva que o tratamento (1).

Em relação aos custos para a prevenção do câncer de colo de útero no Brasil é possível afirmar que uma Biópsia do colo uterino custa R$ 18,33, enquanto o tratamento quimioterápico tem o custo mínimo de R$ 1.300,00 para o sistema de saúde (2).

O que os dados abertos mostram?
Para este estudo foram coletadas as informações dos Valores Apresentados dos Recursos Federais do SUS – oriundos do Fundo Nacional de Saúde para repasse aos municípios. A fonte dos dados foram: Sistemas de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e Ambulatoriais (SIA/SUS). Os valores representam minimamente os gastos federais com ações diretas de saúde para o controle e tratamento do câncer (excluindo salários e outros gastos administrativos).

Medidas para o controle do câncer incluem Ações de promoção e prevenção em saúde e Procedimentos com finalidade diagnóstica, e para o tratamento, Procedimentos clínicos; Procedimentos cirúrgicos; Transplantes de órgãos, tecidos e células; Medicamentos; Órteses, próteses e materiais especiais e Ações complementares da atenção à saúde.

Na comparação com o 2008, o investimento do Ministério da Saúde para o controle e tratamento do câncer dobrou, saltando de R$ 1,9 bilhões para R$ 3,8 bilhões. Em comparação no mesmo período, os gastos com medidas para o controle do câncer aumentaram 317% e com tratamento 50%. Não existe um consenso mundial sobre o percentual financeiro ideal para o investimento em ações para controle e prevenção do câncer, em comparação ao volume destinado à assistência. No Brasil, para cada 1 real gasto em tratamento foram investidos apenas 0,05 centavos em prevenção e controle do câncer. O investimento em ações para o controle foi de 0,87 centavos por habitante e as despesas com tratamento foram 21 vezes maiores do que o investimento em prevenção.

Em conclusão, investir na prevenção do câncer não só salva vidas, mas o dinheiro economizado pode também pagar por serviços e instituições importantes. Conheça alguns exemplos (1):

EUA: Intervenção: Rastreamento Colorretal (Colonoscopia na população de 50 a 64 anos de idade) = Economia líquida de U$ 16.853.000.000 até que esses pacientes atinjam 75 anos, equivalente ao Orçamento anual do Programa Nacional de Merenda Escolar dos EUA, que alimenta 31 milhões de crianças oriundas de famílias de baixa renda a cada dia.

Taipé, China: Intervenção: Programa de serviços de cessação do tabagismo (Terapia de reposição de nicotina e aconselhamento) = Economia líquida de U$ 224.000.000 em mais de 15 anos, equivalente ao Orçamento anual do governo de Taipé para a proteção ambiental.

Austrália: Campanha Nacional Australiana do Tabaco (Uma campanha intensiva antifumo de 6 meses divulgada em massa) = Economia líquida de U$ 912.000.000 durante a vida útil remanescente dos 190.000 desistentes, equivalente ao Investimento governamental da Austrália em educação infantil.

Holanda: Intervenção: Aconselhamento dietético (Nutricionistas oferecem conselhos sobre dieta e comportamento relacionados à saúde e às doenças para os pacientes) = Economia líquida U$ 2.557.000.00 em mais de 5 anos, equivalente a Despesas anuais do governo com assuntos externos e cooperação internacional com na Holanda.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA/SUS) e Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS).

Notas:
* O custo com Ações de promoção e prevenção em saúde não incluem o Código Internacional de Doenças (CID) para oncologia. Entende-se que todas as medidas de promoção e prevenção a saúde evitam contribuem para o não aparecimento do câncer. O gasto pode estar subestimando, uma vez que os municípios não informam o valor (R$) dessas ações no SIA e SIH. O repasse é feito para os municípios mas em nenhuma fonte de dados abertos encontramos o destino final desse investimento.

Referências:
1. JEMAL A. etl al. (Eds). O Atlas do Câncer. 2.ª edição. Atlanta, GA. American Cancer Society; 2014.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS.

Tratamento Oncológico na Rede Privada de Saúde do Brasil

No Brasil, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente com câncer enfrenta uma longa espera por consultas de diagnóstico, exames e tratamento da doença, na rede privada, os desafios são outros e, diferente do que muita gente pensa, a jornada desse paciente não é isenta de dificuldades. Na rede privada, muitas vezes, é preciso lidar também com a demora de consultas com determinados especialistas, espera pela autorização dos convênios para a realização de exames e para o próprio tratamento, falta de cobertura para alguns quimioterápicos orais, entre outros.

 

O caminho percorrido
Ao apresentar sintomas relacionados ao câncer, o paciente deve ir ao ambulatório de um hospital na rede de cobertura do seu plano ou marcar consulta com um médico conveniado. Os planos de saúde têm de conseguir uma consulta para o paciente com câncer dentro do prazo de um mês e, caso não seja possível marcar com um ou mais médicos dentro desse período, o paciente pode acionar o plano e exigir a consulta.
Após a consulta, o médico precisa pedir autorização para o convênio para realizar os exames. De um modo geral, a empresa tem até cinco dias úteis para autorizar, mas esse período pode ser estendido por mais cinco dias caso a empresa queira informações adicionais do médico. Não é raro os planos de saúde irem até a última instância dos prazos, pois, na maioria das vezes, são procedimentos de alto custo.
Depois dos exames, o convênio ainda precisará aprovar o tratamento indicado para o paciente. De acordo com o caso, o tratamento pode começar imediatamente depois da autorização ou em cerca de duas semanas.

Medicamentos orais
Até o ano de 2013, o paciente da rede privada tinha que enfrentar um sério problema durante o tratamento com os medicamentos prescritos pelo médico. Os convênios quase nunca cobriam a compra dos medicamentos orais porque a Agência Nacional de Saúde (ANS) não exigia que eles cobrissem. O paciente que precisasse de algum medicamento desses, deveria recorrer à Justiça para ter direito ao tratamento com essas drogas.
No entanto, a partir de janeiro de 2014, por determinação legal, os planos privados de saúde passaram a ter obrigatoriedade de cobrir os custos com medicamentos orais para o tratamento do câncer em casa. Com essa inclusão no rol de procedimentos da ANS, passaram a ser ofertados remédios para tratamento de tumores de grande prevalência na população como estômago, fígado, intestino, rim, testículo, mama, útero e ovário. A distribuição desses medicamentos fica a cargo de cada operadora de saúde.

A seguir, veja quais são os estabelecimentos de saúde da rede privada que realizam tratamento oncológico no Brasil.

Fonte dos dados:
Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde via Lei de Acesso à Informação (LAI)

Referências:
PORTAL IG. Entenda como funciona o tratamento de câncer no Brasil. Disponível em: <http://saude.ig.com.br/minhasaude/entenda-como-funciona-o-tratamento-de-cancer-no-brasil/n1597350811723.html>
REVISTA ÉPOCA ON-LINE. Planos de Saúde passam a cobrir medicação oral contra o câncer. Disponível: <http://epoca.globo.com/vida/vida-util/saude-e-bem-estar/noticia/2014/01/bplanos-de-saudeb-passam-cobrir-medicacao-oral-contra-o-cancer.html>

O que sabemos sobre câncer de pele?

Há dois principais tipos de câncer de pele, os não-melanoma, geralmente das células basais ou das escamosas, e o melanoma, originário de células produtoras de melanina. Os tipos mais comuns do câncer de pele não melanoma são o basocelular (carcinoma de células basais) e o espinocelular (carcinoma de células escamosas). Já o câncer de pele melanoma têm origem exclusiva nos melanócitos e se descoberto em seus estágios iniciais, é quase sempre curável (1).

Incidência do câncer de pele

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele configura-se como o mais frequente em todas as populações. Ele se apresenta basicamente sob duas formas, o melanoma e o não melanoma. Em relação ao câncer de pele não melanoma esperam-se 80.850 novos casos em homens e 94.910 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 81,66 casos novos a cada 100 mil homens e 91,98 para cada 100 mil mulheres. Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada; porém sua incidência é baixa (3 mil casos novos em homens e 2.670 casos novos em mulheres).

Melanoma
Em relação ao câncer de pele Melanoma, as maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 40% dos casos novos são esperados nas regiões Sudeste, 34% na Região Sul, 17% na Região Nordeste, 6% na Região Centro-Oeste e 3% na Região Norte.
As taxas brutas de incidência por 100.000 habitantes se comportaram da seguinte forma: Em homens: 6,96 na Região Sul, 2,84 na Região Centro-Oeste, 2,83 na Região Sudeste, 2,02 na Região Nordeste e 0,84 na Região Norte. Em mulheres: 6,50 na Região Sul, 2,53 na Região Sudeste, 2,09 na Região Centro-Oeste, 1,36 na Região Sudeste e 0,65 na Região Norte.
O Estado do Rio Grande do Sul tem a maior taxa bruta de incidência, com 8,02 casos esperados para cada 100.000 homens e 7,06 casos para cada 100.000 mulheres e o Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 0,20 casos a cada 100.000 homens e 0,00 casos para cada 100.000 mulheres.

Não Melanoma
O câncer de pele não Melanoma apresenta comportamento similar, as maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 55% dos casos novos são esperados nas regiões Sudeste, 19% na Região Sul, 14% na Região Nordeste, 9% na Região Centro-Oeste e 2% na Região Norte.
O câncer de pele não melanoma é o primeiro mais incidente em homens nas Regiões Sul (138,75/100 mil), Centro-Oeste (114,71/100 mil) e Sudeste (92,86/100 mil). Nas Regiões Nordeste (42,48/100 mil) e Norte (28,89/100 mil), encontram-se na segunda posição. Nas mulheres, é o mais frequente em quatro Regiões, com um risco estimado de 134,19/100 mil na Região Sudeste, 102,71/100 mil na Região Centro-Oeste, 93,58/100 mil na Região Sul e 44,12/100 mil na Região Nordeste. Já na Região Norte (23,12/100 mil), ocupa a segunda posição.
O Estado de Santa Catarina tem a maior taxa bruta de incidência para homens com cerca de 186,49 casos para cada grupo de 100.000 homens e para o Estado do Espírito Santo estima-se 165,56 casos para cada 100.000 mulheres. O Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 11,52 casos a cada 100.000 homens e 0,00 casos para cada 100.000 mulheres.

Mortalidade por câncer de pele
Para câncer de pele Melanoma (C43) no ano de 2015, o Brasil registrou 1.794 óbitos, sendo 1.012 em homens e 782 em mulheres. Foram constatados, aproximadamente, 5 mortes por dia em decorrência de melanoma. Para câncer de pele Não Melanoma (C44) no ano de 2015, o Brasil registrou 1.958 óbitos, sendo 1.137 em homens e 821 em mulheres (2).

Levando em conta ambos os tipos, o câncer de pele foi a causa principal de morte em 3.752 indivíduos. Segundo o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), idosos, homens e moradores da Região Sul do país são as principais vítimas do câncer de pele. Do total de mortes em 2015, 57% eram homens e 75% tinham mais de 60 anos. No Sul, a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes representou quase o dobro da registrada para o Brasil (3,17 e 1,83 respectivamente) (2).

Fatores de Risco
O fator de risco mais importante é a exposição à radiação ultravioleta (UV), presente nos raios solares e usada nas unidades de bronzeamento artificial (câmaras de bronzeamento). O risco de desenvolver câncer de pele é proporcional à exposição acumulada de raio UV; a genética e a cor da pele também influem, sendo mais afetadas as pessoas de pele clara e que não se bronzeiam com facilidade, que têm cabelos loiros ou ruivos e olhos claros (3).

O INCA elaborou 5 principais dicas para se proteger do câncer de pele: 1. Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h; 2. Procurar lugares com sombra; 3. Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas; 4. Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo; 5. Usar filtro solar próprio para os lábios.

Essas e outras informações podem ser encontradas no folder especial do INCA “Câncer: a informação pode salvar vidas – Câncer de pele: vamos falar sobre isso?” http://bit.ly/2BAEHNC

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. A.C. CAMARGO CANCER CENTER. Pacientes e Tudo Sobre o Câncer. Tudo sobre o Câncer. Pele não melanoma [website]. Disponível em: <http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/pele-nao-melanoma/44/>. Acesso em: 01/12/2017.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil ? DataSUS. Sistema de Informação em Mortalidade. TabNet [website]. Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0205&id=6937>. Acesso em: 01/12/2017.
3. INSTITUTO VÊNCER O CÂNCER. Tipos de Câncer. Melanoma e outros câncer de Pele. O que é [website]. Disponível em: <https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/melanoma-e-outros-canceres-de-pele/>. Acesso em: 01/12/2017.

A Saúde do Homem muito além da cor azul

A forma como o sistema de saúde no Brasil vem se organizando revela que a maior parte do atendimento de atenção básica privilegia grupos populacionais considerados mais vulneráveis, por meio de ações programáticas voltadas para a saúde da mulher, da criança e do idoso, pouco favorecendo a atenção à saúde do homem. Porém, este cenário vem mudando a partir de 2008, quando foi criado no Brasil o Novembro Azul, uma campanha realizada por diversas entidades no mês de novembro dirigida à sociedade e, em especial aos homens, para conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata, tipo de tumor mais frequente no sexo masculino no Brasil. Porém, a saúde do homem vai muito além do que o câncer de próstata e iremos apresentar aqui outros tipos de câncer muito incidentes nesse gênero.

Desafio histórico

O homem, culturalmente, tem dificuldade de reconhecer as suas próprias necessidades de saúde, cultivando o pensamento que rejeita a possibilidade de adoecer, mantendo, até hoje, a questão da invulnerabilidade masculina, do seu papel social de provedor da família. Deve-se considerar ainda que os homens sentem-se constrangidos em procurar atendimento quando algo vai errado devido à essa cultura aliado à incompatibilidade de horário com a jornada laboral.

O tratamento do câncer de próstata no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer de próstata são definidos com base na idade da paciente e nas características do tumor, como localização e extensão, grau de estadiamento, presença de metástase, entre outros, e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas clínicas, como hormonioterapia, radioterapia, cirúrgicas e quimioterapia resistente a hormonioterapia.

Em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde, considerando todos os tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em homens com diagnóstico de câncer de próstata (C61), foram realizados 550.879 procedimentos de hormonioterapia, incluindo primeira e segunda linha para tumores avançados. Também foram realizados 2.691.916 procedimentos de radioterapia, 15.656 cirurgias e 29.688 quimioterapias resistentes a hormonioterapia.

Todos os quatro tipos de tratamentos analisados cresceram de forma bastante acentuada no período entre 2008 e 2016, sendo que os procedimentos de hormonioterapia aumentaram em 80%, os procedimentos de radioterapias aumentaram em 65%, as cirurgias aumentaram em 50% e as quimioterapias resistentes a hormonioterapia aumentaram 159%.

Se por um lado o aumento dos procedimentos terapêuticos é reflexo do aumento da incidência da doença e do próprio processo de envelhecimento da população brasileira, por outro lado também é resultante do aumento do acesso à prevenção secundária e aos meios diagnósticos. Neste sentido, tiveram grande importância a conscientização e mobilização da sociedade através das campanhas nacionais e dos mutirões de prevenção.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS e Sistema de Informação Hospitalar do SUS – SIH/SUS

Referências:
SILVA, P. A. dos S. et al. A saúde do homem na visão dos enfermeiros de uma unidade básica de saúde. Esc Anna Nery, v. 16, n. 3, p. 561-8, 2012.

A carga do câncer infantojuvenil e o tratamento no SUS

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. No Brasil, os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático) (1). Neste estudo apresentaremos informações do Atlas do Câncer (2).

A carga do câncer em crianças no mundo

Os cânceres infantis correspondem a 1% do total de casos nos países de alta renda, mas cerca de 4% nos países de baixa renda. Os tipos de cânceres que ocorrem em crianças são diferentes dos de adultos e compreendem principalmente neoplasias do sangue e do sistema linfático (leucemias ou linfomas), tumores embrionários (retinoblastoma, neuroblastoma, nefroblastoma), tumores do cérebro, dos ossos e dos tecidos conjuntivos, com variações internacionais.

As taxas de incidência gerais estimadas por ano variam de 50 a 200 por milhão em crianças com menos de 15 anos de idade, e entre 90 e 300 por milhão em adolescentes entre 15 e 19 anos. Dados confiáveis estão disponíveis para um quinto da população do mundo, a maioria em países de alta renda.

A sobrevida entre as crianças com câncer está melhorando, mas as crianças de países de baixa renda ainda têm resultados piores que as dos países de alta renda. A letalidade do câncer infantil é maior em países com IDH baixo.

A sobrevida no câncer infantil varia entre os países. Enquanto cinquenta anos atrás apenas 30% dos pacientes com câncer infantil sobreviviam cinco anos após o diagnóstico, hoje, a proporção é de 80% nos países de alta renda, mas continua baixa nos países de média e baixa renda (p. ex., 40% na Índia). Os dados de sobrevida em países de baixa renda são escassos, mas o número anual de mortes estimado é superior à metade dos novos casos na África, na Ásia e na América Latina. Investimentos nacionais e a colaboração internacional poderiam melhorar esses resultados.

À medida que a sobrevida melhora, a população de sobreviventes por longo tempo cresce. Em 2012, apenas nos EUA, existiam 80.000 sobreviventes de câncer diagnosticados antes dos 20 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes de câncer padecem de pelo menos uma condição crônica e o risco de efeitos tardios aumenta com o prolongamento do acompanhamento. Novas terapias devem superar a recente desaceleração da melhora na sobrevida e reduzir os efeitos tardios do tratamento.

A carga do câncer em crianças no Brasil

O principal componente na vigilância epidemiológica do câncer é representado pelo acompanhamento contínuo da incidência da doença regionalmente. Estimativa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2016/17 revela que ocorrerão cerca de 12.600 casos por ano em crianças e adolescentes com até 18 anos de idade e o número de mortes em 2015 foi de 2.762. (3) Na faixa etária compreendida entre 0 e 14 anos a leucemia linfática aguda (LLA) foi o tumor mais comum, correspondendo a 23% dos cânceres. A leucemia não-linfoíde ou mielóide aguda foi o segundo tipo mais comum, ocorrendo numa taxa de 1/5 da LLA. Os tumores de Sistema Nervoso Central (SNC) corresponderam a 22,1% e em conjunto com ambas as leucemias corresponderam à metade de todos os cânceres que ocorreram nessa faixa etária. Os outros tipos de tumor sólidos mais comuns foram o neuroblastoma (7,7%), seguido do tumor de Wilms (5,9%) e o hematológico linfoma não-Hodgkin (5,9%). (3)

Tratamento Quimioterápico do câncer de criança e adolescente no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer infantil são diversos e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas. Para esta análise foram considerados 5 procedimentos clínicos para tratamento quimioterápico em oncologia no SUS utilizados na infância e adolescência. Em 2016 foram realizados 68.007 procedimentos de quimioterapia, incluindo primeira, segunda, terceira, quarta linha de tratamento e alta dose para osteossarcoma.

Os cinco tratamentos analisados cresceram de forma acentuada no período entre 2009 e 2016. Em 2016, a distribuição apresentou o seguinte comportamento: 86,6% (58.861) foram para 1.ª linha, 8,5% (5.757) para 2.ª linha, 1,4% (946) para 3.ª linha, 0,3% (235) para 4.ª linha e 3,2% (2.207) para altas doses quimioterápicas para osteossarcoma. No geral, os tratamentos dos tumores hematológicos representaram, em 2016, 64,4% dos tratamentos quimioterápicos do Brasil, destes 54,4% são leucemias.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS (Quimioterapias)

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Tipo de Câncer, Infantil. Website. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil>
2. JEMAL A, VINEIS P, BRAY F, TORRE L, FORMAN D (EDS). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www. cancer.org/câncer atlas>
3. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Coordenação de Prevenção e Vigilância de Câncer. Câncer da criança e adolescente no Brasil: dados dos registros de base populacional e de mortalidade. / Instituto Nacional de Câncer. ? Rio de Janeiro: INCA, 2008. 220 p. il. color. tab.

Infraestrutura para a mamografia no Brasil – Outubro Rosa

O câncer de Mama é tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Para o biênio 2016-2017 foram estimados 57.960 novos casos no Brasil (1). Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o prognóstico para mulheres com câncer de mama varia de acordo com o estágio da doença. Em geral, as taxas de sobrevida são maiores para as mulheres com câncer de estágio inicial (2). Quanto mais precoce o estadiamento, maiores são as chances de cura e, em geral, mais brandos os tratamentos (3). Na população mundial, 61% das pacientes sobrevivem após cinco anos do diagnóstico (2).

Rastreamento e diagnóstico precoce

As estratégias para a detecção precoce do câncer de mama são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí, encaminhar as mulheres com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (4).

A mamografia é uma ferramenta importante para a detecção do câncer de mama enquanto a doença não se manifestou. O aparelho é capaz de rastrear sinais da doença que representam um tumor antes mesmo que ele possa ser identificado pelo exame de palpação ou autoexame (5).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mamografia nessa faixa etária e a periodicidade bienal são rotinas adotadas na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseiam-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios. Em outras faixas etárias e periodicidades, o balanço entre riscos e benefícios do rastreamento com mamografia é desfavorável (4).

Com a disseminação da mamografia a partir dos anos de 1980, o número de mortes decorrentes do câncer de mama diminuiu cerca de 20%.

A infraestrutura

Os mamógrafos no Brasil estão divididos em 3 categorias. I. Aparelhos existentes; II. Aparelhos em uso: equipamentos disponíveis para uso na rede pública e privada e III. Disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS): equipamentos disponíveis para uso na saúde pública.

De acordo com Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), até agosto de 2017 contávamos com: 4.691 mamógrafos em uso no Brasil, mas apenas 2.056 (43,8%) estão disponíveis no SUS. O parâmetro é de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes, portanto a necessidade corresponderia a 865* equipamentos. O número de mamógrafos em uso está de acordo em todos as unidades da federação do Brasil. Com exceção do Amapá, todos os estados possuem mamógrafos disponíveis na saúde pública acima dos parâmetros.

Em relação aos mamógrafos disponíveis no SUS, 19,5% (400 de 2.056) encontram-se em capitais. Para a distribuição regional, O Sudeste, a região mais populosa (86.949.714 hab.*), conta com mais aparelhos (835 = 41%) que o Norte, Nordeste e Centro-Oeste (91.066.267 hab.*) juntos (832 = 40%).

Em relação ao total de mamógrafos em uso, 32,4% (1.521 de 4.691) encontram-se em capitais. Para a esta distribuição regional a diferença é maior, enquanto o Sudeste conta com 732 (48%) aparelhos, o Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntos apresentam 1.685 (36%) mamógrafos. Através de dados abertos, não é possível estimar quantos mamógrafos estão parados, com algum defeito ou guardados na caixa. Segundo o CNES, 205 mamógrafos estão fora de uso no Brasil.

Cobertura

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, estimou que 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, não tinham realizado mamografia de rastreamento nos últimos dois anos. O Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que que pelo menos 70% das mulheres nesta faixa etária sejam avaliadas (6).

Embora o SUS tenha mais que o dobro de mamógrafos necessários para a detecção precoce da doença, apenas São Paulo (1 de 27 UF) atende os parâmetros de cobertura (73,9%) entre as mulheres de 50 a 69 anos. Seis estados (Maranhão, Piauí, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins) não atingiram nem 40% das mulheres na faixa etária recomendada. Isso significa baixa produtividade em boa parte dos aparelhos disponíveis.

Segundo informações do DataSUS, o total de mamografias para rastreamento de câncer de mama entre mulheres de 50 e 69 anos aumentou 76,1% entre 2010 (1.547.411) e 2016 (2.725.729). Em números totais de exames (em todas as faixas etárias), o aumento foi de 36% entre 2010 (3.039.269) e 2016 (4.133.015). Até junho de 2017, foram realizadas 2.160.176 mamografias para rastreamento do câncer.

A PNS mostrou que o maior número de mamografias de rastreamento foi realizado por mulheres brancas (66,2%) e com ensino superior completo (80,9%). O grupo com menor número de exames foram realizados em mulheres negras (54,2%), pardas (52,9%) e com ensino fundamental incompleto (50,9%). A região Sudeste apresentou a melhor cobertura de mamografias em mulheres na faixa etária preconizada (67,9%), seguido do Sul (64,5%), Centro-Oeste (55,6%), Nordeste (47,9%) e Norte (38,7%).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES.
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde. Bloco k. Tabnet.

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mama. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama++>. Acesso em: out. 2017.
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Understanding a breast cancer diagnosis: Breast Cancer Survival Rates. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/understanding-a-breast-cancer-diagnosis/breast-cancer-survival-rates.html>. Acesso em: out. 2017.
3. MALUF, F.C. Capítulo 6 – O estadiamento. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
4. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_deteccao_precoce_final.pdf>. Acesso em: out. 2017.
5. MALUF, F.C; TAJARA, L.M; AGUILAR, V.L.N. Capítulo 4 – O diagnóstico. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
6. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde: 2013: acesso e utilização dos serviços de saúde, acidentes e violências: Brasil, grandes regiões e unidades da federação / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2015. 100 p.
7. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria n.º 2.304, de 4 de outubro de 2012. Institui o Programa de Mamografia Móvel no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) 

Notas:
* Cálculo baseado na projeção populacional do IBGE no ano de 2017.
** Não é possível descrever o motivo pelo qual o mamógrafo está fora de uso.

15 anos de Outubro Rosa no Brasil – O que mudou?

O já conhecido Outubro Rosa é um movimento internacional que nasceu na década de 1990 com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Porém, no Brasil, a primeira iniciativa em relação ao movimento, aconteceu em 2002. De lá para cá, muita coisa mudou no cenário do câncer de mama no país e este estudo nos mostra, em números, o que aconteceu de mais significativo.

Em um país em que estima-se que 57.960 mulheres sejam acometidas pelo câncer de mama somente em 2017, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), as campanhas referentes ao Outubro Rosa são muito importantes, pois o número de mortes ainda continua em alta, especialmente por causa do grande número de diagnósticos tardios, provavelmente pela falta de acesso à exames e/ou consultas preventivas aliado à falta de informação da população.

Mamografias
Quando falamos de câncer, a detecção precoce é a chave para o tratamento bem-sucedido e com o câncer de mama não é diferente. Neste caso, a mamografia é a melhor forma de descobrir a doença antes mesmo que ele seja detectável pelo exame clínico. O rastreamento do câncer de mama em mulheres com 50 anos ou mais pode reduzir a mortalidade em até 45%.

A partir das mobilizações do Outubro Rosa no Brasil, além do aumento no número de mamógrafos no país, é provável que os serviços de saúde tenham se reorganizado para uma melhora na solicitação e no encaminhamento para a realização da mamografia preventiva. Somente em 2002, foi registrada a primeira mamografia no estado do Acre.

No Brasil, como um todo, o número de mamografias cresceu 265% em 16 anos (2000-2016). Embora o exame de rastreamento tenha aumentado, o número de óbitos saltou de 8.393 para 15.593, representando um aumento de 74, 4%. Mas o aumento na quantidade de mamografias não deveria diminuir o número de mortes? Não necessariamente. Há várias conclusões que podemos tirar desta estatística e uma delas é que, provavelmente, grande parte dessas mamografias foi realizada tardiamente na maioria das mulheres.
Em 2013, cerca de 46% das mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos havia realizado a última mamografia em até 2 anos e, este número aumenta para 54,2% em 2008. É bem provável que a aquisição de mamógrafos, além de aumentar a oferta, facilitou o acesso, contribuindo para aumentar a cobertura.

Mortalidade
As taxas de mortalidade vêm diminuindo lentamente nas regiões Sul e Sudeste, possivelmente pela maior adesão dos programas de rastreamento e maior disponibilidade de recursos para o diagnóstico precoce e tratamento da doença. Em outras regiões, os índices de mortalidade ainda são elevados em consequência dos problemas de acesso. Os dados mostram que a proporção da população feminina de 50 a 69 anos que realizou a última mamografia cresceu 8,1% de 2003 para 2008. A escala de crescimento por região foi de: 10,2% no Sul, 9,8% no Nordeste, 7,8% no Sudeste, 5% no Norte e 4,7% no Centro-Oeste.
No final das contas, embora os gargalos referentes ao câncer de mama sejam um problema recorrente ao longo do ano, o Outubro Rosa é importante porque faz com que as mulheres parem, pelo menos uma vez ao ano, para cuidarem de si mesmas e ficarem mais atentas à sua saúde e alerta a qualquer sinal de que algo não está indo bem e procurar ajuda.

Fonte dos Dados:
1. Brasil. Ministério da Saúde – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS).
Mamografias realizadas entre 2000 e 2007: cód. 1309202 – MAMOGRAFIA BILATERAL e Mamografias realizadas em entre 2008 e 2016: cód. 0204030030 MAMOGRAFIA e cód. 0204030188 MAMOGRAFIA BILATERAL PARA RASTREAMENTO
2. IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD – Suplemento Saúde.
Notas:
* As proporções foram calculadas desconsiderando os casos sem declaração e os não aplicáveis.
** As categorias de tempo da última mamografia são diferentes entre a PNAD 2008 e a PNAD 2003. Por este motivo, para o ano de 2003 é apresentada a proporção da população feminina de 50 a 69 anos que refere ter realizado a última mamografia em até 3 anos.
** Informações da PNAD não disponíveis, até o ano de 2003, para as áreas rurais de RO, AC, AM, RR, PA e AP.

Linfoma tem cura: informe-se!

O linfoma acontece quando certas células que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e ?contaminando? o sistema linfático.

Divididos entre linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH), ambos apresentam comportamentos, sinais e grau de agressividade diferentes. Mas a principal diferença está nas células doentes: enquanto o LNH apresenta apenas células com câncer, o LH apresenta células doentes, misturadas às células normais (1).

Fatores de risco e onde atuar para melhorar as ações de prevenção?

Para o Linfoma de Hodgkin, a maioria dos fatores de risco conhecidos está associada com a função imunológica alterada. O Vírus Epstein-Barr é a principal infecção associada na maioria dos casos de LH. Em indivíduos infectados pelo vírus HIV, o risco de desenvolver a doença aumenta. Outros aspectos importantes para o aumento da incidência são as infecções virais e a exposição infecciosa durante o período infantil (2).

Para Linfoma não Hodgkin, existem evidências de associação ao desenvolvimento do LNH e a função imune alterada. Pacientes transplantados que se trataram com agentes imunossupressores, pacientes com condições autoimunes severas, e aqueles infectados pelo HIV possuem um maior potencial de desenvolver LNH (2).

Além desses, existem estudos que apontam que a obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do LNH. Apesar de serem em menor escala no desenvolvimento da doença, fatores ocupacionais e ambientais, como a fabricação da borracha, a exposição ao benzeno e solventes como o diclorometano, também apresentam aumento do risco (2).

Linfoma tem grande chance de cura! 

Os linfomas são doenças potencialmente curáveis, mesmo nas fases avançadas. ?O tipo do linfoma determina se tem maior ou menor chance de cura. Os indolentes são pouco agressivos e podem conviver com o paciente por muitos anos, outros requerem tratamento imediato com quimioterapia ou radioterapia. Alguns poucos podem necessitar de transplante de medula óssea?, explica Dr. Nelson Hamerschlak (3).

Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como hematologista, oncologista e radioterapeuta. Mas, muitos outros especialistas estarão envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente. É muito importante que ao escolher um tipo de tratamento, se considere o estado de saúde geral do paciente, o tipo e o estágio do linfoma (4). Quanto antes o Linfoma for descoberto, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento.

O que dizem os dados?

Foram estimados cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo para o ano de 2012. Para o mesmo ano, foram estimados 66 mil casos novos, que representam 0,5% do total dos cânceres estimados.

Estimativas Ministério da Saúde – INCA

Ao contrário do comportamento da distribuição etária nas taxas de incidência do LNH, que aumenta à medida que a idade avança; o risco de desenvolver o LH apresenta dois pontos distintos de aumento na distribuição etária: o primeiro durante a adolescência e, posteriormente, em adultos jovens. Esse perfil não é observado em países em desenvolvimento onde as maiores taxas ocorrem em idades menores.

Além disso, características ambientais, status socioeconômico, diferenças étnicas e questões genéticas ainda são estudados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de LH.

LH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º na Região Norte (0,97/100 mil) e o 13º mais frequente nas Regiões Sul (3,09/100 mil), Centro-Oeste (2,05/100 mil) e Sudeste (1,13/100 mil). Na Região Nordeste (1,11 /100 mil), ocupa a 14ª posição. Para as mulheres, é o 16º mais frequente na Região Sudeste (1,15/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (1,43/100 mil), Centro-Oeste (0,78/100 mil), Nordeste (0,51/100 mil) e Norte (0,47 /100 mil), ocupa a 17ª posição. (2)

LÑH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,47/100 mil) e Norte (2,66/100 mil). Nas Regiões Sudeste (5,74/100 mil) e Nordeste (3,67/100 mil), ocupa a décima posição; na Região Sul (7,71/100 mil) é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (6,42/100 mil) e o nono na Região Sul (6,61/100 mil). O décimo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,44/100 mil). Na Região Norte (1,87 /100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (2,64/100 mil), é o 12º mais frequente. (2)

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia – ABRALE. São Paulo, 2017. Disponível em: <http://www.abrale.org.br/doencas/linfoma>
2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Insituto Nacional do Câncer – INCA. Estimativas 2016-2017. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
3. Albert Einstein ? Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. São Paulo, 2016. Disponível em: <https://www.einstein.br/noticias/noticia/linfoma-tem-cura>
4. Oncoguia. Tratamentos do Linfoma de Hodgkin. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/1105/137/>