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Tratamento Oncológico na Rede Privada de Saúde do Brasil

No Brasil, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente com câncer enfrenta uma longa espera por consultas de diagnóstico, exames e tratamento da doença, na rede privada, os desafios são outros e, diferente do que muita gente pensa, a jornada desse paciente não é isenta de dificuldades. Na rede privada, muitas vezes, é preciso lidar também com a demora de consultas com determinados especialistas, espera pela autorização dos convênios para a realização de exames e para o próprio tratamento, falta de cobertura para alguns quimioterápicos orais, entre outros.

 

O caminho percorrido
Ao apresentar sintomas relacionados ao câncer, o paciente deve ir ao ambulatório de um hospital na rede de cobertura do seu plano ou marcar consulta com um médico conveniado. Os planos de saúde têm de conseguir uma consulta para o paciente com câncer dentro do prazo de um mês e, caso não seja possível marcar com um ou mais médicos dentro desse período, o paciente pode acionar o plano e exigir a consulta.
Após a consulta, o médico precisa pedir autorização para o convênio para realizar os exames. De um modo geral, a empresa tem até cinco dias úteis para autorizar, mas esse período pode ser estendido por mais cinco dias caso a empresa queira informações adicionais do médico. Não é raro os planos de saúde irem até a última instância dos prazos, pois, na maioria das vezes, são procedimentos de alto custo.
Depois dos exames, o convênio ainda precisará aprovar o tratamento indicado para o paciente. De acordo com o caso, o tratamento pode começar imediatamente depois da autorização ou em cerca de duas semanas.

Medicamentos orais
Até o ano de 2013, o paciente da rede privada tinha que enfrentar um sério problema durante o tratamento com os medicamentos prescritos pelo médico. Os convênios quase nunca cobriam a compra dos medicamentos orais porque a Agência Nacional de Saúde (ANS) não exigia que eles cobrissem. O paciente que precisasse de algum medicamento desses, deveria recorrer à Justiça para ter direito ao tratamento com essas drogas.
No entanto, a partir de janeiro de 2014, por determinação legal, os planos privados de saúde passaram a ter obrigatoriedade de cobrir os custos com medicamentos orais para o tratamento do câncer em casa. Com essa inclusão no rol de procedimentos da ANS, passaram a ser ofertados remédios para tratamento de tumores de grande prevalência na população como estômago, fígado, intestino, rim, testículo, mama, útero e ovário. A distribuição desses medicamentos fica a cargo de cada operadora de saúde.

A seguir, veja quais são os estabelecimentos de saúde da rede privada que realizam tratamento oncológico no Brasil.

Fonte dos dados:
Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde via Lei de Acesso à Informação (LAI)

Referências:
PORTAL IG. Entenda como funciona o tratamento de câncer no Brasil. Disponível em: <http://saude.ig.com.br/minhasaude/entenda-como-funciona-o-tratamento-de-cancer-no-brasil/n1597350811723.html>
REVISTA ÉPOCA ON-LINE. Planos de Saúde passam a cobrir medicação oral contra o câncer. Disponível: <http://epoca.globo.com/vida/vida-util/saude-e-bem-estar/noticia/2014/01/bplanos-de-saudeb-passam-cobrir-medicacao-oral-contra-o-cancer.html>

O que sabemos sobre câncer de pele?

Há dois principais tipos de câncer de pele, os não-melanoma, geralmente das células basais ou das escamosas, e o melanoma, originário de células produtoras de melanina. Os tipos mais comuns do câncer de pele não melanoma são o basocelular (carcinoma de células basais) e o espinocelular (carcinoma de células escamosas). Já o câncer de pele melanoma têm origem exclusiva nos melanócitos e se descoberto em seus estágios iniciais, é quase sempre curável (1).

Incidência do câncer de pele

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele configura-se como o mais frequente em todas as populações. Ele se apresenta basicamente sob duas formas, o melanoma e o não melanoma. Em relação ao câncer de pele não melanoma esperam-se 80.850 novos casos em homens e 94.910 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 81,66 casos novos a cada 100 mil homens e 91,98 para cada 100 mil mulheres. Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada; porém sua incidência é baixa (3 mil casos novos em homens e 2.670 casos novos em mulheres).

Melanoma
Em relação ao câncer de pele Melanoma, as maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 40% dos casos novos são esperados nas regiões Sudeste, 34% na Região Sul, 17% na Região Nordeste, 6% na Região Centro-Oeste e 3% na Região Norte.
As taxas brutas de incidência por 100.000 habitantes se comportaram da seguinte forma: Em homens: 6,96 na Região Sul, 2,84 na Região Centro-Oeste, 2,83 na Região Sudeste, 2,02 na Região Nordeste e 0,84 na Região Norte. Em mulheres: 6,50 na Região Sul, 2,53 na Região Sudeste, 2,09 na Região Centro-Oeste, 1,36 na Região Sudeste e 0,65 na Região Norte.
O Estado do Rio Grande do Sul tem a maior taxa bruta de incidência, com 8,02 casos esperados para cada 100.000 homens e 7,06 casos para cada 100.000 mulheres e o Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 0,20 casos a cada 100.000 homens e 0,00 casos para cada 100.000 mulheres.

Não Melanoma
O câncer de pele não Melanoma apresenta comportamento similar, as maiores incidências são esperadas nas regiões mais desenvolvidas do país: 55% dos casos novos são esperados nas regiões Sudeste, 19% na Região Sul, 14% na Região Nordeste, 9% na Região Centro-Oeste e 2% na Região Norte.
O câncer de pele não melanoma é o primeiro mais incidente em homens nas Regiões Sul (138,75/100 mil), Centro-Oeste (114,71/100 mil) e Sudeste (92,86/100 mil). Nas Regiões Nordeste (42,48/100 mil) e Norte (28,89/100 mil), encontram-se na segunda posição. Nas mulheres, é o mais frequente em quatro Regiões, com um risco estimado de 134,19/100 mil na Região Sudeste, 102,71/100 mil na Região Centro-Oeste, 93,58/100 mil na Região Sul e 44,12/100 mil na Região Nordeste. Já na Região Norte (23,12/100 mil), ocupa a segunda posição.
O Estado de Santa Catarina tem a maior taxa bruta de incidência para homens com cerca de 186,49 casos para cada grupo de 100.000 homens e para o Estado do Espírito Santo estima-se 165,56 casos para cada 100.000 mulheres. O Estado do Amapá, por sua vez, tem a menor taxa de incidência, com cerca de 11,52 casos a cada 100.000 homens e 0,00 casos para cada 100.000 mulheres.

Mortalidade por câncer de pele
Para câncer de pele Melanoma (C43) no ano de 2015, o Brasil registrou 1.794 óbitos, sendo 1.012 em homens e 782 em mulheres. Foram constatados, aproximadamente, 5 mortes por dia em decorrência de melanoma. Para câncer de pele Não Melanoma (C44) no ano de 2015, o Brasil registrou 1.958 óbitos, sendo 1.137 em homens e 821 em mulheres (2).

Levando em conta ambos os tipos, o câncer de pele foi a causa principal de morte em 3.752 indivíduos. Segundo o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), idosos, homens e moradores da Região Sul do país são as principais vítimas do câncer de pele. Do total de mortes em 2015, 57% eram homens e 75% tinham mais de 60 anos. No Sul, a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes representou quase o dobro da registrada para o Brasil (3,17 e 1,83 respectivamente) (2).

Fatores de Risco
O fator de risco mais importante é a exposição à radiação ultravioleta (UV), presente nos raios solares e usada nas unidades de bronzeamento artificial (câmaras de bronzeamento). O risco de desenvolver câncer de pele é proporcional à exposição acumulada de raio UV; a genética e a cor da pele também influem, sendo mais afetadas as pessoas de pele clara e que não se bronzeiam com facilidade, que têm cabelos loiros ou ruivos e olhos claros (3).

O INCA elaborou 5 principais dicas para se proteger do câncer de pele: 1. Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h; 2. Procurar lugares com sombra; 3. Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas; 4. Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo; 5. Usar filtro solar próprio para os lábios.

Essas e outras informações podem ser encontradas no folder especial do INCA “Câncer: a informação pode salvar vidas – Câncer de pele: vamos falar sobre isso?” http://bit.ly/2BAEHNC

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. A.C. CAMARGO CANCER CENTER. Pacientes e Tudo Sobre o Câncer. Tudo sobre o Câncer. Pele não melanoma [website]. Disponível em: <http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/pele-nao-melanoma/44/>. Acesso em: 01/12/2017.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil ? DataSUS. Sistema de Informação em Mortalidade. TabNet [website]. Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0205&id=6937>. Acesso em: 01/12/2017.
3. INSTITUTO VÊNCER O CÂNCER. Tipos de Câncer. Melanoma e outros câncer de Pele. O que é [website]. Disponível em: <https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/melanoma-e-outros-canceres-de-pele/>. Acesso em: 01/12/2017.

A Saúde do Homem muito além da cor azul

A forma como o sistema de saúde no Brasil vem se organizando revela que a maior parte do atendimento de atenção básica privilegia grupos populacionais considerados mais vulneráveis, por meio de ações programáticas voltadas para a saúde da mulher, da criança e do idoso, pouco favorecendo a atenção à saúde do homem. Porém, este cenário vem mudando a partir de 2008, quando foi criado no Brasil o Novembro Azul, uma campanha realizada por diversas entidades no mês de novembro dirigida à sociedade e, em especial aos homens, para conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata, tipo de tumor mais frequente no sexo masculino no Brasil. Porém, a saúde do homem vai muito além do que o câncer de próstata e iremos apresentar aqui outros tipos de câncer muito incidentes nesse gênero.

Desafio histórico

O homem, culturalmente, tem dificuldade de reconhecer as suas próprias necessidades de saúde, cultivando o pensamento que rejeita a possibilidade de adoecer, mantendo, até hoje, a questão da invulnerabilidade masculina, do seu papel social de provedor da família. Deve-se considerar ainda que os homens sentem-se constrangidos em procurar atendimento quando algo vai errado devido à essa cultura aliado à incompatibilidade de horário com a jornada laboral.

O tratamento do câncer de próstata no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer de próstata são definidos com base na idade da paciente e nas características do tumor, como localização e extensão, grau de estadiamento, presença de metástase, entre outros, e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas clínicas, como hormonioterapia, radioterapia, cirúrgicas e quimioterapia resistente a hormonioterapia.

Em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde, considerando todos os tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em homens com diagnóstico de câncer de próstata (C61), foram realizados 550.879 procedimentos de hormonioterapia, incluindo primeira e segunda linha para tumores avançados. Também foram realizados 2.691.916 procedimentos de radioterapia, 15.656 cirurgias e 29.688 quimioterapias resistentes a hormonioterapia.

Todos os quatro tipos de tratamentos analisados cresceram de forma bastante acentuada no período entre 2008 e 2016, sendo que os procedimentos de hormonioterapia aumentaram em 80%, os procedimentos de radioterapias aumentaram em 65%, as cirurgias aumentaram em 50% e as quimioterapias resistentes a hormonioterapia aumentaram 159%.

Se por um lado o aumento dos procedimentos terapêuticos é reflexo do aumento da incidência da doença e do próprio processo de envelhecimento da população brasileira, por outro lado também é resultante do aumento do acesso à prevenção secundária e aos meios diagnósticos. Neste sentido, tiveram grande importância a conscientização e mobilização da sociedade através das campanhas nacionais e dos mutirões de prevenção.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS e Sistema de Informação Hospitalar do SUS – SIH/SUS

Referências:
SILVA, P. A. dos S. et al. A saúde do homem na visão dos enfermeiros de uma unidade básica de saúde. Esc Anna Nery, v. 16, n. 3, p. 561-8, 2012.

A carga do câncer infantojuvenil e o tratamento no SUS

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. No Brasil, os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático) (1). Neste estudo apresentaremos informações do Atlas do Câncer (2).

A carga do câncer em crianças no mundo

Os cânceres infantis correspondem a 1% do total de casos nos países de alta renda, mas cerca de 4% nos países de baixa renda. Os tipos de cânceres que ocorrem em crianças são diferentes dos de adultos e compreendem principalmente neoplasias do sangue e do sistema linfático (leucemias ou linfomas), tumores embrionários (retinoblastoma, neuroblastoma, nefroblastoma), tumores do cérebro, dos ossos e dos tecidos conjuntivos, com variações internacionais.

As taxas de incidência gerais estimadas por ano variam de 50 a 200 por milhão em crianças com menos de 15 anos de idade, e entre 90 e 300 por milhão em adolescentes entre 15 e 19 anos. Dados confiáveis estão disponíveis para um quinto da população do mundo, a maioria em países de alta renda.

A sobrevida entre as crianças com câncer está melhorando, mas as crianças de países de baixa renda ainda têm resultados piores que as dos países de alta renda. A letalidade do câncer infantil é maior em países com IDH baixo.

A sobrevida no câncer infantil varia entre os países. Enquanto cinquenta anos atrás apenas 30% dos pacientes com câncer infantil sobreviviam cinco anos após o diagnóstico, hoje, a proporção é de 80% nos países de alta renda, mas continua baixa nos países de média e baixa renda (p. ex., 40% na Índia). Os dados de sobrevida em países de baixa renda são escassos, mas o número anual de mortes estimado é superior à metade dos novos casos na África, na Ásia e na América Latina. Investimentos nacionais e a colaboração internacional poderiam melhorar esses resultados.

À medida que a sobrevida melhora, a população de sobreviventes por longo tempo cresce. Em 2012, apenas nos EUA, existiam 80.000 sobreviventes de câncer diagnosticados antes dos 20 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes de câncer padecem de pelo menos uma condição crônica e o risco de efeitos tardios aumenta com o prolongamento do acompanhamento. Novas terapias devem superar a recente desaceleração da melhora na sobrevida e reduzir os efeitos tardios do tratamento.

A carga do câncer em crianças no Brasil

O principal componente na vigilância epidemiológica do câncer é representado pelo acompanhamento contínuo da incidência da doença regionalmente. Estimativa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2016/17 revela que ocorrerão cerca de 12.600 casos por ano em crianças e adolescentes com até 18 anos de idade e o número de mortes em 2015 foi de 2.762. (3) Na faixa etária compreendida entre 0 e 14 anos a leucemia linfática aguda (LLA) foi o tumor mais comum, correspondendo a 23% dos cânceres. A leucemia não-linfoíde ou mielóide aguda foi o segundo tipo mais comum, ocorrendo numa taxa de 1/5 da LLA. Os tumores de Sistema Nervoso Central (SNC) corresponderam a 22,1% e em conjunto com ambas as leucemias corresponderam à metade de todos os cânceres que ocorreram nessa faixa etária. Os outros tipos de tumor sólidos mais comuns foram o neuroblastoma (7,7%), seguido do tumor de Wilms (5,9%) e o hematológico linfoma não-Hodgkin (5,9%). (3)

Tratamento Quimioterápico do câncer de criança e adolescente no SUS

O prognóstico e o tratamento do câncer infantil são diversos e, em geral, incluem diversas modalidades terapêuticas. Para esta análise foram considerados 5 procedimentos clínicos para tratamento quimioterápico em oncologia no SUS utilizados na infância e adolescência. Em 2016 foram realizados 68.007 procedimentos de quimioterapia, incluindo primeira, segunda, terceira, quarta linha de tratamento e alta dose para osteossarcoma.

Os cinco tratamentos analisados cresceram de forma acentuada no período entre 2009 e 2016. Em 2016, a distribuição apresentou o seguinte comportamento: 86,6% (58.861) foram para 1.ª linha, 8,5% (5.757) para 2.ª linha, 1,4% (946) para 3.ª linha, 0,3% (235) para 4.ª linha e 3,2% (2.207) para altas doses quimioterápicas para osteossarcoma. No geral, os tratamentos dos tumores hematológicos representaram, em 2016, 64,4% dos tratamentos quimioterápicos do Brasil, destes 54,4% são leucemias.

Fonte dos dados:
Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS (Quimioterapias)

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Tipo de Câncer, Infantil. Website. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil>
2. JEMAL A, VINEIS P, BRAY F, TORRE L, FORMAN D (EDS). The Cancer Atlas. Second Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society; 2014. Disponível em: <www. cancer.org/câncer atlas>
3. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Coordenação de Prevenção e Vigilância de Câncer. Câncer da criança e adolescente no Brasil: dados dos registros de base populacional e de mortalidade. / Instituto Nacional de Câncer. ? Rio de Janeiro: INCA, 2008. 220 p. il. color. tab.

Infraestrutura para a mamografia no Brasil – Outubro Rosa

O câncer de Mama é tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Para o biênio 2016-2017 foram estimados 57.960 novos casos no Brasil (1). Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o prognóstico para mulheres com câncer de mama varia de acordo com o estágio da doença. Em geral, as taxas de sobrevida são maiores para as mulheres com câncer de estágio inicial (2). Quanto mais precoce o estadiamento, maiores são as chances de cura e, em geral, mais brandos os tratamentos (3). Na população mundial, 61% das pacientes sobrevivem após cinco anos do diagnóstico (2).

Rastreamento e diagnóstico precoce

As estratégias para a detecção precoce do câncer de mama são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí, encaminhar as mulheres com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (4).

A mamografia é uma ferramenta importante para a detecção do câncer de mama enquanto a doença não se manifestou. O aparelho é capaz de rastrear sinais da doença que representam um tumor antes mesmo que ele possa ser identificado pelo exame de palpação ou autoexame (5).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mamografia nessa faixa etária e a periodicidade bienal são rotinas adotadas na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseiam-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios. Em outras faixas etárias e periodicidades, o balanço entre riscos e benefícios do rastreamento com mamografia é desfavorável (4).

Com a disseminação da mamografia a partir dos anos de 1980, o número de mortes decorrentes do câncer de mama diminuiu cerca de 20%.

A infraestrutura

Os mamógrafos no Brasil estão divididos em 3 categorias. I. Aparelhos existentes; II. Aparelhos em uso: equipamentos disponíveis para uso na rede pública e privada e III. Disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS): equipamentos disponíveis para uso na saúde pública.

De acordo com Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), até agosto de 2017 contávamos com: 4.691 mamógrafos em uso no Brasil, mas apenas 2.056 (43,8%) estão disponíveis no SUS. O parâmetro é de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes, portanto a necessidade corresponderia a 865* equipamentos. O número de mamógrafos em uso está de acordo em todos as unidades da federação do Brasil. Com exceção do Amapá, todos os estados possuem mamógrafos disponíveis na saúde pública acima dos parâmetros.

Em relação aos mamógrafos disponíveis no SUS, 19,5% (400 de 2.056) encontram-se em capitais. Para a distribuição regional, O Sudeste, a região mais populosa (86.949.714 hab.*), conta com mais aparelhos (835 = 41%) que o Norte, Nordeste e Centro-Oeste (91.066.267 hab.*) juntos (832 = 40%).

Em relação ao total de mamógrafos em uso, 32,4% (1.521 de 4.691) encontram-se em capitais. Para a esta distribuição regional a diferença é maior, enquanto o Sudeste conta com 732 (48%) aparelhos, o Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntos apresentam 1.685 (36%) mamógrafos. Através de dados abertos, não é possível estimar quantos mamógrafos estão parados, com algum defeito ou guardados na caixa. Segundo o CNES, 205 mamógrafos estão fora de uso no Brasil.

Cobertura

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, estimou que 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, não tinham realizado mamografia de rastreamento nos últimos dois anos. O Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que que pelo menos 70% das mulheres nesta faixa etária sejam avaliadas (6).

Embora o SUS tenha mais que o dobro de mamógrafos necessários para a detecção precoce da doença, apenas São Paulo (1 de 27 UF) atende os parâmetros de cobertura (73,9%) entre as mulheres de 50 a 69 anos. Seis estados (Maranhão, Piauí, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins) não atingiram nem 40% das mulheres na faixa etária recomendada. Isso significa baixa produtividade em boa parte dos aparelhos disponíveis.

Segundo informações do DataSUS, o total de mamografias para rastreamento de câncer de mama entre mulheres de 50 e 69 anos aumentou 76,1% entre 2010 (1.547.411) e 2016 (2.725.729). Em números totais de exames (em todas as faixas etárias), o aumento foi de 36% entre 2010 (3.039.269) e 2016 (4.133.015). Até junho de 2017, foram realizadas 2.160.176 mamografias para rastreamento do câncer.

A PNS mostrou que o maior número de mamografias de rastreamento foi realizado por mulheres brancas (66,2%) e com ensino superior completo (80,9%). O grupo com menor número de exames foram realizados em mulheres negras (54,2%), pardas (52,9%) e com ensino fundamental incompleto (50,9%). A região Sudeste apresentou a melhor cobertura de mamografias em mulheres na faixa etária preconizada (67,9%), seguido do Sul (64,5%), Centro-Oeste (55,6%), Nordeste (47,9%) e Norte (38,7%).

Fonte dos dados:
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES.
Brasil. Ministério da Saúde. DataSUS. Sistema de Informação Ambulatorial do SUS – SIA/SUS.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde. Bloco k. Tabnet.

Referências:
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mama. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama++>. Acesso em: out. 2017.
2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Understanding a breast cancer diagnosis: Breast Cancer Survival Rates. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/understanding-a-breast-cancer-diagnosis/breast-cancer-survival-rates.html>. Acesso em: out. 2017.
3. MALUF, F.C. Capítulo 6 – O estadiamento. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
4. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/livro_deteccao_precoce_final.pdf>. Acesso em: out. 2017.
5. MALUF, F.C; TAJARA, L.M; AGUILAR, V.L.N. Capítulo 4 – O diagnóstico. In: BUZAID, A.C; MALUF, F.C. Vencer o câncer de mama. São Paulo: Dendrix, 2015. 208p.
6. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde: 2013: acesso e utilização dos serviços de saúde, acidentes e violências: Brasil, grandes regiões e unidades da federação / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2015. 100 p.
7. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria n.º 2.304, de 4 de outubro de 2012. Institui o Programa de Mamografia Móvel no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) 

Notas:
* Cálculo baseado na projeção populacional do IBGE no ano de 2017.
** Não é possível descrever o motivo pelo qual o mamógrafo está fora de uso.

15 anos de Outubro Rosa no Brasil – O que mudou?

O já conhecido Outubro Rosa é um movimento internacional que nasceu na década de 1990 com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Porém, no Brasil, a primeira iniciativa em relação ao movimento, aconteceu em 2002. De lá para cá, muita coisa mudou no cenário do câncer de mama no país e este estudo nos mostra, em números, o que aconteceu de mais significativo.

Em um país em que estima-se que 57.960 mulheres sejam acometidas pelo câncer de mama somente em 2017, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), as campanhas referentes ao Outubro Rosa são muito importantes, pois o número de mortes ainda continua em alta, especialmente por causa do grande número de diagnósticos tardios, provavelmente pela falta de acesso à exames e/ou consultas preventivas aliado à falta de informação da população.

Mamografias
Quando falamos de câncer, a detecção precoce é a chave para o tratamento bem-sucedido e com o câncer de mama não é diferente. Neste caso, a mamografia é a melhor forma de descobrir a doença antes mesmo que ele seja detectável pelo exame clínico. O rastreamento do câncer de mama em mulheres com 50 anos ou mais pode reduzir a mortalidade em até 45%.

A partir das mobilizações do Outubro Rosa no Brasil, além do aumento no número de mamógrafos no país, é provável que os serviços de saúde tenham se reorganizado para uma melhora na solicitação e no encaminhamento para a realização da mamografia preventiva. Somente em 2002, foi registrada a primeira mamografia no estado do Acre.

No Brasil, como um todo, o número de mamografias cresceu 265% em 16 anos (2000-2016). Embora o exame de rastreamento tenha aumentado, o número de óbitos saltou de 8.393 para 15.593, representando um aumento de 74, 4%. Mas o aumento na quantidade de mamografias não deveria diminuir o número de mortes? Não necessariamente. Há várias conclusões que podemos tirar desta estatística e uma delas é que, provavelmente, grande parte dessas mamografias foi realizada tardiamente na maioria das mulheres.
Em 2013, cerca de 46% das mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos havia realizado a última mamografia em até 2 anos e, este número aumenta para 54,2% em 2008. É bem provável que a aquisição de mamógrafos, além de aumentar a oferta, facilitou o acesso, contribuindo para aumentar a cobertura.

Mortalidade
As taxas de mortalidade vêm diminuindo lentamente nas regiões Sul e Sudeste, possivelmente pela maior adesão dos programas de rastreamento e maior disponibilidade de recursos para o diagnóstico precoce e tratamento da doença. Em outras regiões, os índices de mortalidade ainda são elevados em consequência dos problemas de acesso. Os dados mostram que a proporção da população feminina de 50 a 69 anos que realizou a última mamografia cresceu 8,1% de 2003 para 2008. A escala de crescimento por região foi de: 10,2% no Sul, 9,8% no Nordeste, 7,8% no Sudeste, 5% no Norte e 4,7% no Centro-Oeste.
No final das contas, embora os gargalos referentes ao câncer de mama sejam um problema recorrente ao longo do ano, o Outubro Rosa é importante porque faz com que as mulheres parem, pelo menos uma vez ao ano, para cuidarem de si mesmas e ficarem mais atentas à sua saúde e alerta a qualquer sinal de que algo não está indo bem e procurar ajuda.

Fonte dos Dados:
1. Brasil. Ministério da Saúde – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS).
Mamografias realizadas entre 2000 e 2007: cód. 1309202 – MAMOGRAFIA BILATERAL e Mamografias realizadas em entre 2008 e 2016: cód. 0204030030 MAMOGRAFIA e cód. 0204030188 MAMOGRAFIA BILATERAL PARA RASTREAMENTO
2. IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD – Suplemento Saúde.
Notas:
* As proporções foram calculadas desconsiderando os casos sem declaração e os não aplicáveis.
** As categorias de tempo da última mamografia são diferentes entre a PNAD 2008 e a PNAD 2003. Por este motivo, para o ano de 2003 é apresentada a proporção da população feminina de 50 a 69 anos que refere ter realizado a última mamografia em até 3 anos.
** Informações da PNAD não disponíveis, até o ano de 2003, para as áreas rurais de RO, AC, AM, RR, PA e AP.

Linfoma tem cura: informe-se!

O linfoma acontece quando certas células que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e ?contaminando? o sistema linfático.

Divididos entre linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não-Hodgkin (LNH), ambos apresentam comportamentos, sinais e grau de agressividade diferentes. Mas a principal diferença está nas células doentes: enquanto o LNH apresenta apenas células com câncer, o LH apresenta células doentes, misturadas às células normais (1).

Fatores de risco e onde atuar para melhorar as ações de prevenção?

Para o Linfoma de Hodgkin, a maioria dos fatores de risco conhecidos está associada com a função imunológica alterada. O Vírus Epstein-Barr é a principal infecção associada na maioria dos casos de LH. Em indivíduos infectados pelo vírus HIV, o risco de desenvolver a doença aumenta. Outros aspectos importantes para o aumento da incidência são as infecções virais e a exposição infecciosa durante o período infantil (2).

Para Linfoma não Hodgkin, existem evidências de associação ao desenvolvimento do LNH e a função imune alterada. Pacientes transplantados que se trataram com agentes imunossupressores, pacientes com condições autoimunes severas, e aqueles infectados pelo HIV possuem um maior potencial de desenvolver LNH (2).

Além desses, existem estudos que apontam que a obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do LNH. Apesar de serem em menor escala no desenvolvimento da doença, fatores ocupacionais e ambientais, como a fabricação da borracha, a exposição ao benzeno e solventes como o diclorometano, também apresentam aumento do risco (2).

Linfoma tem grande chance de cura! 

Os linfomas são doenças potencialmente curáveis, mesmo nas fases avançadas. ?O tipo do linfoma determina se tem maior ou menor chance de cura. Os indolentes são pouco agressivos e podem conviver com o paciente por muitos anos, outros requerem tratamento imediato com quimioterapia ou radioterapia. Alguns poucos podem necessitar de transplante de medula óssea?, explica Dr. Nelson Hamerschlak (3).

Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como hematologista, oncologista e radioterapeuta. Mas, muitos outros especialistas estarão envolvidos durante o tratamento, como, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente. É muito importante que ao escolher um tipo de tratamento, se considere o estado de saúde geral do paciente, o tipo e o estágio do linfoma (4). Quanto antes o Linfoma for descoberto, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento.

O que dizem os dados?

Foram estimados cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo para o ano de 2012. Para o mesmo ano, foram estimados 66 mil casos novos, que representam 0,5% do total dos cânceres estimados.

Estimativas Ministério da Saúde – INCA

Ao contrário do comportamento da distribuição etária nas taxas de incidência do LNH, que aumenta à medida que a idade avança; o risco de desenvolver o LH apresenta dois pontos distintos de aumento na distribuição etária: o primeiro durante a adolescência e, posteriormente, em adultos jovens. Esse perfil não é observado em países em desenvolvimento onde as maiores taxas ocorrem em idades menores.

Além disso, características ambientais, status socioeconômico, diferenças étnicas e questões genéticas ainda são estudados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de LH.

LH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º na Região Norte (0,97/100 mil) e o 13º mais frequente nas Regiões Sul (3,09/100 mil), Centro-Oeste (2,05/100 mil) e Sudeste (1,13/100 mil). Na Região Nordeste (1,11 /100 mil), ocupa a 14ª posição. Para as mulheres, é o 16º mais frequente na Região Sudeste (1,15/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (1,43/100 mil), Centro-Oeste (0,78/100 mil), Nordeste (0,51/100 mil) e Norte (0,47 /100 mil), ocupa a 17ª posição. (2)

LÑH: Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,47/100 mil) e Norte (2,66/100 mil). Nas Regiões Sudeste (5,74/100 mil) e Nordeste (3,67/100 mil), ocupa a décima posição; na Região Sul (7,71/100 mil) é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (6,42/100 mil) e o nono na Região Sul (6,61/100 mil). O décimo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,44/100 mil). Na Região Norte (1,87 /100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (2,64/100 mil), é o 12º mais frequente. (2)

Fonte dos dados:
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância Estimativa 2012, 2014 e 2016: Incidência de Câncer no Brasil.

Referências:
1. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia – ABRALE. São Paulo, 2017. Disponível em: <http://www.abrale.org.br/doencas/linfoma>
2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde – SAS. Insituto Nacional do Câncer – INCA. Estimativas 2016-2017. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf>
3. Albert Einstein ? Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. São Paulo, 2016. Disponível em: <https://www.einstein.br/noticias/noticia/linfoma-tem-cura>
4. Oncoguia. Tratamentos do Linfoma de Hodgkin. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/1105/137/>

 

A Assistência em Oncologia no SUS: onde tratar?

“Este estudo tem por objetivo fazer uma atualização das habilitações em oncologia, tendo como referência um levantamento anterior sobre este tema, publicado nesta plataforma (disponível em: http://observatoriodeoncologia.com.br/a-assistencia-onco-hematologica-no-sus-cacon-unacon/). Porém, este atual levantamento não se refere aos procedimentos de quimioterapia e radioterapia e, sim, contempla os leitos existentes para cirurgias e atendimentos ambulatoriais, divididos em oncologia geral, pediatria e onco-hematologia.
Em 2017, embora existam 396 habilitações ativas*, o Brasil conta com apenas 296 serviços de saúde habilitados**  para o tratamento oncológico. Diversos hospitais possuem mais de uma habilitação ativa, como por exemplo o Centro Infantil Boldrini, em Campinas – habilitado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) com serviço de radioterapia e UNACON exclusiva de oncologia pediátrica.

O atual cenário da Alta Complexidade em Oncologia no Brasil
Segundo a Maria Inez Pordeus Gadelha, diretora do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, o planejamento e a regionalização da assistência à saúde exigem parâmetros que dimensionem a necessidade de serviços e de unidades de saúde para a cobertura de uma dada população e permitam a regulação da oferta e do atendimento dos doentes dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), que é, por concepção, descentralizado, regionalizado e hierarquizado.
Do ponto de vista da assistência oncológica, o Brasil inaugurou a utilização de parâmetros populacionais em 1998, com a publicação da Portaria GM/MS 3.535, de 02/ 09/98, republicada em 03/09/98, que, em seu Anexo II, passou a orientar o planejamento da necessidade de unidades a partir do número de casos novos anuais estimados regionalmente. Posteriormente, com a disponibilidade de uma base de dados ampliada e mais consistente, as estimativas anuais feitas pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) vêm melhorando. Em 2017:

Região Centros de Tratamento Habilitações Ativas Habitantes Casos Novos de Câncer***
Norte 11 30 17.906.201 17.190
Nordeste 59 72 57.254.159 82.710
Centro-Oeste 21 29 15.875.907 28.080
Sudeste 138 191 86.949.714 194.000
Sul 67 93 29.644.948 98.330

 

As habilitações em alta complexidade garantem tratamento integral a todos os brasileiros. Embora algumas regiões apresentem poucos serviços de saúde, pode não significar, necessariamente, um vazio assistencial. O acesso à lista de estabelecimentos habilitados em alta complexidade foi obtida através da lei de acesso à informação.

 

Fonte dos Dados:
CNES – DataSUS. Informações Obtidas através da Lei de Acesso à Informação, regulamentada pelo Decreto n° 7.724/2012.”

Referências:
1. Gadelha MIP. Planejamento da assistência oncológica: um exercicio de estimativas. Rev Bras Cancerol. 2002;48(4):533-43.

Notas:
* São habilitações que um centro de tratamento recebe para atendimentos de quimioterapia, radioterapia, cirurgias e etc. Cada hospital pode ter mais de uma habilitação em oncologia.
** Centros de tratamento que são habilitados a fazer o tratamento oncológico.
*** Foram excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.

 

60 dias para o câncer e o direito do paciente

O tempo é fator determinante para que o tratamento oncológico seja efetivo- ou não. O diagnóstico precoce é a primeira etapa para que os bons resultados sejam alcançados, e com esta resposta em mãos espera-se que o tratamento seja iniciado em 60 dias, evitando que a doença avance. Em vigor desde 2012, a Lei nº 12.732 (1) do Ministério da Saúde estabelece que o primeiro tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do laudo patológico ou em prazo menor, conforme necessidade terapêutica do caso registrada no prontuário do paciente.

Segundo o Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são registrados, em média, 230.000 casos de câncer por ano. No período analisado (Agosto de 2017), das 246 habilitações como UNACON, 91% tinha RHC; Das 44 habilitações como CACON, 100% tem RHC; Dos 8 Hospitais Gerais habilitados com cirurgia oncológica, 50% tem RHC e De hospitais não habilitados 30 tem RHC (2,3). O RHC é um sistema Web desenvolvido pelo INCA para consolidação de dados hospitalares provenientes dos Registros Hospitalares de Câncer de todo o Brasil. Os RHC se caracterizam em centros de coleta, armazenamento, processamento, análise e divulgação de informações de pacientes atendidos em uma unidade hospitalar, com diagnóstico confirmado de câncer. A informação produzida em um RHC reflete o desempenho do corpo clínico na assistência prestada ao paciente, para todos os tipos de câncer (4).

Diagnóstico oportuno

Para estimar o sucesso do tratamento (seja curativo ou paliativo) é essencial avaliar a extensão da doença. Este processo, chamado de estadiamento, é de grande importância pois dele dependerá a estratégia de tratamento. Os métodos usados no estadiamento podem ser clínicos, cirúrgicos e anatomopatológicos. Os índices de cura são superiores nos estadiamentos iniciais, chance que pode cair progressivamente nos estadios seguintes. Os tumores sólidos malignos costumam ser classificados em estádios de I a IV (embora existam outras classificações para certos tumores). Os tumores mais iniciais são classificados como estádio clínico I; os que se encontram em fase intermediária vão para os estádios II e III; e os casos mais avançados, geralmente com disseminação à distância, pertencem ao estádio clínico IV (5).

Método

Realizou-se um estudo descritivo analítico baseado em dados secundários (6). Foram incluídos os registros com data de primeira consulta entre 2009 a 2015, ocorridos no Brasil, registrados no Registro Hospitalar de Câncer, os quais foram extraídos em formato .csv do website do RHC do Instituto Nacional do Câncer do Ministério da Saúde. Optou-se por estudar os últimos 7 anos, por se tratar da mais recente série histórica disponível. Para análise dos dados foi utilizado o Programa Excel 2013 e o programa de Business Intelligence Tableau Public 9.3. Para categorizar os estadiamentos foram utilizados os critérios clínicos (5).

Seguindo as recomendações do INCA (4): Foram incluídos, para o cálculo dos tempos, os registros de casos analíticos, coerentes e validados. Para os intervalos de tempos entre consulta/diagnóstico; diagnóstico/tratamento e consulta/tratamento foram considerados somente os registros sem diagnóstico e sem tratamento anterior. Foram excluídos os registros com datas consideradas inválidas tais como 99/99/9999 e 88/88/8888, as com formatos diferentes de dd/mm/aaaa e ainda as que o diagnóstico tenha sido anterior a 1980. Para o intervalo de tempo entre consulta/diagnóstico foram incluídos somente os registros cujo diagnóstico tenha sido posterior a consulta. Para o intervalo de tempo entre o diagnóstico/tratamento foram incluídos somente os registros cujo tratamento tenha sido posterior ao diagnóstico.

A equipe do Observatório de Oncologia, via Controladoria Geral da União, questionou o INCA sobre o formato de disponibilização dos dados. O próprio Instituto reconhece que disponibiliza relatórios gerenciais somente em formato PDF e não em linguagem compreensível por máquina (CSV, JASON e etc.). A equipe técnica enviou uma resposta oficial, orientando como extrair os dados de seu site. Confira aqui: http://bit.ly/2BgxTr5

Resultados

Foram selecionadas três etapas da jornada do paciente que chega sem diagnóstico e sem tratamento ao serviço especializado: 1. Tempo entre diagnóstico e início do tratamento; 2. Tempo entre primeira consulta e diagnóstico e 3. Tempo entre primeira consulta e início do tratamento. As dimensões analisadas incluem: Região de Residência, Estadiamento e Faixa Etária.

1. Tempo entre diagnóstico e início do tratamento

Segundo a lei (1), o primeiro tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do diagnóstico. No Brasil em geral, 20,4% dos casos demoraram, em média, mais de 60 dias para iniciar o tratamento após o diagnóstico. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu iniciar o tratamento em até 60 dias foi de: 83% (estadio I), 72% (estadio II e III) e 79% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil, em média, o Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Norte e Nordeste apresentaram, respectivamente 15%, 17,5%, 20,5%, 23,57% e 23,46% não conseguiram acesso ao tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. No Brasil, 95% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram iniciar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, enquanto para os adultos esse foi de 79% (4).

2. Tempo entre primeira consulta com especialista do centro de tratamento oncológico e a confirmação do diagnóstico

Embora não exista lei que regulamente o tempo entre consulta e diagnóstico entende-se que a história natural da doença descoberta precocemente costuma ser mais favorável do que na avançada. No Brasil em geral, 20% dos casos demoram, em média, mais de 60 dias para conseguir a assinatura do laudo patológico. Possivelmente a demora em acessar o diagnóstico é decorrente de demora para conseguir agendar e realizar a biópsia do tumor. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu a confirmação do diagnóstico em até 60 dias foi de: 77% (estadio I), 80% (estadio II e III) e 88% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil, em média, o Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, apresentaram os melhores índices, respectivamente 16%, 17%, 20%, 26% e 27% não conseguiram a confirmação patológica em até dois meses após a primeira consulta. Nas regiões No Brasil, 92,3% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram o diagnóstico em até dois meses após a primeira consulta, enquanto para os adultos esse número foi de 80% (4).

3. Tempo entre primeira consulta com médico especialista do centro de tratamento oncológico e início do tratamento

A primeira consulta com o especialista é o primeiro passo para buscar o início do tratamento de câncer. No Brasil em geral, 38% dos casos demoram, em média, mais de 60 dias entre a primeira consulta e o início do tratamento. Em relação aos estadiamentos, a porcentagem de casos que conseguiu iniciar o tratamento em até 60 dias foi de: 62% (estadio I), 61% (estadio II e III) e 63% (estadio IV) (4).

Para as regiões de residência do Brasil (2), em média, as regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte apresentaram, respectivamente 31,4%, 33,3%, 37,18%, 42,1% e 44% não conseguiram iniciar o tratamento em até dois meses após a primeira consulta. No Brasil, 86,4% das crianças (menores ou igual a 19 anos) conseguiram acesso ao tratamento em até dois meses após a primeira consulta, enquanto para os adultos esse número foi de 61% (4).

Discussão

I. Aspectos Gerais

Apesar da lei dos 60 dias (1) estar vigorando desde 2014, quando comparados os dados antes e após a implantação da lei, o RHC mostra que não houveram mudanças consideráveis no paradigma do acesso ao tratamento oncológico, ou seja, ainda existem casos onde o tempo entre diagnóstico e tratamento é superior a 60 dias. Diferente do estadiamento, a faixa etária e a região de residência são variáveis consideráveis para o acesso ao tratamento oncológico.

II. Fortalecimento do Registro Hospitalar de Câncer em todos os hospitais

A implantação de uma cultura que favoreça a utilização de informações no cotidiano da gestão reverte dados de melhor qualidade para os próprios Sistemas de Informação em Saúde (7). Fortalecer o Registro Hospitalar de Câncer constitui importante alternativa para aprimorar a coleta de dados com maior qualidade, estimular sua utilização e instrumentalizar o desenvolvimento de sistemas locais adequados às necessidades dos municípios, estados e do sistema nacional.

A produção de dados é de grande importância para os sistemas de saúde. Informações são essenciais para a descentralização e o aprimoramento da gestão, bem como para o fortalecimento do controle social da saúde. A disponibilização de informações fortalece e potencializa esforços para o desenvolvimento de novas tecnologias para coleta, produção e análise de dados e, principalmente, do uso das informações no cotidiano da gestão (7).

III. Por que não utilizar dados do SISCAN (Sistema de Informação do Câncer) para este estudo?

O SISCAN é uma plataforma web que integra apenas os Sistemas de Informação do Câncer do Colo do Útero (SISCOLO) e do Câncer de Mama (SISMAMA). Este sistema é uma ferramenta de gestão para fortalecer as ações de controle e prevenção destes cânceres. Por ser uma organização não governamental, a ABRALE não tem acesso aos dados do SISCAN (8). O RHC está capitalizado em boa parte da rede de tratamento oncológico, abrange todos os tipos de neoplasias e consolida os registros oriundos de hospitais de todo o Brasil. Portanto para este estudo optou-se por utilizar os dados abertos e publicados na web no site do INCA.

Conclusão

Este estudo nos impulsiona a lutar, no sentido de atingir os padrões de diagnóstico e assistência aos portadores de câncer. A mudança do paradigma na oncologia da saúde pública somente se dará quando houver união entre Estado, organizações não governamentais, instituições filantrópicas, parceiros privados e meios de comunicação. Concomitante a tais articulações, são necessários também, programas de educação permanente e capacitação para os atores que participam do cuidado de um paciente desde a atenção primária até os cuidados oncológicos e, posteriormente, o uso adequado dos postos de saúde e demais equipamentos de saúde.

Fonte dos Dados:
Registro Hospitalar de Câncer do INCA

Referências:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Lei n.º 12.732. Dispõe sobre o primeiro tratamento de paciente com neoplasia maligna comprovada e estabelece prazo para seu início.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Listas de endereços de RHC em Centros Oncologia. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=351>. Acesso em: 17/07/2017.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Regulação Avaliação e Controle. Coordenação Geral de Sistemas de Informação. Núcleo de Disseminação de Informações em Saúde. Fonte: CNES. Situação em: 23/06/2015.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Registro Hospitalar de Câncer. Integrador RHC. Disponível em: <https://irhc.inca.gov.br/RHCNet/>. Acesso em: 17/07/2017.
5. Vencer o Câncer. Fernando Cotait Maluf, Antonio Carlos Buzaid e Drauzio Varella, editores. São Paulo: Dendrix, 2014. 512p.
6. Daumas Felix, Janaina, et al. Avaliação da completude das variáveis epidemiológicas do Sistema de Informação sobre Mortalidade em mulheres com óbitos por câncer de mama na Região Sudeste-Brasil (1998 a 2007). Ciência & Saúde Coletiva 17.4 (2012).
7. Brasil. Ministério da Saúde. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde / Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. ? Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Sistema de informação do câncer: manual preliminar para apoio à implantação /Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. ? Rio de Janeiro: INCA, 2013. 143p.: il.

Notas:
Foram incluídos os registros com data de primeira consulta entre 2009 a 2015, ocorridos no Brasil, registrados no Registro Hospitalar de Câncer de todos os hospitais participantes do RHC
*Existem estabelecimentos de saúde que realizam tratamento para enfermidades oncológicas, e não são habilitados para o cuidado oncológico segundo a Portaria n.º 140, de 27 de fevereiro de 2014, que regulamenta sobre os CACON e UNACON. Ou seja, existem hospitais que tratam câncer mas não são CACON ou UNACON.”

A Obesidade e os Riscos de Desenvolver Câncer

 

Nos últimos anos, os hábitos dos brasileiros têm impactado cada vez mais no crescimento da obesidade e, consequentemente, no aumento de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão e, até mesmo, o câncer. Segundo dados do VIGITEL 2016, que entrevistou 53.210 pessoas com mais de 18 anos, entre fevereiro e março, mais da metade da população está com o peso acima do recomendado e 18,9% dos brasileiros estão obesos.

 

O que é excesso de peso? O índice de massa corpórea, IMC, além de classificar o indivíduo com relação ao peso, também é um indicador de risco para a saúde e tem relação com várias complicações metabólicas.

– Considera-se excesso de peso = IMC igual ou maior que 25kg/m²

O excesso de peso cresceu 26,3% em 10 anos, passando de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016.

– Considera-se obesidade = IMC igual ou maior que 30kg/m²

A obesidade cresceu 60% em 10 anos, passando de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016.

Ainda segundo o VIGITEL 2016, a prevalência de obesidade duplica a partir dos 25 anos e é maior entre os que tem menos escolaridade.

Mas o que tudo isso pode contribuir para o desenvolvimento do câncer?

A obesidade tem sido cada vez mais associada ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, estando relacionada a 10% de todas as mortes oncológicas em não fumantes e presente em, aproximadamente, 14% de todas as mortes por câncer em homens e 20% em mulheres. O percentual de ocorrência de câncer relacionado ao sobrepeso e obesidade depende do órgão acometido pelo tumor, destacando-se as neoplasias de cólon e reto, mama, endométrio, esôfago, vesícula biliar, pâncreas, rins, próstata, colo uterino e ovários e, em menor proporção, linfoma não-Hodking, mieloma múltiplo, estômago e fígado. Em números, a obesidade pode estar presente em 40% a 50% dos casos de câncer de endométrio e esôfago, 20% a 30% das neoplasias renais e até 50% dos casos de mama pós menopausa.

Contudo, a atividade física reduz o risco de doenças crônicas e, consequentemente, a taxa de mortalidade por qualquer causa, independente do grau de excesso de peso. Porém, especificamente em relação às neoplasias, o benefício da atividade física reduz o risco em 20% a 40% para cólon, endométrio e mama.

Fonte dos dados:
VIGITEL BRASIL 2016 ? MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível online em: <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/abril/17/Vigitel.pdf>

Referências:
FERRAZ, Á. A. B., & DE SIQUEIRA, L. T. Obesidade e Câncer. Anais do Gastrão 2015 p.001